2.22.2017

HÁ OU NÃO JUSTIÇA DIVINA?




JUSTIÇA DIVINA: HÁ OU NÃO?

O meu poema tem os teus olhos, 
Mas não és tu. 
O meu poema tem o teu rosto, 
Mas não és tu. 
O meu poema tem o teu rabo-de-cavalo, 
Mas não és tu. 
O meu poema é meu, mas tu não. 

Porém, se houvesse justiça divina,
Ainda que fosse infimamente pequenina, 
Deus já tinha corrigido esta contradição! 

Joaquim Maria Castanho

2.21.2017

TUDO SÓ POR BEM




TUDO [SÓ] POR BEM… 
(BEM MENOS, BEM MAIS)

Antídoto prò medo, a esperança
Vacina para dar o passo em frente, 
É também essa legítima... herança
De quantos herdaram só o ser gente, 
Ou que nasceram já amaldiçoados
Condenados a nada haverem de seu, 
Na família onde não eram esperados 
– Quer na vida que ninguém lhes concedeu.

Tudo conquistaram; até os dias tidos. 
E, nos lugares que neles frequentaram, 
Somente foram escutados e servidos
Porque para isso e de pronto pagaram, 
Às vezes bem mais que a coisa comprada
Mesmo se ela valia bem menos que nada!  

Joaquim Maria Castanho

FALA DO CATIVO


CAFÉ DA MANHÃ


2.20.2017

INSPIRAÇÕES!





INSPIRAÇÕES! 

Queria pensar em outras temáticas
Porém esqueço-as; e só teu sorriso
Me lembra. Porque nestas gramáticas
Apenas cabe quem é útil e preciso. 
Ou possui essa essência natural
De nos ser, além do mais, essencial. 
Queria pensar na beleza das flores
Pelos campos amenos e verdejantes;
No arco-íris, e todas as suas cores 
Lindas borboletas, joias, diamantes… 
Todavia, sempre esse oásis me falha
E a poesia só por ti emana e calha. 

Queria… queria… queria… queria… Mas… – Zás:
Que uma coisa é querer, e outra, ser capaz! 

Joaquim Maria Castanho

2.19.2017

MEMÓRIA




MEMÓRIA

Se nada se perde também
Nada se tem para sempre, 
Que ser é contínuo vaivém
Entre os céus e o ventre 
Da Terra, essa mulher-mãe
D'humanos, filhos diletos
Nos dois géneros completos.

E fraternos igualmente
(Irmanados em igualdade), 
Mesmo que a insana gente
Creia omitir a verdade…
Porque nada se perderá
Nem sequer o que já não há! 

Joaquim Maria Castanho

2.18.2017

REMANESCENTE BRISA


DOR DE COTOVELO




DOR DE COTOVELO

Ora anda aqui gente que anda
Numa fona, e de sarabanda,
A trabalhar prà concorrência. 
Gente esperta, coisa sabida, 
Doutorada em maledicência,  
A pecar com língua comprida, 
Por desconhecer a diferença
Entre a realidade e a ficção.
Olho comprido, língua afiada
De quem quer tudo sem fazer nada… 

Às vezes bate-lhe a demência; 
Outras, a ardência… da confusão! 

Joaquim Maria Castanho

2.17.2017

BRISA REMANESCENTE




BRISA REMANESCENTE

De manso o romance chegou
E do remanso se levanta
A romancear nos conta
Em palavras aspira ao voo
Rompe nuvens, brilha, tenta
Dá nós com que nos inventa
O remansear nessas idas
E vindas plo prado das vidas.

Os velhos sóis invoca. 
Das doces vozes é chama. 
É luz que paira e canta
Se nos encanta ou toca
A dolência de quem ama… 

Então, das páginas lidas
Nascem vidas, entre as idas
E vindas plas linhas da trama.

Joaquim Maria Castanho
Imagem: Mulher Lendo no Jardim, da pintora polaca Barbara Jaskiewicz 

2.16.2017

CANTO DO MOMENTO MÁGICO




CANTO DO MOMENTO MÁGICO

Já aconteci alma ansiosa
Sob tuas pálpebras descidas,
Perdidas em linhas de prosa
Poesia nas faces floridas
(Derme de cetim nacarado)
Onde sentir se sente ledo
Perfeito, belo, cuidado
Sempre se demasiado cedo
Tão natural se tarde mais, 
Que o presente é um segredo
Entre tempos, entre umbrais
Entre colunas de Salomão, 
Tão fraternas e tão iguais
Que são a sublime perfeição, 
Conforme cantam os jograis…

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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