3.16.2009



Tendo em conta que me foi impossível terminar a minha intervenção na Convenção, deixando-a incompleta, falha de sentido e desenquadrada, e considerando que alguns ecologistas estão curiosos por conhecê-la na íntegra, aqui fica portanto o texto completo dela.











Construir a Mudança Hoje, Porque o Futuro é Já Ontem

Parece-me redundante insistir na capacidade de renovação do Partido Ecologista OS VERDES, todavia reafirmo aqui e agora o que na X CONVENÇÃO terei afirmado, embora que reformulado de acordo com as circunstâncias históricas que formatarão este ano, em que é preciso rendermo-nos às exigências da actualidade, dando-lhe uma resposta peremptória, determinativa, eficaz, delineada em dois objectivos, três estratégias, cinco razões e dez vantagens inequívocas para a reabilitação de Abril e aprofundamento da democracia em Portugal. Repito: dois objectivos, três estratégias, cinco razões e dez vantagens.
Acabou-se o tempo das crises merceeiras e avulso, porquanto já não há crises separadas umas das outras, o que não é necessário ir muito longe, no tempo como no lugar, para o confirmar, pois a crise financeira com que nos abatemos, é exactamente a mesma que a crise económica, a crise ambiental e crise climática, a crise energética e a crise estrutural, a crise de valores e a crise educativa, a crise sanitária, a crise securitária e a crise da biodiversidade, exactamente e tão-só uma e a mesma crise, precisamente aquela que atravessamos e atravessam os gregos como os sul-americanos, os europeus como os asiáticos, acerca da qual nos sentimos esporadicamente impotentes, mas simultaneamente confiantes e convictos, orgulhosos por sermos ecologistas, por pertencermos a um grupo de pessoas que pugnam pela mesma consciência cívica, e que tudo fizeram para não a agravar, estiveram do outro lado da barricada e combateram as condições que criaram esta crise, que avolumaram esta crise, e nunca foram coniventes com os altos interesses da governabilidade e da propaganda de perpetuação do poder, quer ele se tenha manifestado como exercido por esquerdas pouco esquerdistas, como por direitas bastamente fascizantes, e se apresenta agora, em 2009, ano de tripla eleitoral, com autoridade moral e descomprometido, logo abalizado e com estatuto de exclusividade, porquanto o Partido Ecologista OS VERDES somos o único partido político português não alinhado com os neoliberalismos situacionistas, nacionais como internacionais, elementares à cadeia corruptora da sustentabilidade da sociedade da informação e conhecimento, que estiveram na génese deste desequilíbrio global, neste dominó em queda até à imprevisibilidade resoluta de um tsumani planetário; digo, o Partido Ecologista OS VERDES é o único partido nacional com background e barra limpa suficientes para enfrentar com êxito a actual crise, uma vez que somos o único partido com know how, motivação e provas dadas, cujos militantes estão deveras preocupados com as condições do ecossistema, logo igualmente os únicos com a habilitação e a vocação imprescindíveis, além de defendermos o único modelo de sociedade capaz de superar as circunstâncias com autenticidade, a sociedade ecologista emancipada, hasteada nas bandeiras da responsabilidade, cidadania e consciência, totalmente apetrechada dos recursos éticos e ambientais, do sistema económico redistributivo, no ecodesenvolvimento e sustentabilidade, na moral democrática e agricultura biológica, na cultura da conservação da natureza e da biodiversidade, na identidade das diferenças e pluralismo solidário, tão eficazes como incontornáveis para a resolução das dificuldades do presente, além de suficientes na prevenção das dificuldades futuras. Pois o Partido Ecologista OS VERDES é aquele de entre os partidos da actualidade nacional que comporta uma faixa social de cidadãos informados e dispostos a participar na melhoria do mundo físico e ideal em que vivemos, porque preocupados com a problemática ambiental, e detentores da audácia, conhecimentos, competências, motivações e sentido de compromisso que lhe permitem trabalhar, individual e colectivamente, sem as teias do preconceito da obediência esclavagista, na procura empenhada dessa resolução, em plena consonância com o já há muito afirmado por Rolston III, seremos nós, os ecologistas, aqueles activistas, de entre os seres humanos, os que melhor conseguem olhar para fora de si mesmos, ponderando e considerando os interesses de todos os que são, ou podem ser, afectados pelas suas acções. Aliás inerência própria da sociedade ecologista emancipada e responsável, que defendemos e queremos disseminar, não só para o nosso bem e da nação, mas também da Europa e do mundo, quer de hoje como de amanhã. Sobretudo porque os nossos companheiros merecem o melhor que lhe podemos facultar, os nossos deputados o reconhecimento pelo seu trabalho, os nossos autarcas a valorização e mérito pelo seu esforço empenhado e quotidiano.

Primeiro objectivo – Libertar Portugal da hegemonia economicista neoliberal como da manipuladora e bipolar influência da lactossocratocracia pseudo socializante;
Segundo objectivo – Promulgar o ecodesenvolvimento sustentável e solidário como um facto histórico na modernidade portuguesa.

E para alcançar estes dois objectivos de inegável valia na consolidação de uma sociedade cada vez mais responsável, cada vez mais consciente, cada vez mais autossuficiente, cada vez mais emancipada, cada vez mais solidária e cada vez mais democrática, temos três estratégias imediatas.

A primeira, são as eleições europeias, a que devemos concorrer com lista própria e independente, fora do quadro eleitoral da CDU, porque devemos isso aos demais partidos europeus que formam o movimento verde, bem como aos nossos simpatizantes e militantes nacionais, aos nossos deputados na Assembleia da República que, não obstante terem trabalhado mais que quaisquer outros dos demais grupos parlamentares, são constantemente cilindrados por um estatuto de menoridade e tidos como uma carta fora do baralho nas decisões e opinião pública. Eleições essas em que nos devemos empenhar com seriedade e galhardia, com enlevado labor e superação dos interesses particulares, ou individuais, transformando a sua votação, a sua enorme votação, como uma bandeira de negociação e responsabilidade, quer face aos partidos nossos aliados, como para aqueles que são declaradamente contra nós. E para as quais temos vários candidatos de renome, a começar pela nossa cabeça de lista natural e óbvia: Heloísa Apolónia.

A Segunda, são as eleições legislativas, em que apenas devemos concorrer em coligação, depois de garantidos como elegíveis, pelo menos cinco deputados, em ciclos onde essa vantagem é notoriamente visível: Lisboa, Setúbal, Santarém, Coimbra e Porto. Porque temos que acabar definitivamente com esse encostarmo-nos ao cajado característico do pastoreio bucólico após MFA, após PREC; com essa beatitude mística de quem prefere não fazer e tão-só estar sempre pronto a contestar quantos fazem, sobretudo porque eles agiram em conformidade para poderem fazer, empenharam-se e venceram eleições, e nós não; pelejaram pelos seus princípios e tomaram posição acerca destes ou aqueles assuntos, mas nós não; discerniram entre o que está certo e o que está errado, mas nós não; estiveram na linha da frente com as nossas ideias, os nossos projectos, as nossas intenções, como a aposta nas energias alternativas, a vacinação do cancro do útero, a remoção do amianto dos telhados das escolas, a certificação de eficiência energética nos edifícios, o pugnar pelo fim do suporte-papel nas comunicações intra-Estado, a aplicação das TIC e Magalhães, e nós não; e etc., que até os etecoetras fizeram com inaudito anúncio e propaganda, solfejo regimental e bivaque, acompanhamento de bandas e beberete, mas nós não. Mas essencialmente porque se até agora nos satisfazia um dueto parlamentar, agora, com a crise, as alterações climáticas, a degradação das condições de vida, a insustentabilidade laboral, a destruição da natureza e o desordenamento do território, tão pujantes e evidentes, vamos precisar de um grupo parlamentar com poder de manobra para operar em conformidade com aquilo que a modernidade portuguesa exige: determinação, seriedade e respeito.
E a terceira estratégia, como não podia deixar de ser, as eleições autárquicas, em que temos de passar a concorrer não para ganhar uns lugarzinhos mixurucas nas assembleias de municipais, nas juntas de freguesia, nas mesas de voto para os referendos regionais, que nunca foram feitos em Portugal, nem provavelmente virão a ser, uma vez que o instituto do referendo, aliás, como a democracia, são chatices que apenas servem para embelezar os documentos fundamentais, como a Constituição da República Portuguesa; a que devemos concorrer, dizia, não para manter a nossa pequenez e insignificância de quem acompanha aos ferrinhos as marciais arruadas dos tambores e bombos de quaisquer outros partidos, mas sim para que em vez de lugares cativos nas assembleias de freguesia, ganharmos definitivamente câmaras, onde possamos contribuir para uma melhor e eficaz, sustentável e humanizada, gestão dos recursos naturais, defender o território e o ambiente, aplicar políticas com incontestável efeito prático na qualidade de vida das populações, implementar instrumentos de ordenamento territorial que defendam o nosso património cultural, atmosférico, biótico, aquífero, hidrográfico, arquitectónico, paisagístico, etnográfico, biónico, enfim, sejam a linha avançada dos mais progressistas em benefício até dos mais retrógrados, nas sem a vergonha dos dependentes, sem o cunho do criancismo e da esmola política, e sim com consciência ou elevado sentido de responsabilidade que é típica dos ecologistas de e em todo o mundo.

Principalmente porque temos do nosso lado cinco razões indesmentíveis:

Uma – os nossos deputados foram os mais diligentes e acossados na Assembleia da República, em que a esquerda e direita malharam por tudo e por nada;

Duas – não obstante o diminuído estatuto de cada um dos nossos autarcas pela fragilidade democrática já enunciada, estiveram sempre e inabalavelmente do lado daqueles que mais sofreram com as políticas urbanas insustentáveis, despesistas, que hipotecam o futuro e as futuras medidas de recuperação da economia e da gestão autárquica;

Três – temos, no seio do Partido Ecologista OS VERDES, os mais responsáveis e inconformados dos cidadãos, os menos acomodados dos munícipes, os melhores representantes parlamentares, os mais empenhados e envolvidos militantes, porquanto não estão aqui para fazer número nem enfeite da moldura em que os órgãos de comunicação nos hão-de pincelar, nem para ganhar um jobzinho a expensas do erário público, mas sim porque têm um projecto alternativo de valor, um programa insofismável, uma vontade inegável de melhorar as condições do habitat humano, em resumo, não só uma solução para presente crise, como também para evitar as vindouras.

Quatro – onde os demais partidos do espectro político nacional erraram, nós estivemos atentos; onde eles fizeram mal, nós apontámos as consequências; onde eles calaram, nós denunciámos; onde eles sujaram, nós limpámos; onde eles destruíram, nós mergulhámos na conservação; onde eles arrepiaram caminho, nós inovámos, nós reciclámos, nós reutilizámos, nós seleccionámos, nós reduzimos, nós alertámos para urgência de alterarmos as condutas dos desleixo e do egoísmo generalista;

E cinco – porque alguém lá fora, talvez uma criança inocente, um amigo vilipendiado, uma amiga socada, um rio poluído, uma árvore abatida, um animal maltratado, um silêncio opressivo, uma palavra calada, um coração magoado, um ambiente aviltado, uma cidade sitiada, e um companheiro apoquentado estão de "olhos" postos em nós, e viram na nossa capacidade de análise e diagnóstico um prenúncio de acção, uma vontade de mudança, uma renovada esperança para a sua qualidade de vida.
E estas não são só cinco razões mas cinco evidências que dia a dia se multiplicam e irão preencher os próximos cinquenta anos da Portugalidade a que pertencemos.

Viva o Partido Ecologista português!
Viva Portugal!
Viva o futuro de Vitória e Liberdade!

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

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