2.25.2010

Do filósofo Fernando Savater, sobre a indisciplina nas escolas




Especialistas reunidos em Espanha



Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar


Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.
'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa.
'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.
Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.
'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.
Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.
Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.
Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

Concorda? Então divulgue...
PIDDAC 2010
“OS VERDES” ENTREGAM PROPOSTAS PARA O DISTRITO DE PORTALEGRE

Na sequência do paupérrimo investimento público que o Governo propõe no Orçamento de Estado para 2010, relativo ao PIDDAC para o Distrito de Portalegre, promovendo assim o empobrecimento económico e social deste Distrito, o Grupo Parlamentar “Os Verdes” propõe aditamentos ao PIDDAC com o objectivo de garantir mais investimento público para o Distrito de Portalegre, combatendo os efeitos da sua interioridade, garantido melhores padrões ambientais e também a dinamização da sua actividade económica.

Foram, assim, hoje, entregues pelo Grupo Parlamentar “Os Verdes” na Assembleia da República, as seguintes propostas de alteração ao PIDDAC 2010:

Projecto de construção de uma Escola Superior de Turismo em Ponte de Sor
Projecto de electrificação da linha ferroviária do Leste
Projecto de electrificação do ramal de Cáceres
Projecto de valorização da área do GEOPARK
Projecto de despoluição e regularização da Ribeira de Sor
Projecto de qualificação ambiental da zona mineira do concelho de Nisa
Projecto de requalificação das muralhas do Castelo de Campo Maior
Criação de marca regional para dinamização da actividade económica do distrito de Portalegre

“Os Verdes” esperam que os restantes Grupos Parlamentares tomem consciência da relevância destes investimentos, designadamente para o objectivo nacional de combate às assimetrias regionais.

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
www.osverdes.pt

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2010
Encontro pela proibição
dos despedimentos

27 de Fevereiro (sábado) às 15h30m

na Biblioteca-Museu República e Resistência, na Rua Alberto de Sousa, nº 10 A, Lisboa
(Do Boletim de Preparação do Encontro)
Introdução

A 4 de Março, ao apelo de todos os sindicatos dos trabalhadores da Função Pública, estes trabalhadores realizarão uma greve geral para defender os seus postos de trabalho, as pensões de reforma, bem como os serviços públicos que são imprescindíveis ao normal funcionamento da sociedade em que vivemos.
Todos juntos, em todo o continente e ilhas, os funcionários públicos assumirão com esta atitude a maior garantia de defesa da soberania nacional, atacada pela ditadura e a desordem do capital financeiro e especulativo, que – através das instituições da União Europeia – quer sugar toda a riqueza produzida pelos trabalhadores, única maneira de poder continuar a manter a espiral da especulação.
A Comissão pela Proibição dos Despedimentos saúda as organizações e os trabalhadores que apelam e preparam esta greve, com a convicção de que será por aqui o caminho que poderá levar a que os mandatos dados pelos trabalhadores aos deputados da Assembleia da República adquiram o seu verdadeiro peso democrático, para que seja construído um acordo para um Governo determinado a recusar a subserviência às instituições da União Europeia. Um Governo que garanta:
- a actualização dos salários e das pensões de reforma, em vez do seu congelamento e redução do poder de compra;
- a manutenção de todos os serviços públicos com os seus postos de trabalho, em vez do corte de mais 35 mil contido na proposta do Orçamento do Estado (que a Assembleia da República já aprovou na generalidade);
- uma lei que proíba os despedimentos e garanta todos os direitos do trabalhadores, roubados no novo Código do Trabalho.
Esta Comissão saúda, igualmente, a luta e os processos de resistência dos trabalhadores em múltiplos locais de trabalho, ameaçados de despedimento, com contratos precários, a luta das centenas de milhar expulsos da vida activa, com a convicção de que existem as condições para que se opere em Portugal e nos outros países da Europa uma viragem nos acontecimentos. Todos juntos seremos capazes de enfrentar as dificuldades, os problemas e encontrar as respostas para os mesmos.
Não foi assim no 25 de Abril de 1974?
Sem pretender substituir-se a nenhum sindicato ou partido político, animada da profunda vontade de agir para a unidade, para que esta viragem positiva se concretize, esta Comissão pela Proibição dos Despedimentos organiza um Encontro, no dia 27 de Fevereiro, em Lisboa.
Todos estão convidados. Como dizia o Zeca: “Traz um amigo também!”
Neste pequeno boletim publicamos alguns relatos de encontros com militantes do movimento operário que apoiam esta iniciativa, bem como um documento da Comissão de Defesa da Escola Pública.
Como nasceu esta iniciativa


Esta iniciativa decorre da batalha política pela proibição dos despedimentos, iniciada em Abril de 2009, e que juntou a assinatura de 1450 trabalhadores, estudantes, desempregados, dirigentes e delegados sindicais, membros de Comissões de trabalhadores.

Primeiros membros da Comissão de preparação do Encontro, constituída a 31 de Outubro, em Lisboa: Ana Tavares da Silva e Helena Gomes, professoras; Aires Rodrigues, dirigente do POUS; Carlos Melo, bancário aposentado; Carmelinda Pereira e Paula Montez, coordenadoras da Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP); Helena Wallis de Carvalho, funcionária pública aposentada; João Ricardo e Margarida Pagarete, estudantes/ensino superior; Joaquim Pagarete, da Comissão Coordenadora de Aposentados do SPGL; José Marques Guimarães, historiador; António Serra, ex-membro da CT da Casa da Moeda - Imprensa Nacional; Jorge Torres, da CT da UNOR; Isabel Pires, dirigente SPGL.

O que nos liga

Somos militantes de diferentes quadrantes políticos e sindicais, não pretendendo de algum modo substituir-nos ou concorrer com qualquer partido, sindicato, ou comissão de trabalhadores, consideramos ser necessário agrupar uma força militante, transversal a todo o movimento operário.
Esta força deve ser capaz de contribuir para o movimento de unidade dos trabalhadores com as suas organizações, com base na seguinte perspectiva: impor um Governo capaz de proibir os despedimentos e de criar as condições de desenvolvimento das forças produtivas do nosso país, no quadro da cooperação solidária com os outros povos da Europa e do resto do mundo.
Tal orientação coloca na ordem do dia a renacionalização dos sectores estratégicos da economia e a ruptura com a ditadura do capital financeiro e das multinacionais, imposta através das instituições da União Europeia e dos seus tratados.

Intervenções já desenvolvidas em torno desta batalha política:

- Participação nas eleições ao Parlamento Europeu, numa lista completamente centrada neste objectivo, para a qual o POUS pôs a sua sigla á disposição deste objectivo.
- Delegação á direcção da CGTP (a direcção da UGT declinou o pedido de encontro);
- Delegações à Comissão Política do PCP e à direcção do BE;
- Encontros com as seguintes Comissões de Trabalhadores: GALP-Energia, EPAL, Portugal-TELECOM, TAP, Ground-Force, BPI, CGD e sector das Alfândegas;
- Reunião com a direcção do Sindicato dos professores da Grande Lisboa (SPGL);
- Encontro com a Direcção do Sindicato dos Operários Vidreiros.

Subscrevem o apelo ao Encontro:

- Comissão de Trabalhadores (CT) dos Serviços Portugueses de Handling S.A (SPdH - Groundforce);
- Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP);
- Executivo da CT da Auto Europa;
- Francisco Gonçalves, Mário Ralha e Amândio Taveira – membros da CT da Portugal Telecom;
- António Castela – Coordenador da CT do Sector das Alfândegas.

No Encontro de 27 de Fevereiro irá intervir Luis González, dirigente do Sindicato dos Médicos da Andaluzia (CCOO – Comissões Operárias)
A Aposta


"A escrita, exterior ao dilema, é a «terceira arquitectura», multiplicação das operações de apresentação do inapresentável: experimentação, construção de cenários, de simulações, multiplicação das lentes, das fontes de luz, das velocidades, etc."
Silvina Rodrigues Lopes, In Aprendizagem do Incerto


Embora se tenha perdido o hábito de nomear a fonte ou o autor desta e daquela sentença, mais ou menos grafitável no muro das nossas lamentações, a que concupiscentemente convencionámos chamar «consciência», arrisco citar Rudolf Arnheim, que no seu Film as Art, garantiu que "nos bons filmes todos os planos devem contribuir para a acção", porquanto é inegável que nesta coreografia e montagem do cenário político nacional, a maior parte dos planos aduzidos à problemática da insustentabilidade portuguesa, nomeadamente a que reitera a nossa colagem sócio-económica aos países com maiores dificuldades de crescimento e estabilidade, venha a pílula do PEC dourada com o esfuziante optimismo dos amesendados à távola quadrada do Orçamento de Estado, ou gizada em baixa pelo trauma do cada tiro, cada melro, com que as instâncias do poder (governo, parlamento, tribunais, autarquias) nos têm generosamente brindado nos últimos anos, não só são planos falhos de significação em tomadas de atitude de valorização da biodiversidade, de luta contra a pobreza e de atenuação da exclusão social recorrente do especismo partidário (& corporativista), como evidenciam a histórica indiferença pela degradada portugalidade, desde que com ela não se ganhem «fundos» imediatos, motivos para recorrer a empréstimos, hipotecas e demais dinheiros de multiplicação do défice e endividamento, nem haja cortes radicais nas despesas de governância, incluindo nos chorudos vencimentos dos gestores da coisa pública e seus apaniguados «cúmplices», que são também os mais beneficiados com a suas gestões danosas: os políticos da moderação central, sobretudo aqueles que têm medo de perder o emprego, e que desconfiam que qualquer mudança os vais prejudicar, uma vez que assim é que se está bem, não fazendo nada, saindo cedo, saltitando de comissão em comissão, de tutela em tutela, sem mexer uma palha e armando aqui e ali, aos adversários de tacho, indignos concorrentes, a sua partidinha, com retórico visco e judicial esparrela.
Para o conseguirem, na necessidade de limpar a imagem negativa do «chefe» Sócrates, resolveram sacrificá-lo, atirá-lo à arena pública, qual David acossado, frágil (a governar só com maioria relativa, coitadinho) e incompreendido, para defrontar o colosso mercenário veterano Golias sabidão das lides da inculca, o ciclópico M Sousa T, que devia estar impaciente e ansioso por estraçalhar alguém, viesse ele de onde viesse, e mesmo «nobre» amigo que fosse. Fizeram-se apostas, triplicaram e quadriplicaram-se as notas de cinco € entre os fregueses da quadrilhice brejeira, fizeram-se tertúlias de imperiais e tremoços, cuspiu-se muita congeminação nos mercados municipais e bares de esquina, aventaram-se algumas hipóteses de reconciliação entre eleito e eleitores ainda não arrependidos, apesar de muito envergonhados, lambeu-se basta orelhinha peluda, todavia a moita pariu tão-só duas melgas que andaram à volta da luz, de largo, como as câmaras de serviço, pilares na arquitectura da régie, uma para cada um e outra pròs dois, canha aqui, canha ali, temendo queimar as asas nas lamparinas do insucesso, como nem sequer faria qualquer pernilongo em amazónicos pântanos. Pior: não aqueceu, nem arrefeceu, e muito menos provocou a autoflagelação costumeira aos campistas de paul, as chapadas na própria cara, com a tentativa de matar o bichinho zunidor, que nos inspirou o tal comentário comum entre «profissionais» do mesmo ofício: eis dois grandes amigos – não podem é dizê-lo, na frente das esposas, que há uma temporada lhes têm andado a estranhar o desempenho...
Ora, razão tinha o Zeca, quando pedia mais cinco, de uma assentada, porquanto nessa aposta, embora tenha sido triplicada, o que é certo, mesmo certo, é que se entre entrevistador e entrevistado nenhum deles nada perdeu, de novo nós, as audiências enlutadas pelo desbotado e impreciso das gravatas, também ganhamos absolutamente nada. O que é apenas lamentável, digamos, para nos acautelarmos providencialmente...
E é muito bem-feita, para não andarem a apostar com quaisquer cinco réis, como se supõe dizer-se entre a nossa gente, desde Aquilino – pelo menos! – que era o peso maior que lhe concedia. Principalmente porque cinco é de um muito elevado apreço, é uma mão-cheia travessa de dedos, com o polegar a pedir boleia a Deus, onde cabem tanto mulher e homem, como todo o conhecimento da humanidade.


La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

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Também pode alcançar o céu

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