3.27.2009

Obviamente, demito-me

"Cada herdade é um compêndio de ecologia animal;
e a ciência florestal é a tradução desse livro."
Aldo Leopoldo, in A Sand County Almanac

Sob o slogan com "Os Verdes" construir a mudança, decorreu durante os dias 13 e 14 deste mês, na Casa do Artista, em Lisboa, a XIª Convenção do Partido Ecologista "Os Verdes". Todavia, porque voltou a ser reiterada a posição imutável do partido em continuar a concorrer às eleições no âmbito da CDU, estratégia com a qual se pretende alargar o conceito de melancial ao de biodiversidade, a que categoricamente sou adverso, e tendo manifestado exactamente isso na intervenção por mim feita na dita Convenção, não vejo outro caminho, em coerência, responsabilidade democrática e honestidade intelectual, senão declarar que estou indisponível para integrar qualquer lista ou subscrever qualquer proposta eleitoral que não observe integralmente a minha atitude e da corrente de acção política em que se inscreve; logo, fora do contexto e quadro eleitoral da CDU.
Portanto, reservo-me o direito de não colaborar com toda e qualquer iniciativa política, eleitoral ou não, nacional, regional ou localmente, que futuramente seja promovida pela CDU, e enquanto se mantiverem as linhas de acção política da moção aprovada em Convenção. Porém, continuarei a pugnar por uma sociedade ecologista e emancipada, consciente e responsável, pela defesa da natureza e do ambiente, pela sustentabilidade económica, social, territorial, administrativa, cultural e cognitiva, bem como pela biodiversidade, pela gestão racional dos recursos naturais, pelo não cultivo e proliferação dos OGM, pela melhoria da qualidade e das condições de vida, além da sustentabilidade planetária, em prol de uma sociedade cada vez mais justa, mais solidária, mais democrática, mais harmoniosa, mais participativa, mais fraterna, mais desenvolvida, mais inclusiva, mais próspera, mais transparente, mais integrativa, mais coesa, mais positiva, mais associativista, mais plural e diversificada, mais ética e mais moderna, de acordo com as minhas capacidades criativas e de intervenção constitucionalmente consagradas.
Porque só assim, creio, também melhor e mais eficazmente poderei juntar o meu contributo de cidadão ao contributo dos demais cidadãos da comunidade a que pertenço, na edificação de uma Europa para todos, sem abdicações contagiosas nem quezílias desconstrutivas enraizadas em ideologismos (pré-)Guerra Fria não reciclados, logo, obsoletos.

3.26.2009


O Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian realiza no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian (Av. de Berna, 45 A) a conferência – Just Before Darwin: the question of species during the 1850’s – que terá lugar no dia 25 de Março, às 18h00, e será proferida pelo Prof. PIETRO CORSI da Universidade de Oxford, UK. Teria muito gosto em que estivesse presente nesta iniciativa. Poderá também assistir em directo através do site: http://live.fccn.pt/fcg/ e enviar as suas questões para o email darwin@gulbenkian.pt.
PIETRO CORSI
Professor Pietro Corsi is Professor of the History of Science at the University of Oxford. He is the author, amongst others, of the websites www.lamarck.net, http://www.buffon.cnrs.fr/, and http://www.hstl.crhst.cnrs.fr/i-corpus/histmap. He is an advocate of free access to the results of academic research.
Research Interests
· History of life and earth sciences
· Science and religion (18th–20th centuries)
· Science, politics and society
· History of science as a discipline
· Internet for the history of science
· History of neurosciences
· Science and society in the 19th century in Great Britain, France and Italy

Supervision Interests
The history of the philosophy of science; science and religion (17th–20th centuries); and the areas covered by research interests
Research Interests and Activities
· Eighteenth-Century Britain and Europe
· Science, Medicine, and Technology
· Modern Britain and Europe

3.20.2009

Só você não sabe
Só você não vê...


"Tudo pode ser reciclado... Sobretudo as ideias!
Entendemos que o ecologismo é uma nova atitude perante a vida, que nasce da reflexão e da prática de muitos grupos e pessoas, que em todo o mundo se aperceberam que estamos perante uma crise civilizadora, que se torna necessária a definição de caminhos alternativos que valorizem a criatividade individual e colectiva.
A questão cultural é pois fundamental no nosso projecto alternativo de sociedade, estimulando a geração de uma nova ética existencial, que se baseia no respeito pela vida e pela natureza."

Página 115, do Programa do Partido Ecologista "Os Verdes"


Nas vésperas do amanhã é que devemos aviar-nos de quanto iremos precisar durante as viagens, principalmente daquelas feitas no alto mar da modernidade... Ora, como é que um partido incapaz de mudar-se a si mesmo pode outorgar-se ser o arauto da mudança numa sociedade, qualquer e por mais ou menos liberal que ela seja? Que autoridade moral assiste a alguém que exige aos demais fazerem algo que ele próprio não consegue? E isto é, no mínimo, estranho... A não ser que seja um costume típico daqueles que confundem especismo com biodiversidade, quando apostam no cultivo de um género alimentício em detrimento de todos os outros, e que julgando fazerem-no para se salvarem, estão, afinal, não a arrotear o chão do seu futuro, mas a escavar a própria sepultura, a insustentabilidade e o descrédito político. Pelo que não carece de grande golpe de vista nem de suma sapiência, arreigado prognóstico ou atreito sortilégio, a compreensão generalizada deste facto. A monocultura já arrastou para a falência quase todas as unidades de produção que a elegeram como receita estratégica ou mesinha para o défice no balanço, e as que ainda não faliram andam a braços com a dívida que esta crise nunca lhes ajudará a pagar, onde até as colectividades de sucesso eleitoral têm dificuldades de afirmação. Porque nesse caldo pantanoso, propício à rizicultura, não passa mesmo esta, de um rípio sócio-económico de ínfima influência e qualidade no avaliar das contas eleitorais, no contar dos votos a que a análise política não traga mais que o esboço de um sorriso, senão uma gargalhada de escárnio.
Aliás, de pouca monta serão essas questões do número, além de muito menos credíveis as votações de cartão no ar, boletim de voto onde só se pode votar SIM, textos de moção de acção global enviados em cima da hora de abertura do seu debate, pois em Aljubarrota os espanhóis também eram muitos mais do que os portugueses, todavia isso por si só não lhes trouxe nenhuma razão e muito menos lhes deu a vitória. Porque nós vencemos, repusemos a nacionalidade dentro dos cânones da soberania aristocrática de então, tornando-nos novamente mais um legítimo Estado dentro da legalidade europeia. Fomos e continuámos a ser independentes, livres, adultos como nação, íntegros enquanto povo, vetustos na cultura, ancestrais na génese, seculares no entendimento colectivo, milenares no empreendedorismo, destemidos perante o risco, aventureiros ante a desgraça, audazes no planeamento e exigentes, como rigorosos, nas execuções desses planos.
Porém, há tanto tempo isso foi, tanta a água que lavou as margens do Tejo, que disso nem pevide na memória de alguns deixou!
E, mais ainda, não só não deixou pevide na memória dessas pessoas, como as transformaram em alguém com tanta falta de escrúpulos que não sente vergonha quando enuncia no seu programa uma coisa e faz precisamente o contrário. O que é caso para dizer, que apenas a inveja é motivo e razão, que assiste às críticas tecidas contra o governo, por poder fazer e fazer exactamente aquilo que "eles" fariam se pudessem.
Ora, ainda bem que não podem; é que mais do mesmo, já cá temos de sobra!

3.16.2009



Tendo em conta que me foi impossível terminar a minha intervenção na Convenção, deixando-a incompleta, falha de sentido e desenquadrada, e considerando que alguns ecologistas estão curiosos por conhecê-la na íntegra, aqui fica portanto o texto completo dela.











Construir a Mudança Hoje, Porque o Futuro é Já Ontem

Parece-me redundante insistir na capacidade de renovação do Partido Ecologista OS VERDES, todavia reafirmo aqui e agora o que na X CONVENÇÃO terei afirmado, embora que reformulado de acordo com as circunstâncias históricas que formatarão este ano, em que é preciso rendermo-nos às exigências da actualidade, dando-lhe uma resposta peremptória, determinativa, eficaz, delineada em dois objectivos, três estratégias, cinco razões e dez vantagens inequívocas para a reabilitação de Abril e aprofundamento da democracia em Portugal. Repito: dois objectivos, três estratégias, cinco razões e dez vantagens.
Acabou-se o tempo das crises merceeiras e avulso, porquanto já não há crises separadas umas das outras, o que não é necessário ir muito longe, no tempo como no lugar, para o confirmar, pois a crise financeira com que nos abatemos, é exactamente a mesma que a crise económica, a crise ambiental e crise climática, a crise energética e a crise estrutural, a crise de valores e a crise educativa, a crise sanitária, a crise securitária e a crise da biodiversidade, exactamente e tão-só uma e a mesma crise, precisamente aquela que atravessamos e atravessam os gregos como os sul-americanos, os europeus como os asiáticos, acerca da qual nos sentimos esporadicamente impotentes, mas simultaneamente confiantes e convictos, orgulhosos por sermos ecologistas, por pertencermos a um grupo de pessoas que pugnam pela mesma consciência cívica, e que tudo fizeram para não a agravar, estiveram do outro lado da barricada e combateram as condições que criaram esta crise, que avolumaram esta crise, e nunca foram coniventes com os altos interesses da governabilidade e da propaganda de perpetuação do poder, quer ele se tenha manifestado como exercido por esquerdas pouco esquerdistas, como por direitas bastamente fascizantes, e se apresenta agora, em 2009, ano de tripla eleitoral, com autoridade moral e descomprometido, logo abalizado e com estatuto de exclusividade, porquanto o Partido Ecologista OS VERDES somos o único partido político português não alinhado com os neoliberalismos situacionistas, nacionais como internacionais, elementares à cadeia corruptora da sustentabilidade da sociedade da informação e conhecimento, que estiveram na génese deste desequilíbrio global, neste dominó em queda até à imprevisibilidade resoluta de um tsumani planetário; digo, o Partido Ecologista OS VERDES é o único partido nacional com background e barra limpa suficientes para enfrentar com êxito a actual crise, uma vez que somos o único partido com know how, motivação e provas dadas, cujos militantes estão deveras preocupados com as condições do ecossistema, logo igualmente os únicos com a habilitação e a vocação imprescindíveis, além de defendermos o único modelo de sociedade capaz de superar as circunstâncias com autenticidade, a sociedade ecologista emancipada, hasteada nas bandeiras da responsabilidade, cidadania e consciência, totalmente apetrechada dos recursos éticos e ambientais, do sistema económico redistributivo, no ecodesenvolvimento e sustentabilidade, na moral democrática e agricultura biológica, na cultura da conservação da natureza e da biodiversidade, na identidade das diferenças e pluralismo solidário, tão eficazes como incontornáveis para a resolução das dificuldades do presente, além de suficientes na prevenção das dificuldades futuras. Pois o Partido Ecologista OS VERDES é aquele de entre os partidos da actualidade nacional que comporta uma faixa social de cidadãos informados e dispostos a participar na melhoria do mundo físico e ideal em que vivemos, porque preocupados com a problemática ambiental, e detentores da audácia, conhecimentos, competências, motivações e sentido de compromisso que lhe permitem trabalhar, individual e colectivamente, sem as teias do preconceito da obediência esclavagista, na procura empenhada dessa resolução, em plena consonância com o já há muito afirmado por Rolston III, seremos nós, os ecologistas, aqueles activistas, de entre os seres humanos, os que melhor conseguem olhar para fora de si mesmos, ponderando e considerando os interesses de todos os que são, ou podem ser, afectados pelas suas acções. Aliás inerência própria da sociedade ecologista emancipada e responsável, que defendemos e queremos disseminar, não só para o nosso bem e da nação, mas também da Europa e do mundo, quer de hoje como de amanhã. Sobretudo porque os nossos companheiros merecem o melhor que lhe podemos facultar, os nossos deputados o reconhecimento pelo seu trabalho, os nossos autarcas a valorização e mérito pelo seu esforço empenhado e quotidiano.

Primeiro objectivo – Libertar Portugal da hegemonia economicista neoliberal como da manipuladora e bipolar influência da lactossocratocracia pseudo socializante;
Segundo objectivo – Promulgar o ecodesenvolvimento sustentável e solidário como um facto histórico na modernidade portuguesa.

E para alcançar estes dois objectivos de inegável valia na consolidação de uma sociedade cada vez mais responsável, cada vez mais consciente, cada vez mais autossuficiente, cada vez mais emancipada, cada vez mais solidária e cada vez mais democrática, temos três estratégias imediatas.

A primeira, são as eleições europeias, a que devemos concorrer com lista própria e independente, fora do quadro eleitoral da CDU, porque devemos isso aos demais partidos europeus que formam o movimento verde, bem como aos nossos simpatizantes e militantes nacionais, aos nossos deputados na Assembleia da República que, não obstante terem trabalhado mais que quaisquer outros dos demais grupos parlamentares, são constantemente cilindrados por um estatuto de menoridade e tidos como uma carta fora do baralho nas decisões e opinião pública. Eleições essas em que nos devemos empenhar com seriedade e galhardia, com enlevado labor e superação dos interesses particulares, ou individuais, transformando a sua votação, a sua enorme votação, como uma bandeira de negociação e responsabilidade, quer face aos partidos nossos aliados, como para aqueles que são declaradamente contra nós. E para as quais temos vários candidatos de renome, a começar pela nossa cabeça de lista natural e óbvia: Heloísa Apolónia.

A Segunda, são as eleições legislativas, em que apenas devemos concorrer em coligação, depois de garantidos como elegíveis, pelo menos cinco deputados, em ciclos onde essa vantagem é notoriamente visível: Lisboa, Setúbal, Santarém, Coimbra e Porto. Porque temos que acabar definitivamente com esse encostarmo-nos ao cajado característico do pastoreio bucólico após MFA, após PREC; com essa beatitude mística de quem prefere não fazer e tão-só estar sempre pronto a contestar quantos fazem, sobretudo porque eles agiram em conformidade para poderem fazer, empenharam-se e venceram eleições, e nós não; pelejaram pelos seus princípios e tomaram posição acerca destes ou aqueles assuntos, mas nós não; discerniram entre o que está certo e o que está errado, mas nós não; estiveram na linha da frente com as nossas ideias, os nossos projectos, as nossas intenções, como a aposta nas energias alternativas, a vacinação do cancro do útero, a remoção do amianto dos telhados das escolas, a certificação de eficiência energética nos edifícios, o pugnar pelo fim do suporte-papel nas comunicações intra-Estado, a aplicação das TIC e Magalhães, e nós não; e etc., que até os etecoetras fizeram com inaudito anúncio e propaganda, solfejo regimental e bivaque, acompanhamento de bandas e beberete, mas nós não. Mas essencialmente porque se até agora nos satisfazia um dueto parlamentar, agora, com a crise, as alterações climáticas, a degradação das condições de vida, a insustentabilidade laboral, a destruição da natureza e o desordenamento do território, tão pujantes e evidentes, vamos precisar de um grupo parlamentar com poder de manobra para operar em conformidade com aquilo que a modernidade portuguesa exige: determinação, seriedade e respeito.
E a terceira estratégia, como não podia deixar de ser, as eleições autárquicas, em que temos de passar a concorrer não para ganhar uns lugarzinhos mixurucas nas assembleias de municipais, nas juntas de freguesia, nas mesas de voto para os referendos regionais, que nunca foram feitos em Portugal, nem provavelmente virão a ser, uma vez que o instituto do referendo, aliás, como a democracia, são chatices que apenas servem para embelezar os documentos fundamentais, como a Constituição da República Portuguesa; a que devemos concorrer, dizia, não para manter a nossa pequenez e insignificância de quem acompanha aos ferrinhos as marciais arruadas dos tambores e bombos de quaisquer outros partidos, mas sim para que em vez de lugares cativos nas assembleias de freguesia, ganharmos definitivamente câmaras, onde possamos contribuir para uma melhor e eficaz, sustentável e humanizada, gestão dos recursos naturais, defender o território e o ambiente, aplicar políticas com incontestável efeito prático na qualidade de vida das populações, implementar instrumentos de ordenamento territorial que defendam o nosso património cultural, atmosférico, biótico, aquífero, hidrográfico, arquitectónico, paisagístico, etnográfico, biónico, enfim, sejam a linha avançada dos mais progressistas em benefício até dos mais retrógrados, nas sem a vergonha dos dependentes, sem o cunho do criancismo e da esmola política, e sim com consciência ou elevado sentido de responsabilidade que é típica dos ecologistas de e em todo o mundo.

Principalmente porque temos do nosso lado cinco razões indesmentíveis:

Uma – os nossos deputados foram os mais diligentes e acossados na Assembleia da República, em que a esquerda e direita malharam por tudo e por nada;

Duas – não obstante o diminuído estatuto de cada um dos nossos autarcas pela fragilidade democrática já enunciada, estiveram sempre e inabalavelmente do lado daqueles que mais sofreram com as políticas urbanas insustentáveis, despesistas, que hipotecam o futuro e as futuras medidas de recuperação da economia e da gestão autárquica;

Três – temos, no seio do Partido Ecologista OS VERDES, os mais responsáveis e inconformados dos cidadãos, os menos acomodados dos munícipes, os melhores representantes parlamentares, os mais empenhados e envolvidos militantes, porquanto não estão aqui para fazer número nem enfeite da moldura em que os órgãos de comunicação nos hão-de pincelar, nem para ganhar um jobzinho a expensas do erário público, mas sim porque têm um projecto alternativo de valor, um programa insofismável, uma vontade inegável de melhorar as condições do habitat humano, em resumo, não só uma solução para presente crise, como também para evitar as vindouras.

Quatro – onde os demais partidos do espectro político nacional erraram, nós estivemos atentos; onde eles fizeram mal, nós apontámos as consequências; onde eles calaram, nós denunciámos; onde eles sujaram, nós limpámos; onde eles destruíram, nós mergulhámos na conservação; onde eles arrepiaram caminho, nós inovámos, nós reciclámos, nós reutilizámos, nós seleccionámos, nós reduzimos, nós alertámos para urgência de alterarmos as condutas dos desleixo e do egoísmo generalista;

E cinco – porque alguém lá fora, talvez uma criança inocente, um amigo vilipendiado, uma amiga socada, um rio poluído, uma árvore abatida, um animal maltratado, um silêncio opressivo, uma palavra calada, um coração magoado, um ambiente aviltado, uma cidade sitiada, e um companheiro apoquentado estão de "olhos" postos em nós, e viram na nossa capacidade de análise e diagnóstico um prenúncio de acção, uma vontade de mudança, uma renovada esperança para a sua qualidade de vida.
E estas não são só cinco razões mas cinco evidências que dia a dia se multiplicam e irão preencher os próximos cinquenta anos da Portugalidade a que pertencemos.

Viva o Partido Ecologista português!
Viva Portugal!
Viva o futuro de Vitória e Liberdade!

3.12.2009



VERDES DOS EUA E DA IRLANDA
NA XIª CONVENÇÃO DO PARTIDO ECOLOGISTA “OS VERDES”


A XIª Convenção Nacional Ecológica, órgão máximo do Partido Ecologista “Os Verdes” realiza-se nos próximos dias 13 e 14 de Março na Casa do Artista (Pontinha, Lisboa), sob o lema “Com os Verdes Construir a Mudança”.

Os trabalhos começarão dia 13 de Março pelas 20.00h, com a recepção dos delegados, participantes e convidados e terminarão após a intervenção de encerramento, prevista para as 17.30h de Sábado, 14 de Março.

No sábado, dia 14 de Março, realizar-se-á ainda um debate subordinado ao tema “A emergência da Ecologia no Mundo” que contará com a participação dos oradores convidados Bruce Gagnon (Verdes dos Estados Unidos da América) e Patricia Mckenna (Verdes da Irlanda), bem como com a participação da Deputada ecologista Heloísa Apolónia.

“Os Verdes” convidam desde já os senhores e senhoras jornalistas a acompanharem os trabalhos deste grande momento de afirmação do projecto ecologista em Portugal.


O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 -
imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
www.osverdes.pt

Lisboa, 11 de Março de 2009

3.10.2009

XIª CONVENÇÃO DO PARTIDO ECOLOGISTA “OS VERDES” - 13 E 14 DE MARÇO EM LISBOA


O Partido Ecologista “Os Verdes” realiza a sua XIª Convenção Nacional Ecológica, órgão máximo do Partido, nos próximos dias 13 e 14 de Março.

A XIª Convenção realizar-se-á na Casa do Artista na Pontinha, em Lisboa, sob o lema “Com os Verdes Construir a Mudança”. Os trabalhos começarão na sexta-feira, dia 13 de Março pelas 20.00h e terminarão após a intervenção de encerramento, prevista para as 17.30h de sábado, 14 de Março.

“Os Verdes” convidam desde já os senhores e senhoras jornalistas a acompanharem os trabalhos deste grande momento de afirmação do projecto ecologista em Portugal.


O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
http://www.osverdes.pt/

Lisboa, 9 de Março de 2009

3.09.2009

Ensaio Sobre as Aves


"Ele não respondeu, acompanhou-a à porta e tentou não ouvir os saltos dela no mármore, a escreverem S-E-X-O em código Morse."
In
O Cego de Sevilha (p.221),de Robert Wilson

Porque os que com desacuidade vêem, exigem cegueira absoluta aos que consigo habitam, convivem, trabalham, aprendem, partilham interesses e se divertem, é notório que enquanto a Justiça for condicionada pela "arquitectura" integrista e fundamentar os seus alicerces no corporativismo burocrático – obrigado, Kafka! –, será cada vez mais injusta e menos democrática, menos confiável e mais sexista, ou seleccionista, menos acessível e mais confusa, menos transparente e mais secretista, de suspeitas coreografias nas oportunidades decisórias, além de tender cada vez mais a transformar-se numa arma de arremesso para diferenças e ódios, como instrumento de poder que o establishment dispõe a seu bel-prazer, a fim de enfrentar os seus mais acesos e acérrimos temores, legitimar as profilaxias de evitação, nomeadamente as de precedentes, executar as principais antipatias viscerais socialmente identificadas, através do exercício modelar da percepção motivada (e economicamente assistida), capacitada e justificada por uma estranha interpretação determinista da moralidade, na medida em que qualquer variação no status se incrementa sempre por pronunciada ruptura – ou dissidência, ou resistência – com o sistema vigente, baseada em formas de o adulterar ou corromper, recorrendo invariavelmente a meios pouco ortodoxos, logo passíveis de ilegitimidade e "indesejáveis"; eis, portanto, o caldo sócio-cultural em que se multiplica a matiz de tangência entre as esferas política, judicial e pessoal, na formatação do vínculo de intercepção concreta da ética democrática, onde os problemas fazem impreterivelmente parte das soluções.
Porém, soam rumores de novidade, ventos de mudança, em feição a reparados rumos. Pode apenas ser crença, fé de gentios, homens e mulheres que por muito peregrinar nos passos perdidos, ainda supõem ser possível ir para o futuro numa carroça do passado. E quem diz carroça, diz máquina; e quem diz máquina, diz aparelho, diz sistema; e quem diz sistema, diz corpo legal, diz software, diz edifícios, diz instalações. Por mim, sendo local de frequência conjugável no obrigatório, que é gerúndio de tem-que-ser, da última vez que fui a um tribunal, no caso, ao de Portalegre, depois de subir os socalcos até ao primeiro piso, restou-me esperar num corredor soturno e frio, sentado em banco conventual, a ler, até que, saltos batidos no mármore se fizeram ouvir, pesados em sobrecarga de processos, me apagaram a luz, exigindo-me por único entretém o umbral da porta (sem porta) ao fundo do corredor, onde, dois homens principiavam a levar outro, escadas acima, numa cadeira de rodas, pegando-lhe o da frente pelas rodas dianteiras da mesma, o de detrás, nos punhos das costas que servem para empurrar a dita (máquina), para aceder à sala de audiências, a fim de poder usufruir da Justiça, não sei se como arguido, se como queixoso, o que também não terá importância alguma, uma vez que para a ela chegar teve que ir de cabeça para baixo...
E como vi uma cadeira de rodas, imaginei que terá sido resultado de qualquer acidente. Lembrei-me então, do pardal Sebastião, que num dia de nevoeiro, lhe aconteceu por inteiro, ser o desafortunado aventureiro, de mais um acidente de viação:
Ia, pela estrada de Alpalhão, no seu Mercedes topo de gama, um próspero agricultor, cuja perícia na condução, é pisar bem no acelerador. Todavia, em sentido contrário, fugindo da áspera rama, de uma árvore à beirinha, num ápice de fósforo em chama, veio Sebastião de repente, estatelar-se mesmo na sua frente, sobre o pára-brisas, e truz-pás-zás-catrapuz, pelo que o condutor exclamou "ai, Jesus", ao ver a ave de asas em cruz, travou, parou, e condoído pela visão, tratou de recolher o pardal, a quem o coração ainda batia, colocando-o no banco ao lado, até chegar a casa, para tratá-lo conforme pudesse e sabia. Pois bem, ao remanso do lar chegado, o remorso virou cuidado, e ajeitou o pobre animal, numa cama de papel, pondo-lhe perto água e pão, dentro de uma gaiola antes vazia, que guardara para qualquer ocasião. E ali ficou Sebastião, entre medo, dor e agonia, mas como era ave de respeito, por aquilo que lhe batia no peito, eis que passadas algumas horas, sem perdidas demoras, deu acordo de si... e dito e feito: que viu ele? Ao fundo, graníticas paredes, de histórico castelão, enquanto perto tão-só grades, um púcaro de água, migalhas de pão. Afligiu-se então nesse ínterim, que nunca se vira em tais sedes, e lançando os olhitos aos céus, gritou "ai, meu Deus, que fui eu fazer?, não é que queres ver, que matei o tipo do Mercedes?"
Portanto, perante o visto, na subida de quanta gente espera que a Justiça seja justa, mas lhe acede de pernas para o ar, quis-me parecer que razão tinha o pardal em desconfiar do trato, que também aqueles a quem é anunciada a mudança de uma Justiça para todos, democrática, deve ser difícil de entender, já que das sociedades e cidades e edifícios que são fundamentalmente só para alguns, muito pequena há-de ser a que vier. Porque a Justiça serve a sociedade que a sustenta, e essa, é precisamente esta a Justiça que ela quer. E quem pensar o contrário, sujeita-se a ser outra bárbara avis rara!


(Nota: este texto foi feito para colaboração na revista Justiça & Democracia, onde efectivamente saiu publicado no número 02, de Outubro 2008/Janeiro 2009)

3.06.2009


Intervenção do Deputado Francisco Madeira Lopes (PEV) proferida na Assembleia da República, a 5 de Março de 2009 - apresentação do PJR nº418/X sobre a Classificação da Linha Ferroviária do Tua




Quem já teve a fortuna de conhecer e viajar na Linha Ferroviária do Tua, que se estende desde a Foz do Tua, onde casa com a Linha do Douro, até Mirandela, e outrora até Bragança, jamais esquece essa experiência e o deslumbramento que provoca o arrojo desta ímpar obra de arte da Engenharia Portuguesa e o modo sereno como serpenteia o Vale do Tua, empoleirada sobre as suas encostas, com uma paisagem de cortar a respiração, num singularmente harmonioso casamento entre a obra do Homem e a da Natureza.

Os que, designadamente os da Região de Trás-os-Montes, já tiveram essa oportunidade, como eu tive, saberão do que falo. Sabem-no não só as suas gentes, que com a linha nasceram e cresceram, que com ela foram à escola, ao médico ou para o trabalho, sabem-no também as centenas de portugueses e estrangeiros que todos os anos a escolhem visitar e não se arrependem.

E não é por acaso. Uma linha de caminho de ferro que representou na sua época um marco de desenvolvimento notável na visão estratégica que a Associação Comercial do Porto e a Autarquia de Mirandela demonstraram no século XIX demandando a sua construção.

Uma linha cuja importância foi registada no dia da inauguração, com a presença da Família Real num dia que a pena de Bordalo Pinheiro registou a adesão popular em massa ao evento.

Uma linha que, desde a sua génese, há 121 anos, e até aos dias de hoje, foi sempre considerada, legitimamente, uma Obra Prima da Engenharia Portuguesa e da Engenharia Ferroviária Nacional, e uma peça única do nosso Património Industrial Ferroviário, como é considerada, entre outros, pela Associação Portuguesa do Património Industrial, representante em Portugal do Comité Consultor da Unesco para o Património Industrial.

Mas muito mais do que a opinião de especialistas, e organismos, de personalidades públicas com responsabilidades políticas e culturais da sociedade portuguesa ou do que a convicção d’ Os Verdes, como partido proponente desta iniciativa, do mérito da Linha do Tua em se ver reconhecida, por direito próprio, como parte do nosso Património Classificado, é o reconhecimento que as populações, em primeiro lugar as da região, mas não exclusivamente, como bem o demonstrou a Petição promovida em sua defesa dirigida à Assembleia da República, lhe dispensam como parte da sua/nossa identidade e memória colectiva, como motivo de orgulho do nosso país e potencial de desenvolvimento económico e social, como sustentabilidade ambiental, daquela região.

Esta é, aliás, a noção que têm não só “Os Verdes” desde que, em 2006, visitámos as linhas do Corgo, Tâmega e Tua e escutámos o sentimento das populações em relação à sua Linha de Caminho de Ferro, mas é em absoluto confirmada pelo próprio Estudo de Impacto Ambiental da Barragem da Foz do Tua que a ela se refere como bem patrimonial, “elemento unificador de uma identidade colectiva em torno do vale” cuja perda é avaliada como uma “perda colectiva” irreversível.

Não temos dúvidas, ao olhar para a nossa Lei de Bases do Património Cultural, que estamos perante um bem único de relevante interesse cultural, testemunho exemplar da engenharia portuguesa reflectindo valores de memória, integrando no seu contexto o próprio vale do Tua e que deve ser objecto de protecção e valorização a fim de vivificar a identidade nacional e regional e promover a qualidade ambiental, paisagística e o bem-estar e desenvolvimento social e económico, com potencialidades até de classificação Internacional pela Unesco.

Com efeito, esta “jóia da coroa” do nosso património ferroviário, para além de garantir o fundamental direito à mobilidade daquelas populações representa a pedra de toque no potencial de desenvolvimento turístico da região, para que Portugal seja de facto Maior, como pretende o Ministro da Economia.

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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