4.21.2018

MIRAR (IN)DISCRETO



MIRAR (IN)DISCRETO 

Há, ao fundo, 
Uma cidade
A espreitar a flor... 

– Então, é verdade
Que todo o mundo
Tem o anseio profundo
De guardar o amor! 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: Beluxa Gto)

CORRENTE INEVITÁVEL




CORRENTE INEVITÁVEL 

Esfrego o rosto, 
Sacudo a cabeça... 

Mas mesmo assim, aposto, 
Não é certo que te esqueça! 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: Zélia Mendes)

MÚSICA AO LONGE, de Erico Veríssimo




"Quando a gente quer olhar tudo, acaba descobrindo o que há de feio no mundo." 
Erico Veríssimo, in Música ao Longe

O Coronel e o Lobisomem




"O mundo é um saco de pecados e cada um arrasta a sua penitência"
JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO
in O Coronel e o Lobisomem 

CONTRARIEDADE




CONTRARIEDADE

Chove, pinga, troveja... 

Então, fico em casa
O coração em brasa,
Mas cara d'ora-veja! 

Joaquim Maria Castanho

4.20.2018

XEQUE-MATE




XEQUE-MATE

Deste-me xeque-mate
Numa simples jogada, 
Pérola de quilate
Preciosa e dobrada. 

Foi um tiro preciso
Exato, limpo, sem dó,
Que me põe num sorriso
Pronto para dar o nó. 

Deste-me xeque-mate...
– E numa jogada só! 

Joaquim Maria Castanho

4.19.2018

LUA NOVA




LUA NOVA 

Eu andava à deriva
Por falta de notícias
Daquela que é cativa
Em outras frias paragens
Onde não há delícias 
Onde não há estiagens... 

Ora sou preocupação: 
Não resta senão esperar
Que a Lua cresça e então
O Sol a ajude a brilhar. 

Joaquim Maria Castanho 

4.18.2018

A DESCARADA FLOR




A FLOR DESCARADA

Procura devagar
Até encontrar
Entre sombras, ali
A residente flor.  
É a que escolhi.
E embora sem par
Seja, das do lugar
Símbolo de amor. 
De alva pureza,
Amistosa na cor... 

– Mas a sua beleza
'Tá em não ter pudor!

Joaquim Maria Castanho 
(Foto: Beluxa Gto)

4.17.2018

NINGUÉM VENDE POESIAS





O NEGÓCIO DUM ZÉ-NINGUÉM    
        

Na tristeza e na revolta, 
Na grande solidão dos dias, 
Oh amor, és uma escolta
Pràs difíceis travessias! 
És essa prisão que nos solta. 
És a sisudez das alegrias. 
Imagens do que há em volta; 
Metáforas do medir verbal. 
Devendo-te incluir também 
Na destreza com que nos guias
Nessa circular que nos mantém 
Em órbita, mas não é astral… 
Antes terrena, comercial
Onde Ninguém vende poesias.

Joaquim Maria Castanho

VOO SOLAR




QUASE VOO DE LUZ SOLAR 

Há pessoas que nos descem pela alma
Como se flama de cabelos celestes. 
Cujo sorriso desenha beleza calma
E dança madrugadas de luz oriental
Aspergindo flores – estevas silvestres... 

Lídimas proezas em solução plural
Que cremos respirar, se já alvorece
Irradiando sonho, todavia tão real
Qu'o sentir nasce e voa, mas permanece. 

Joaquim Maria Castanho

4.15.2018

AO SABOR DOS SONETOS...




SONETO COM SABOR


Esticou-se o malandro na labuta
Que a refrega trazia obrigações, 
Qu’o mais nobre dos nobres também luta
Plo seu quinhão entre tantos comilões. 

Se foi carimbado prà dita conduta
Todas e todos conhecem suas razões, 
Pois nesse dia nem sequer comeu fruta
Por ter medo de se borrar nos calções. 

Muito se susteve, tanto se segurou
Que ainda hoje lê, pensa, e escreve
Com as letras tintas e brancas que ganhou –
Tudo gorduras puras, sãs e cristalinas
Tal qual demais meninos e meninas. 

Joaquim Maria Castanho
(Excerto de foto de Cesaltina Miranda)

4.14.2018

AFLUENTE DO SUL




AFLUENTE DO SUL

Avanço entre tuas margens
Insaciável, inquieto
Que se abrem quase vagens
Onde germina a semente
Fulgente e pura do afeto...

Aí, rebelde, irreverente
Mergulhado na sofreguidão,
Voo liquefeito e urgente
A pulsar até ser vento suão. 
  
Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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