5.25.2015

KENNEDY... A sua vida oculta.



“O presidente e seu irmão desenvolveram um método durante a crise de Berlim em meados de 1961, que seria essencial para as negociações entre as superpotências nos dezoito meses seguintes – falar duro em público e fazer acordos em privado para evitar a guerra.”

In SEYMOUR M. HERSH
A Face Oculta de Kennedy
Trad.  Clarisse Tavares
Livros do Brasil – Coleção Vida e Aventura
(Pág. 265)






“As mentiras de Jack Kennedy acerca da sua vida pessoal e a corrupção da eleição presidencial de 1960 perdem importância ao lado do falso legado que ele e seu irmão fabricaram nos dias e semanas que se seguiram à crise dos mísseis. Kennedy colocou o mundo à beira da guerra nuclear para alcançar uma vitória política: humilhar um adversário que o havia humilhado antes.”

In SEYMOUR M. HERSH
A Face Oculta de Kennedy
Trad.  Clarisse Tavares
Livros do Brasil – Coleção Vida e Aventura
(Pág. 357)


UMA APOSTA PELA MUDANÇA, UMA MUDANÇA PELO FUTURO




UMA APOSTA PELA MUDANÇA, UMA MUDANÇA PELO FUTURO


A autonomia e consciência cívica, responsabilidade pessoal e coletiva, a democracia direta e participada, a cidadania plena e irrevogável, o empenho e conhecimento social ou individual sobre a qualidade de vida, a biodiversidade e sustentabilidade ambiental, são as raízes fundamentais duma sociedade equilibrada e justa, emancipada e fraterna, humanizada e livre, que favoreça o são relacionamento entre nós mesmos, bem como entre nós e as outras espécies, entre a nossa e as restantes sociedades e as suas respetivas culturas. Ao invés do que alguns setores egoístas da presente conjuntura sociopolítica pretendem afirmar (no discurso) e confirmar (na prática), o ser humano não vive para a exclusiva satisfação das suas necessidades, nem para o fixado intento de ser feliz (olhando ou não a meios), embora também precise de os conseguir, quer a felicidade como os meios, em termos e patamares plausíveis e positivos, mas antes para a vida, que quer ser omnipresente e eterna, e nos tem a nós, homens e mulheres, apenas como mais uma estratégia, entre milhões de outras conhecidas, para o realizar. Portanto, devemos animar o nosso cotodiano quotidianamente num movimento presente e constante acerca dele, mas igualmente sob os auspícios do futuro e sua providência, a fim de salvaguardarmos a harmonia social, o equilíbrio dos ecossistemas, a unidade do indivíduo e as suas capacidade de empatia, de forma a que se mantenha livre, lúcido, objetivo, livre e autoconfiante face a todas as problemáticas que nos impeçam ou bloqueiem, a cada qual como às comunidades onde está inserido, de responder positivamente às expetativas que a vida nos reservou ou atenções que nos despensa e exige. O ecocentrismo é, assim, a resposta imediata e a atitude consentânea com esta perspetiva existencial, assente em três grande linhas de força ou pilares (integração simbiótica do ser humano na natureza e combate de todos os dualismos que a sonegam – condicionamento da atividade económica e opções tecnológicas que ponham em causa a sustentabilidade e a biodiversidade essenciais – prossecução funcional da natureza de modo a facilitar um contínuo de harmonia planetária), com vista a prosseguir as bases de concórdia interpessoal e internacional num sistema operacional da plataforma ambiental que é a atividade sociopolítica regional, nacional, europeia e global.

Neste sentido importa que nos sensibilizemos quanto à nossa maneira de estar e conviver, de forma a que neles contemplemos a tomada de consciência entre grandeza e grandiosidade –  posto que a primeira é sinónimo de excelência, magnificência, fortuna, honraria, dignidade, mas segunda nos sugere megalomania, sumptuosidade, dispendiosismo extravagante –, a fim de efetuar a mudança social e ideológica que faça confluir a qualidade de vida com níveis de bem-estar (material e espiritual) conformes às exigências dos ecossistemas que compõem o nosso habitat e dos quais também somos parte, e a mais interessada, por sinal, uma vez que cada vez se torna mais evidente, em termos de sobrevivência, que ou sobrevivemos todos e todas (incluindo as espécies) ou não sobrevive ninguém. Ou seja, nunca a escolha se nos deparou tão fácil. E imperiosa.  Ou mudamos, ou a natureza e a vida nos mudam.

Pelo que, e em conformidade com o status quo global  facilmente diagnosticável e à vista desarmada, devemos reconhecer que o florescimento da vida humana e não-humana tem valor em si mesmo, e não relativo aos objetivos e finalidades que lhe determinámos ter de acordo com os nossos interesses; que a nossa riqueza depende sobretudo da nossa diversidade e da diversidade dos seres vivos que compõem o nosso ecossistema; que não temos o direito de usurpar os direitos à vida das demais espécies a não ser para satisfazermos as nossas necessidades vitais; que o controlo da densidade populacional se deve fazer em termos de manutenção e preservação do nosso território e ambiente, e não por fundamentos e necessidades económicas e belicistas; que a interferência da espécie humana sobre as demais é excessiva e abusadora a maior parte das vezes; e que as nossas opções políticas, sendo a política......, devem ser democráticas e não autoritárias, quer em relação a nós mesmos e nós mesmas, quer em relação à ecosfera e espécies que têm igualmente por habitat. Será isso sobre-humano? Não creio. Principalmente para nós, portugueses e portuguesas, habituados que estamos a sair do quadradinho térreo das ideias quadradonas para abarcar a universalidade do ser e do habitar. E essa mudança nunca a fizemos apenas por nós, mas pelo nosso futuro... O mesmo futuro que ora nos convoca.

Joaquim Castanho     

       



ANTÓNIO BOTTO: REAL E IMAGINÁRIO




António Botto: Real e Imaginário
António Augusto Sales
256 Páginas

Canção Mutilada

A tarde cai amaciando a terra,
E enchendo-a de miragens tentadoras
Enquanto o sol,
Nos últimos alentos,
Se prende nos galhos de um arbusto
Que, ressequido, à beira de uma ermida,
Parece o próprio símbolo da Vida.

De enxada ao ombro, alguns trabalhadores,
Pisam o pó e as pedras dos caminhos
– Como bandeiras humanas
Movidas pelo infortúnio,
Sem alegria, sórdidos, curvados
Mas enormes no seu frémito de luta!

Ah!, nem a morte quer os homens
Quando eles são desgraçados!
As estrelas lá, no alto,
Riscam cintilantes brilhos.

E em bandos –
Os maltrapilhos,
Silenciosos e ateus,
Zombam do Amor
E até de Deus!
A miséria
Quando atola
O homem nos seus negros labirintos,
Dá-lhe, também, a loucura
Dos mais trágicos instintos...

Agora, neste momento,
A noite –
É  uma imensa realidade...

E eu julguei ver a Justiça
Afundar-se na penumbra
Da sua inútil realidade.
                                       (Poema de António Botto, que encerra o livro de contos Imagens do Alentejo, de Henriques Zarco, nº 2 da Colecção Amanhã, edição da Imprensa Artística, Lda., em 1936. )

António Botto era homossexual assumido, gay praticante e maricas confesso, não obstante ser casado com uma inteligente e linda senhora. Aliás, o primeiro de uma plêiade de "travestidos" sexuais que ainda hoje prolifera no universo das artes e letras nacionais, europeias ou mundiais, e em grande parte tem feito delas o ninho das tendências marginais. No entanto, é inegável que também era um genial poeta, um extraordinário fabulador e maravilhoso contista, um exemplar dramaturgo, um tradutor sofrível, um letrista respeitável, e um espetacular fadista, arrebatado declamador e convicto versejador, quer no dizer pausado, quer no improviso. Escritor de canções, colaborador dos jornais, boémio e dandy da Alfama bairrista da primeira metade do século passado, que se vangloriava de ser o primeiro pederasta lusitano com reconhecimento oficial, chegando mesmo a mandar imprimir cartões-de-visita com tal "classificação", foi por muitos considerado o Frederico García Lorca português, mas sem a morte, embora não menos trágica, nem iguais preocupações, na vertente sociopolítica, que as do celebérrimo granadino da Geração de 27. E nesta obra se tenta situar, definir, o espaço-quando por que o circunvagou, a que pertenceu, assim como especificar-lhe a faceta e perfil, os relacionamentos, as paixões, fraquezas, limitações e obra, sem cair nas vulgaridades e clichés que tantas vezes entorpecem o género biográfico.
Companheiro de tertúlia e protegido de Fernando Pessoa, conhecido de Régio e amigo de Vilarett e Beatriz Costa, "disse" poemas e declamou como mais ninguém (daquele tempo), aproveitando as nuanças da voz, o efeito das inflexões, a musicalidade do ritmo, num jeito próprio que fez escola, sem que jamais se sentisse incomodado pelo facto de, na Lisboa do seu dia-a-dia, as pessoas continuarem descalças, cultivando e conservando hábitos, tão socializados, educados e ribeirinhos, como o de estender a roupa encharcada à janela, gotejando torrencialmente sobre os transeuntes, ou de escarrar para a rua sem sequer averiguar se alguém vai a passar nesse ínterim. Espírito de irreverente quadrilheiro, pregoeiro de boatos e vingativo nos desamores, praticou o exercício da má-língua tão vorazmente que o batizaram de A Serpente, tal era argúcia e mordacidade de sua feminidade venenosa, consolidando o cosmopolitismo de Álvaro de Campos, e o que levou "alguns" a considerarem-no, de certo modo e justificadamente, também mais um, ou outro heterónimo do poeta da Mensagem, na medida em que Pessoa se reviu e realizou igualmente na poesia dele, além de na vida que a ela correspondeu. Enfim um contista que escreveu sonetos nos guardanapos das mesas de café, cantou o fado nas tascas severinas e marialvas, solitário frequentador do Martinho da Arcada, visitou diariamente as capelinhas livreiras do Chiado (Bertrand, Sá da Costa e Portugal), e que borboleteando vagueou entre as prostitutas e gigolôs, as bailarinas, pintores, escritores, jornalistas, atores e demais refugiados, na capital, do provincianismo e moral do seu tempo.

Joaquim Castanho


La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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