6.16.2019

Marie Laforêt- Ciccerenella (Naples) 1968

Edith Piaf, Marlene Dietrich, Louis Armstrong & Mireille Mathieu in La v...

gilbert becaud ET MAINTENANT 1962

CÂNTICO GÓTICO





CÂNTICO GÓTICO


Encantadas ou desencantadas almas
Confirmam-se e configuram-se alvas
Violáceas entre violetas e malvas
Marmóreas entre ciprestes e palmas
Que entre pacóvios se pavoneiam...

Baixar o nível para ser entendido
Não demonstra sabedoria nenhuma,
Sequer diz ser a humanidade só uma...
É dar esperança ao vadio vendido,
Premiá-lo pla falta d'estudo tido.

Ignorar não é suma sabedoria
Nem diploma que os canudos norteiam;
E, muito menos, saque aos que saqueiam


Apenas mata caça quem melhor porfia!


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

6.12.2019

A MAGIA JÁ NÃO É UM SUPOR...







ÉS MÁGICA SEJA ONDE FOR

Fico suspenso mas arrebatado
A alma em órbita plo infinito...
Se eu te vejo em qualquer lado
Encantamento deixa de ser mito!

A vida é simples, e sem atrito;
Sem causas obscuras nem doentias.
Acaba-se o que já fora começado
E começa-se sempre com cuidado.
Então inventa-se futuro aos dias
Pintando cada qual com a sua cor.
Os sorrisos nascem, nascem poesias
Nascem esperanças, e nasce o amor.

Mas se te vejo em qualquer lado
A magia deixa logo de ser supor!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

INTEGRIDADE POÉTICA


   


INTEGRIDADE POÉTICA

Os poemas, quando verdadeiros
Resistem aos silêncios e amuos
Aos junhos, abris e fevereiros
Aos torpores azedos e recuos
Sem se melindrarem nem pedir perdão.
De olhos em frente, fincam os pés no chão
Arredam adversidades várias
E bastam-se a si, eficazmente,
Cobrindo-se de rimas primárias
E sentimentos avulso, dispersos.
Nunca acatam sílabas ordinárias.
Aprumam-se em medidas contidas
E até se abreviam cordialmente.

Só em último caso viram versos
Ou s'entregam a repetições perdidas!

Joaquim Maria Castanho

6.10.2019

ACERCA DA ESPUMA DOS DIAS


   



ACERCA DA ESPUMA DOS DIAS

Hoje, foi como se o dia
Nascesse assim por magia...
Desde quando te não via?
E eis que de repente, zás:
Olho em frente e ali estás.

Não há comparação alguma;
Todos os dias são diferentes.
Mas eles têm sempre espuma
Feita de bolhinhas e repentes!

Joaquim Maria Castanho

6.09.2019

TUFO NA MARGEM...


   


TUFO À MARGEM

Digo-me tão pouco às vezes
Principalmente se me não vês,
Que as horas parecem meses...
Horas bem maiores que o mês.

Calada, és muralha, forte
Intransponível prò meu gostar,
Que eu, tufo, à sede, na morte
Fico na margem sem me molhar,
Sem beber dessa água pura
Que a vida traz do teu olhar
E fecunda alma se madura.

Digo-me tão pouco se me travas...
O verso brota ressequido!
Poemas são só ervas bravas
Sem palavras na margem do ouvido!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

6.02.2019

ÁPICE E VERTIGEM


   



ÁPICE E VERTIGEM


Rápido, rápido, rápido
O sonho pousou,
Trazendo ternura consigo;
Doce, suave e ligeiro,
Que o amor é sempre o primeiro
Pra quem deveras amou.

O céu estremeceu,
O grito suspirou...
Porém rápido, rápido, rápido
Meu coração bateu:
Irrompeu de quem sou,
E nunca mais foi meu!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

6.01.2019

CABELOS DE FADA

  


CABELOS DE FADA


A poesia é um esgar absoluto
Sobre um ponto concreto, particular,
Qualquer coisa como o produto
Da célula que se partiu pr'amar
– Almas gémeas plurissemelhantes,
Siamesas separadas mas amantes... –
E, assim, duplicada, cria afeto
Gera aí a sua própria geração,
Eleva sua estirpe a outro teto
Onde o incondicional é condição.

Nada escolho sem que ela o dite
Qu'ela quer com crer de fada e de mulher
E afirma de forma que acredite
Polvilhando com pétalas de bem-me-quer
Penteados aos dias maravilhosos...

A poesia é uma fada cujos cabelos
São versos de seda duma cor qualquer,
Que dançam singelos porém luminosos
Enternecendo olhares, dias, novelos
Que se desfiam tecendo horas à mulher.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.21.2019

CHUVA LACRIMAL


   


CHUVA LACRIMAL


Ponh'os lábios na brisa da tarde
Que afagou teu cabelo preso
Pra beijar o silêncio que arde
Caiado d'azul celeste, ileso.
E, assim retido, posto a sonhar
Deixo a alma ganhar seu peso
Pra com ela pousar os pés na terra,
Fluir d'água que nuvem encerra
Mas que o sol impede de gotejar.

Tal sou eu, quando passas perto
E, sequioso como um deserto,
Não permites sequer contigo falar!

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue