10.09.2003

A melhor forma de dizer o que se pensa acerca de um livro é ir depositando as impressões que ele nos provoca, as ideias e sentimentos que levanta, enquanto o lemos... Ou seja, enquanto ele está vivo em nós. Enquanto as suas personagens e enredos nos habitam com a premência duma realidade ultra-real, ou que está para além da nossa realidade "aleanatória"... que nos ilude através das sombras quotidianas e das aparências com que deparamos diariamente. São raras as vezes que esquecemos o que é essencial de uma obra literária, desde que hajamos assim... Pelo menos, se entendermos que o devemos fazer para nosso bem e da significação ou descodificação do romance em causa.
Ao princípio somos nós que impomos a nossa vontade sobre o romance ou a motivação com que a ele nos dirigimos. Todavia, se houve entrega e entramos nele pelos nossos próprios pés, ou por aquilo que Albert Camus se referia quando afirmava que "ler é compreender e compreender é criar", deixamos de ter domínio pleno sobre as nossas emoções, ideias, construções imagéticas, e ficamos presos das circunstâncias enunciadas na obra. Foi assim que sucedeu comigo ao ler "Um Estranho Numa Terra Estranha", em que vivia de tal forma o que aí se passava, quer quanto ao narrador, quer em relação a V. M. Smith, que a minha atitude perante a leitura, o querer devorar cada vez mais romances, grocar mais autores, me atirou para um rodopiar constante entre diversas histórias, e... à semelhança do narrador, a guardar os meus escritos momentâneos pela razão, tal e qual como ele fazia, de poderem vir a servir depois para alguma estória que intentasse escrever! Ou seja: fiquei enredado pelo enredo. De onde nasceu este termo para denunciar a trama de uma obra?... Terá esta minha reacção alguma coisa a ver com a justificação e aparecimento de terminologia romanesca?...
posted by jcastanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

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Também pode alcançar o céu

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