8.11.2004

PARA TE VER

para te ver
cantei, dancei, pulei
para te ouvir
esperei, pensei, fiquei
para te entender
falei, perdi, cansei
para te sentir
nada fiz,
mas senti.

o teu abraço
acalmou
o meu tremor
como nenhum antes.
o teu dar é grande
como também o teu tirar.

alguma coisa em mim
te reconhece
e alguma coisa em ti
chama por mim.

a chama que se apaga
é só o sopro do vento
a passar pela vela.
a vela fica e o pavio também
imutáveis na sua natureza
e de novo se incendeiam
com o calor do momento...

quando as coisas não surgem na vida
como se quer e espera
deixamo-nos balançar pelas ondas
e aguarda-se.
a qualquer momento vira a maré
e lança-nos nas mãos
um búzio encantado
com o som que nos transporta

ANA PINTÃO
(11-09-03 - 3:31 da manhã)

CIÚME

Tenho ciúmes
Das sereias do mar
Das enguias do rio
Das estrelas do céu
Do vento a soprar
Da luz que te roça
E da terra inteira
Que te abraça

Tenho ciúmes
Das gentes e das outras
Das mesmas e das novas
Do que pensas e dizes
Daquilo que irás fazer
Ás vezes, no engano
Do amor que eu queria,
Até de mim própria...


ANA PINTÃO

(14.02.04 - 4 da manhã)

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue