6.09.2011

As roturas no movimento da ruptura entre a esquerda e a direita a-radicais


Os democratas em segunda mão preparam-se para afundar ainda mais Portugal do que já está, podendo uns reivindicar os seus direitos, nomeadamente o de manifestação e o de greve, e os outros, depois de instituído o governo, o interesse nacional, mas todos sabemos bem que nenhum deles está a falar verdade, que o buraco é mais em baixo e chama-se insegurança, falta de soluções genuínas e sustentáveis, incontinência orçamental e dificuldade de comportar-se democraticamente sob a mira do BCE/CE/FMI.
Até porque a vida política portuguesa, ao contrário do que alguns iluminados "agentes políticos e politólogos" nos querem fazer crer, se estava sujeita aos ciclos "climáticos" do ora-mandas-tu, ora-mando-eu, ora-mandas-tu-mais-eu, tradicionalmente bailado entre o PS e o PSD, com o CDS à esquina a tocar a concertina, deixou definitivamente de o estar. Em ambos, as rupturas internas potenciaram clivagens insanáveis com a atribuição de cargos (agora seriamente comprometedora) ou alargamento da clientela subserviente, e o espectro das simpatias exteriores dilui-se pela falta de credibilidade gerada, principalmente, pelos inúmeros casos judiciários em que as suas maiores figuras se viram (ou estão) envolvidos. As alterações climáticas chegaram, portanto, à esfera da política pelos mesmos motivos que à ecosfera: por excesso de poluição e consequente aquecimento emocional.
No instante imediato a que José Sócrates (JS) se desceu do trem governamental, eis que Pedro Passos Coelho (PPC) iniciou a sua viagem no pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra, do progresso adiado, da cidadania em stand by e da participação ainda a esfregar o olho do despertar que Garcia Pereira lhe facultou. E o ter PPC recrutado das hostes independentes Fernando Nobre, poder-lhe-á fazer sossegar durante o período inicial governativo aquela franja do eleitorado mais atreita à "voluntariosa cidadania das ONG", proporcionando alguma da ténue trégua que as mudanças encerram no vamos-a-ver-no-dá, mas será sempre uma aberta de pouco tempo, uma vez que muitos dos seus apoiantes discordaram da sua adesão ao PSD, havendo até quem a apelidasse de traição.
Como se não bastasse, os sectores da economia ameaçados pelas alterações dos mercados, a competição infrutífera com os países emergentes, a inadequada qualificação da mão-de-obra nacional e as dificuldades de financiamento, eis que a classe política se manifesta incapaz de renovar o seu discurso continuando a fazer das legislaturas uma espécie de jogo de futebol com estropiados genéricos mas equipados a rigor.
Portanto, pergunta-se: Será que Anibal Cavaco Silva, presidente da República Portuguesa, nos quer alertar para o facto de estar na hora de partir, coisa que os judeus deviam ter feito logo em 1932 da Alemanha, quando nos seus discursos anda a sublinhar a importância da diáspora? Será um aviso? Um sinal? Pelo sim, pelo não, acho que os órgãos de comunicação social portugueses deviam pôr-se de atalaia às movimentações da família do nosso presidente, para onde vão e por quanto tempo, pois há muita gente que tendo informações privilegiadas não se coíbe de usá-las na salvação dos consanguíneos... É que a língua pátria é muito traiçoeira, e a pronúncia entre rotura e ruptura nem sempre nos dá uma indicação clara do que foi afirmado. E, pelo que calculamos, se a segunda é má, a primeira é cem vezes pior!

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

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Também pode alcançar o céu

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