7.25.2008

Olho Neles
Relatos de uma história verídica


Margaria Oliveira



Conforme indica um ditado chinês, dos raros que conheço, não por os não ter procurado ou não ter lido, mas porque à maior parte deles os esqueci por falta de utilidade prática no dia a dia, quando uma pessoa cai ao chão se deve levantar com a ajuda dele. Seja, portanto, este novo item de partida para a interpretação crítica do livro de Margarida Oliveira...
O desafio é, assim, não descobrir a motivação que baseou a sua feitura, mas antes perceber até que ponto os princípios nos quais se terá fundamentado resultaram como meio e não como fim (de prova), assistindo à heurística própria do texto, que é o capital suficiente e necessário para que ele chegue ao término ensinando-nos a aprender com ele o desenvolvimento de si mesmo. Os relatos e retratos das experiências familiares, sociais, comunitárias e pessoais, à medida que se desenrolam, vão transformando sempre noutra coisa aquilo que se retrata e relata, porquanto a confissão e processamento deles – afirmar que se é tímido, segundo Jean-Paul Satre, é já deixar de o ser – catapultam a identidade emissora para uma tomada de consciência anteriormente impossível, visto faltar-lhe a reflexão que a prepara e invoca. A catarse não é uma terapia em si mesma, mas ao acontecer sara as brechas abertas sem as quais nunca se alcançaria, pelo que a introspecção exercida, cada passo cometido nela, lhe faculta a eclosão, o despertar para a sua realidade e, consequente, o seu usufruto. Comunicar é expugnar a incomunicação que nos habita. E revelar os nós que a manietam é deslaçá-los, desenlear o novelo ou tumor que temíamos.
Quando Margarida, a narradora desta aventura "épica" que é a luta derradeira de alguém pela vida, transcreve os efeitos directos (e secundários) de um nódulo cerebral patogénico, cancerígeno, está a usar o tratamento exacto e rigoroso, com o bisturi da palavra, para operar o imbricado novelo, igualmente maligno, de que enferma a comunicação entre as pessoas do mesmo habitat, que partilham os mesmos valores e ambiente, conceitos e espaços-quando, quer elas pertençam a uma família, a uma comunidade, a uma região, a um povo ou a uma espécie. Está a ensinar-nos que a extracção dos nódulos existenciais provocados pela falta de comunicação (compulsão) carecem seguidamente da radioterapia (exposição aos raios) e quimioterapia (ataque com químicos exteriores), tratamentos assaz dolorosos, mais brutais ainda que a dor provocada pela doença, para que a vida flua e deslace harmoniosamente duradoura. E que todo esse sofrimento pode ser em vão, mas que não deve ser por reconhecê-lo, que temos o direito de o não tentar ou dele desistir. Porque o exemplo que ela nos dá, a sua coragem, ao partilhar connosco a sua verdade, os seus sentimentos, emoções, afectos, valores, dia a dia, família, ideias, expectativas, esperanças e fracassos, realidades e sonhos, muito mais do que satisfazer as suas necessidades de resiliência e reganhar a elasticidade, a flexibilidade e espontaneidade perdidas, o jogo de cintura suficiente para fintar o destino, ou resolver – melhor dito: revolver, os pomos de incomunicabilidade de si consigo própria –, os traumas de crescimento no autoconhecimento a caminho da maturidade e emancipação.
O mostrar-se em carne viva, sem a pele da representação de outra persona que diga por ela como ela intimamente se vê, o desarmar-se das teias da literalidade, da camuflagem do eu sob o pretexto da criação literária, da narrativa de ficção, do fingir que é vida a vida que deveras vive, denunciando o cancro, é um passo determinante para prescrever-lhe o tratamento e transmitir-nos a certeza de que nada existe incomunicável por natureza, e que se o operarmos a tempo e com determinação, com amor, trabalho e sabedoria, podemos vencê-lo. Seja esse cancro pessoal, social, familiar ou regional, religioso, cognitivo ou económico. É dizer que Jorge não morreu em vão, e que a sua vitória foi pírrica, mas foi autêntica. É dar-nos igualmente a possibilidade de tirar uma lição daquela lição que a vida lhe deu, pois que cada um de nós não passa de mais um projecto da vida, uma peça da estratégia que ela encontrou para se eternizar. Uma peça substituível, uma passagem como afirma, que ela troca quando, no seus critérios e propósitos, não nos nossos, acha que deve ser substituída por outra, mais exactamente, tomar outra forma e natureza. Reciclar. Transformar em memória. Que a morte não existe nunca, se esta perdura. E o papel da arte, sobretudo da literatura, é mudar o sítio aos significantes a fim de melhor poderem desfrutar do seu significado. É dar-lhe o lugar que conquistaram na comunicação do cosmos.
Por conseguinte, eu não creio que Jorge Oliveira tenha morrido definitivamente (ao fim do livro). Apenas subiu a pulso para onde melhor pudesse continuar a sua luta pelas causas em que acredita piamente: a liberdade de escolha, sem discriminar ninguém, e na criação de óptimas condições de vida, em particular dos mais desfavorecidos. Voltou aos comícios. Com uma das filhas, talvez a sua menina, às cavalitas, às costas se dirá, às "calhandras" como diziam os homens do campo, o mais crescido à frente, e os outros dois, cada um em sua mão. Ou seja, se a morte imagina que o venceu, bem pode tirar o cavalinho da chuva, que foi ele quem a usou, para erigir-se, apoiando-se nela. Além de que o cheque sonhado, não obstante o elevado montante, teve cobertura garantida, que não se traduz apenas em €uros mas sobretudo em algo mais valioso, que apenas os bancos de genes podem, autorizadamente, pagar: a certeza de que a vida é muito mais do que aquilo que dela vemos e vivemos, bem como que os sinais para o seu cumprimento, ainda que desconheçamos conscientemente a sua descodificação, como interpretá-los, o nosso inconsciente o fará por nós, ditam-nos a conduta a seguir, veiculando-nos como seus dilectos cúmplices – e testemunhas. Cheque endossado a cada um que vai lendo, ou assistindo, ao nascimento de uma verdadeira escritora, com firma autenticada pelo cartório notarial da modernidade.
(Que tal como no ditado chinês, se ergue da escrita em que se viciou irremediavelmente, apetece-me adiantar, à laia de P.S. – Post Scriptum, para evitar as falsas interpretações daqueles que gostam de ver política em tudo.)

7.18.2008

Declaração política da Deputada Heloísa Apolónia sobre NUCLEAR proferida na Assembleia da República a 17 de Julho de 2008


A questão do nuclear veio outra vez à ordem do dia, agora por iniciativa do Governador do Banco de Portugal. Aí há uns tempos tínhamos empresários, que curiosamente nunca tiveram preocupações ambientais, a dizer que era preciso um combate contra as alterações climáticas e que, por isso, era inevitável construir uma ou mais centrais nucleares em Portugal. Agora, temos Victor Constâncio a dizer que temos uma dependência tal do petróleo que temos que ponderar a instalação de reactores nucleares em Portugal.

O mais preocupante é que tudo isto se baseia em pressupostos falsos, que é preciso denunciar, porque a sustentabilidade e a segurança do país não se compadecem com as oportunidades de novos negócios que alguns gostavam de realizar, para acumular mais umas fortunas.

É bem verdade que precisamos de combater as alterações climáticas (quem mais do que “Os Verdes” o tem repetido, há anos e anos?). E é bem verdade que temos que nos livrar da nossa dependência do petróleo. Temos que trabalhar para a auto-sustentação e sustentabilidade energética, fundamentalmente através da criação de eficiência e da aposta nas energias renováveis.

Ocorre, entretanto, Srs. Deputados que a energia nuclear não nos resolveria nenhum destes problemas. Só para dar alguns exemplos que o justificam, “Os Verdes” dizem o seguinte:

O sector que mais contribui para a nossa dependência do petróleo, e que é também dos mais responsáveis pelas emissões de gases com efeito de estufa, é o sector dos transportes. Ora, uma central nuclear não põe os transportes a andar, ela destina-se exclusicamente a produção de electricidade. Logo, não será difícil perceber que mesmo se hoje já tivessemos a funcionar um reactor nuclear em Portugal, estaríamos exactamente com o mesmo problema de dependência do petróleo e com os mesmos problemas de excesso de emissões de gases com efeito de estufa. Portanto, quem pinta a energia nuclear de milagre para a resolução do país, está a enganar os portugueses.



Para além disso, o nosso problema energético, criado pelo desleixo de sucessivos Governos ora do PS, ora do PSD, é um problema que requer respostas urgentes, porque estamos a senti-lo hoje com grande intensidade. Ora, imaginemos que se cometia o brutal erro em Portugal de construir uma central nuclear – ela só estaria pronta lá para o ano 2020, o que significa que invocar o nuclear como resposta à actual crise do petróleo é de uma desonestidade muito grande.

Para os que gostam de olhar para as questões financeiras, uma central nuclear custaria cerca de 4 a 6 mil milhões de euros (isto se não tivermos em conta as derrapagens financeiras, que na construção do novo reactor nuclear da Finlândia já ultrapassou os 25%). A central nuclear teria um período de vida útil de cerca de 50 anos, e depois o desmantelamento de uma central nuclear custa, a preços iguais, o dobro ou o triplo da sua construção. Transportar este encargo para as gerações futuras seria de uma enorme irresponsabilidade, para já não falar dos apoios públicos que este investimento acarretaria, quer do ponto de vista nacional, quer do ponto de vista europeu, que ao invés de serem direccionados para as energias renováveis seriam direccionados para a energia nuclear.

Há que ter também em conta que uma central nuclear funciona com base no urânio. O urânio é um recurso limitado e não renovável. E manter-nos-íamos dependentes do exterior para adquirir esta matéria prima, ou activariamos minas de urânio em Portugal, alargando e agravando o problema que já hoje conhecemos de saúde pública e de incapacidade de resolução de passivos ambientais das minas da urgeiriça?

Por fim, mas da maior importância para quem entende a ecologia como a sustentação do desenvolvimento, o nuclear transporta consigo um eterno problema: os resíduos radioactivos. Não há solução para os resíduos radioactivos e eles são de uma perigosidade extremamente elevada, com efeitos adversos que se mantêm ao longo de décadas e décadas. Para além de que a própria indústria nuclear é uma indústria de risco inegavelmente elevado. É, portanto, também a segurança das populações, agora e no futuro, que está em causa. E não há que minimizar este problema, porque ele é real e não temos nenhuma necessidade de nos submetermos a ele.

É claro que há quem diga que já estamos submetidos aos efeitos do nuclear porque a nossa vizinha Espanha tem centrais nucleares a funcionar e que se houvesse um acidente nós estaríamos sujeitos às suas conseqüências. Mas isto será argumento aceitável? Isto é como dizer, já está ali uma lixeira, não faz mal nenhum fazer outra aqui! E o monstro cresce assim! Para além de que, a nossa responsabilidade é a de, justamente, olhar para o problema que a Espanha tem tido com o depósito de resíduos radioactivos e simultaneamente apoiar Espanha na inversão já anunciada em relação ao nuclear, porque Espanha já criou um plano de encerramento de centrais nucleares. Então e vamos nós, aqui em Portugal, dar exactamente o sinal contrário? Enquanto a Espanha, a Alemanha, a Suécia recuam no nuclear, vamos nós dar um primeiro passo para implantar nuclear em Portugal? Não faria qualquer sentido!

A postura do PS sobre esta questão tem sido a de que o Nuclear não está na agenda do Governo, mas, ao que parece, não fecha a porta a que venha a estar na próxima legislatura. Para um Governo que se diz apostado no reforço das energias renováveis, esta posição enfraquece esse objectivo e deixa muita margem de manobra para que a pressão dos desejosos investidores pró-nuclearistas se faça sentir e para que partidas e contra-partidas se comecem a formar. A população precisa de estar muito atenta!

Curiosamente, do sector que mais contribui para a nossa dependência do petróleo e para as alterações climáticas – os transportes – esses investidores não falam, nem reivindicam soluções. Mas falam “Os Verdes” e, por isso, hoje aqui anuncio que as nossas jornadas parlamentares, a realizar na próxima 2ª e 3ª feira serão dedicadas, justamente, ao tema dos transportes.

“OS VERDES” ORGANIZAM JORNADAS PARLAMENTARES SOBRE TRANSPORTES A 21 E 22 DE JULHO

O Grupo Parlamentar “Os Verdes” organiza nos próximos dias 21 e 22 de Julho as suas Jornadas Parlamentares que terão como tema de fundo os transportes.

No momento em que mais uma vez surge na ribalta o tema da energia nuclear e várias vozes se levantam em defesa da construção de uma central em Portugal, “Os Verdes” consideram fundamental esclarecer um conjunto de questões que têm vindo a ser minimizadas e que muitos pretendem manter na sombra. Para fazer face à actual crise energética, é urgente intervir na área dos transportes públicos colectivos, tornando mais eficaz o sistema actualmente existente e investindo na ferrovia e na mobilidade suave.

O preço dos combustíveis, dizem os especialistas, não mais voltará aos valores de antigamente e, portanto, este é o momento ideal para inverter a tendência de aumento de consumo energético que se tem verificado nos últimos anos. O caminho a seguir deverá passar por uma diminuição do consumo, pelo aumento da eficiência energética, pelo investimento em energias alternativas e pela expansão do actual sistema de transportes públicos com justiça social e coesão territorial.

Para discutir estas matérias, “Os Verdes” reunirão, no âmbito das suas jornadas, com um conjunto de entidades das quais se esperam contributos para o desenvolvimento de iniciativas parlamentares futuras.

Convidamos os senhores e senhoras jornalistas para estarem presentes na conferência de imprensa que se realizará no dia 22 de Julho na sede do Partido Ecologista “Os Verdes” (Rua da Boavista, nº83, 3ºDt.º, Lisboa), pelas 14.30H, onde “Os Verdes” darão conta das conclusões da iniciativa e onde farão a apresentação de um conjunto de iniciativas legislativas.

Para mais informações, poderão contactar “Os Verdes” através do número 917 462 769.

O Grupo Parlamentar “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”

(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
http://www.osverdes.pt/

7.16.2008

LINHA DO TUA
HOJE, NA INICIATIVA DE “OS VERDES” NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, FUGIU A BOCA PARA A VERDADE À SECRETÁRIA DE ESTADO DOS TRANSPORTES

“…não é por questões de segurança… “

“…nem por baixa procura…”

“…a única razão pela qual se pode vir a encerrar totalmente ou parcialmente a Linha do Tua é exclusivamente a barragem…”

Estas foram palavras proferidas pela Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, na Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações da Assembleia da República à qual se deslocou hoje, para responder, em representação do Ministério das Obras Públicas, sobre os acidentes e sobre o futuro da Linha do Tua, numa iniciativa promovida pelo Grupo Parlamentar “Os Verdes”.

Esta iniciativa foi solicitada por “Os Verdes” no passado mês de Junho aquando do terceiro acidente ocorrido nesta linha num período de um ano e meio.

Hoje, “Os Verdes” viram confirmado, pela boca de Ana Paula Vitorino, aquilo que sempre souberam: a barragem é a verdadeira e única ameaça à Linha do Tua e todos os outros argumentos até agora utilizados (falta de segurança, baixa procura…) por membros do Governo, no qual se inclui a Secretária de Estado, o próprio Ministro das Obras Públicas e ainda o Governador Civil de Bragança, que publicamente evocaram várias vezes estas razões para justificar o possível encerramento da Linha, não são mais do que uma tentativa de atirar areia para os olhos dos mais incautos ou dos que não conhecem a Linha do Tua e a realidade transmontana.

Ficou também claro, nas respostas dadas pela Secretária de Estado ao Deputado de “Os Verdes”, Francisco Madeira Lopes, que, qualquer que seja a quota da barragem, parte da Linha ficará sempre submersa no seu troço mais valioso do ponto de vista paisagístico e de engenharia. A Linha do Tua ficará assim definitivamente desligada da Linha do Douro, isto é, da rede ferroviária nacional, não restando dúvidas que o troço não submerso deixará de ter qualquer viabilidade. Também a mobilidade da população transmontana fica assim reduzida e esta região ainda mais isolada.

Nesta reunião, o Deputado de “Os Verdes” desafiou a Secretária de Estado a apresentar argumentos concretos para sustentar o desenvolvimento que esta considera que a barragem representa para a região e para o país. Pelo seu lado, o Deputado ecologista defendeu, mais uma vez, a importância da manutenção da Linha do Tua, justificando-a com o serviço que esta presta às populações locais, com o seu valor patrimonial e cultural e com o seu potencial para um desenvolvimento sustentável desta região, se bem articulada com a Linha do Douro e com a reabilitação desta até Barca D’Alva.

A Secretária de Estado comprometeu-se hoje a entregar aos Deputados os relatórios da REFER, do Instituto Nacional de Transporte Ferroviário e do LNEC, quando confrontada pelo Deputado de “Os Verdes” com o secretismo que tem rodeado o apuramento das causas dos três acidentes ocorridos nesta Linha no último ano e meio e que em 120 anos praticamente não tem registo de acidentes graves.

O Partido Ecologista “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 -
imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
www.osverdes.pt
Lisboa, 16 de Julho de 2008
QUESTÃO NUCLEAR DEVE SER DEFINITIVAMENTE AFASTADA
O Partido Ecologista “Os Verdes” considera que são inqualificáveis as declarações proferidas ontem no Parlamento por Vítor Constâncio.
“Os Verdes” reafirmam que a energia nuclear não resolve o problema da dependência energética do país e questionam as reais intenções de quem insiste em lançar a confusão neste debate, ao afirmar o contrário. Pelo que se vê, o governador do Banco de Portugal não está preocupado nem com a segurança das populações nem com os problemas ambientais que uma decisão destas acarretaria.
Para o PEV, o que é essencial, especialmente neste momento de grave crise social, repercutida no que mais pesa na bolsa dos portugueses – o preço dos combustíveis – é tomar medidas no sentido de tornar mais eficiente a actual rede de transportes de modo a criar alternativas reais ao uso do automóvel, investir na ferrovia e apostar nas energias renováveis.
É preciso clarificar de uma vez por todas a seguinte questão: a construção de uma central nuclear em Portugal não vai fazer baixar o preço dos combustíveis. Uma central nuclear terá associados gravíssimos problemas ambientais para os quais ainda não foi encontrada solução (nem mesmo na Finlândia, como quer fazer crer Vitor Constâncio), como é o caso dos resíduos radioactivos por ela produzidos e cuja perigosidade permanece por milhares de anos. Já para não falar das questões da segurança no funcionamento de uma central que os defensores desta alternativa pretendem minimizar, e dos próprios custos de construção de uma central nuclear.
Por todas estas razões, o Partido Ecologista “Os Verdes” considera que a questão nuclear deve ser definitivamente afastada.

O Partido Ecologista “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 -
imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
http://www.osverdes.pt/
Lisboa, 16 de Julho de 2008

POR INICIATIVA DE “OS VERDES” GOVERNO RESPONDE SOBRE ACIDENTES NO TUA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Por iniciativa de “Os Verdes”, a Sr.ª Secretária de Estado Ana Paula Vitorino estará amanhã, dia 16 de Julho (no período da manhã), na Assembleia da República para, em sede de Comissão, prestar esclarecimentos, em nome do Ministério das Obras Públicas, sobre os acidentes que têm ocorrido na Linha do Tua.

O Partido Ecologista “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”

(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)

7.12.2008


Intervenção da Deputada Heloísa Apolónia (PEV) proferida na Assembleia da República a 10 de Julho de 2008 – debate sobre o Estado da Nação

O país está mal porque a generalidade dos portugueses vive mal, e já nem o Primeiro Ministro o pode negar, tal é a evidência!
Só que à semelhança daqueles meninos que passam a vida a fazer asneiras e a dizer “não fui eu, foi ele!”, o Sr. Primeiro Ministro tem procurado responsabilizar a crise internacional por todos os males de que o país padece e, designadamente, pelas dificuldades que os cidadãos enfrentam. Como se o Governo não tivesse responsabilidade alguma!
Ocorre que o Governo assim que iniciou o seu mandato, e no decurso dele, tomou medidas altamente desfavoráveis aos cidadãos e à nossa economia, como por exemplo a diminuição real salarial, a precarização do emprego, o aumento do IVA, o encarecimento dos serviços de saúde, entre tantos outros que aqui poderiam ser dados.
O Governo contribuiu assim, sobremaneira, para a fragilização da situação das famílias, retirando-lhes poder de compra e dificultando as suas contas no dia a dia. Tudo em nome do único objectivo que tinha: o défice!
E, com isto, retirou à generalidade dos portugueses a possibilidade de serem agentes participativos na dinamização da economia. E as empresas perderam com isso também, porque as pessoas compram menos, porque não têm dinheiro para gastar, têm que se retrair; por outro lado as exportações diminuem porque a componente externa não as reclama, e muitas micro, pequenas e médias empresas têm hoje uma enorme dificuldade em escoar os seus produtos, quer cá dentro, quer lá para fora.
Mas uma coisa é certa: os grandes grupos económicos, esses, continuam de vento em popa, com lucros astronómicos, mesmo com a meta do défice, mesmo com crises internacionais! E em Portugal continuam-se a praticar escandalosos brutais salários a uma pequena minoria privilegiada, que contrastam claramente com um dos mais baixos salários médios europeus e com um objectivo de 500€ de salário mínimo nacional para 2011!
Isto é um escândalo social, porque demonstra uma injustiça social permanente que o governo insiste em não resolver, porque não tem como objectivo uma justa repartição da riqueza.
Ou seja, o Governo fragilizou o país, fragilizou as condições de vida das pessoas e é evidente que, neste quadro, os factores externos tomam proporções muito maiores no nosso país já debilitado económica e socialmente pelo Governo.
O país tem, por outro lado, problemas estruturais que este Governo, à semelhança de outros, não resolve e que, com algumas medidas que tem tomado, até agrava. E esses problemas estruturais não se resolvem com as medidas pontuais que o Governo anuncia de debate em debate.
O desemprego e o risco de pobreza são um exemplo disso– os níveis de desemprego estão hoje mais altos do que quando o Governo tomou posse e a camada trabalhadora engrossa em Portugal a bolsa de pobreza.
O desordenamento do território é outro problema estrutural do país e tem sido uma das nódoas negras da política ambiental deste Governo – fizeram um Plano, ah isso fizeram, mas um plano de ordenamento do território conformado com as assimetrias regionais nele existentes, e têm permitido investimentos com forte impacto num litoral já fragilizado, como certos PIN que de interesse nacional nada têm, antes se resumem a interesses de certos grupos económicos. Daqui a uns anos andaremos a investir milhares de euros para reparar os danos que este Governo continua a cometer no litoral – ora arranja aqui, ora estraga logo de seguida ali!
Estes são apenas alguns exemplos, entre tantos outros que aqui poderiam ser dados, de que esta situação difícil que hoje se vive e se está a agravar em Portugal, de fragilização das condições de vida e do território, são da mais absoluta responsabilidade do Governo, por mais que haja menino que diga “não fui eu, foi ele!”.

O Sr Primeiro Ministro quer que a oposição proponha alternativas. Tem andado distraído, porque é o que temos feito continuamente ao longo destes anos. Mas resumidamente, o que “Os Verdes” têm para dizer ao Governo é isto: experimentem governar à esquerda, em vez de governar à direita, e os resultados serão necessariamente outros!

7.10.2008


POR INICIATIVA DE “OS VERDES”
GOVERNO RESPONDE SOBRE ACIDENTES NO TUA
NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Por iniciativa de “Os Verdes”, a Sr.ª Secretária de Estado Ana Paula Vitorino estará na Assembleia da República na próxima quarta-feira, dia 16 de Julho para, em sede de Comissão, prestar esclarecimentos, em nome do Ministério das Obras Públicas, sobre os acidentes que têm ocorrido na Linha do Tua.

O Partido Ecologista “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 -
imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
www.osverdes.pt
Lisboa, 10 de Julho de 2008

7.07.2008

Intervenção DO DEPUTADO FRANCISCO MADEIRA LOPES (PEV) PROFERIDA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA A 3 DE JULHO DE 2008 SOBRE A Petição nº407/X e o Projecto de Resolução nº356/X
A pobreza, e dentro desta, a pobreza extrema, é sempre, em qualquer situação, profundamente preocupante, exasperante e constitui o reconhecimento da nossa falência, enquanto Estado e Sociedade, na prossecução dalguns dos objectivos mais importantes a que nos propusemos em Abril, enquanto Estado de Direito Social, Democrático, fundado no respeito pelos Direitos Humanos e na dignidade da pessoa humana: o desenvolvimento a equidade, a justiça social, a igualdade, a paz, o pão, a habitação, a saúde, a educação.
Mas a existência de pobreza, cada vez menos em bolsas, cada vez mais disseminada, revestindo novas formas, convivendo ao lado da abundância e do desperdício que também existem na nossa sociedade, num momento, como os peticionários bem referem, em que a humanidade, apesar de se confrontar, de uma forma cada vez mais clara, com um problema de sustentabilidade de recursos à escala global, tem meios e é capaz de produzir o suficiente para prover o mínimo de sustento digno a todos, torna-se absolutamente gritante e revoltante!
Quando a pobreza alastra, em profundidade e em extensão, atingindo novos estratos sociais, ao mesmo tempo que os lucros e rendimentos duma minoria de mais ricos crescem galopantemente na mesma exacta medida, desmentindo a ideia que alguns tentam passar de que quando há crescimento de riqueza todos beneficiam, corroem-se os valores da justiça e da solidariedade, e a situação roça, os limites da própria insustentabilidade e da paz social.
Citando o Prof. Bruto da Costa: “A pobreza não existe por acaso. A configuração e o funcionamento dos actuais sistemas geradores de riqueza, de rendimento e de poder, tanto a nível mundial como no interior de cada sociedade, tornam inevitável a existência de ganhadores e de perdedores, sem limites para os ganhos nem para a s perdas.”
Como dizem os peticionários, “a pobreza e a exclusão têm causas estruturais e, por isso, não se resolvem apenas com sobras ou gestos de generosidade esporádica” só podendo ser removidas “modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram e perpetuam a pobreza”.
Não restam dúvidas que a elevada incidência da pobreza em Portugal, mesmo depois de feitas as transferências sociais, tem causas profundas, assentes num modelo económico de mercado de competição capitalista, de acumulação selvagem de lucro e de concentração imoral e perigosa de riqueza e poder de controlo em que os mais fracos são colocados à margem do bem-estar e dos mais elementares direitos humanos.
Em Portugal, pelos dados hoje conhecidos, cerca de 20% dos portugueses estão em risco de pobreza enquanto os 20% mais ricos ganham em média sete vezes mais do que os 20% mais pobres; aos grupos tradicionalmente mais afectados, os idosos, crianças e jovens, pessoas com deficiência, mulheres e imigrantes, geralmente associado ao desemprego, junta-se uma nova realidade: a do trabalhador, mas com baixos salários e precariedade laboral, cujos rendimentos não suportam a escalada do aumento do custo de vida e dos bens essenciais, designadamente, energia e bens alimentares, para além da sangria imposta pelo sistema bancário e pelos juros do crédito à habitação.
A presente petição nº407/X, promovida pela Comissão Nacional Justiça e Paz, e subscrita por milhares de pessoas, e a pronta resposta do Parlamento, com o Projecto de Resolução nº356/X, indo ao encontro das suas propostas, constitui um pequeno, apesar de significativo, passo no sentido do assumir das responsabilidades da Assembleia da República perante esta magna chaga e responsabilidade social. Certamente que a pobreza não irá reduzir-se automaticamente apenas por via desta Resolução nem da Resolução nº10/2008 publicada em Março último. Mas podem constituir, se integralmente levadas à prática, instrumentos para fiscalizar as políticas dos Governos e denunciar as opções erradas que ao longo dos anos têm sido feitas, com a redução de pensões e salários, com o agravar das desigualdades e o aumento da pobreza.

INTERVENÇÃO DO DEPUTADO FRANCISCO MADEIRA LOPES (PEV) PROFERIDA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA A 3 DE JULHO DE 2008 - APRESENTAÇÃO DO PJL Nº268/X – RECOMENDA AO GOVOVERNO A PROMOÇÃO DA REDUÇÃO DOS SACOS DE PLÁSTICO

A política dos 3 R’s, apesar de permanentemente presente nos discursos e intervenções políticas, instrumentos de planeamento na área dos resíduos, documentos estruturantes, legislação e regulamentos, não tem, apesar disso, sido respeitada nem levada à prática desde que começou a haver, no nosso país, uma política para os resíduos.

Com efeito, a política de resíduos em Portugal, no que toca ao princípio dos 3 R’s, correspondentes à Redução, Reutilização e Reciclagem, tem-se reduzido praticamente em exclusivo ao último R, o da Reciclagem, importante, sem dúvida, mas, para além de ser o que maior esforço de meios exige, é absolutamente insuficiente e, incapaz, de per si, de resolver o problema da produção massiva de resíduos com que nos defrontamos diariamente.

Infelizmente, não é por acaso que tal acontece. A verdade é que, para quem só acredita que, também nas matérias ambientais, a solução tem que passar por soluções de mercado, investimento privado e obedecendo a uma lógica de lucro, compreende-se que a prioridade, e até ao momento, a exclusividade das medidas, tenha recaído sobre a criação das fileiras da reciclagem através das quais se pode, e bem, recuperar matérias-primas e reintroduzi-las no ciclo produtivo.

Contudo, sendo “Os Verdes” firmes defensores do R da reciclagem, nunca deixaram porém de pugnar pelos outros dois R’s, o da Reutilização e, em particular, o mais importante, e por isso nesta hierarquia aparece em primeiro lugar, o da Redução da produção de Resíduos.

Por isso “Os Verdes” têm feito intervenções e apresentado iniciativas legislativas, em diferentes legislaturas, das quais destacamos a última, o Projecto de Lei nº205/X/1ª sobre Redução de embalagens e de resíduos de embalagens, que visava precisamente a diminuição da produção deste tipo de resíduo ou, pelo menos, atenuar o seu ritmo de crescimento exponencial praticamente constante nos últimos 15 anos, projecto esse que, infelizmente, foi inviabilizado pelo Partido Socialista e pela direita parlamentar.

Com a presente Proposta de Resolução, o Partido Ecologista “Os Verdes”, pretende mais uma vez dar um contributo e um passo decisivo para procurar resolver um problema relativo a um resíduo concreto: o saco de plástico.

As toneladas de sacos de plástico que são consumidas diariamente, mormente no acto de ir às compras para transportar os bens adquiridos, em doses industriais, principalmente nos países ocidentais, obedecendo a um modelo de sociedade de consumo de massas irracional que coloca o lucro e a competitividade acima da sustentabilidade ecológica e ambiental, constitui um resíduo que pode e deve ser combatido e eliminado à partida do sistema substituindo-se por alternativas menos poluentes e com menos gastos de matérias primas, água e energia, como sejam os sacos reutilizáveis, que podem durar vários anos, feitos de tecido e outros materiais como há não muitos anos era hábito, um bom hábito de consumo, que entretanto se foi perdendo.

O permanente ciclo de produção, consumo, uso (em média por apenas 12 minutos) e desperdício de um resíduo que levará centenas de anos a se degradar por completo na natureza poluindo entretanto os ecossistemas terrestres e aquáticos, constituindo um perigo real e causa de morte, designadamente de aves e fauna marinha, consumindo recursos importantes, apenas para alimentar um modo de vida e consumo que há muito deixou de ser sustentável, precisa de conhecer um fim o mais rapidamente possível.

É absolutamente incompreensível que, existindo alternativas viáveis ao saco de plástico, que em nada reduzem sequer a qualidade de vida, a segurança e o conforto dos consumidores, e que são ambientalmente mais sustentáveis, nada se faça e se continue a assistir impávida e serenamente à continuidade da actual situação.

Por isso, “Os Verdes” propõem, com a presente iniciativa, que a Assembleia da República recomende ao Governo a adopção de um conjunto de medidas, entre medidas de sensibilização e incentivos para que a sociedade gradualmente, durante um prazo mais que suficiente de cerca de 5 anos, comece desde já a substituir o saco de plástico, preferentemente por sacos reutilizáveis, sem descurar a busca de soluções tecnologicamente inovadoras, que permitam o desenvolvimento de novos produtos que ajudem o homem a suprir as suas necessidades com o menor impacto ambiental possível, sendo certo que as soluções da redução e da reutilização são sempre preferíveis às da reciclagem, para que, o mais tardar em 2013, possamos cessar por completo a produção de um resíduo altamente prejudicial e absolutamente dispensável.

7.04.2008


“OS VERDES” SAÚDAM LIBERTAÇÃO DE INGRID BETANCOURT


O Partido Ecologista “Os Verdes” saúda a libertação de Ingrid Betancourt . “Os Verdes” reclamam há anos a canalização de todos os esforços conducentes à libertação de Ingrid Betancourt, cuja intercepção e sequestro foi feito por elementos das FARC em Fevereiro de 2002.

“Os Verdes” sempre entenderam, no decurso destes 6 anos, que o Governo colombiano não estava a desenvolver os esforços necessários de negociação da libertação desta dirigente ambientalista e de outros reféns.

O PEV sempre juntou a sua voz e a sua reivindicação aos muitos partidos verdes que por todo o mundo reclamavam a libertação desta sua representante, bem como a criação de oportunidades para avançar no processo de paz na Colômbia.

“Os Verdes”, tal como o declarou Ingrid Betancourt, consideram que este passo de libertação deve constituir um marco para instaurar um processo de negociação entre todas as partes, que leve à concretização da pacificação de que o povo e o país necessitam.
O Partido Ecologista “Os Verdes”

7.03.2008


CONCLUSÕES DA REUNIÃO DA JUVENTUDE DO PARTIDO ECOLOGISTA “OS VERDES”, EM COIMBRA
A Ecolojovem – “Os Verdes”, Juventude do Partido Ecologista “Os Verdes”, reuniu no passado Sábado, dia 28 de Junho, no Ateneu da Cidade de Coimbra.
Esta reunião teve como mote a discussão e análise de temas ligados ao ambiente.

A Ecolojovem – “Os Verdes”, ao longo dos anos, tem alertado para os problemas ambientais que afectam Portugal e todo o mundo, uma vez que é urgente que a sociedade compreenda definitivamente a importância da preservação dos recursos naturais e conceba medidas para atenuar as atrocidades que têm vindo a ser cometidas nos dois últimos séculos. O conceito de qualidade de vida tem de englobar, imprescindivelmente, a saúde ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Neste contexto, a Ecolojovem – “Os Verdes” considera que temos de ser todos, com os nossos pequenos gestos, a fazer frente a este problema, mas cabe ao Governo, de uma forma mais abrangente, a implementação de medidas mais amplas, o que não se tem verificado.

Prova disso é o Plano Nacional de Barragens que prevê a construção de mais barragens, algumas das quais em zonas de património ambiental, como é o caso do Tua. O Governo apresenta este plano defendendo que o mesmo vai diminuir a nossa dependência energética do exterior. Mas, tendo em conta que é o sector dos transportes o maior responsável por essa dependência, trata-se de um argumento falacioso, uma vez que a energia utilizada no sector dos transportes é de origem petrolífera. As barragens têm um grande impacto ambiental, económico e social na área de implantação e, na maior parte dos casos, a produção de energia daí resultante é insignificante face ao investimento e à perda ambiental que daí advém.

Deste modo, a Ecolojovem – “Os Verdes” considera que o Governo deve tomar medidas para reduzir a nossa dependência energética que, a médio e longo prazo, não hipotequem o nosso futuro ambiental. A aposta deve ser feita nas energias renováveis e numa melhor eficiência, pois continuamos a ter um elevado desperdício energético face às nossas necessidades.

A Ecolojovem – “Os Verdes” está também preocupada com a desafectação da REN (Reserva Ecológica Nacional) e a progressiva autonomia das autarquias nessa matéria, pois caso estas não achem justificável a realização de Estudos de Impacto Ambiental, estes já não serão realizados aquando da implementação de qualquer projecto, independentemente da sua dimensão e localização. Assim, a pressão dos interesses imobiliários sobre as autarquias vai aumentar e os grandes empreendimentos turísticos pretendidos para estas zonas mais sensíveis, que até agora tinham sido impossibilitados pela REN, vão possivelmente avançar.

Ainda na área da construção, a Ecolojovem – “Os Verdes” mostra-se alarmada com o crescente aumento do parque habitacional em Portugal. Este sucessivo aumento das áreas urbanas não é justificável pelo aumento demográfico e tem acarretado uma progressiva perda de solo agrícola e florestal, assim como um grande desperdício de recursos financeiros. Desta construção desenfreada resulta ainda o problema da grande quantidade de resíduos de construção e demolição que são deixados ao abandono em locais inapropriados.

Por isto, a Ecolojovem – “Os Verdes” considera imperativo repensar as políticas de construção do nosso país, como refere o estudo “Contributos para o Plano Estratégico de Habitação para o período de 2008/2013", "o número de alojamentos praticamente duplicou nas três décadas e registou um ritmo de crescimento sempre superior ao do número de famílias”, é notório que não precisamos de um parque habitacional tão vasto. De que serve construir sem limites, se as zonas históricas das cidades estão ao abandono? O caminho da reconstrução e requalificação parece-nos mais sensato. Portugal deve, assim, enveredar pela construção sustentável que vá ao encontro das reais necessidades dos portugueses e as construções deverão ser mais eficientes energeticamente, assim como devem ser utilizados materiais mais ecológicos.

Uma outra questão abordada, foi a da água. Em Portugal não se têm adoptado políticas que preservem este valioso e cada vez mais escasso recurso. Continuamos a ser muito dependentes de Espanha e os nossos rios estão cada vez mais poluídos. Alguns exemplos mais flagrantes são os casos dos rios Cávado, Ave e Alviela.

Foi também abordado o Protocolo de Quioto e a questão do Mercado de Quotas. A Ecolojovem – “Os Verdes” considera que as quotas foram criadas para possibilitar aos países em vias de desenvolvimento, o investimento no seu crescimento económico e um melhor nível de vida aos seus habitantes. No entanto, as quotas são vistas como mercadorias, que países como Portugal ou Holanda compram aos países menos desenvolvidos, ludibriando, assim, os propósitos do Protocolo de Quioto e retirando-lhes a possibilidade de progredir económica e socialmente. Deste modo, as quotas não estão a ser uma solução para o problema ambiental e fazem já parte do problema.

De uma forma geral, a Ecolojovem – “Os Verdes” encara com muita preocupação a falta de medidas para atenuar a nossa pegada ecológica, mas está ainda mais preocupada com as medidas que têm sido tomadas e que não vão ao encontro das políticas que defendem um desenvolvimento sustentável, mas que prejudicam o nosso ambiente e se revelam um passo atrás nas medidas que foram tomadas nas ultimas décadas.

A Ecolojovem – “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
http://www.osverdes.pt/

6.28.2008

Grupo de Leitura READCOM-IPP, de Portalegre
A próxima sessão do GLRP recairá sobre

As Velas Ardem Até ao Fim
Sándor Márai
Trad. (do húngaro) de Mária Magdolna Demeter

a que não vejo necessidade de acrescentar nada, uma vez que esta espelha o sentimento e o espírito da iniciativa, bem como ainda não li a obra para, acerca dela, opinar com discernimento e honestidade. Creio porém, que até a data da ocorrência, me esforçarei por lê-la (ainda que com sacrifício... – e o que é que uma pessoa não faz pelo bem das colectividades?) sem deixar transparecer, quer ao nível crítico, quer ao simples desfrutar regaladamente da leitura, qualquer motivação negativa, aversão pessoal ou preconceito genérico e estilístico. Há de tudo nesta vida, e é dessa diversidade que lhe nasce o equilíbrio... Outros dirão "o tédio" – mas não vou repetir-lhe a proeza, a fim de acautelar-me de falsos e mal-intencionados testemunhos!
Portanto, se não for pedir muito, ao menos deitem uma olhadela à capa, que é feia e sorumbática, e deve ser o prenúncio daquilo que lá vai por dentro: o Inverno das saudades que rodeiam os muros da lamechice. Ou não!

6.27.2008

Estranhos Inimigos
Robert Asprin
Trad. Eurico da Fonseca
2 Volumes: 192 + 192 Páginas

Com recente estreia em publicações portuguesas, digamos que há pouco mais de dez anos, é porém, muito longe de ser um desconhecido no campo da ficção científica, um conhecidíssimo autor, pelo menos nos domínios da literatura fantástica, porquanto séries de sua autoria, como Myth e Thieves´ World, no conjunto das quais se somam mais de duas dezenas de títulos, lhe granjearam notória popularidade. Pela presente obra, novela ou romance se chamará, cuja verdadeira originalidade reside no facto de os narradores e intérpretes desta saga serem alienígenas, seres extraordinários em tudo diferentes dos da humana espécie, mas nem por isso menos inteligentes ou subtractivamente dotados, no aspecto físico, os Tzen, oriundos dos Pântanos Negros, mundo (irreal) em risco de desaparecimento, e que construíram um império sob o único fito para além do seu planeta natal, poderemos aprender, dentro das linhas que costuram os hipotéticos supores, que há espécies a quem já preocupam coisas que à humanidade são puras perversões.
Senhores de uma técnica e de um conhecimento superiores, combatem por necessidade imperial e nunca por prazer ou motivações próprias. Divididos em três castas (os Guerreiros, os Cientistas e os Técnicos), têm por tarefa irradiar de um dos planetas que querem ocupar todos os seus autóctones, espécimes da Coligação dos Insectos, estranhos inimigos, mas com poder e civilização bastante avançados. Depois de exterminados os Nadadores, seguem-se-lhe os Voadores, quais vespas que imperavam nos ares. Contudo, é no mundo subterrâneo, com as Formigas, que a luta mais dificuldades e baixas provoca aos ocupadores, dadas as características essenciais desse confronto. Vencerão ou não?, eis mais uma questão pírrica sobre a qual se não devem lançar (ou fazer) apostas.

Todavia, há que realçar que neste livro a dois volumes, as qualidades autorais e criativas, saem extraordinariamente prejudicadas pelos acabamentos e qualidade da mancha gráfica, uma vez que notam sobremaneira nele uma composição descuidada com palavras a que faltam letras, frases a que faltam palavras, não concordância entre sujeitos e formas verbais, frequente troca do plural pelo singular e vice-versa, repetição desnecessária de proposições e pronomes, como que a relembrar-nos que os conceitos de revisão são sempre benéficos quando acompanhados dos procedimentos de fixação dos textos, independentemente de nós gostarmos ou não dos autores que processamos, e expomos ao julgamento público. É óbvio que cabe aos autores toda a responsabilidade sobre os conhecimentos explícitos, as coerências de conteúdo e o pronunciável arrebatamento, suficiente e necessário, para provocar a preferência dos leitores; mas também não é menos óbvio, que o conhecimento tácito que transforma um texto num produto cultural, fazendo dele um bem apetecível ou execrável, esse, é da total responsabilidade dos editores, que aqui, se esqueceram, incompreensivelmente dela. O que é pena, porquanto o mercado português do livro e os escores de leitura nacional, não são assim tão avantajados que permitam frequentes laxismos na qualidade... Nem falhas de competência, que prejudicam, directa e indirectamente, quem nos ganha o pão nosso de cada dia!

6.26.2008



O Discurso de Vergílio Ferreira Como Questionação de Deus
Maria Joaquina Nobre Júlio
350 Páginas

Misturar Deus com análise literária, embora que vernáculo e pré-bíblico, pode também ser ousado. Além de profundo e exímio em cumplicidades, sobretudo terrenas. Portanto, a ideia deste trabalho, que posteriormente virou tese de doutoramento, de escamoteamento das relações dos autores como divino, em geral, mas que em particular é tanto da responsabilidade da autora como de Vergílio Ferreira (VF) que em vida o sugeriu, e leu, subscreve-se plenamente na interpretação da leitura das obras, uma vez que é impossível abstrairmo-nos dela, por ter sido naturalmente ela que a inspirou.
E assim, merece o título escolhido um reparo especial, que reporta não só à prosa daquele que é (nele) analisado, como também à natureza desta tese. Porquanto o termo "questionação" não se emprega aqui como significativo de pôr em causa a existência de, ao caso Deus, nem para vilipendiar, apostrofar, discutir ou contestar uma essência, mas sim na medida em que esta reflecte uma ansiedade de busca, como no sentido que Heidegger lhe dava, ao propor-nos que "todo o questionamento é uma procura", sendo parte integrante dessa procura também a descrição/narrativa do caminho percorrido além do destino alcançado. Neste contexto, que afinal é o preferido (e proferido) pela a autora, o que a obra de VF mais evidencia, na forma como coloca os seus personagens e fantasmagorias perante Deus, e os obriga a um exame de investigação ininterrupta, talvez erigida à custa de muita ansiedade, desejos incontidos, contradições, desabafos, falsos reconhecimento e negativismos duvidosos, não é uma tentativa de se assegurar da existência de Deus através da fé, coisa assaz pouco intelectual e madura, antes uma maneira de o conseguir pela reflexão contínua e continuada, quase obsessiva, que resulta, ou em cujo discurso romanesco sobressai, a notória intenção de demonstrar pela "experiência laboratorial" da narrativa de ficção que as ideias e posições explicitadas, quer nos seus Ensaios, quer no seu Diário, integram um roteiro imagético.
Ao falar do modo de encarar (ou compreender) Deus, tal como o fez VF, que ao longo da sua obra nunca o tratou como uma evidência irrefutável, quiçá uma desfeita ao império racionalista, nem como atalho de mínimo esforço para facilitar a compreensão do Homem, do Mundo e da Vida, mas antes calculadamente com o rigor, precisão e exigência de honestidade intelectual, que um diálogo franco e aberto carecia para, no seu evoluir constante, facilitar uma purificação de posturas e relacionamento "descomprometido" com o divino. O que legitima sem dúvida a pretensão de Maria Joaquina Nobre Júlio, em não entrar em polémica sobre a existência ou não-existência de Deus, isso pertencerá ao foro íntimo de cada um que lê, e que até sua fé dificultaria, e que ao invés preferiu equacionar e interpretar, de forma interdisciplinar, embora que sob a autoridade do texto, a excelsa convivência e interpenetração entre dois discursos tão impermeáveis – o narrativo, ou literário – e o reflexivo – filosófico ou teológico – conseguidas numa obra que também é o espelho (relato) e a memória de uma vida. Ou de muitas, as nossas, já que lendo-o estamos igualmente a participar do seu questionamento e a fazer a nossa própria busca, em aturada e meticulosa questionação. Como VF o fizera. Precisamente, com mente lúcida. E precisa.

6.23.2008

Quarto 13
Edgar Wallace
Trad. Catarina Rocha Lima
192 Páginas

Quando cai o pano tiram-se as máscaras. E desvenda-se o mistério do nome. As iniciais pontuadas do detective/inspector J. G. Reeder dão lugar aos nomes próprios que costumam anteceder os apelidos: John Gray, querem elas dizer. Assim, fica-se a saber que o personagem sinistro desta história, como de outras de Wallace, Seu Edgar para os premiados íntimos, aquele homem alto, cadavérico, noctívago, entre os cinquenta e os sessenta anos, cabelo ruivo, rosto seco, expressão tristonha, orelhas proeminentes, a sobressair da cabeça em ângulo recto, enormes óculos redondos encavalitados no nariz, mesmo-mesmo na pontinha dele, sempre a segurar o guarda-chuva com uma mão e o chapéu na outra, não passa de uma manobra de diversão para distrair o leitor, e mais não é que o subalterno Golden, ao serviço do superinformado e imaginativo Reeder. Em “epílogo”, que é para tanto que servem os últimos capítulos, esses animaizinhos literários em vias de extinção, desde que funcionem como um anticlímax de “fracamente pouca” intensidade esclarecedora da acção, e não como uma distorção destrutiva de qualquer narrativa incauta.
Neste palimpsesto edgariano, onde Wallace se copia dos melhores momentos, Reeder anda disfarçado de marginal ingénuo bem-comportado, para encurralar definitivamente um dos mais bem sucedidos falsificadores de dinheiro. Para que a armadilha funcione empresta-lhe uma pitada de amor sedrôdio e quixotesco, transformando a investigação numa defesa de recurso, em salvaguarda da dignidade e integridade da amada, ou contra-ataque a fim de proteger a sua Dulcineia dos embustes e artimanhas do meliante vigarista e vingador. Camuflado, na sombra das máscaras, mexe os cordelinhos, lança boatos, “interpreta” metáforas, decifra enigmas. E, como todos os actores convictos e convincentes, cai na sua própria teia, ficando realmente enredado e preso pelo objecto da sua paixão estratégica, de todo em todo inventada, provando uma vez mais que, mesmo quando a vida é um jogo, com o coração não se brinca. O que faz das ditas traquinices e reinações um caso sério… ou, virtualidades que se desvirtuaram – usurpando-as a, se alguma houve!, virtude (histriónica).

6.20.2008


O Vício


Se tanto desconfio, fui dado, desde muito cedo, como um caso perdido... E, pese embora, as partidas que a vida me pregou, de nenhuma emenda me valeram. Malhas que o destino tece, se dirá. Outros, sobremaneira compadecidos com a desgraça alheia e mais tolerantes, que no céu estaria escrito... Mas, a bem dizer, o que é certo, é que se coisa se vaticinou grave, muito pior foi o resultado no que deu.
Ao princípio, do mal o menos!, ainda me apodaram de "mentira fresca", quando ao serão, sob o luar de Agosto, no pátio do monte, depois do jantar, se partilhava a melancia, e se afincava o dente no galo suculento, que era quando me questionavam sobre o que durante o dia fizera, ou me acontecera, preocupações legítimas da família, tios e avós, que viam nas minhas demoras, quando no cumprimento dos recados entre a horta e o forno, ou deambulações pelas veredas mal frequentadas do caminho, já um prenúncio de mente transviada, e eu lhes afiançava que vira um lagarto azul nos morouços da Tapadinha ou uma cobra de camisa rameada e asas amarelas nas regadeiras do feijão de ampa. "Oh, pá... Pode lá ser!", admiravam-se. "Isso foi mas é, algum saco de plástico esquecido, que mexeu com o vento", abreviavam apaziguadores. Eu que não, que não, e amuava com o reparo. Insistia mesmo, que tinham sido cobras e lagartos, sim senhora. E escoiceava, até que ouvisse um "pronto, pronto, 'tá bem", para parar com banzé.
Passados dois ou três verões, uma vez que as visões não amainavam, deixaram de me perguntar o que é que eu tinha visto e feito durante o dia, e esperavam paulatinamente, mas circunspectos e com ar de caso, que entre o cuspir das pevides da quarta talhada do encarniçado miolo, eu lhes relatasse a enviesada quão usual peta. Creio que mudei de bichos e evoluí na criação, para aves, mais coisa menos coisas, porquanto até já a mim fazia espécie haver tantos répteis travestidos e com aptidões histriónicas... E se deixaram de ser sardaniscas em traje de gala, passaram a ser corvos com indumentária canarinha. O certo é que perderam também o hábito de comentar-me as descobertas, e no fim apenas diziam "esta, é que é fresca!", adiantando "a melancia, claro...", caso eu desse sinal de me ter apercebido que estavam a pôr dúvidas ou suspeitar da reportagem.
Ora, um belo dia, não me lembro com quem nem quando, suponho que haveria visitas, talvez de parentes distantes, quase a pôr os pés no botaréu da entrada, notei que dentro de casa, além de aí haver mais gente que do costume, se conversava, e se conversava acerca de mim. Falava-se da escola, dos desaguisados quotidianos, da minha apetência para a vadiagem e fraca prontidão no cumprir das incumbências dos adultos. E referia-se inclusive a manifesta e reiterada aptidão para a mentirinha. Como ninguém dera por mim, adiei a entrada em cena, e fui remoer sobre a novidade, em local afastado. Aprendera a ler, a escrever, a contar, mas sentia-me defraudado pelas conjecturas ouvidas. Conspiração, era o que era. Meti-me de brios e alterei o comportamento. A partir de então, não voltaria a abrir o bico, acerca do meu relacionamento com a fantasia do mundo. Via o que via, mas guardá-lo-ia só para mim. E dito e feito.
Mais tarde, quando me vieram parar perto alguns livros de ficção, pude constatar que essas invenções não eram coisa unicamente minha, e passei a devorar quantos me passassem à mão de semear. Que neste caso, seria colher, para ser melhor dito. Com tal empenho e dedicação, que logo houve quem, fazendo jus à sua alta erudição, me diagnosticasse como "leitor compulsivo". Mas para os meus meios, essas manigâncias das pulsões, impulsões e compulsões, andavam por freudismos de pouca a monta, e aquilo que se decretou foi que tinha contraído "o vício da leitura", o que, como demência maníaca, ainda era pior que a da mentira. Mentir, qualquer um mente, havendo mesmo quem o faça por bem... Agora ler, isso é terrível, pois quem o fizer é capaz de tudo. E portanto, sendo diminuto já o crédito tido, perdera definitivamente o que restava. Estava perdido... Nomeadamente para muitos professores do ensino oficial e oficializado, que consideravam que os compêndios de fiscalidade e estenografia é que mereceriam todas as bíblicas atenções, se se quisesse andar no mundo com prestigiada honradez, e sem envergonhar a família.
Todavia, aos trancos e tamancos, o defeito avolumou-se. E o golpe, com a propalação do advento, fora duro, mas como em qualquer família com pergaminhos e de apelido que se preze, se de grande e duradoira gesta, fica bem ter um porra-louca nela, até não se abalou seriamente. Feriu, coçou-se, mas não traumatizou. Enfim, eriça-se, contudo pega-se a afronta de caras e segue-se frente (que atrás vem gente). Apenas com um senão, e que veio destemperar os cânones, esgotar a paciência...
Por alturas lectivas do secundário, o jornal A Rabeca publicou em letra gótica, tipo de coisa esmerada, e com cercadura amaricada, um poema meu. Assinado e tudo. E a ousadia soou. Esvoaçou que nem boato, e se folhas leva-as o vento, como dizem, este rodopiou, enroscou de marosca pensada, calhando com a má ideia a alqueivar o tino, e toma: foi cair a obradura nas mãos do meu avô.
«Eh pá, que é isto, meu Deus?!...» Não queria crer. Lançou os olhos ao céu, talvez em prece, rogando entendimento e clareza, mas não havia dúvida, vira bem o nome, atenteara a peça, a negrura da tinta. Tudo. Com a mão livre tirou o chapéu e coçou o couro cabeludo, e com o mesmo membro, a aba do feltro entalada entre o indicador e o polegar, com o mindinho e o anelar a esfregar o toutiço, arrefinfou-lhe a coçadela mais uma vez, duas vezes, três, porém sem o mínimo alívio. Custava-lhe a crer no que via. Anuviou-se-lhe o discernimento, entaramelou-se-lhe a língua, embargou-se-lhe a alma num aperto de fogo. «Pode lá ser! Chiça, não merecia isto... Não merecia! Não merecia!" E toca de rumar ao lar, na busca de consolo, a arrastar as botas, que lhe pesariam que nem grilhetas.
Nele, a minha avó, à volta das caçarolas e panelas de barro, assustou-se mal o viu, pelo semblante de abatido, lívido e quase defunto, que notou no marido, sempre de tão boas cores, compleição e galharda figura. «Oh, homem, que se passa homem?», afligiu-se ela.
«Ai mulher», respondeu este, dando tempo ao tempo, para recuperar o fôlego. «Olha pra isto, mulher... Olha pra isto, e diz-me que não é verdade. Diz-me que não é o que estou a pensar!»
E ela olhou. Viu. Voltar a olhar. E reviu. Mas, ao contrário, de desmentir, confirmou. «É... É um poema do gaiato. E depois?»
Então, não aguentou mais, abateu-se sobre a cadeira de bunho, junto à tulha das cinzas, esbracejou, tentando falar, mas que não saiu de pronto, até que finalmente arremeteu aos solavancos da desgraça, concluindo: «Mas tu vês mulher..., a nossa maldição...? Já tinha um vício, que era do piorio... o da leitura. E agora tem outro: o da escrita. E logo poesia! Poesia... Que hão-de dizer, por aí?... » E prostrou-se, definitivamente. Fulminado pela desgraça, que nem os Definitivos conseguiram apaziguar. E durante dias, até o caldo lhe soube mal. Hoje, dou-lhe razão. Provavelmente, há maldições que nenhuma família merece. Sobretudo se vícios destes, que não matam tão lentamente, como seria de esperar!

6.14.2008

Eis uma sugestão de leitura com características bastante invulgares... É que eu também não conheço! E não sei se estou a convencer alguém a lê-lo, se estou a ganhar coragem para o fazer. Haverá por aí alguém que saiba alguma coisa, quer do homem, como da obra, para me auxiliar? É que agradecia-se. Deveras!


6.11.2008


Os Mutantes Vêm Aí!
Isidore Haiblum
Trad. Alexandra Tavares
2 Volumes, 192 +192 Páginas

Incontornavelmente, esta obra, é um policial do futuro. Claro que é ficção; científica, disse eu. Mas não só. É também, ou parece, o que vem a dar no mesmo, uma Odisseia à moda lusitana – de um povo, o mutante. O homem normal que se transformou noutro, até com a ajuda das máquinas, da energia amplificada. (A nós calharam-nos as caravelas, o vento e o deuses do Olimpo, sobretudo Baco, que foi aquele que mais torceu a nosso favor no Concílio, e nos pôs A Ilha dos Amores, mesmo à mãozinha de navegar...) Ou de outra coisa ainda mais inominável, e que faz deste livro o autêntico três em um: o amor, aquele soluto – alguns chamaram-lhe filtro, elixir – de natureza alquímica que altera a psicofisiologia dos espíritos e das almas, nomeadamente das mais superiores, e se considerarmos o final como parte imprescindível de, ou a, qualquer romance.
Porque a acção, essa, decorre no ano 2075, numa sociedade imperfeita, com homens e mulheres imperfeitos de um mundo imperfeito, mas que serve de consolação a quem tem a sabedoria suficiente para reconhecer que não existe outro possível. Nem para o melhor, nem para o pior; sobretudo se não fizermos nada para isso. E é aí que o humor do discurso sobressai, repleto de diálogos em frase curta e descrições concisas, pelo que principia por dar-nos a lição prática, cujo objectivo moral, se outro não lhe acharmos, é garantir-nos a expectativa de um futuro, mesmo quando o quadro da actualidade for pintado com o negro carregado (do luto). Ou da seita. O que o leitor aceita de bom grado, já que o "tratamento" do crescendo narrativo nos predispõe, e alicia, para o suspense do desfecho. Devagarmente. Mas com eficácia.
Por outro lado, arrefece-nos o medo pelo desconhecido. E oferece-nos a empatia (determinista) da História, através da ingenuidade e capacidade de improviso dos protagonistas. Demonstrando-nos, à moda antiga, que só se é herói à força e quando não se tem outro remédio, e que aquilo que unicamente pode haver de novo, no futuro, é a maneira como os homens e mulheres interpretam o presente, os diversos presentes, e que, afinal, mais não serão do que perspectiva, ou visão, revolucionária de um fenómeno do passado: a luta contra, pelo e no poder. Assim, à queima roupa, como se Isidore Haiblum estivesse simplesmente a falar da pertinaz responsabilidade do tear a vapor na revolução industrial, quando se refere a um amplificador de poder de mensagens e seus efeitos sobre os destinos da humanidade, tal como o reencaminhar de um significado para outro significado, tendo por símile a metáfora de um e-mail.
Porém, com um discurso deveras iluminado. Mas onde, em cujas iluminuras, figuram sempre a graça e os propósitos da BD – de Bom Demais, ou Banda Desenhada, conforme se quiser e o nível de alfabetização permitir. O que, sem dúvida, o torna aquilo que qualquer livro deve ser: uma intricada mistura de géneros, estilos e marcas (pegadas) narrativas , para gáudio de um só instrumento, de um só trinado, de uma só voz – a do autor – mas para o prazer de todos. Os seus leitores, digo eu!

6.04.2008


O Detective Rico
H. R. F. Keating

Trad. Catarina Rocha Lima
240 Páginas

Enquanto detective, Bill Sylvester é um espécime híbrido, geneticamente modificado, qual sofisticada mistura de Mr. Reeder, Poirot, Maigret, Rouletabille, Sherlock Holmes, pela insegurança, timidez, ingenuidade, inocência, vergonha e persistência com que se conduz na sublime e obsessiva tarefa de levar os criminosos a pagarem (caro) pelos seus crimes, numa entrega de misógino e celibatário a quem, na e em consciência, mais se dita do que se (pre)medita. E o seu criador faz girar a narrativa à sua volta, desenvolvendo-a com a simplicidade usual e costumeira da técnica descritiva do "aquilo-que-parece-é", ou, não o sendo, anda-lhe muito perto e na companha. Sem dúvida honesta, que trata o leitor com uma sobriedade respeitosa, servindo-lhe o desenredo, o desenlace da trama, em bandeja de prata e com luva branca, mas nunca o arrebatando pelo lado do impulso convicto e convincente. Como que a indicar-lhe que está metido numa coisa importante, sim, mas que a vida é muito maior e algo mais.
Todavia é um policial já dos nossos tempos, em que o dinheiro se levanta nas caixas automáticas dos multibancos, os folhetos publicitários atafulham as caixas do correio, as moças usam o wondebra que tanto as valoriza, os empresários deslocam-se em helicópteros particulares, os polícias são uns burocratas chatos e subservientes, as velhinhas têm ideias geniais e bebem vinho do Porto – Sandeman, e por anúncio. Enfim, onde o leito das prostitutas serve também de confessionário – ou divã psicanalítico?... –, o principal dever dos ricos é dar trabalho aos artistas, o essencial alimento espiritual e cognitivo das instituições é o comodismo, os homicidas continuam estúpidos e limitados, embora que mais sofisticados e exigentes nas "armas" que escolhem, e as personagens secundárias são irremediavelmente comuns e normais, quer pelas suas condutas, quer pelo senso, despreocupação e gostos.
Daí que os detectives ainda sejam (e pareçam) como as pessoas. Mesmo se (e quando) de ficção. Podem ser ricos, pobres ou remediados. Ao caso, Sylvester é um milionário recente, muito a despropósito, a quem saíra o El Gordo, porque a garota de programa que o acompanhou ao aeroporto, no retorno de uma férias em Espanha, o induziu a gastar as últimas pesetas, em trocados e miúdos, na compra e um bilhete de lotaria. Saiu-lhe!! Milionário à força, autoexpulsa-se da polícia e, em vez de ir gozar a fortuna ao sol e de papo para o ar, resolve prosseguir na investigação em que se encontrava por conta do Estado, mas desta feita por sua própria conta e risco. O que no fim se salda com retumbante êxito, bastante reconfortante, lhe aconchega o amor próprio e a autoestima, embora não baste para satisfazer plenamente um ideal de justiça, sugerindo que ela – a justiça – é humana, e portanto sujeita (e dependente) à imperfeição dos seus ministros. Digo: daqueles que a executam e ministram à sociedade, com a certeza e precisão característica, do para quem o acertar e o errar, não passam de questões de pontaria.

5.31.2008

Criminosa ou Inocente?
Margaret Atwood
Trad. Clarisse Tavares
448 Páginas

"Passar fome acalma os nervos"
(Página 36)

"Se uma pessoa tem uma necessidade e eles a descobrem, [então] servem-se dela contra nós. A melhor forma é deixar de precisar das coisas."
(Página 40)

"Disse-lhe que era uma maldade da parte dele dizer aquilo mas limitou-se a rir. Desde que as pessoas levem o que foram buscar, que importância tem isso?, perguntou. Eu dava-lhes tudo o que quisessem. Um pregador sem fé, com boas maneiras e uma boa voz, converte mais gente que um idiota de cara fechada e mãos caídas, por muito que acredite em Deus. Depois fez uma pose solene e entoou, Aqueles cuja fé é poderosa sabem que, nas mãos de Deus, até mesmo os fracos podem ser úteis."
(Páginas 244/245)

Baseado nas circunstâncias, aliás dissolventes, de um caso verídico, mas arredondado e polido por variadas influências ficcionais, este romance de índole psicologista, qual painel, ou estendal, de colchas bordadas interligadas pela cruz do ponto, onde a narrativa gira à volta da vítima de um erro judiciário, pretende elaborar uma trama conjectural sobre a delével e ténue fronteira da dicotomia culpa versus inocência, sobretudo matizada, escalpelizada e devolvida no eco do discurso, por outras não menos pertinentes, como normalidade/loucura, paraíso/inferno, verdade/mentira, ciência/charlatanismo, amor/ódio, castigo/perdão, realidade/sonho, pecado/virtude, etc., etc., desenvolvidas e abordadas, mais ou menos exaustivamente, e à vez.

Redundante aos tempos originários das psicoterapias, investe-se de direitos significativos sobre o método psicanalítico (introspecção por sugestão e associação livre), antecedendo-o na data, pois que grande parte do esmiuçar dos sentimentos culposos e do inconsciente é feita antes da eclosão freudiana, isto é, no terceiro quartel do século XIX. Época de arreigados idealismos e transformações sociais, de consolidação técnica, científica e cultural, prolífera em diversidades deontológicas e/ou moralistas, fundamentalizações e esoterismos, que propícia à autora, na sua utilização romanesca, um autêntico manancial de inquietações, que nos reposicionam face aos valores positivos e essenciais da nossa ocidentalização: o amor à verdade, o apreço pela justiça e a intenção de paz.

Policial de estrutura e condimentos, é todavia peculiar quanto aos meios: o detective é um psicólogo e o erro é redimido por interposta testemunha. Mas apenas policial na medida em que, como terá afirmado Jorge Luís Borges, todo o romance o é. Desde as histórias bíblicas à Odisseia, das Mil e Uma Noites ao Nome da Rosa, que nem de propósito se adivinham nas linhas e entrelinhas, e lhe pintalgam, ou polvilham, o pano de fundo intertextual com a insinuada paleta das discretas descrições.

E quem o perder, é que perde!

5.29.2008

Maigret e o Ladrão Preguiçoso
Georges Simenon
Trad. J. Lima da Costa

Maigret possui uma estratégia peculiar para ir desenrolando a meada caótica, o novelo da teia labiríntica do crime: mete-se na pele do criminoso, ou da vítima, conforme melhor lhe serve os intentos, assumindo-lhe o pensamento e personalidade, até ver suficiente claro através da situação criminosa quem detonou o crime. Pratica, numa palavra, empatia com motivação determinada, manobrando-a com precisão e rigor. Neste caso colocou-se sob o ângulo da vítima, também ela um veterano delinquente e com ficha arrolada nos arquivos (e bastidores) da polícia parisiense. E fá-lo com a meticulosidade e humanismo que já todos lhe conhecemos.

Ao agarrar a ponta do fio, não hesita em segui-lo até à extremidade oposta, apreendendo a cada passo os “comos” e os “porquês” duma existência a que, circunstancialmente, foi acrescentado um trágico ocaso. Indo muito além, ainda, dando uma mãozinha no destino e na justiça, que esporadicamente andam mal gizados, cegos e em contradição, ou se afastam da solidariedade que deviam contemplar, e os sustenta, propiciando ao leitor o êxito e satisfação que resulta de qualquer primorosa refeição – intelectual, entenda-se – de lógica qualidade e éticos princípios.

5.26.2008

Intriga na Expo'98
Bernard Testu
Trad. Clarisse Tavares
344 Páginas

Durante uma expedição ao submundo aquático, uma equipa de investigadores franceses descobre um oásis térmico, onde abunda o espécimen esponjoso raro e incomum, cuja sexualidade não é hetero nem hermafrodita, como as demais já conhecidas, mas que hesita entre os dois tipos, e que representa um extraordinário achado, visto que pode ser ele o elo que faltava (missing link) na evolução biológica e vem alvoroçar de expectativas as comunidades científicas das principais potências mundiais. O pavilhão francês da EXPO, ao ser contemplado com um extracto dessa esponja, transforma-se no alvo preferencial de todos os grupos interessados em possuir o designado coral. Daí que, ao ser assaltado por profissionais do crime ao serviço de americanos, se tenham cruzado estes com uma das voluntárias destacadas para o pavilhão, pelos vistos retardatária por questões libidinosas, numa primeira tentativa de se apossarem do exemplar, e como receosos da surpresa, a matam por asfixia, indo posteriormente depositá-la no aquário do Oceanário, onde é descoberta na manhã seguinte pela empregada e limpeza.
Ora, na sequência desse homicídio e em resultado de investigações policiais, ou denúncias, os franceses trocam a esponja, pondo em seu lugar outra parecida, e a Polícia Judiciária (PJ) planta-se de atalaia. Não obstante, à segunda tentativa os americanos apoderam-se do espongiário marinho, desconhecendo a troca, e escapam para Marrocos, via Espanha, semeando a morte na sua passagem, nomeadamente a de dois polícias de trânsito árabes.
Então, o ridículo que acompanha todos os crimes desabrocha pela vertente que lhe é mais peculiar: a da gratuidade. E os energúmenos ficam nas mãos com um espécimen falso e inútil, e morto, além de convencidos que a deixaram morrer por falta de cuidados no seu transporte. O que, convenhamos, não representa mais do que aquela peculiar dose de estupidez que condimenta a esperteza dos ignorantes e marginais.
Para o final vence o político, o autor, antigo chefe do gabinete ministerial e presidente-adjunto da Câmara de Saint-Quetin, comissário geral do pavilhão francês da EXPO'98, quer pela oportunidade, quer pela tentativa de escamotear ficcionalmente os parâmetros da espionagem actual, que se estendem muito para além dos universos bélicos, económicos e petrolíferos, mas também se investem de uma perspectiva científica e ambiental, cada vez mais actuante e funcional, se quisermos compreender a problemática da modernidade. Com responsabilidade e civismo, principalmente.

Prelúdio à Fundação
Isaac Asimov

Trad. J. Santos Tavares
432 Páginas

Isaac Asimov provou-nos, primeiro, que os robots são nossos amigos; mas, em seguida, que se o homem tem inimigos, eles são o próprio homem. Para tanto utilizou duas linhas ou "séries" literárias distintas: a série Robots e a série Império Galáctico. Na primeira, reduziu os monstros de metal barulhentos à condição de subalternos da humanidade, através das suas três leis da robótica; na segunda, introduziu o conceito de mutante na FC (Ficção Científica), e obrigou o homem a existir para além do corpo, intelectualizando-o, tornando-o peça fundamental da novel e imaginária ciência da psico-história. Aliás, Isaac, nascido na Rússia e licenciado em Química pela Universidade da Columbia, tendo trabalhado muito perto, durante o período da II Guerra Mundial, com Robert A Heinlein (outro fazedor de mundos novos, e autor daquele que veio a ser considerado a Bíblia dos Hippies e da geração Beat – os Beatnicks –, Um Estranho Numa Terra Estranha), ganhou-lhe o gosto e influência, em tal grau e tamanha, que nunca mais parou, somando já além de 60 anos de actividade criadora, dispersa por infindável número de títulos.
Não obstante ter sido o último livro a ser escrito (1988), Prelúdio à Fundação é o primeiro da série Império Galáctico, e versa precisamente sobre a sua génese, fundação, história, constituição e estrutura sócio-económica, fundamentação política e cultural. Nele, um jornalista, Humin (ou o governador Demerzel, ou o robot Daniel Olivaw), um matemático, Seldon, e uma historiadora, Dors, tentam salvar o Império da derrocada irremediável, consequência da crise que atravessa, e a que estás prestes a sucumbir, efeito directo da sua enorme vastidão, porquanto é constituído por mais de 25 milhões de mundos, ou planetas, distantes uns dos outros, dispersos e diferentes. E o instrumento primordial, estratégico, para o conseguirem, é a teoria da psico-história, ou uma matemática que lhes permite predizer o futuro. Pelo que, sabendo-se então qual ele virá ser, ou é, se pode alterá-lo, contrariá-lo ou reforçá-lo, agindo sobre o presente... O que, como todos sabemos, não é novidade nenhuma!
E o autor não perde oportunidade de voltar a deslumbrar-nos. Desta feita, propiciando-nos, além da visita guiada a alguns mundos do Império (Trantor, Micogénio, Dalpl, Ipsilon, Cinna, Helicon), num relato explícito e pormenorizado de costumes, personalidades e tradições, aplica-lhe também uma soberba dose de perseguição e fuga, características do formato policial, com homicídio em latência, invertendo o curso da série robot, realçando como, desta vez, é um humano a apaixonar-se por uma máquina, coisa que nem está assim tão "longínqua" dos nossos net tempos, nem virtuais ambientes. Enfim, Prelúdio à Fundação, é um livro de quando, no futuro, ainda se regressava ao passado para deslindar melhores presentes.

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português