12.03.2013

ORAÇÃO DA PROFESSORA PRIMÁRIA




Senhor,
Tu que ensinaste
Perdoa que eu ensine,
Que use o nome de mestra,
Nome que tu usaste na Terra.

Mestre,
Torna perene o meu fervor
E passageiro o desencanto.
Arranca de mim este impuro desejo de justiça
Que ainda me perturba,
A mesquinha insinuação de protesto
Que sobe de mim quando me ferem.

Não me doa a incompreensão,
Nem me entristeça o esquecimento
Daqueles que ensinei.

Dá-me que seja mãe, mais do que as mães,
Para poder amar, e como elas, defender
O que não é carne da minha carne…
Dá-me que seja simples e profunda,
Livra-me de ser complicada e banal
Em minha lição quotidiana.
Dá-me que retire os olhos
Do meu peito com feridas,
Ao entrar cada manhã na minha escola.

Torna mais leve no castigo a minha mão
E torna-a mais suave na carícia.
Que com dor eu repreenda
Para ter a certeza
De que corrigi amando.


GABRIELA MISTRAL (1889-1957), professora e poetisa chilena, galardoada com o Prémio Nobel da Literatura em 1945

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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