1.30.2010



"Os Verdes" querem esclarecimentos sobre realização do 2º inquérito nacional alimentar
A Deputada Heloísa Apolónia, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que pede esclarecimentos ao Governo, através do Ministério da Saúde, sobre a realização do 2º Inquérito Nacional Alimentar.
Passados 4 anos sobre a aprovação da Resolução nº 10/2006 (aprovada na Assembleia da República por iniciativa de “Os Verdes”) que recomendava ao Governo o desbloqueamento de verbas para a realização do 2º inquérito alimentar em Portugal, continua sem se saber em que fase se encontra este processo. “Os Verdes” pretendem, portanto, explicações concretas sobre esta matéria.
PERGUNTA:
O primeiro inquérito alimentar nacional foi realizado em 1980. Já lá vão 30 anos. Entretanto, diversos apontamentos foram dando conta que os hábitos alimentares dos portugueses se alteraram profundamente, fruto de diversos factores, designadamente da falta de qualidade da oferta alimentar que prolifera no mercado a preços mais reduzidos, num país que é dependente do exterior em termos alimentares em cerca de 70% e que não disponibiliza mecanismos para o incentivo de consumo de produção nacional, para além de outras questões como a relação refeição/tempo disponível.
Para além disso, é sabido que a subnutrição é um mal que também enferma a nossa sociedade, fruto designadamente de níveis de pobreza elevados, que infelizmente, como tem anunciado por exemplo o Banco Alimentar contra a Fome, tem vindo a crescer.
Daqui decorrem consequências que são tidas por muitos especialistas como directamente conexas com a generalização de algumas doenças que se estão a notar de uma forma expressiva na população portuguesa.
Em 2006, por iniciativa do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, a Assembleia da República aprovou a Resolução nº 10/2006, 2 Fevereiro, que recomendava ao Governo o desbloqueamento de verbas para a realização do 2º inquérito alimentar em Portugal, que os resultados do inquérito fossem remetidos à Assembleia da República e que fossem a base de definição de uma política alimentar que não tem existido no país, de forma generalizada e integrada. O certo é que, até hoje, esse 2º inquérito alimentar nacional não está nem se sabe exactamente em que fase está.
Passaram 4 anos sobre a aprovação da Resolução aprovada na Assembleia da República e continuamos sem informação.
Assim, importa, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, solicitar a S. Exa. O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a presente Pergunta, de modo a que o Ministério da Saúde me preste os seguintes esclarecimentos:
1. Em que fase e em que situação se encontra a elaboração do 2º inquérito alimentar nacional, que dá cumprimento à Resolução da Assembleia da República nº 10/2006, 2 Fevereiro?
2. Quando foi iniciado esse inquérito?
3. Qual o financiamento que já foi destinado ao inquérito?
4. Qual o montante global de financiamento que implica a realização do inquérito?
5. Para quando se prevê a finalização do inquérito e o seu envio à Assembleia da República?
Ainda mais além... E como sinais dos tempos, apenas para finalizar, com apontamento publicado pelos órgãos de comunicação social atentos:

1.29.2010


Finalmente OS VERDES E BLOCO DE ESQUERDA começam a acertar o passo

O Bloco de Esquerda e os Verdes pediram, no passado dia 27, na Assembleia da República, a suspensão do Programa Nacional de Barragens e a exclusão das infra-estruturas previstas para o Tua e Fridão, apontando a falta de estudos sobre os impactos cumulativos.
"O estudo de avaliação ambiental estratégica foi manipulado e baseia-se em dados desactualizados", conforme salientou a deputada Heloísa Apolónia, aludindo a um estudo da Comissão Europeia que corrobora as críticas que têm sido feitas ao Programa Nacional de Barragens, que adiantou ainda não ter sido “estudado o efeito cumulativo das barragens que já estão construídas com as previstas neste programa e as avaliações de impacte ambiental que estão a ser feitas a cada uma das barragens estão a revelar impactes ambientais, socioeconómicos e sociais muitíssimo superiores ao que se previa".

1.27.2010



Atenção pessoal!
A próxima "temporada" da Comunidade de Leitores de Portalegre, com a participação dos Grupos de Leitura READCOM, vai fazer incidir maioritariamente as suas sessões nos livros da Colecção Sábado, que desde a semana passada acompanham a Revista Sábado, por apenas 1 €, até 11 de Março, com os títulos seguintes: Os Cadernos de Dom Rigoberto, de Mario Vargas Llosa; Revolutionary Road, de Richard Yates; O Físico, de Noah Gordon; Rapariga com Brinco de Pérola, de Tracy Chevalier; Jim Sortudo, de Kingsley Amis; O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhatu Roy; Money, de Martin Amis; e A Herança de Eszter, de Sándor Márai.
Portanto, quem quiser participar e envolver-se nas actividades desta Comunidade de Leitores, para cujo local de encontro, ordem segundo a qual cada uma das obras será lida, datas das sessões e horas a que serão efectuadas, faremos uma reunião preliminar a fim de que todos os presentes mas só os presentes possam contribuir democraticamente com as suas posições e sugestões, devem adquiri-los a fim de lhe ficar mais em conta a aventura, que a vidinha custa a todos e não está para caldinhos suplementares.
Aproveito todavia para solicitar a quem esteja disposto (e disponível) para integrar os "trabalhos" iniciais, que entre em contacto comigo (
castanhoster@gmail.com ) ou com Margarida Coelho (margcoelho@sapo.pt), para que o pontapé de arranque se dê no quanto antes que a coisa merece, a gente anseia e a literatura não esquece.

1.23.2010

TERTÚLIA NO BAIRRO ALTO

CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO

COM “OS VERDES” PELA IGUALDADE PLENA

Realiza-se na próxima sexta-feira, dia 29 de Janeiro, por iniciativa de “Os Verdes”, uma tertúlia que tem como tema “Casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

Este encontro, que terá lugar no Bar A Chueca (Rua da Atalaia, Nº 97 - Bairro Alto), pelas 21.30h, contará com a participação, como oradores, da Deputada do PEV, Heloísa Apolónia, dos dirigentes nacionais Cláudia Madeira e Jorge Taylor, e também com Hélder Bertolo (autor do livro Anjos de Gabriel), Paulo Côrte-Real, Presidente da ILGA, e Isabel Moreira, subscritora do Movimento pela Igualdade.


O Partido Ecologista “Os Verdes” convida os senhores e senhoras jornalistas a participar nesta iniciativa, organizada sob o lema da igualdade plena.

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
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1.22.2010

LEGISLATIVA DE “OS VERDES” QUE VISA SUSPENDER O PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS HIDROELÉCTRICAS É DISCUTIDA NO PLENÁRIO A 27 DE JANEIRO

Por iniciativa de “Os Verdes”, a Assembleia da República vai debater na próxima quarta-feira, dia 27 de Janeiro, a suspensão do Programa Nacional de Barragens Hidroeléctricas (PNBEPH), matéria sobre a qual “Os Verdes” apresentaram um Projecto de Resolução.

Esta suspensão, que “Os Verdes”, assim como a grande maioria do movimento ambientalista português, já tinham reclamado aquando da apresentação deste Programa, devido à falta de rigor na avaliação dos impactos ambientais, sócio-económicos, patrimoniais do mesmo, e também devido ao desfasamento entre os objectivos e as propostas do Programa e a falta de razoabilidade entre factores custos / benefícios / impactos, no quadro da Avaliação Ambiental Estratégica regulada pelo Decreto-Lei nº 232/2007, volta a ser apresentada pelo PEV na Assembleia da República, apoiada nos novos factos que o decorrer do processo trouxe.

Os estudos de impacto ambiental já conhecidos de alguns empreendimentos, nomeadamente o da Barragem da Foz do Tua, assim como o estudo independente da Comissão Europeia que arrasa completamente os pressupostos e objectivos do PNBEPH, vieram reforçar a razão de “Os Verdes”.

Para além disso, “Os Verdes” consideram que o PNBEPH não avalia os impactos cumulativos da totalidade de barragens propostas, nem os impactos da sua construção e funcionamento relacionados com as barragens já existentes. Ainda, omite totalmente qualquer avaliação de vias alternativas que permitissem atingir os objectivos de redução de dependência energética e de combate às alterações climáticas anunciados pelo Governo, com muito menores impactos. A realidade é que este PNBEPH não representará mais do que 3% da electroprodução nacional e não contribuirá em mais do que 1% para o combate às alterações climáticas.

Por todas estas razões, e face às gravíssimas e irreversíveis consequências de cariz económico, social, patrimonial, ambiental e cultural, que o Programa Nacional de Barragens Hidroeléctricas poderá vir a trazer, “Os Verdes” consideraram oportuno que a Assembleia da República se viesse novamente a pronunciar sobre esta matéria de grande importância para o país e, por isso, apresentaram o Projecto de Resolução que visa suspender o PNBEPH.

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“OS VERDES” QUEREM ESCLARECIMENTOS SOBRE SUBESTAÇÃO ELÉCTRICA NO PARQUE DE MONSANTO


O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que pede esclarecimentos ao Governo, através do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território, sobre a nova subestação de energia eléctrica no Parque Florestal de Monsanto, a construir na Freguesia de São Francisco de Xavier.

A construção desta subestação teria de ser sujeita a procedimentos de Avaliação de Impacte Ambiental, obrigando à indicação de alternativas de localização. Contudo, tal situação não se verificou existindo somente um Estudo de incidências ambientais, sem qualquer valor legal. Para “Os Verdes”, o alegado interesse público desta intervenção não se encontra devidamente fundamentado pelo que o PEV questiona o Governo sobre este assunto de modo que preste os devidos esclarecimentos.


PERGUNTA:

Foi publicada na I série do D.R. nº 115, de 17 de Junho de 2009, a Resolução do Conselho de Ministros nº 51/2009 que determina a suspensão parcial do Plano Director Municipal (PDM) de Lisboa, por um prazo de dois anos, visando a construção de uma nova subestação de energia eléctrica da REN – Rede Eléctrica Nacional, S.A., na freguesia de São Francisco de Xavier, em Lisboa.

Esta subestação já existe parcialmente e insere-se no Parque Florestal de Monsanto, passando a nova subestação a ocupar mais 5.305 m2 desta zona verde, densamente arborizada, essencial ao lazer e à qualidade de vida da população do distrito de Lisboa.

A construção da subestação de 220/60 KV, em conformidade com o art. 1º do Decreto-Lei nº 69/2000 de 3 de Maio e com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 197/2005 de 8 de Novembro, por se enquadrar nas condições do nº 3 do art. 1º, teria de ser sujeita a procedimentos de Avaliação de Impacte Ambiental, obrigando à indicação de alternativas de localização.

Contudo, tal situação não se verificou existindo somente um Estudo de incidências ambientais, sem qualquer enquadramento ou valor legal.


Além disso, a parcela de terreno em questão encontra-se classificada como Espaço Verde de Protecção e afecta ao Regime Florestal Total, onde se integra o Parque Florestal de Monsanto. Também o art. 80º do Regulamento do PDM consagra que as áreas verdes de protecção são áreas especialmente sensíveis sendo, por isso, áreas non aedificandi, exceptuando as infra-estruturas viárias e as instalações necessárias ao seu funcionamento e manutenção.

Considerando que não está devidamente esclarecido se este projecto da REN se trata de uma nova subestação ou de uma ampliação da subestação já existente, uma vez que a Resolução refere uma “nova subestação” mas a legenda da planta anexa a essa deliberação refere uma “ampliação”.


Não obstante o facto de se considerar que as melhorias a nível de abastecimento eléctrico, por regra, constituem um interesse público, “Os Verdes” consideram que não se encontra fundamentado o alegado interesse público e a necessidade imperativa de proceder à construção da subestação naquele local.

O Governo tem-se mostrado indiferente às várias denúncias e protestos por parte de muitos cidadãos indignados e associações ambientais, nomeadamente a Plataforma por Monsanto, ignorando a preservação e protecção do Parque Florestal de Monsanto.


Assim e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, por forma a que o Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território, me possa prestar os seguintes esclarecimentos:
1. O projecto apresentado pela REN refere-se a uma ampliação da subestação já existente ou à construção de uma nova subestação de energia eléctrica?
2. Pondera o Governo exigir os estudos necessários indicando alternativas de localização para a instalação desta subestação?
3. A Autoridade Florestal Nacional deu algum parecer sobre este projecto numa área sujeita ao Regime Florestal Nacional? Em caso afirmativo, qual foi a posição assumida?
4. Considera o Ministério que se trata de um projecto de interesse público, mesmo representando a destruição de uma parte do Parque Florestal de Monsanto e quando não foram consideradas outras localizações fora do Parque?

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ECOLOJOVEM - “OS VERDES” DEBATE O PAPEL DA JUVENTUDE ECOLOGISTA NA VIDA DOS JOVENS

A Ecolojovem – “Os Verdes”, juventude do Partido Ecologista “Os Verdes”, vai promover um encontro em Santarém sobre “O papel da juventude ecologista na vida dos jovens”.

Este encontro decorrerá no próximo dia 23 de Janeiro, Sábado, a partir das 10.30h, na sede do PEV em Santarém, e pretende-se debater a importância que a juventude ecologista tem na vida dos jovens, quais as principais preocupações, dificuldades e aspirações da juventude, quais as respostas que os jovens ecologistas apresentam perante os desafios da sociedade actual e quais as suas propostas para a construção de um mundo melhor.

Para dar conta das conclusões do encontro convidamos as Sras. e Srs. Jornalistas para uma conferência de imprensa a ter lugar na sede de “Os Verdes” em Santarém - Rua Nuno Velho Pereira, Nº 8, 1º Esq., às 16.00h.


ENCONTRO DA ECOLOJOVEM - “OS VERDES”
O PAPEL DA JUVENTUDE ECOLOGISTA DA VIDA DOS JOVENS

23 de Janeiro – Santarém

Conferência de imprensa para apresentação de conclusões
16.00h- sede de “Os Verdes” em Santarém
(Rua Nuno Velho Pereira, nº8, 1º Esq.)



Para mais informações poderão contactar a Ecolojovem - “Os Verdes” através do número 91 961 55 08.


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1.21.2010


GESTÃO E EXPLORAÇÃO DO TERMINAL DE ALCÂNTARA - “OS VERDES” ENTREGAM INICIATIVA LEGISLATIVA NO PARLAMENTO

O Partido Ecologista “Os Verdes” entregou ontem na Assembleia da República um Projecto de Lei que estabelece as condições de gestão e exploração do Terminal Portuário de Alcântara.

Com esta iniciativa legislativa, “Os Verdes” pretendem a revogação do Decreto-Lei 188/2008, de 23 de Setembro, através do qual o Governo prorrogou até 2042, sem qualquer concurso, a concessão da exploração do Terminal de Alcântara a uma empresa privada, iniciando desta forma o processo de privatização da sua exploração. Acresce que o próprio Tribunal de Contas considerou a necessidade desta expansão questionável, para além de que esta foi uma decisão controversa e contestada pelo seu impacte paisagístico e afastamento dos cidadãos do rio Tejo.

Assim, a presente iniciativa legislativa pretende, não só, revogar o Decreto-Lei 188/2008, de 23 de Setembro, impedindo a renovação da concessão, como também, devolver à gestão pública, atribuições que, pela sua importância na economia nacional e porque se trata de uma actividade de interesse público, deverão pertencer ao Estado.

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Exemplo que vem de fora


"Em África, cada velho que morre é uma biblioteca que arde."
H. Hampaté Ba


Temos assistido nos últimos dias a um frenesim noticioso em torno do terramoto haitiano, cujo principal efeito é a inquietação que nos tem sobreaquecido os nossos receios e acelerado o stress, motivado pela insegurança adjacente, embora esporadicamente este intenso "repasto factual" nos seja servido com alguma pitada de esperança, não divina, é claro, uma vez que até a igreja sob a qual os fiéis se abrigaram acabou por ruir na sequência de uma réplica mais forte, mas de reforço à busca interrupta e tenaz, quer dos vivos entre os escombros, como da capacidade de mobilização global em prol de causas humanitárias, de socorro e assistência médica e medicamentosa, ou na tentativa de manter a ordem e a lei, num Estado, já bastante refractário quanto a esses factores de justiça e democracia, e insustentável economicamente, tanto quanto nos foi dado observar pelas análises e documentos veiculados, onde se registava viver, mais ou menos, com apenas 1 € diário o grosso da população.
Provavelmente, e à semelhança do que aconteceu com a orquestração informativa acerca da Gripe A, e que finalmente se começa a admitir, pelos resultados como pelo grande impacto financeiro no balanço dos laboratórios que produziram e comercializaram a respectiva vacina, depois da poeira assentar de forma concludente, nos seja então possível reconhecer que a melhor forma de lidar com as catástrofes, não resida, afinal, na ansiedade de mostrar, mas sim na segura e metódica intenção de consciencializar, sem dramatismos nem pieguices, que algo tem de ser pensado e feito para que outros Haitis se não repitam, pois muitos países há actualmente nas mesmas circunstâncias socioeconómicas, sem instituições democráticas credíveis nem estabilidade propensa para o crescimento solidário e seguro conveniente para refortalecer a capacidade de encaixe contra a adversidade, derive ela de condições naturais ou de movimentos sociais.
Isto é, desde o dia 12 que as televisões, as rádios, os jornais e revistas colocam a ênfase das suas grelhas informativas no terramoto haitiano, com breves incursões na polémica do Orçamento de Estado, deixando as questões culturais e da identidade portuguesa em nichos "bairristas" pouco frequentáveis, como as notícias referentes à língua portuguesa e a maneira como ela se reflecte no mundo, tanto interno aos seus 190 milhões de falantes, quer externo a essa lusofonia, esquecendo que face às demais línguas que integram o ranking das 10 mais faladas no globo, anda pelas ruas da amargura e se comparada com a de nuestros hermanos aqui vizinhos, enquanto nós só temos um Prémio Nobel e meio, eles já abicharam prà'i uns 18 (6 espanhóis, 5 argentinos, 2 chilenos, 2 mexicanos, 1 colombiano, 1 guatemalteco e 1 da Costa Rica), o que nos indica que é legítimo ver como param as desgraças lá por fora, mas isso não pode impedir de vermos as nossas e "esquecermo-nos" de fazer tudo quanto estiver ao nosso alcance para as colmatar.
Apetece até contar a tal história do Rapaz e do Lobo, que depois de gritar por socorro diversas vezes por causa de um lobo, sendo mentira, eis que uma vez o dito lobo apareceu mesmo e pondo-se o rapaz a gritar, pedindo socorro, ninguém o socorreu, por pensarem ser mais uma peta das dele… Andamos tão esbaforidos na missão de olhar para fora, chegando a haver quem diga que olharmos para os nossos “terramotos interiores” é um egoísmo desumano sem par, que talvez um dia queiramos, a comunicação social, digo eu, olhar para dentro e ninguém haverá que nos leve a sério, contrapondo que os nossos problemas não são problemas, que se a nossa língua passar a dialecto local (ibérico) sem expressão factual, disso não advirá qualquer mal ao mundo e será somente uma, mais uma, tese política de partidos menores onde abundam todas as desgraças peculiares aos radicalismos serôdios do pós UE.
Ora, o Chile, por exemplo, conta com Gabriela Mistral e Pablo Neruda, como galardoados com o Prémio Nobel da Literatura, e nem se expressa numa língua própria mas sim no castelhano com que foi colonizado, e pese embora apenas tenha mais ou menos quatro milhões de chilenos. Será caso para referir se só temos um Prémio Nobel em Literatura, não obstante os 190 milhões de falantes em português é porque somos demais para tão pequena empresa? Há povos e nações onde se morre de tudo, incluindo miséria, catástrofes, intempéries, genocídios, falta de recursos e escassez de cultura ou civilização: a nós isso nunca aconteceria, porquanto preferimos sempre olhar para fora, onde esse tanto que acontece serve inevitavelmente para esconder o que somos. Supõe-se!

1.19.2010


Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos povos

87, rue du Faubourg-Saint-Denis – 75 010 París (France)


É urgente ajudar o Haiti!


O Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos (AIT) dá a conhecer aos trabalhadores de todo o mundo – aterrorizados com o horror do terrível martírio sofrido novamente pelo povo haitiano – o Apelo feito pela Associação dos Trabalhadores e dos Povos das Caraíbas (ATPC):

SIM À SOLIDARIEDADE PARA COM OS TRABALHADORES E O POVO DO HAITI (excertos)

A Associação dos Trabalhadores e dos Povos das Caraíbas (ATPC) manifesta a sua total solidariedade ao povo do Haiti, novamente esmagado e ferido por um forte terramoto que acabou de acontecer no seu país (...).

A ATPC recorda que os estragos, as numerosas vítimas, o aprofundamento do sofrimento causado às pessoas por este terramoto, são o resultado da total falta de infra-estruturas do Estado, do estado da maior parte destas infra-estruturas e das habitações, do desemprego (que atinge mais de 60% dos trabalhadores), dos salários de miséria (menos de 2 euros por dia), enquanto o Governo do Haiti entrega, em cada semana, mais de 1 milhão de dólares a instituições internacionais para pagar a alegada dívida externa.
A ATPC faz um apelo para que os povos da Guadalupe e das Caraíbas protestem contra esta situação;
Apela a que os trabalhadores e os povos das Caraíbas respondem às acções de solidariedade com o povo haitiano, em particular aquelas que forem organizadas pela ATPC.
A ATPC reafirma que a actual situação do Haiti não é devida nem a uma fatalidade, nem a uma maldição, mas sim à sobre-exploração e à submissão impostas – pelas potências ocidentais, especialmente a França e os E.U.A. – ao povo do Haiti e à nação haitiana, que foi a primeira república negra do mundo que derrotou as tropas de Napoleão, que tinham vindo restabelecer a escravidão em 1802, na Guadalupe.

ATPC
(Guadalupe, a 13 de Janeiro de 2010)

Setenta e duas horas depois do terramoto, o caos horrível a que milhões de haitianos tentam sobreviver só torna este apelo mais urgente:
- “Sem Estado e perante a inoperância da ONU, os haitianos são deixados à sua sorte”, diz um universitário da missão brasileira no Haiti, presente quando houve o terramoto, acrescentando que “os haitianos estão fartos de promessas daqueles que dizem representar a «comunidade internacional». Por que estão aqui? Após seis anos de ocupação, os hospitais e as escolas estão em ruínas.” (Folha de São Paulo, 14 de Janeiro).
- A resposta dos E.U.A.: o envio de 10 mil marines! Os pára-quedistas americanos ocuparam o aeroporto, hoje os militares dos E.U.A. controlam todos os pontos estratégicos da ilha. Um porta-aviões nuclear americano ocupa o porto destruído, um navio da guarda costeira está a na baía de Porto Príncipe, e outro está por vir. O Haiti, cortado do mundo, está hermeticamente fechado.
- Ao mesmo tempo, o governo dos E.U.A. mantém a proibição de todos os cidadãos a entrarem no seu território e nomeia G.W. Bush como co-presidente da “Missão de salvação do Haiti”, o mesmo Bush da guerra no Iraque e no Afeganistão, que – quando era presidente dos E.U.A. – não mexeu um dedo quando se tratou de ajudar centenas de milhares de vítimas, na sua maioria negros, do furacão Katrina, em Nova Orleães.
- O FMI, que – através do seu presidente Strauss Kahn – se mostra disposto a dar alguns milhões de dólares como ajuda, continua a exigir o pagamento integral da dívida externa que, desde há anos, sangra o povo haitiano.
- A primeira reacção do ministro das Relações Externas francês, Bernard Kouchner, poucas horas após o desastre – com milhares de haitianos sepultados sob as ruínas, em que os mortos já se contavam por dezenas de milhar e os sem-abrigo eram milhões – foi: “Há para manter a ordem, impedir os saques e garantir as propriedades”! O ministro das Relações Externas do Brasil, Celso Amorim, acrescentou: “É claro que esta estratégia necessita de cuidados especiais no que respeita à ordem e à segurança. Tanto mais quanto as prisões foram destruídas.” (O Estado, 14 de Janeiro).
É verdade que há uma causa natural para o terramoto: é a ruptura das placas tectónicas ao longo de uma falha tectónica, já descoberta há uns anos.
Mas os 50 a 100 mil mortos provocados por os edifícios (para já não mencionar as favelas) não terem sido construídos segundo normas anti-sísmicas, os milhares de milhares de outras mortes anunciadas pelo facto de não haver hospitais, nem transportes, nem infra-estruturas do Estado, nem serviços públicos... Isto não é “natural”, é o resultado de uma política deliberada realizada durante anos, sob a orientação do FMI e das “grandes potências” que impuseram a este país a destruição dos serviços públicos, o pagamento de uma dívida ilegítima, e as restantes medidas exigidas pelo FMI. “Grandes potências” que apoiaram a ditadura de Duvallier até 1981, bem como o golpe que derrubou Aristide, em 2004, para instalar o actual Governo apoiado pelas baionetas da MINUSTAH (“capacetes azuis” da ONU).
O que aqui está em acusação é a política do conjunto dos governos que levou, durante anos, este país – o mais pobre entre os pobres – para o abismo da miséria em que o apanhou o terramoto. Governos que agora fingem chorar sobre o triste destino do povo do Haiti.

Aquilo com que realmente o Haiti está confrontado é a uma catástrofe social, política e económica, de que todos esses governos são responsáveis e mais ninguém.

Sim à solidariedade com o povo, os trabalhadores e a juventude do Haiti!

Para isso tem que ser dito, claramente, que os primeiros requisitos são:
- A anulação imediata da dívida externa!
- A restituição ao povo haitiano da sua plena soberania, pondo fim à ocupação militar!
- Aquilo de que o Haiti precisa é de médicos, enfermeiros e engenheiros, e não de soldados!
- Que sejam abertas todas as fronteiras dos Estados a que os cidadãos haitianos queiram aceder!

Os sindicatos e as organizações populares do Haiti(*) – que realizaram, no passado mês de Dezembro, em Port-au-Prince, a “Conferência Continental pela Soberania do Haiti” – fazem um apelo à solidariedade internacional dos trabalhadores.
A Associação dos Trabalhadores e dos Povos das Caraíbas e o Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos associam-se a esse apelo.
Podem canalizar o dinheiro para o “Fundo CMA” (mencionar Haiti), para o seguinte endereço: 87, rue du Faubourg Saint-Denis - 75 010 Paris (França), que fará chegar ao Haiti os vossos donativos.

Paris, 15 de Janeiro de 2010



(*) Entre elas a CATH (Central Autónoma de los Trabajadores Haitianos), a CTSP (Confederación de los Trabajadores del Sector Público), a ADFEMTRAH (Asociación de las Mujeres de la CATH), o POS (Partido obrero socialista haitiano), a KOTA (Konfédorasyon travayè paisyen), a UTSH (Unión de los Trabajadores sindicalizados), a CISN (Confederación independiente, sindicato nacional), e a FOS (Federación de los Obreros Sindicalizados).

1.08.2010


História / A Caminho da Argentina.
Os Comboios Portugueses



Exposição fotográfica e documental
Data: 12 de Janeiro de 2010| Ter | 18h30
(até 12 de Fevereiro)
Local: Casa da América Latina

Av. 24 de Julho, 118-B
1200-871 Lisboa
Tel. +351 213 955 309
Fax +351 213 908 155
E-mail: geral@c-americalatina.pt





Mostra documental com fotografias de comboios portugueses na América Latina, particularmente na Argentina. Através de imagens e miniaturas, propõe-se uma viagem no tempo e no espaço que nos dará a conhecer a presença portuguesa na região e o seu contributo para o desenvolvimento local. Complementarmente, no dia 28, o jornalista Rui Cardoso e a fotógrafa Mafalda César Machado apresentam o livro Pelas Linhas da Nostalgia (ver dia 28). Em Fevereiro, prevê-se um seminário sobre o tema, uma vez que a relação ferroviária entre Portugal e a Argentina permanece actual: estão hoje em curso acordos comerciais entre os dois Governos.



Clube de Entusiastas do Caminho-de-Ferro (C.E.C.)
Associação sem fins lucrativos, constituída por entusiastas da ferrovia, seja comboios, metropolitanos ou carros eléctricos, existente desde 1989. O Clube defende os bens históricos, o progresso e a valorização do caminho-de-ferro. Para além disso, realiza viagens de comboio, visitas a locais de interesse ferroviário e exposições temáticas. Elabora ainda um boletim mensal intitulado “Sobre Carris” e publica periodicamente a revista Flecha de Prata.
Apoio:
Embaixada da Argentina


1.05.2010

7 Janeiro 2010
às 17:30 horas
O Dia em que nasceu a Ciência,
por João Caraça

e às 19:00 h
Observações astronómicas de Júpiter

Há exactamente 400 anos, na noite de 7 de Janeiro de 1610, em Pádua, Galileo Galilei começou a registar as observações que estava a efectuar sobre os satélites de Júpiter e que ele designou por “Estrelas Mediceias”em homenagem à família dos arquiduques de Florença.

Este registo tão singelo abriu um longo caminho que tem sido percorrido incessantemente desde então. A Ciência Moderna saiu completa das mãos de Galileu: o uso de instrumentos científicos de observação; a utilização de uma linguagem matemática; a publicação dos resultados; isto é, as suas principais características, que a distinguem dos outros domínios de conhecimento e dos saberes antigos sobre a natureza, possuem todos a marca de Galileu.

Muitos ilustres e extraordinários cientistas viram a luz e a iluminação da descoberta nestes últimos quatro séculos. A celebração das suas ideias e o desenvolvimento de uma atitude científica perante a vida são a melhor garantia de que encaramos o futuro com confiança.

João Caraça:

Doutorado em Física Nuclear (Oxford) e agregado em Física (Lisboa) João Caraça é Director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian e Professor catedrático convidado do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa onde, entre outras funções, coordenou o Mestrado em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia (1990-2003).
É membro do Conselho Directivo do EIT- Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia. Integra o Comité de Direcção do Fórum Europeu de Filantropia e Ciência e é Presidente do Conselho Consultivo da COTEC – Associação Empresarial para a Inovação.
Foi Consultor para a Ciência do Presidente da República (1996-2006) e é autor de mais de uma centena e meia de trabalhos científicos. Os seus interesses centram-se nas áreas da política científica e tecnológica e da prospectiva. Publicou Do Saber ao Fazer: Porquê Organizar a Ciência (1993), Ciência (1997), Science et Communication (1999), Entre a Ciência e a Consciência (2002) e À Procura do Portugal Moderno (2003). Participou na redacção de Limites à Competição (1994) e na organização de O Futuro Tecnológico (1999). Colaborou no livro A nova primavera do político (2007).

Director do Serviço de Ciência
Fundação Calouste Gulbenkian
O favorecimento de uma cultura da ciência é a melhor garantia de que se estimula na sociedade o espírito crítico e participativo, de que promove o desejo e o gosto de conhecer e de aprender. Somos continuamente bombardeados com a frase: «temos de nos adaptar». Temos de nos adaptar a isto, temos de nos adaptar àquilo. Como se não houvesse escolhas: como se só houvesse uma resposta e uma solução. Contudo, é por exercermos a nossa capacidade de escolha, é por decidirmos, que somos humanos. O nascimento da ciência moderna traz consigo uma nova perspectiva do relacionamento com a natureza.
Há exactamente 400 anos, na noite de 7 de Janeiro de 1610, em Pádua, Galileo Galilei começou a registar as observações que estava a efectuar sobre os satélites de Júpiter e que ele designou por “Estrelas Mediceias”em homenagem à família dos arquiduques de Florença.
Este registo tão singelo abriu um longo caminho que tem sido percorrido incessantemente desde então. A Ciência Moderna saiu completa das mãos de Galileu: o uso de instrumentos científicos de observação; a utilização de uma linguagem matemática; a publicação dos resultados; isto é, as suas principais características, que a distinguem dos outros domínios de conhecimento e dos saberes antigos sobre a natureza, possuem todos a marca de Galileu.
Muitos ilustres e extraordinários cientistas viram a luz e a iluminação da descoberta nestes últimos quatro séculos. A celebração das suas ideias e o desenvolvimento de uma atitude científica perante a vida são a melhor garantia de que encaramos o futuro com confiança.








Fundação Calouste Gulbenkian Auditório 2
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Rita Rebelo de Andrade
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T. 21 782 35 25 F. 21 782 30 19
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