12.03.2017

MARGARIDA, tinto de 2010 - MONTE DOS CABAÇOS





103. 
BRINDE A UM POEMA TINTO DE SOL


Sê bem-vinda, Margarida
No teu trajo Alicante
Polp’em carvalho cerzida
Em 2010 vestida
Brocado tingido macio
Frutada plo diamante
Que há num soneto de brio
Digno da pena de Dante… 

Meneias doce aroma
Em redondilha bem maior
Que o extremo de Roma
Se anagrama de amor. 
E singras plo tempo vazio
Com’um sonho viajante
Que não teme fome nem frio
À proa e leme do navio
Qu’é o peito dum amante!

Joaquim Maria Castanho

12.02.2017

GOTA D'ALMA




GOTA D’ALMA

Da lágrima condensada 
Choveu quase saudade, 
Choro de fado e fada
Na terra (da liberdade)
Nesse quase instante 
Antecedeu adivinha
Do quase seja distante
O samba que nos chuvinha, 
Cacimba, lã de cerração 
Terreiro de altos voos 
Para planar do albatroz
Asas abertas do coração
Coreografia, vivo show 
– Gota d’alma que há em nós!

Joaquim Maria Castanho 

12.01.2017

CONCRETO IDEAL




IDEAL CONCRETO 

Tal se introduz na sombra a alva veste
O andar escorreito, o sorriso em flor
Assim, me dei eu total ao que me deste
Qu'o sonho nasce da solidão agreste
Tão só, tão-só por si mesma se propor
Que ante o frio por gélido o teste
E ao calor ajuíze em mais calor; 
Que à alma no rigor do imprevisto
Por bem apenas tem toda a surpresa
Nascida quando vemos ser beleza
Tudo que já também houvéramos visto
Em alguém, que só críamos como normal
Vulgar, esquecendo ser o sonho isto
Que transforma o concreto em ideal…

Joaquim Maria Castanho

11.30.2017

E FICO... E VOO!




E FICO PRESO EM TEU VOO…

És confluência, és astro
Espiral por que remoinho
Nave, muralha, sol, castro
Souto no meu próprio ninho.
Voas, ápice rasante,
À boca da caverna de mim
És estrela navegante
Destino…  Oriente sem fim
Se tal nascer também causa
Motivo à vela, lastro
Mar, chão de remar mansinho
Duna batida, onda, pausa 
Por quem o verso é mastro
Sustenido… e  caminho.

Joaquim Maria Castanho

11.13.2017

O SENTIR QUE PERDURA




SENTIR QUE PERDURA

Voa-me a voz pela planície
Petisca de teus olhos o sentido, 
Que sentir é um querer que se demora
A dizer-se para melhor ser ouvido
Assim, feito amanhãs deste agora
Nascido, milhentas manhãs, construído
Convertido, verdade hora a hora 
Sem sombras, passo a passo percorrido, 
Grelhado sob o crivo dessa ternura
Que apenas tuas mãos sabem moldar: 
Dando sã magia, além da candura
Que nos dura entre sentir e desejar, 
Também à vida a doce formosura… 
– Desde que nela perdure o teu olhar! 

Joaquim Maria Castanho

11.12.2017

O RASCUNHO DO AMADOR





RASCUNHO DE AMADOR

Só de tuas mãos nasce o sonho, magia… 
Elas emprestam delícia ao que tocam, 
Conduzem luz à própria luz do dia – 
São espaço onde estrelas balançam. 
E se de lá dos altos cimos nos focam
Ditando mais que a vida pode ser
É porque elas além de trinchar, traçam
Sulcos de plantar sentir pronto a colher. 
Acarretam sublimes gestos por dizer
E dizem como quem cala, transparentes
Mas precisos, integrais, criadores… 
Que os meus parecem gestos ausentes
Presos, rebuscados, fora dos caminhos
Quase rascunhos desses amadores
Que, de tão ideias, amam sozinhos!

Joaquim Maria Castanho 

11.09.2017

Mãe - um poema de homenagem


REGRESSO AO SUL




REGRESSO AO SUL 

Qual gota de vida
Esfera iluminada, 
Anda a alma perdida
Numa encruzilhada…
Lótus, orient'em flor, 
Arina sobre azul
Nesse mar, de cuja cor
Brotou o amor do sul.

Que o ser, se poente
Só brilha por reflexão, 
Tal coração de gente
Mal ecoa a ocasião. 

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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