11.03.2017

SINAL DE VIDA, livro de José Rodrigues dos Santos




FINALMENTE LIDO… WOW!

SINAL DE VIDA
José Rodrigues dos Santos
Gradiva

"Tudo está sujeito a evolução, incluindo a própria teoria da evolução" – página 650. 

Se considerado sob um grau de parentesco muito próximo com A Chave de Salomão e A Fórmula de Deus, Sinal de Vida vem lembrar-nos de que "quando as nossas suposições são contrariadas pela realidade, quem tem razão é sempre a realidade", ainda que isso se nos revele no âmbito da ficção, da literatura, da irrealidade, da fantasia. 

Com a Europa arrumada entre os interesses geoestratégicos pautados por reminiscências da pouco saudosa guerra fria ( de USA, Rússia, Vaticano e China, principalmente), como entre o binómio (especulativo inerente ao desenvolvimento) cooperação versus competitividade, a abordagem da temática – contatar viajantes extraterrestres no espaço – exige uma aproximação fundamentada (preliminar) multidisciplinar, heurística e eclética, pelo que a presença de um português nessa empresa, o célebre prof. Noronha, protagonista de tantos outros enredos, parece não só óbvia como imprescindível, uma vez que é descendente daqueloutros que foram os primeiros a rasgar as fronteiras continentais do planeta, por via marítima, claro está, estabelecendo relações consequentes, sadias, produtivas, comerciais, positivas e afetivas do velho com o novo mundo, e que o épico luso definiu por dar "novos mundos ao mundo". A astrofísica, astronomia, astrologia, física, química, matemática, história, antropologia, biologia, geografia, política, filosofia, cibernética, informática, semiótica e comunicação, são apenas algumas das matérias com que deveriam estar apetrechados para contatar essoutros viajantes intergalácticos, não obstante o tempo disponível para o paleio não possa exceder o quarto de hora rudimentar e típico de qualquer consulta com o médico de família, considerando que tudo acerca deles se desconhece, podendo eles ser tão diferentes quão iguais a nós, tão dissemelhantes quão parecidos, quer nas técnicas, cultura, hábitos e valores, interesses e propósitos como na aparência, ainda inequivocamente mais avançados, já que são eles quem nos faz uma tangente no espaço-quando, e não nós a eles. A vida existe no universo mas não se limita a revelar-se conforme a conhecemos terrenamente, posto que sendo diversa aqui, o mais certo é que também o deva ser para além do sistema solar. Portanto, importa estarmos preparados para o contato, primeiro, e contatar depois… Estaremos? Isto é, estará essa equipa intercontinental e multidisciplinar capacitada para o conseguir com sucesso? Os humanos através dos meios de comunicação social disponíveis não perdem uma pitada dessa epopeia e anseiam para que sim. 
E o autor (JRS) reiterou-o em 656 páginas, CVIII capítulos, um epílogo e uma nota final, num romance à volta da nossa base de sustentação, o compromisso entre um homem, uma mulher e O divino, seja Ele quem for e quem o represente, em que se acredite, enunciando a hipótese que assiste à Ficção Científica de que tudo é possível num universo aberto e infinito, exemplificando-o numa situação  a que apenas o historiador português resistiu, demonstrando que o tempo não apaga tudo não obstante o futuro nos seja devolvido pelas ações cometidas num presente que, por sinal, passou em vão, de acordo com os dados, cultura, conhecimento científico e tábua de probabilidades que a atualidade nos propicie, tornando essa constatação inevitável. Neste caso isso é feito com a precisão narrativa adjacente ao seguir dum fio condutor que liga as fatias de um imenso painel através de elipses vocabulares, transições essas que permitem entender o todo sem tropeçar nos separadores de quadros/cenas, ou ligações, estabelecendo assim uma estrutura circular de sequências da qual Pi é espelho numérico, numa estrutura de significação global, propondo como a arte (literatura) também pode ser feita pela soma encadeada das partes, que em si mesmas não passam quase de um depósito de informações, geridas com o objetivo de culminar numa situação de crise (suspense) que nos deixa pendurados do imperativo cósmico que superintende ao "universo que cria a matéria que cria a vida que cria a consciência que cria o universo", irrevogavelmente, pelo menos até nova ordem – ou seja, até que ela, a vida, que quer ser eterna e tudo fará, a tudo recorrerá, para o conseguir, incluindo tomando novas formas, sobretudo essas que por extraterrestres estão ainda fora do nosso entendimento.

O que, se por mais não fosse, já seria suficiente para justificar a sua leitura, que se faz com agrado e sem descambarmos em tergiversões solipsistas.

Joaquim Maria Castanho

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