6.28.2010


Conferência operária de urgência (Berlim, 19-20 de Junho)
Declaração final


Nós – delegados vindos de 16 países (Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grã-Bretanha, Grécia, Hungria, Itália, Portugal, República Checa, Roménia, Sérvia, Suécia, Suíça e Turquia), confrontados simultaneamente com a mais violenta ofensiva contra todas as conquistas e todos os direitos da classe operária que teve lugar depois da Segunda Guerra mundial – decidimos constituir-nos em «Comité para uma Aliança Europeia dos Trabalhadores».

Em algumas semanas, passámos da «crise da dívida» dos «Estados periféricos da União Europeia» para a crise da dívida de todos os Estados da Europa – a começar pela Alemanha, a França e a Grã-Bretanha. Os «grandes do mundo» e as sumidades económicas «descobriram» que todos os Estados europeus se endividaram demasiado. Eles endividaram-se demasiado para prestar ajuda ao sector privado, para relançar a economia ameaçada de asfixia pelo afundamento da procura e – por fim, desde 2008 – para salvar o sistema bancário à beira do abismo. Eles «colectivizaram» as perdas dos bancos e dos especuladores. E agora – porque todo o sistema dos mercados financeiros mundiais está na iminência de falir – a Administração de Obama, o FMI e a União Europeia ordenaram a todos os governos europeus que dêem um novo passo na desregulamentação do trabalho, no ataque aos salários e na organização das deslocalizações, preparando novas vagas de despedimentos. Eles ordenam a demolição dos sistema de Protecção Social, o fecho e privatização dos hospitais, o despedimento de centenas de milhar de professores… Ao mesmo tempo que delapidam centenas de biliões de dólares nas escandalosas operações militares da NATO, eles exigem a aceleração da implementação de uma política que esvazia, literalmente, regiões inteiras das suas populações – seja na Espanha, na Roménia, no Leste da Europa, ou mesmo na Alemanha – onde a hemorragia dos Estados do Leste, que tinha parado, ameaça continuar: trata-se de uma política criminosa de desmembramento das nações e de incitação às provocações de carácter «étnico», uma política de fautores de guerras.

Em todos os países, a imensa maioria dos trabalhadores rejeita a totalidade destes planos. Não se passa um dia, desde há 4 meses, sem que na Grécia, na Roménia, em Portugal, na França, na Alemanha, na Dinamarca,… centenas de milhar de trabalhadores manifestem a sua cólera, a sua recusa de aceitar e a sua vontade de se juntarem para derrotarem todos estes planos monstruosos e arrancarem a sua retirada.
Ora, é forçoso constatar que os dirigentes dos partidos que têm a sua origem nos combates históricos da classe operária na Europa – quando estão no poder – tornam-se fiéis servidores da União Europeia e do FMI, como é o caso de Papandréou, Zapatero, Sócrates,… E, quando estão na oposição, ouvimo-los «protestar» timidamente, mas nenhum deles tomou a mínima iniciativa (quando não os aprovaram nos seus parlamentos nacionais) contra o novo plano europeu que coloca centenas de biliões de Fundos públicos ao serviço dos mercados financeiros.

Pelo seu lado, as Direcções das nossas Confederações sindicais – que agrupam e organizam milhões de trabalhadores em todos os países – é verdade que emitiram protestos mas, na sua imensa maioria, não tomaram nenhuma das decisões que milhões de trabalhadores esperavam delas em toda a Europa. Quando todos esperavam destas Direcções – das nossas Direcções, pois somos todos militantes operários e militantes sindicais – uma condenação clara e firme destes planos, em conjunto com um apelo a derrotá-los de imediato, eles não ouviram nada. Em vez do apelo à acção imediata para derrotar estes planos, dão-nos em troca pretensas acções coordenadas à escala europeia, no quadro de uma Confederação Europeia dos Sindicatos (CES) que reivindica «a revisão – e, se necessário – o ajuste do conceito de trabalho e dos sistemas de Protecção do Emprego (…) e, para assegurar o sucesso dos mecanismos desta nova governação, que os parceiros sociais sejam estreitamente associados, a todos os níveis, à concepção e ao seguimento das estratégias de reforma nacionais e europeias».

Como se, para os trabalhadores, não houvesse nenhuma possibilidade de escapar à chantagem das Agência de Notação e dos seus patrões, como se não existisse para a humanidade outra solução senão a negociação de concessões «socialmente aceitáveis» susceptíveis de satisfazer a sede dos mercados financeiros.

Deixem de nos falar de «regulamentação dos mercados financeiros», de «democratização do BCE» e das instituições da União Europeia! De facto, quem se encarrega de «regulamentar» os mercados no G20 e de «democratizar» a União Europeia em Bruxelas? Quem, a não ser os mesmos que provocaram a crise, os que dirigiram a salvação dos bancos, em 2008, através da pilhagem dos dinheiros públicos… que eles se propõem continuar?

É aceitável que, hoje, as Direcções das nossas organizações possam subordinar a sobrevivência de dezenas de milhões de trabalhadores e das suas famílias às exigências dos responsáveis por este desastre, cujos instrumentos são a União Europeia e o FMI?

É aceitável que, hoje, as Direcções das nossas organizações as arrastem para uma integração na «governança» advogada pela Confederação Sindical Internacional (CSI) e a CES, integração que as destruiria?

Nós, delegados vindos de 16 países reunidos em Berlim a 19 e 20 de Junho, respondemos: NÃO! Ouvimos os delegados que tomaram a palavra nesta Conferência. Eles explicaram-nos o combate que tem sido travado na Alemanha, na França, em Espanha, na Bélgica,… contra esta “política do consenso”, posta em prática pelas Direcções que estão a violar o seu mandato. Eles disseram-nos:

- deixar hoje desmantelar o direito ao trabalho, as reformas, a Segurança Social, a Escola,…;
- deixar prosseguir a vaga de deslocalizações/despedimentos, porque os bancos o exigem;
- deixar ser atacado o direito à greve e à organização independente dos nossos sindicatos
… seria abrir o caminho para uma catástrofe social e política, de que o nosso continente já teve uma dramática experiência.

Com base nestes relatos, nós dizemos: a classe operária dos nossos países não está derrotada, está de pé, está pronta a lutar! As greves e as manifestações que tiveram lugar nos nossos diferentes países foram apenas os primeiros passos. Não existe nada de mais urgente do que a realização – da base até à cúpula e da cúpula até à base – da frente unida das organizações operárias para derrotar todos estes planos, cada um dos planos nacionais como o conjunto do plano europeu.

Ninguém pode opor-se a isto! A força imensa dos trabalhadores europeus tem capacidade para impor às Direcções das organizações que eles construíram que ajam de acordo com o seu mandato, dizendo “não” aos planos de austeridade, à modificação dos regimes de aposentação e do sistema de saúde, à destruição dos Códigos do Trabalho, impondo as nacionalizações que a salvação de dezenas de milhar de postos de trabalho exige – e nós decidimos empenharmos nisso, com todas as nossas forças.
Repetimo-lo: derrotar todos estes planos e impor a sua retirada constitui o primeiro passo real na via de uma verdadeira união fraterna dos povos da Europa. É este o «pacto operário» que firmamos.

O que se passou nos últimos meses não deixa nenhuma dúvida. Não pode haver uma saída favorável aos interesses dos trabalhadores da Europa, sem ruptura com as directivas europeias, os ditames do FMI e as próprias instituições da União Europeia.
É esta a condição para qualquer reorganização da produção a favor do trabalho, da garantia do emprego – e, portanto, de uma verdadeira reconstrução dos nossos países, da reconquista da soberania dos nossos povos e da democracia. É esta a condição para a constituição de governos capazes de satisfazerem as necessidades da população.
É com este objectivo que decidimos estreitar a troca de informações entre nós, apoiando-nos mutuamente para ajudar os trabalhadores, em cada um dos nossos países, a impor – através da realização da unidade das suas organizações, sobre a base do mandato operário – as suas próprias soluções, libertas das exigências dos mercados financeiros e do capital, cujo sistema de exploração é o único responsável pelo desastre.
É nesta via que, passo a passo, poderá triunfar uma verdadeira união livre dos povos da Europa, e não na da salvação do euro que visa aumentar os lucros dos mercados financeiros. Uma união baseada na solidariedade, na fraternidade e na paz.

É este o objectivo fixado pelo «Comité para a Aliança Europeia dos Trabalhadores» que foi constituído no final desta Conferência. Nós convidamos as delegações dos nossos 16 países da Europa a mandatarem os seus delegados à Conferência Mundial contra a Guerra e a Exploração, de Argel (27, 28, 29 de Novembro de 2010), convocada pelo Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos (AIT) e pelo Partido dos Trabalhadores da Argélia, para o irem lá explicar em nosso nome.

SIGNATÁRIOS

ALEMANHA: Michael Altmann, SPD, membro do Secretariado local da AfA, ver.di; Bahr Bernd, ver.di, SPD; Bahr Detlef, ver.di; Beyer Peter, ver.di; Boulboullé Carla, Comité de redacção da revista «Soziale Politik & Demokratie»; Bunz Kerstin, ver.di, SPD ; Cornely Matthias, IG Metall, Presidente dos delegados do pessoal, «Die Linke»; Dröge Wolfgang, ver.di; Eisner Udo, IG Metall; Engstfeld Ellen, ver.di, delegado do pessoal, SPD; Ernst Manfred, IG Metall, AfA; Falk Elke, ver.di; Frey Henning, GEW, SPD; Fürst Kerstin, delegado do sindicato TRANSNET; Futterer Michael, Vice-presidente do GEW para o Estado de Baden-Württemberg; Gehring Ursula; Gellrich Carmen, SPD; Gürster Eva, ver.di, membro do Secretariado da comissão de saúde do SPD; Gürster Julian, IRJ; Hahn Gaby, ver.di, SPD, presidente da AfA para a cidade de Chemnitz; Henze Eberhard, ver.di, SPD; Jaremischak Peter; Kischkat Mirko, membro do Secretariado da comissão de jovens de ver.di para o Estado de NRW, Vice-presidente da AfA para o cantão; Kreutler Peter, ver.di, SPD, AfA ; Krupp Gotthard, ver.di, Secretariado de ver.di para a circunscrição, SPD, membro do Secretariado da AfA para o Estado; Lätsch Winfried, NGG; Leisling Monika; Ludwig Barbara, GEW, SPD; Ludwig Helmut; Müller Jürgen, SPD, AGS; Ott Lothar, GEW, SPD; Polke Peter, delegado dos ferroviários, TRANSNET; Prasuhn Volker, SPD, presidente da AfA para a circunscrição, ver.di; Richter Peter, SPD, AfA; Röser Ingo, ver.di, PA-Vorsitzender; Saalmüller Peter, ver.di, SPD; Schermer Gerlinde, SPD; Schüller Klaus, Secretário do DGB e presidente da AfA para o Estado de Thuringe;Schuster Anna, delegada pelo sindicato ver.di; Schuster H.-W. delegado pelo sindicato ver.di, presidente da AfA para a cidade de Dusseldorf; Schwefing Günter, ver.di; Seyhun Ersin, IG Metall; Sichelt Winfried; Timmermann Olaf, ver.di; Türke Peter, IG Metall, SPD, AfA; Uhde Werner, ver.di, AIT; Weigt Hans, ver.di; Weiß Dirk, IGBCE, SPD; Wernecke Monika, ver.di.
BÉLGICA: Philippe Larsimont, MDT, FGTB; Fayçal Draidi, Comité Unidade, FGTB.
DINAMARCA: Per Sörensen.
ESTADO ESPANHOL: Francisco Cepeda Gonzalez, membro da Comissão executiva da Federação das Artes da Impressão (CCOO Madrid); Blas Ortega, sindicalista da Federação dos serviços públicos (UGT Valência); Andrès Moreno, sindicalista CCOO Castellon; Maria Jesus Fernandez, membro do PSOE, sindicalista da Federação dos serviços públicos (UGT Biscaia); Miguel Gonzalez Mendoza, advogado da UGT (Tarragona); Victor Guisado Munoz, sindicalista professor (UGT Barcelona).
FRANÇA: Jacques Paris, sindicalista; Bruno Ricque, sindicalista do sector da Saúde; Stéphane Jouteux, sindicalista; Jean-Charles Marquiset, membro do Secretariado permanente do POI; Jacques Girod, sindicalista; Marc Gauquelin, POI; Christel Keiser, Secretariado nacional do POI; Bruno Mortagne, POI.
GRÉCIA: Heleni Zografaki-Teleme.
GRÃ-BRETANHA: Nick Phillips, BECTU (a título individual); Henry Mott, UNITE.
HUNGRIA: Judith Somi, boletim «Munkas Hirlap».
ITÁLIA: Alessandra Cigna, Comité para um Partido dos Trabalhadores independente; Andrea Monasterolo, Comité para um Partido dos Trabalhadores independente; Lorenzo Varaldo, Comité para um Partido dos Trabalhadores independente.
PORTUGAL: Aires Rodrigues, membro do Secretariado do POUS.
ROMÉNIA: Marian Tudor, Associação para a Emancipação dos Trabalhadores (AEM).
SÉRVIA: Djuro Velickovic, Sindicato da empresa de Electricidade Jonson, LSR, Movimento popular «Não à União Europeia» (a título individual).
SUÍÇA: Michel Gindrat, SSP, PS.
REPÚBLICA CHECA – ESLOVÁQUIA: Petr Schnur, SCSB, AIT; Jan Priban, SCSB, AIT.
TURQUIA: Mehmet Cemil Ozansü, Partido Operário Unificado da Turquia.

6.21.2010

Lídia Jorge
O Dia dos Prodígios
Publicações Europa-América
Lisboa, 1980

"Unanimismo aplicado a uma aldeia algarvia, como se esta fosse a Paris de Jules Romains. Unidade de lugar e de tempo, segundo as leis da narrativa fechada e clássica. Contudo, esse «breve tempo de uma demonstração» é uma viagem excepcional quanto e intensidade, dentro do microcosmo da realidade física, psíquica, social. A escrita da autora deste primeiro livro (já apareceu outro em 82) obedece a uma linha conceptual, lógico-estilística, que encerra uma obra romanesca sem intriga sem intriga onde apenas há puras realidades, e que por sua vez reproduz um objecto ideológico, utópico e lírico; o modo lírico é sui generis e estranhamente reconhece-se mais nas artes pláticas, na ingenuidade de Rosa Ramalho, no naïf-raffiné de Chagal, por exemplo.
Dissemos microcosmo de uma aldeia algarvia desconhecida do fluxo artístico. A sua forte, credível e sempre transcendente literalidade tem apoio em dois vectores: o primeiro, uma íntima experiência da factologia, do infra-real ao sobre-real. Cada palavra encobre uma vivência memorável e imemorial, diria, cada palavra contém a própria história. Com a palavra, o gesto, isto é, outra palavra. Este prodígio do conhecimento quase autista do gesto humano, pré-científico, protográfico, oferece, mediante essa plural matéria-prima, o material. Caso singular, Lídia Jorge opera dentro de uma literatura que não cultiva sistematicamente nem as experiências do concreto nem o conhecimento material da realidade; pelo contrário, a literatura é considerada entre nós ou um ornamento ou cosa mental, abstracta. Aqui reside a linha de força original deste primeiro romance-surpresa de Lídia Jorge.
O segundo vector-factor consiste na introdução do lúdico dentro dessa sondagem literária. Ao leitor, de Segunda, ou terceira leitura, ocorre que a A., com a matéria aqui caracterizada, opera depois através do jogo, do cálculo de probabilidades pessoal: como se as propostas e as apostas da verdade criassem uma ténue sucessão de episódios figurativos, uma vibração «Lust zum fabulieren», de élan épico; uma imaginação das probabilidades em marcha que se organiza organizando. Não será por acaso que a serpente, condenada pela ciência da natureza a arrastar-se horizontalmente, em O Dia dos Prodígios voa em todas as direcções. Este acidente do natural não se assemelha à serpente voadora de Jorge Luís Borges, curiosidade do insólito e do fantástico. O acidente do natural de Lídia Jorge é apenas um outro natural, em prisma imaginário, como qualquer outra visão do mundo.
Extremamente vivo, o livro, articulando corpo real e imaginário, representativo da senso-motricidade verbal, individualizado e subjectivo, identifica-nos ao longo das páginas, faz-nos naturalizar, identificar com o objecto – subjectiva e objectivamente.
Não proponho que se leia este livro de Lídia Jorge como um simples exemplo da arte de escrever, mas que se releia e decifre uma das mais ricas partituras da literatura portuguesa contemporânea, em que a ilusão da totalidade do microcosmo se conjuga com a ilusão do imediato quase cinematográfica (livro praticamente escrito no presente do indicativo; quantas frases curtas, constatativas, sem verbo, lembrando planos cinematográficos!), tudo convergindo em ilusão simbólica, esta já macrocósmica.
Ou como da aldeia da serra algarvia chegamos ao theatrum mundi.

Jorge Listopad, in Colóquio Letras, nº 67, de Maio de 1982

6.18.2010

Simetria Passo a Passo
por Ana Cannas da Silva dia 23 Junho 2010 às 18h00
na Fundação Calouste Gulbenkian


Não é preciso saber matemática para apreciar cada simetria que nos rodeia e atrai na natureza, na arte, na ciência, no dia-a-dia. Mas um pouco de matemática permite compreender o todo das simetrias dos frisos e padrões no plano. Para tal, recorre-se apenas a aritmética básica (como somar fracções) e à noção de característica de Euler que pode ser explicada intuitivamente.

Passo a passo, esta palestra foca o Teorema Mágico da classificação de simetrias que todos podem descobrir. Como exercício de matemática, convidamo-lo a caminhar por Lisboa, a examinar as suas pegadas e as aprazíveis calçadas geométricas.

Em 2004 John Conway veio à Fundação Gulbenkian explicar-nos este novo modo de analisar simetria com base em ideias suas e de outro dos maiores geómetras vivos, Bill Thurston. O curso de Conway As Simetrias das Coisas foi uma das actividades do programa Novos Talentos em Matemática de que celebramos este ano uma década.

ANA CANNAS DA SILVA


É matemática, Professora Associada no Instituto Superior Técnico desde 2001 e Investigadora na Universidade de Princeton desde 2006.

O seu trabalho centra-se em Geometria, mais especificamente em Geometria Simpléctica em Análise Geométrica.

Nasceu em Lisboa em 1968. Formou-se em Matemática Aplicada e Computação em 1990 no IST. Concluiu o Doutoramento em Matemática em 1996 no MIT.

Além do IST e de Princeton, leccionou no MIT, na Universidade da Califórnia em Berkeley e na Université Louis Pasteur em Estrasburgo. Foi membro do Mathematical Sciences Research Institute em Berkeley e do Institute for Advanced Study em Princeton.

Publicou três livros científicos de geometria, um dos quais em co-autoria, e nove artigos científicos, com mais de 160 citações.

É membro da Comissão Científica Coordenadora do Programa Novos Talentos em Matemática da Fundação Gulbenkian desde 2000. Foi co-fundadora do seminário Geometria em Lisboa em 1999 e do seminário Diagonal em 2000. Co-organiza pelo menos um encontro de matemática por ano.

Tem cooperado com a Câmara Municipal de Lisboa no sentido de explicar, divulgar e completar as simetrias presentes na calçada portuguesa em Lisboa.

6.02.2010


O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.

Israel, como qualquer outro Estado, tem o direito de se defender, mas isso foi um uso abusivo de força letal para defender o bloqueio vergonhoso de Israel a Gaza, onde dois terços das famílias não sabem onde encontrarão sua próxima refeição.

As Nações Unidas, a União Européia e quase todos os outros governos e organizações multilaterais têm pedido a Israel para acabar com o bloqueio, e para lançar uma profunda investigação sobre o ataque à frota. Mas sem pressão maciça dos seus cidadãos, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como eles já fizeram tantas vezes.

Vamos gerar um clamor global tão alto, que não possa ser ignorado. Assine a petição para exigir uma investigação independente sobre o ataque, a responsabilização dos culpados e o fim imediato do bloqueio à Gaza – clique para assinar a petição, e depois repasse essa mensagem a todos os que você conhece:

http://cdn.avaaz.org/po/gaza_flotilla_3/?vl

A petição será entregue às Nações Unidas e aos líderes mundiais, assim que alcançarmos 200.000 nomes – e novamente a cada oportunidade à medida que a lista for crescendo e que os líderes forem reagindo à situação. Uma petição massiva em um momento de crise como esse pode demonstrar aos que estão no poder que declarações e notas à imprensa não são suficientes – que os cidadãos estão prestando atenção e demandam ações concretas.

Enquanto a União Européia decide se irá expandir suas relações comerciais com Israel, e o Obama e o Congresso Americano definem o orçamento para ajuda militar a Israel para o ano que vem, e vizinhos como a Turquia e o Egito decidem seus próximos passos diplomáticos – vamos fazer com que a voz do mundo não seja ignorada: é tempo de verdade e de responsabilizar os culpados pelos ataques aos navios, e é tempo de Israel respeitar o direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza. Assine agora e passe essa mensagem adiante:

http://cdn.avaaz.org/po/gaza_flotilla_3/?vl

A maior parte das pessoas em qualquer lugar ainda compartilha o mesmo sonho: que haja dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio e a violência usada para defendê-lo, envenenam este sonho. Como um colunista israelense escreveu para os seus compatriotas no jornal Ha’aretz hoje, “Nós não estamos mais defendendo Israel. Nós estamos agora defendendo o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está se tornando o Vietnam de Israel.”

Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram hoje contra o ataque e o bloqueio, em passeatas desde Haifa até Tel Aviv e Jerusalém – se unindo a protestos ao redor do mundo. Independente de que lado atacou primeiro ou deu o primeiro tiro (o exército Israelense insiste em dizer que não foram eles que iniciaram a violência), os líderes de Israel mandaram helicópteros armados de tropas pesadas para atacar uma frota de navios em águas internacionais, que levava remédios e ajuda humanitária para Gaza, gerando mortes desnecessárias como conseqüência.

Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, nós possamos fazer deste momento trágico, um ponto de virada – se nós nos unirmos em um chamado de justiça inabalável e um sonho de paz inviolável.

Com esperança,

Ricken, Alice, Raluca, Rewan, Paul, Iain, Graziela e toda a equipe Avaaz

Saiba mais em:

Entenda como funciona o bloqueio à Faixa de Gaza:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100531_entendabloqueiogaza_ji.shtml

Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio de Gaza e mata ativistas:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/05/31/israel-ataca-barcos-que-tentavam-furar-bloqueio-faixa-de-gaza-mata-ativistas-916736797.asp

Israel admite erros em abordagem militar em ataque a frota humanitária:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,israel-admite-erros-em-abordagem-militar-em-ataque-a-frota-humanitaria,559979,0.htm

Comunidade internacional condena ataque de Israel à frota humanitária:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/743257-comunidade-internacional-condena-ataque-de-israel-a-frota-humanitaria.shtml

Conselho de Segurança da ONU condena ataque de Israel a frota humanitária:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/06/01/conselho-de-seguranca-da-onu-condena-ataque-de-israel-frota-humanitaria-916750622.asp

Partido Operário de Unidade Socialista
Secção portuguesa da IVª INTERNACIONAL

FIM AOS CRIMES DO ESTADO DE ISRAEL
A União Europeia, os EUA e a ONU são cúmplices dos crimes sionistas
A 31 de Maio, o exército israelita abordou várias embarcações que se dirigiam para Gaza, com ajuda humanitária, procurando romper o bloqueio a que Israel – com a cumplicidade do governo do Egipto – tem submetido o povo palestino da Faixa de Gaza.
Consta que foram mortas 16 pessoas e que 70 ficaram feridas. Outras informações mencionam 46 hospitalizados e 629 encarcerados. Esta acção criminosa do exército israelita provocou uma condenação unânime e manifestações de povos de todo o mundo – a começar pela população árabe e judia de Israel que, através de diversas manifestações, se demarcou da política assassina do seu Governo.
Esta acção de pirataria só foi possível porque – desde há vários anos – os EUA, os governos europeus e a ONU aceitam o bloqueio da Faixa de Gaza por Israel. Os quais, agora, não mexeram um dedo para impedir o ataque da Armada israelita à frota de ajuda humanitária.
A União Europeia condenou o “uso desproporcionado da força”. O que é um uso proporcionado? É possível aceitar que, em águas internacionais, as forças armadas de Israel – que está a ocupar a Palestina – assalte embarcações de países soberanos? Será legítimo que Israel bloqueie Gaza e utilize uma força “proporcionada” para impedir as ajudas externas? Trata-se de declarações de encobridores e cúmplices.
A União Europeia – como sempre ao serviço de especuladores e piratas – colocou no Oceano Índico dezenas de aviões e de barcos de combate para proteger os barcos de pesca que delapidam os recursos marítimos dos países africanos. Mas… não pode defender os seus cidadãos da acção criminosa de Israel!
Os EUA – pela boca da sua ministra dos Negócios Estrangeiros, Hillary Clinton – denunciaram a atitude violenta… dos pacifistas! Trata-se de uma cumplicidade assassina.
A ONU demorou 24 horas para publicar uma Declaração do seu Presidente não vinculativa, que não condena nem o Estado nem o Governo de Israel, e que reclama – utilizando a ilusão dos “dois Estados” – que os palestinianos mantenham uma falsa negociação com os assassinos. Uma vez mais, a ONU comporta-se como o cúmplice necessário de todo o tipo de malfeitorias.
Só o governo da Turquia – sob cuja bandeira navegava o barco assaltado e de que eram cidadãos vários dos assassinados – censurou abertamente o Estado israelita, acusando-o de terrorista, chamou o seu Embaixador em Israel e prometeu represálias pelo assalto.
Há que pôr fim ao bloqueio de Gaza e aos crimes do Estado de Israel. Os governos devem prestar atenção aos seus povos, que se manifestam contra a impunidade sionista. É necessário que o governo de Sócrates rompa relações com o Estado de Israel.
Castigo para os assassinos!
Liberdade para os detidos!
Nenhuma cumplicidade com o bloqueio de Gaza!
Ruptura imediata de relações com o Estado de Israel!
O POUS solidariza-se com todas as manifestações de protesto contra este crime.

Sede: Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C, 1250 – 217 Lisboa
http://pous4.no.sapo.pt - email: pous4@sapo.pt

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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