5.12.2017

VEJO-TE ENTRE BÁTEGAS




TE VEJO ENTRE BÁTEGAS

Desço pelo meio da tarde
Por negras pedras gretadas
Onde a saudade me arde
Em quadras incendiadas
Dessa luz, entre sombras, nua
Pisada pela memória
Se, letra a letra, quase crua
Copia de nós sua história
E nos devolve esse elixir
Cujo suco é tempo puro, 
Mel coado n'areia do porvir
Cruzado em ponto seguro
Plas costuras da água caída, 
Como intervalos num muro 
Que são as seteias da vida. 

Joaquim Maria Castanho

5.10.2017

MURMÚRIO VENEZIANO...




MURMÚRIO VENEZIANO… 

Nada é tão linear como parece
Nem sombras repetem realidade, 
Que quanto há humano merece
Ser observado na profundidade, 
Não das almas, mas do significado; 
Sequer sentir é apenas demonstrar
O que se pensa se, pois, quem sente
Anda com isso, assim, estampado
Nas atitudes, caprichos, ou cuidar
Agir igual plo que é diferente. 
Porque tão-só, pura e simplesmente
Ser profundo bebe-se do passado
Que não passou, pra retornar a viver, 
Ser futuro, sem ter sido presente.


Portalegre, Café José Régio, 10.05.2017

Joaquim Maria castanho

5.07.2017

DILUIR LUMINOSO




LUMINOSO DILUIR 

Naquela bifurcação
Com que o corpo toca o chão
Deponho meu beijo de veludo
Imaculado, e o mundo fica mudo
Esquecendo da rosa o pranto
Ante o júbilo divinal
De teu sorriso, de teu manto
Sobre o diáfano ideal.

É sempre ele quem me guia
Entre as estrelas e cometas
Pelas filigranas do dia, 
Perpendiculares como setas
De um Cupido irrequieto
Se nos ocasos de magia
Eu te puxo pra mais perto… 

E nesse efeito tão manso
Que na semente só a luz tem, 
Penetro a imensidão e avanço
Bit a bit, traço a traço,
Com o que sou, penso e faço 
Como se fosse ninguém.

Joaquim Maria Castanho

5.06.2017

FALAR NÃO É COLAR RÓTULOS (NOS DEMAIS)




FALAR NÃO É COLAR RÓTULOS
 (AOS DEMAIS)

1.
A cobaia, no reduzido reduto
Redoma, escritório, cela, toca
Reduz-se até ser outro produto
De compra/venda, empréstimo, troca;
Já ouviu dizer que a sua raça
Tivera outrora o costume de falar
Pra discutir a utilidade dos sons
Prà'nalisar os motivos a discutir
Prà'valiar mercados, cota em praça
Pra conduzir fiéis entre maus e bons
Para produzir distrações e bem-estar
Se ouvir a si mesma e demais ouvir…
– Foi aí que a coisa tremeu, talvez: 
Perdeu razão no dia-a-dia e mês a mês, 
Ano a ano, vida a vida… e até morreu. 

E ora supõe-se que nunca aconteceu! 

2.
A voz não é uma arma de arremesso
Nem a fala serve só para atacar
Ou pra defender, "gritar" o excesso
Náusea, resto, do sentir e do pensar; 
Não é nenhum instrumento do avesso
Contrário ao humano uso de criar, 
De ligar o vário e avulso a seu par
De partilhar, conviver e ser começo
De tudo que não é apenas fim; e isso
É já um terço dos atos e compromisso
Que após ser muito bem combinado
É então cumprido por qualquer lado
– Vértices questionáveis em discussão
Prontos ao remate final do sim ou não. 

Joaquim Maria Castanho

5.05.2017

O CONTRÁRIO DA MORTE




AO CONTRÁRIO DA MORTE

Buzinam isto, aquilo
Dizem pra fazer assado
Cozido, frito, e dar asilo
Ao doce coração aflito
Por 'tar assim acossado
Causador d'algum atrito
Além desse que é nascer
Ser gentio e querer dizer
Ao que veio, ao que está
Mesmo que não esteja aqui
Esteja até noutra parte, 
De ilusão em ilusão vá
Plantar acolá, acoli
Algo parecido com arte. 

Mas esquecem os projetos
Vontades esclarecidas
Que pintam nos velhos tetos
Das Sistinas carcomidas
Novos grafites e afetos
Entre chegadas e partidas; 
Que irrompem sem esperar
Como dum clique qualquer, 
Estalido que pel'olhar
Se tornou big-bang profundo
Nessa espécie de mar –
E lágrima com te inundo
Ao ser apenas quem te quer
Sem querer nada do mundo. 

Que à vida não importam
As cruéis minudências
Que nos prendem e nos atam
Ao agora das tendências; 
Como representar pra ser
Que faz das aparências, 
Coisa já de si contrária
Aos credos, como às razões, 
Que ela evolui por vária
Reformando as tradições
Do vulgar e ordinário
Para pulsar nos corações… 

– Ser da morte o contrário!

Joaquim Maria Castanho

5.04.2017

O GIZAR DA LUA




O GIZAR DA LUA 

Arina, A Deus sempre eterna
Mentora do bem, do prazer e da jus, 
Podia entrar no mar mas vai pla berma
Arredondando-o no ser com sua luz. 
O ocaso, é tão-só porta do fundo, 
E nas casas, se diz, de serventia;
Porém, sua morada é nosso mundo
E d'onde sai ao fim de cada dia…

Para onde irá? Terá amantes? 
Ninguém sabe… Ou, sabendo-o, não o diz. 
Que onde ela vai, já ia muito antes
E a lua não fala… Só escreve a giz! 

Joaquim Maria Castanho

MARKETING OU QUALIDADE?




MARKETING OU QUALIDADE?

Já não há soluções definitivas
Prò que esporádico acontece
Pouco é o desejo e expetativas
Além das estatísticas se desce
À realidade pura e dura
À coisa vida sem os enfeites
Dessa nuance, grande urdidura
Com que o homo sapiens teceu
Os paraísos, infernos, deleites
E declarou ser o Planeta só seu… 
A atualidade é um detalhe
Fruto direto mas circunstancial, 
Com que a lógica do crer atalhe
Pròs desvios ao que é essencial. 

Joaquim Maria Castanho

5.03.2017

DAS FAMÍLIAS, O SORRISO É A MARCA




A MARCA DAS FAMÍLIAS 

Plo chão me aliso, desmedido
No texto, perdido; porém, viso
À esquina do riscado friso
Sob o azul, cruzado, vertido
Em espelho de mão pra navegar, 
Enquanto já a luz incidia
Sobre folhas (de figueira) ralas –
Os cachos pendentes a balançar
Solfejo de ondas plas escalas
Da tua passada, que me dizia
(Determinada pla direção tida
Como quem irá ganhar seu dia, 
Fazer pla sorte, fazer pla vida) 
Que ver-te vai além da poesia
Em significado e sentimento, 
Exalando nela essa alegria
Do sentir que se fazia alento, 
Por ser matriz de uma jornada
Marca registada do momento. 

Que o mundo, seja lá o que for!, 
Reflexo de um conto, ou teoria, 
A circular cúmplice, ou isento,
Só é real se estiver da cor
E tonalidade do teu «B :) m dia!»

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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