11.16.2010

A Crítica da Razão Suficiente


"E contra fatos tudo são argumentos. (...) Vocabuliam-se dúvidas, instantaneavam-se ordens: (...) Quando o silêncio clareia é que se escutam os escuros presságios. (...) [Só] Os anjos é que vêem o que não se passa." – in O Último Voo do Flamingo, de Mia Couto.

Se à cultura cabe a crítica da natureza é, porém, a civilização quem está mais próxima e funcional, adaptada, se coadunada e em conformidade, quanto à execução prática dessa crítica, para o que deve contar sempre com a viva e vivaz oposição, frontal e inequívoca, da arte em geral, e de cada uma de todas as artes, em particular, sem exceção, incluindo as requentadas e recicladas pelas valências e potencialidades das novas tecnologias (TIC). A portugalidade já patinhou demais no lodeiro do lamechismo bem pensante, civilizado e requintado dos extremismos canónicos, esborratando-se e diluindo-se nos interesses e demandas templárias, que sob o pretexto de serem esses templos a pagar as contas da despesa corrente no mecenato da competição desestruturante, se outorgam como lídimas autoridades na determinação da estética, na escolha e definição dos conteúdos, na modalidade apelante, na delineação da forma e decisão sobre o tipo e qualidade dos materiais ou suportes, no entabular das estruturas, enfim, nas motivações e motivos, nas técnicas e efeitos limítrofes e colaterais, intrínsecos a essa coisa pública chamada cultura, enquanto conteúdo veicular da arte e nas artes, ao exporem-se alternativas da realidade (criticada). A literatura, a ficção, a poesia, não podem continuar a ser coutadas de pategos, ou atiradores aos patos, sem época de defeso nem contagem estatística de disparos. José Saramago podia não ter sido um grande e genial escritor, daqueles que tiram coelhos da cartola por dá cá essa verba, como afirmam pretender, desabafando, alguns eruditos de café, nas suas elevadas tertúlias de interpretar os títulos do Correio da Manhã, ao que parece tarefa altamente transcendental para os de verve acicatada e soletração esforçada, mas foi o melhor do seu tempo, breve como é óbvio, logo da sua geração, neste país de baptistas a quem inchou o p da sopa para melhor realçarem o seu desacordo quanto ao Acordo Ortográfico. Todavia, nem oito nem oitenta, que abusar do seu esplendor para estender a manta burguesa sobre a relva das vaidades numa feira de brocados, com documentários e brochuras, de enaltecimento umas, de petiscar as migalhinhas da fama, outras, não (com)prova absolutamente nada da excelência da sua obra e bondade do autor, nem acrescenta o quer que seja ao que já de ambos se sabe, ou merece ser conhecido, quanto às virtudes técnico-narrativas, ao universo intertextual, acompanhado ou não das fantásticas e maravilhosas companhas, desprendidas e abnegadas no outrismo missionário, nestas ou naquelas paragens, posições ou protagonismos, no cocuruto de um vulcão de latente eclosão, ou em calções de banho num mar de sargaços e sanguessugas, ainda que alguém suponha com isso criar leitores, aumentar pecúlios editoriais, estimular a leitura e combater o analfabetismo, injetar soro mental e cultural nesta civilizada prole de herdeiros do obscurantismo salazarista, com assento na tribuna popularucha da acentuada distinção tribal, a que soe chamar-se, classe média esclarecida e (recém)formada pelas novas oportunidades, maiores de vinte e três e demais recursos da ansiedade governativa para subir no ranking do desenvolvimento humano, esquecendo que tal sofreguidão cheira a gato com o rabo de fora, propícia a indispor os narizes sensíveis – e melindrados – do empinado balofo dos narcisos sem fundamento, proporcionando aos autoconvencidos da razão suficiente o peculiar cheiro a esturro, que angélicos, tanto almejaram notar ainda em vida do autor laureado com o Nobel, nascido na azinhaga da decantação dos discursos diretos.
O livro, que já não é o que era e ainda nem imagina que virá a ser, e nele, a ficção, a novela, a poesia, o ensaio, o teatro, o sermão, a epístola, o diário de bordo, o diário, o relato de viagem, a reportagem existencial, o recado, a crítica, a estampa soletrável ou o bilhete/cábula de memória, sendo contudo produtos culturais por excelência, e grau superlativo na capacidade de veicular conteúdos, está para a civilização como a palavra está para a cultura: sintetiza-a, reflete-a, aprofunda-a, liberta-a, torna-a evidente, fluente, plausível e indesmentível, reconhece-a e divulga-a, exemplifica-a e corrompe-a. Sobretudo quando nos serve o romance. Tal como sucede com O Último Voo do Flamingo, de Mia Couto, que nos abre as portas para a (civilizada) Tizangara, uma aldeia situada no profundo algures da moçambiquidade, com porto de escala na portugalidade fluente da pronúncia social, e política, onde apenas os fatos são sobrenaturais, contra os quais quaisquer argumentos são superiormente válidos, deixando tudo o resto, que é imenso, na arca da emoção que, como todos sabemos, é razão mais que suficiente para cometer a vida e a morte, o sentimento e a economia, a guerra e o desfrute, ainda que lhe pertença por lei nem herança, por conquista nem dádiva.
Obra de entretenimento linguístico, que explora o sketch e a anedota como canoa para saltar fora do ambiente social visado, distanciamento tradicional dos antropólogos e sociólogos, biólogos das humanidades, que gostam de viajar entre os pingos da chuva, contorcendo-se entre os riscos de água na observância resistente, reproduzindo-o com as salvaguardas usuais e concedidas aos que romperam o manto da desabilitação académica, não pretende emitir uma mensagem nem desocupar uma expectativa de socialização, porquanto o buraco que cresce e faz desaparecer as nações, vai desde a corrupção à ignorância supersticiosa, e esse submergir é tão consequente a um mundo civilizado mas de cultura pouco esclarecida, como a um mundo inculto mas de civilização avançada, sem intenção definida e eticamente positiva, independentemente de serem aves (flamingos) que empurram o tempo para que o dia de amanhã se verifique, ou os comboios suburbanos da madrugada nas grandes metrópoles. Porque o que é certo, é que esse dia só acontecerá, não pelas razões legítimas e cientificamente reconhecidas, mas sim por gestação fantástica de causa e efeitos, em que as causas são sempre razões suficientes e os efeitos fatalidades incontornáveis, o que é quanto baste para destruir o conceito de cultura, uma vez que ele não crítica a natureza e antes a subscreve, relatando-a, no mais profundo da crendice e superstição animal comum ao homem pouco (ou mal) formado.
É uma novela com a qual a gente se ri para nos esquecermos de quão importante seria lamentarmo-nos pelo espelhado nela. Ri para não chorar, cumprindo um fado que nos foi ligado e anexo com as caravelas que aportaram a tamanho país, onde as crianças não têm acesso a esta e demais obras de Mia Couto, porque as não podem comprar nem existem nas bibliotecas, escolares ou públicas, porque quem as fez, escreveu, inventou, deixou de ser seu dono mal as publicou, passando de imediato a serem elas propriedade/produto de uma indústria cultural marxistamente civilizada a quem dá muito jeito as mais-valias resultantes, para premiar o investimento aos sócios anónimos da sua assembleia de acionistas. É um exemplo, de como os autores literários continuam a andar com os sapatos nas mãos, para só os calçar quando em pose, na representação do algo que os notabiliza, para não desgastar nem sujar o seu luxo de civilizados, embora se descalcem imediatamente a seguir ao fim da encenação e da saída dos mass media. Ou das entidades oficiais.
Escrever, criar, usufruir da técnica e da cultura, é muito mais do que bater palminhas às existências, às civilizações, mesmo que se lhe empreste uma graciosa pantomina de bobo em corte abonada: é criticar o que a natureza e a cultura forjaram, espremer a civilização condensada, até estas gerarem o desenvolvimento que as oblitere, e em síntese, as negue, desmascarando-as tão impróprias para futuro como já o são de sobejo no presente. Principalmente porque não há de ser pela circunstância de alguns babuínos/beduínos continuarem a caçar flamingos, conforme gentileza documental da National Geographic, que o dia de amanhã acontecerá. Esse depende do Sol, que desde remotas e soterradas épocas, continua a chamar-se Arina. Tão certo como três mais dois serem cinco, e mais um seis, que a perfeição é um oito adormecido no horizonte, sob o lusco-fusco de violetas timbrados, esperando as estrelas que nos perseguem (e espreitam). E seria preciso outra razão? Não é esta suficientemente forte para querer apagar os buracos negros do firmamento da esperança? Experimentem!

11.12.2010

Outra notícia que importa não deixar cair no esquecimento... Sobretudo quando se está prestes a fechar o balanço de 2010, repetindo o que foi feito em anos anteriores.


O Pedido de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias: aspectos Político-Diplomáticos


Este ano o ensaio vencedor do Prémio Jacques Delors tem por título «O Pedido de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias: aspectos Político-Diplomáticos» e é da autoria de Francisco Niny Pereira de Castro.

A obra, refere todos os aspectos políticos e diplomáticos do pedido de adesão, bem como os aspectos mais significativos do debate e preparativos que antecederam a iniciativa do governo português ao fazer o pedido de adesão de Portugal às Comunidades europeias. Assim, esta obra, torna-se uma leitura indispensável, justamente no ano em que se comemoram 25 anos de assinatura do tratado de adesão
Segundo o editor, «A adesão às Comunidades Europeias é a decisão estratégica mais importante do regime democrático português. Terminado o ciclo do império, o pedido de adesão de 1977 significa a construção de um novo lugar no mundo e a procura de uma nova identidade para Portugal. Mas é também um «seguro» para o novíssimo regime democrático, e, ainda, um possível trunfo político para o I Governo Constitucional.
Para os nove Estados-Membros da CEE, a adesão portuguesa só podia ser pensada no contexto ibérico e no avanço da democracia parlamentar na Europa. O pedido de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia foi antecedido por um período de sondagens diplomáticas e por contactos directos entre o Primeiro-ministro português e os seus homólogos europeus, em Fevereiro e Março de 1977.
Este livro fala sobre os aspectos político-diplomáticos desta iniciativa portuguesa.»

A obra encontra-se disponível para consulta e empréstimo na biblioteca do CIEJD, e está à venda nas livrarias da especialidade.

O júri decidiu, ainda, atribuir três menções honrosas, pela excelência dos trabalhos de: Mafalda Alexandra Lobo Pereira da Silva, pela obra A Imagem de África na Imprensa Europeia: O caso da Cimeira UE-África em Dezembro de 2007, Maria Dulce Tavares Martinho, pela obra A França na Reflexão Europeia de Eduardo Lourenço e Vanda Raquel Alves Pacheco, pela obra Entre a fobia da cigarra e a apologia da formiga: a Inclusão Activa e os Esquemas de Rendimento Mínimo na Europa.

O Prémio Jacques Delors é um galardão instituído, em 1996, pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors, patrocinado pelo Banco de Portugal e atribuído por um júri constituído por personalidades nacionais de reconhecido prestígio e mérito científico.

A distinção visa incentivar o aparecimento de obras inéditas sobre temas comunitários, em língua portuguesa e é atribuída ao melhor estudo académico apresentado, sobre a temática.

Todos os anos os candidatos são convidados a apresentar os seus trabalhos até 16 de Novembro, sob as condições do regulamento. Os trabalhos podem abranger teses de mestrado e de doutoramento que não tenham sido objecto de publicação.

Aproveite para conhecer também outras obras distinguidas pelo Prémio Jacques Delors em: http://www.eurocid.pt/pls/wsd/wsdwcot0.detalhe?p_cot_id=632&p_est_id=2558
Importa não esquecer...




Mostra de documentários europeus

A Associação pelo Documentário (Apordoc) organizou uma mostra de documentários europeus para assinalar o Dia da Europa (9 de Maio), em resposta a um concurso lançado pelo Centro Jacques Delors, enquanto Organismo Intermediário da Comissão Europeia.

O Doc_Europa II exibiu 27 filmes (um de cada país membro da União Europeia), de acesso livre e gratuito, no Porto, na Fundação de Serralves entre 7 e 9 de Maio e em Lisboa, no Instituto Franco-Português, entre 14 e 16 de Maio, de 2010.

Este festival documentário visou a diversidade cultural da UE, sugerindo uma reflexão sobre o lema: «Afirmação da União Europeia no Mundo».

Segundo a Apordoc, «afirmar inteiramente um projecto como a União Europeia é afirmar com temperança, sem excesso, integrar nessa afirmação o bom e o imperfeito. Afirmar é, nesse sentido, enfrentar os medos sem os sentir como ameaça - velhice, imigração, pobreza, doença, desgaste ambiental, tensões entre tradição e modernidade, transformação dos modelos de família, mudança política, sexualidade. Enfrentar medos com um olhar honesto e frontal é tratá-los sem artificialismos ou fugas. O cinema mostra ao mundo como fazê-lo.»

Esta foi uma iniciativa da Comissão Europeia, através da sua Representação em Portugal, promovida pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors, enquanto Organismo Intermediário e foi executada pela Apordoc

Para informações complementares, há “notícias” nos sítios seguintes, que também ajudam ao escoramento do assunto: http://www.eurocid.pt/pls/wsd/wsdwcot0.detalhe?p_cot_id=4975&p_est_id=10821
http://www.eurocid.pt/pls/wsd/wsdwcot0.detalhe_area?p_cot_id=6168&p_est_id=12864

http://www.eurocid.pt/pls/wsd/wsdwcot0.detalhe?p_cot_id=6259&p_est_id=13041
http://ec.europa.eu/portugal/comissao/index_pt.htm

11.10.2010

A Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, promove um ciclo internacional de conferências intitulado Image in Science and Art, que terá início a 17 de Novembro, às 18.00, com a conferência “Taking it on Trust” in Images of Nature e que será proferida por Martin Kemp, reconhecido investigador da obra de Leonardo da Vinci.
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Martin Kemp dedica-se ao estudo de imagens na arte e na ciência desde a Renascença até aos dias de hoje. É autor do livro Leonardo da Vinci que lhe valeu o Prémio Mitchell. Foi curador da exposição Leonardo da Vinci, na Hayward Gallery de Londres. É organizador e co-autor do livro The Oxford History of Western Art.

INFORMAÇÕES
Rita Rebelo de Andrade SERVIÇO DE CIÊNCIA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
Av. de Berna, 45 A – 1067-001 LISBOA
T. 21 782 35 25 E.
scienceandart@gulbenkian.pt www.gulbenkian.pt
W.
www.gulbenkian.pt/scienceandart
Videodifusão
http://live.fccn.pt/fcg

IMAGE IN SCIENCE AND ART


São inúmeras as relações e interacções entre ciência e arte. Mas convém não cairmos em generalizações fáceis e pensar que tudo se assemelha, que é fácil estabelecer pontes entre os vários domínios do conhecimento. Exactamente por corresponderem a linguagens especializadas e de grande precisão, as ligações conseguem-se recorrendo sobretudo às componentes mais tácitas, à expressão das emoções, à infraestrutura de sensibilidades em que estamos mergulhados, ao espírito da época. Em cada tempo histórico estas relações mudam e importa compreender aquilo a que se dá valor essencial no presente.

A arte foi um vector poderoso de transmissão de valores e de cultura durante milénios, tendo-se tornado num instrumento consciente de libertação e de emancipação do homem somente há pouco mais de um século. Mas o artista, como sujeito, é parte do objecto que retrata, é inseparável do seu modelo, da sua escolha. Por outro lado, a ciência moderna foi marcada desde o seu início pela emancipação e capacidade de objecção dos seus praticantes, que sempre pretenderam (em última análise) eliminar o sujeito do quadro de observação da realidade – tal era a ânsia de universalidade na descrição dos fenómenos naturais que os animava. Aqui reside em grande parte o abismo entre a arte e a ciência. Mas estes saberes partilham igualmente estratégias comuns: quer a arte, quer a ciência, precisam de ser públicas (ou publicadas). É este o critério último da verdade que pretendem transmitir.

Pensamos assim que a série de conferências sobre a imagem na ciência e na arte que a Fundação Calouste Gulbenkian realiza, em colaboração com o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, é um excelente modo de revisitar todas estas questões, pela qualidade e diversidade dos oradores, bem como dos temas que vão debater com o público. Pensamos também que servirão como um pertinente revelador das rupturas e das inquietações que nos acompanham neste século XXI.
Julho 2010.

João Caraça

Director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian


Abstract
“Taking it on Trust" in Images of Nature
Images in the natural sciences exploit visual rhetorics (invented in art to some extent) to put us in the position of a virtual witness, to convince us of the reality of the image, or are used to assert the irrefutable precision of the visual data. They also play into the social settings for the production and marketing of the books in which they appear. The examples will extend from the Renaissance to the present day. Then as now we take a good deal "on trust" when accepting the veracity of a representation.
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Martin Kemp has written and broadcast extensively on imagery in art and science from the Renaissance to the present day. Leonardo da Vinci has been at the centre of this endeavour, and has been the subject of a number of his books and exhibitions, including Leonardo (Oxford University Press, 2004). His wider research has involved the sciences of optics, anatomy and natural history in various key episodes in the history of naturalism. In 1989 he published The Science of Art. Optical Themes in Western Art from Brunelleschi to Seurat (Yale University Press).
Increasingly, he has focused on issues of visualization, modeling and representation. The broad thrust of more recent work is devoted to a "New History of the Visual," which embraces the wide range of artefacts from science, technology, and the fine, applied and popular arts that have been devised to create models of nature and to articulate human relationships with the physical world. A scientific diagram or computer graphic model of a molecule is as relevant to this new history as a painting by Michelangelo. He writes a regular column on 'Science in Culture' in the science journal Nature, an early selection of which has been published as Visualisations (OUP, 2000). Many of the themes of the Nature essays are developed in Seen and Unseen (OUP 2006), in which his concept of 'structural intuitions' is explored. Forthcoming books include The Human Animal (Chicago).

11.05.2010

Instrumento de Microfinanciamento Europeu «Progress» para o Emprego e a Inclusão Social

Vigência: de 2010-01-01 a 2013-12-31

Descrição



A União Europeia criou um novo Instrumento deMicrofinanciamento Europeu «Progress» que concede microcrédito a pequenas empresas e a pessoas que perderam o emprego e desejam criar o seu próprio negócio.
A execução do Instrumento é feita usando os seguintes tipos de acções:
- Garantias e instrumentos de partilha de riscos
- Instrumentos de capital próprio
- Títulos de dívida
- Medidas de apoio, tais como actividades de comunicação, acompanhamento, controlo, auditoria e avaliação, directamente necessárias para a execução eficaz e eficiente da presente decisão e a realização dos seus objectivos
As pessoas interessadas em beneficiar do apoio concedido por este instrumento devem entrar em contacto com os fornecedores de microcrédito nos seus respectivos países, designadamente bancos, entidades de microfinanciamento sem fins lucrativos ou instituições que ofereçam garantias, bem como outros fornecedores de produtos de microfinanciamento às microempresas. O Fundo Europeu de Investimento disponibilizará financiamento que estas entidades financiadoras canalizarão para os beneficiários visados através do Instrumento de Microfinanciamento Europeu «Progress».

Objectivos

Disponibilizar recursos da União para facilitar o acesso e a oferta de microfinanciamento às:
- Pessoas que perderam o seu emprego ou estão em risco de o perder ou que têm dificuldades em ingressar ou reingressar no mercado de trabalho, pessoas que enfrentam a ameaça de exclusão social ou pessoas vulneráveis que se encontram em posição de desvantagem no que se refere ao acesso ao mercado de crédito convencional e que pretendem criar ou continuar a desenvolver a sua própria empresa, incluindo em regime de auto-emprego
- Microempresas, especialmente do sector da economia social, bem como microempresas que empregam pessoas referidas na alínea anterior.


Público Alvo

Entidades públicas e privadas estabelecidas a nível nacional, regional e local nos Estados-Membros que concedem microcrédito a particulares e a microempresas nos Estados-Membros.

Contactos

Comissão Europeia
DG Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades
B-1049
Bruxelas
Belgica

É sexta-feira e a Sakineh continua viva. Um número surpreendente de 500.000 pessoas enviaram mensagens para governantes em um dia -- eles estão respondendo rapidamente, contactando diretamente o Irã! A nossa pressão está funcionando, mas precisamos continuar para mantê-la viva .

Hoje, Sakineh Ashtiani poderá ser executada pelo Irã.

Nosso protesto mundial impediu que Sakineh fosse apedrejada injustamente em julho. Agora temos 12 horas para salvar a vida dela.

Os aliados do Irã e as principais autoridades da ONU são nossa maior esperança: eles podem convencer o Irã do sério custo político desse assassinato de uma figura com alta exposição na mídia. Clique no link abaixo para enviar a eles um pedido urgente de mobilização e encaminhar este e-mail a todo o mundo. Você só gastará três minutos. A última esperança de Sakineh somos nós

http://www.avaaz.org/po/24h_to_save_sakineh/?vl

O caso de adultério de Sakineh é um trágico embuste cheio de violações de direitos humanos. Primeiro, ela foi condenada à morte por apedrejamento. Porém, o governo iraniano teve de anular a sentença depois que os filhos dela conseguiram gerar um enorme protesto contra o julgamento injusto; Sakineh não fala a língua usada nos tribunais e os alegados incidentes de adultério aconteceram após a morte do marido dela.

Em seguida, o advogado dela foi forçado a se exilar e a acusação conseguiu inventar uma nova queixa falsa que justificaria a morte de Sakineh: o assassinato do marido dela. Apesar de isso configurar um caso de “non bis in idem” (dois julgamentos pelo mesmo crime), pois ela já está cumprindo pena por suposta cumplicidade nesse crime, Sakineh foi torturada e exibida em rede de televisão nacional para “confessar” e acabou sendo julgada culpada. O regime já prendeu dois jornalistas alemães, o advogado e o filho de Sakineh, que tem corajosamente liderado a campanha internacional para salvar a mãe. Todos continuam na prisão. O filho e advogado de Sakineh também têm sido torturados e estão sem acesso a advogados.

Agora, ativistas de direitos humanos iranianos afirmam que acaba de ser emitido um mandado de Teerã para executar Sakineh imediatamente. Ela está na lista e hoje é o dia da execução.

Campanhas persistentes fizeram o Irã anular a sentença de apedrejamento de Sakineh e atraíram a atenção de dirigentes de países que exercem influência sobre o Irã, como a Turquia e o Brasil. Agora, vamos todos erguer nossas vozes com urgência para impedir que Sakineh seja executada e sofra tratamento desumano e para libertar a própria Sakineh, seu filho e advogado e os jornalistas alemães. Envie uma mensagem para divulgar este pedido de emergência com amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/24h_to_save_sakineh/?vl

Um grande protesto público tem a autoridade moral para impedir crimes atrozes. Vamos usar as 12 horas que temos para enviar uma mensagem clara: o mundo está de olho no Irã e todos estamos unidos para salvar a vida de Sakineh e contra a injustiça em qualquer lugar do mundo.

Com esperança e determinação,

Alice, Stephanie, Pascal, Giulia, Benjamin e toda a equipe da Avaaz

Fontes:

Parlamento europeu elogia adiamento da execução de iraniana:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4770433-EI8142,00-Parlamento+europeu+elogia+adiamento+da+execucao+de+iraniana.html

França critica Irã por condenação de Sakineh Ashtiani:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4768877-EI8142,00-Franca+critica+Ira+por+condenacao+de+Sakineh+Ashtiani.html

Dilma condena apedrejamento da iraniana Sakineh:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/11/03/dilma-condena-apedrejamento-da-iraniana-sakineh-337843.asp

Petição para impedir a execução eminente de Sakineh Mohammadi Ashtiani (em inglês):
http://www.guardian.co.uk/world/2010/nov/03/sakineh-mohammadi-ashtiani-execution

Jogos florais

Ou o que poderemos, trabalhadores, aprender com as “lutas “inúteis marcadas pelas centrais sindicais portuguesas.

Após muitos anos de dissidência e divisão, as centrais sindicais portuguesas, CGTP-INTERSINDICAL e UGT, resolveram, a primeira convocar e a segunda aderir, uma greve geral pressupostamente para protestar contra os vários PEC’s e as linhas políticas e económicas orientadoras definidas no orçamento para 2011. A CGTP além da greve marcou também uma manifestação de protesto para sábado próximo.

Quando se encetam lutas apenas uma certeza temos: podemos ganhar ou perder. Quando se trata da luta emancipadora da classe trabalhadora, quer na conquista de novos direitos, bem como atualmente, na defesa dos direitos já adquiridos, a possibilidade de derrota é infinitamente maior porque temos contra nós toda a propaganda governamental e ainda toda aquela que o dinheiro capitalista possa comprar. Temos que enfrentar as forças policiais e seus agentes provocadores, como agora na Grécia. Convivemos com o desânimo, falta de esperança e comodismo dos próprios camaradas. Mas sabemos que apesar de remota, temos uma ténue hipótese de vencer. Porque somos solidários, porque temos razão, porque “trazemos um mundo novo nos nossos corações”.

Sabemos bem que tanto estas vitórias ou derrotas são transitórias. Se ganharmos hoje, logo amanhã teremos que estar atentos e alerta porque sabemos que o capital tentará por todos os meios retirar-nos ou restringir os direitos hoje conquistados. Se perdermos, eles que se preparem porque enquanto houver “força no braço que luta seremos muitos seremos alguns”.

Neste contexto, sabemos que só há uma resposta possível, a conquista do poder pela classe trabalhadora e a construção do Socialismo. Apesar dos desvios, traições e golpes baixos que esta longa caminhada já sofreu no passado, ainda é a única resposta alternativa e viável à destruição do capitalismo explorador, terrorista, amoral que na sua voracidade sovina tudo arrasta e contamina degradando todas as dimensões da vida humana.

Até lá resta-nos lutar…

Mas a quem interessam lutas que estão derrotadas à partida? Para que serve a manifestação de sábado próximo e a greve geral de dia 24 se o orçamento, com as medidas castigadoras da classe trabalhadora que se conhecem, já foi aprovado?

Bem poderão encher de gentes as ruas de Lisboa com a manifestação, bem podem parar o país com a greve porque o único ruído que soará, não serão as palavras de ordem dos sindicalistas, mas José Sócrates a assobiar para o ar, talvez um tango não de Carlos Gardel mas daqueles mais rascas das tascas de Buenos Aires, abençoado pelo Espírito Santo.

Então que fazer?

Apesar de constituírem dois atos falhados, tal como os jogos florais promovidos por entidades provincianas, não podemos chamar bem poetas aos concorrentes nem poesia ao produto do seu labor. Mas entretém aqueles que neles participam.

Também estas ações foram convocadas, não com o intuito revolucionário de conseguir dar um pequeno passo na luta pela emancipação dos trabalhadores, mas sim para entretê-los enquanto os capitalistas vão impondo sem obstáculos e a seu belo prazer as suas políticas cada vez mais repressivas, sinónimo da sua própria decadência.

Apesar de tudo isto, defendo que devemos comparecer em massa na manifestação e participar ativamente na greve geral, se possível, constituirmos paquetes de greve que esclareçam os camaradas que optam por não fazer greve e a população que eventualmente será prejudicada pela falda dos nossos serviços e esclarecer a nossa posição que só poderá ser a exigência da revogação de todos os PEC’s bem como o rasgar deste orçamento.

Todas estas reivindicações deveriam ter sido apresentadas pelos dirigentes sindicais, representantes dos trabalhadores há muito tempo. Infelizmente não foi assim.

Pelo que apesar de não passarem de “jogos florais”, estas manifestações poderão ter um efeito de criar e fortalecer laços solidários entre a classe trabalhadora e ao mesmo tempo desmascarar os nossos atuais dirigentes que infelizmente mais não são que agentes do capital infiltrados nas direções sindicais.

Opinião

Jaime Crespo

11.02.2010



A origem do mal
Ou de como as nossas vidas foram tomadas por mafiosos sem escrúpulos:
Ao longo da História da Humanidade nunca se produziu tanto com tão poucos meios. De fato a industrialização, os progressos tecnológicos permitem que atualmente se produza mais que as necessidades humanas exigem.
Acompanhando esse desenvolvimento, os direitos sociais e humanos tem retrocedido. Por um lado, são necessários menos trabalhadores, muito menos, para desempenhar as tarefas que hoje são efetuadas por máquinas, supervisionadas por computadores e até por robôs, aumentando em consequência o desemprego, a instabilidade e o mau estar geral. Por outro lado, este aumento de produção e consequente criação de riqueza, concentra-se cada vez em menor número de mãos e essas não estão dispostas a abrirem-se para deixarem cair os cêntimos que seriam necessários para manter um bom nível de vida, vá pelo menos um nível de vida satisfatório a toda a população.
Numa dimensão de geoestratégica política, este sedado de coisas leva a que países mais pequenos ou de menor influência política, sejam obrigados a reduzir, ou até mesmo a deixar por completo, de produzir para que os seus produtos não compitam com os das multinacionais, perdendo assim, a sua independência económica e política, passando a depender da “caridade” dos países economicamente mais fortes, aqueles onde as multinacionais estão sediadas.
As economias e as políticas nacionais são hoje, graças a este sistema económico, uma farsa, mesmo nos países considerados potências, E.U.A., Alemanha, Grã-Bretanha, etc., só por ironia podemos pensar que os seus governantes tomam decisões pela sua cabeça e a bem do povo. Toda esta gente trabalha para o polvo que é o grande capital financeiro, constituído em multinacionais da economia, da especulação, do tráfico (de pessoas, de armas, de droga). Numa palavra: estamos nas mãos de mafiosos sem escrúpulos que se servem de nós a seu belo prazer.
O velho ditado de que “quem não trabalha, não come.” Já não é aplicável aos dias que correm, pois o trabalho perdeu o seu valor moral e deixou de ser considerado um direito e um dever para passar a ser considerado um privilégio, ao qual apenas alguns abençoados tem acesso, mas acesso condicionado a um contrato altamente desvantajoso para o trabalhador que praticamente lhe retira todos os direitos e lhe aumenta os deveres.
Mas se é assim, se a produção, a nível mundial, é a maior de sempre, então de onde vem a famigerada crise que a todos nos atira para a depressão e o stresse, para a miséria?
Vem essencialmente de dois lados: dos mercados financeiros especulativos, os capitalistas na sua ganância sem tréguas, recusam-se a pagar os impostos devidos e que deveriam mesmo ser aumentados por uma questão de solidariedade para com as pessoas que vão ficando sem emprego em nome do progresso, portando o desaparecimento do sentido de solidariedade e cujo é fator agregador de uma sociedade, preferindo dar vazão à sua ganância e jogando esse dinheiro (muito milhões) em jogos especulativos e que não criam riqueza real, assim desbaratando fortunas e dinheiro que deveria constituir o fundo de solidariedade social. Por outro lado, a propaganda que todos são sujeitos a cada milésimo de segundo através dos mídia, encomendada pelos especuladores da finança, leva-nos a acreditar que a crise existe, que está tudo muito difícil, os coitadinhos dos patrões têm que pagar o seu dinheirinho todo em impostos, o Estado é um ladrão que rouba e não paga as suas dívidas para com os empresários. A “Laranja Mecânica”, de Kubrick ou o “Big Brother”, de Orwell há muito que foram ultrapassados e vivemos a época dourada do “Triunfo dos Porcos”. Nunca o popular dito “Uma mentira muita vez repetida passa a ser verdade”. De fato a mentira continua a sê-lo, apenas devido à sua difusão pela mídia, acaba por intoxicar a “opinião pública” que passa a engolir como verdade o que de fato é mentira. A mentira assim espalhada é uma peste, como dizia Wilhem Reich, que alastra e toma conta das nossas vidas, limita os nossos movimentos, condiciona as nossas decisões.
E assim, todos passamos a crer e a adorar uma nova divindade: A Crise.
A mentira económica e financeira que hoje é espalhada por todo o mundo, a base falsa em que assentaram os mercados: especulação financeira, em detrimento do reinvestimento, da solidariedade e da criação e aumento da riqueza enquanto bem comum a toda a Humanidade, mas a sua privatização e concentração em cada vez menor número de mãos: eis senhores, a origem do Mal!

Opinião
Jaime Crespo

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