4.20.2004

UM POETA NASCEU


Quando alguém vir
Parir
Um coração
Quando alguém vir
Uma flor a abrir
E dela sair
Um fruto são
Quando alguém vir
Uma luz acesa
Que nas trevas se acendeu
Foi de certeza
Que um poeta nasceu!


NO SILÊNCIO DAS NOITES PERDIDAS


Corpos adormecidos,
Pontas de cigarros,
Jarras partidas,
Copos entornados,
Flores ressequidas.
Almas esquecidas
No silêncio das coisas mortas.
Camas desfeitas,
Sonhos vazios.
Rostos amalgamados
- Sem sorrir.
Corações ignorados
- Sem ódio nem amores.
Comprimidos de todas as cores
- Para dormir.
Memórias cansadas
Por nada pensar.
Mundos nunca encontrados.
Luzes apagadas,
Sangues viciados.
No silêncio das noites curtidas
- Vidas perdidas!


A REVOLTA DO POETA

Sobre nuvens
Ele voa
Dentro do sonho
Ele vai
Ouve-se o grito
Que da garganta lhe não sai
E ouvem-se por resposta
Gargalhadas
Descontroladas,
Descabidas,
Saindo de bocas
Ainda mais perdidas
Numa onda
Ele navega
E troveja
Escorrega
E naufraga.

O meu coração é um relógio
Que bate em compasso
As horas felizes
E as horas tristes
Ninguém dorme em meu regaço
Não há calor que o aconchegue
Não há pé que o agarre
Nem há peso que ele não carregue
Há um mar de sangue
Há um horizonte de angústia
E sofrimento
Há bondade
E há maldade
E há tormento
Ele vê e ele sente
O mundo mudado
Punhal que se lhe espeta
É a revolta do poeta!


Maria Isabel Gaspar
AGORA

A meus pais

pensamentos nostálgicos
toca a flauta no monte
é esta a hora


a água corre na mente
breves são os silêncios
a felicidade ignora


o tempo corre no espaço
é d’aço mas cansa
e morre agora

Maria Isabel Gaspar

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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