7.23.2019

DISCURSO DO TRIGUEIRO AO SEU BANDO


  


DISCURSO DO TRIGUEIRO AO SEU BANDO

Aquele que morreu, era vosso irmão.
Tinha uma família que o amava
E todas as primaveras cumpriu missão
Que o destino, ou a vida lhe destinava:
Fazer ninho, alimentar filhos... – Mas em vão.

Aquele que morreu, era vosso irmão.
Não foi pra alimentar nenhuma cobra,
Não foi para alimentar nenhum gato.
Morreu sem um porque sim ou porque não,
Num desperdício de vida e de razão.
Aquele que morreu, era vosso irmão...
Em nenhum planeta há vida de sobra.

Os seus assassinos ficarão salvos
Mas nós continuaremos a ser seus alvos...
Em nenhum planeta há vida de sobra –
Aquele que morreu, era vosso irmão!

Joaquim Maria Castanho

7.04.2019

ESPELHO DE ALMA


AI TÍLIA, TILIAZINHA





AI TÍLIA, TILIAZINHA!

Já quando esta tília
Era menina, pequenina
E inocente, tinha família
Entre flores e demais gente.

Para mim, ao lembrar-me dela
Faz-me ela vários reparos,
Além do de ser útil e bela,
Chá de sabor e aroma raros.

Mais me disse que não conto
E acerca daquela grade,
Onde esperei feito tonto
Muitas vezes, às três da tarde.

Joaquim Maria Castanho

7.03.2019

LÁGRIMA INCANDESCENTE


   



LÁGRIMA INCANDESCENTE

Transpira-me a alma por fora
Envelope lacrado a pele,
Gota a gotejar, se expele
É gotícula que evapora.
É sinal do âmago, limo,
Cristal, pura transparência
Quando a alma vem ao cimo
No oceano da ausência.
Se desse refúgio aflora
Dá alvissaras a quem a zele,
Promete que não irá embora.
Geme como fado canalha.

Se a afagamos, estremece.
Se a sopramos, logo voa.
Mas quando a sede nos calha
Ganha tanta febre e aquece
Que bebê-la viva... – magoa!

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue