10.16.2017

VAGÕES DE SÍLABAS




TREM DE SÍLABAS 

Chovem-me na alma solfejos outonais
Pla clave desses sorrisos já quase ditos,
Com que os sonhos se investem vestais
Ninfas, deusas, musas, estrelas e mitos
À beira do comboio em metálicos cestos
Feitos da rede e trama dos meus textos… 

Joaquim Maria Castanho

10.02.2017

PRIMAVERA OUTUNAL





OUTUBRO PRIMAVERIL…

T'eclipsaste na dúbia tarde
Resguardo de Afrodite caído
O marmóreo ombro, destemido
Cruzando o tempo sem alarde
No espaço dum quando se solta

– E eu rogo-te… «Volta!»

Porém, ficaste tão-só de perfil
Que o sol em verbo s'espraiou, 
Ficou perdido, esquecido
E entre o anil celeste voou
Na peugada dum outro abril
Que, afinal, nunca chegou!

Joaquim Maria Castanho

9.27.2017

Encontro em Itália, de Liliana Lavado




"Afinal, ainda restava alguma coisa em comum entre ele e Sara: os livros." 
in LILIANA LAVADO
ENCONTRO EM ITÁLIA
(Página 138)

9.17.2017

ESTE ADORAR-TE TANTO




ESTE ADORAR-TE TANTO

Entre as paredes de fazer pela vida
Onde te emparedas, e solidária 
Fazes só com o teu estar nesta lida
Parecer qualquer sílaba tão vária… 
Que apenas tua é a rima
E mais qu'ela também eu, 
Pois ao ver-te cada dia
Tal qual as lá de cima
Iluminas a poesia 
– És caminho, e sol meu.

Os gestos despachados, meiga magia
Do olhar, onde as estrelas têm morada
Refletem as odes que saram a poesia
Dessa melancolia de lua, se adiada… 
Porque só tu lhe dás brilho
Lhe emprestas o tal encanto
Que ilumina todo o trilho
Dos que adoram sem pranto, 
E que trilham se partilho
Este adorar-te tanto!  

Joaquim Maria Castanho

8.25.2017

A TULIPA perlada




TULIPA PERLADA 


Passo a passo até expirar
O caminho se desenrola
Desde creche, desde escola, 
Com o destino já marcado
Pra essa cova retangular
Onde a terra se renova
Vendo renovado navegar; 
Outra corrida contra o tempo, 
Tal desfilada de sorraias
Que inventaram sol e vento
Que agita panos e saias
Maias que afloram o mundo
Lhe dão a cor, vivacidade, 
Dessas rimas com que inundo
As ruas da minha cidade. 



Grito libertado, granito
A soltar-se para os cumes, 
Que é ond’o corpo, aflito
Ard’em mais sublimes lumes. 

in JOAQUIM MARIA CASTANHO
REDESENHAR A VOZ, pág. XIV

7.15.2017

FAZER HOJE




C - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z 

FAZER HOJE

Minha flor de pétalas tantas
Com insistência me promete
Em preces, em beijos, em mantras
Qual voz de nós na casa sete… 
Sete estrelas que clareiam; 
Sete pétalas pra um leque; 
Sete sílabas que penteiam
As escamas ao alfaqueque. 
Mas só por oito serem ora
Querem ser mais, não são frete: 
Querem a flor que se repete, 
Ter ontem no amanhã… – agora! 

Joaquim Castanho

7.14.2017

B- CADA CÊNTIMO - POEMAS POLÍTICOS de A a Z




B - POEMAS POLÍTICOS de A a Z 

Cada cêntimo é uma gota de suor
Naco de nação, migalha de povo
Às vezes lágrima de trabalhador
Lágrima de trabalhadora, lição
Caída da construção dum país novo… 
Desperdiçá-lo, é negar-nos razão; 
Perdê-lo, apoucar-lhe o esforço; 
Cobiçá-lo, julgá-lo por cada pão
Que come, e traduzir por alvoroço
Suas conquistas, palavras, condição. 

Cada cêntimo é um grão de trigo
Ajuda viva pra matar fomes
Que se acendem, pondo em perigo
Milhões de mulheres, crianças, homens
Todos, todas, deveras essenciais, 
Pelo que atirar fora os "tostões" 
É desperdiçar balas, ou munições 
Na guerra de querermos ser iguais. 

Joaquim Castanho

7.12.2017




ECOS DE JULHO 

Já mergulhando nesse mar
Como um cubo gelado
Que se derrete no dia
Diluído, a soletrar
Fios de cabelo dourado
Conforme laço de poesia
Que mais solta do que ata, 
Ouço ecos em melodia… 

Por quem será? Por mim não é. 
Por ti, por ti e por ti também não. 
Nem por qualquer Tonho ou Zé. 
Nem é por quem nos descarta
E desagrega na condição… 
E que dizem? 
– PA-RA-BÉNS MAR-TA – 
Ora… então, já sei por quem são! 

Joaquim Maria Castanho

7.09.2017

POEMAS POLÍTICOS de A a Z - A




A - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z

Jamais portas que nos dividam
Jamais distância A Deus
Que já os olhos teus despertam
Mais que infinitos nos meus. 
Hei de dizê-los mudo, calado
Gritá-los pra lá do presente, 
Ainda que do diferente lado
E mostrando inversos à gente
Nas costuras, trocos mesquinhos
Misérias ou raios de Zeus
Que lavram as florestas e ninhos
Com labaredas avaras de eus!

Joaquim Castanho 

7.08.2017




RAZÃO TOTAL

A minha alma levantou voo
E nega-se agora a pousar; 
Diz que quer ser o que sou…
Não sinto força prà contrariar!
Quando me culpa, eu perdoo. 
Se me crítica, dou-lhe atenção. 
E às vezes, até finjo que vou 
Considerá-la só meia razão…

Mas mal te vejo, logo desisto; 
É qu'ela quer à força ser beijo, 
E eu… eu sem ela não existo! 

Joaquim Maria Castanho 

7.07.2017

ERRÂNCIA FIXA




ERRÂNCIA FIXA

Por esta redoma nos digo, 
Nesta cápsula navegamos; 
O sonho navega contigo
Contigo vou, e voamos. 

Temos a imensidão do breu 
Sabemos a cor da terra, 
Que o amor somos tu e eu
Neste errar que não erra.  

Joaquim Maria Castanho

7.02.2017

MELODIA ENCANTADA




MELODIA ENCANTADA 

O dia das quatro estações
Decorreu hoje sem inverno, 
E o arco-íris das pulsações
Pintou-o ameno, moderno
Pra pacificar os corações
Escalou penhascos, penedos; 
Viajou por oásis e desertos; 
Voou sobre mares e silvedos;
E escoou-se entre os dedos
Palma com palma bem abertos
À desfilada, plo espaço… 
Mas levaste-me na garupa
Prà apagar da alma o traço, 
Vinco do receio e da culpa, 
Pondo pureza no que faço
Dando o cunho da poesia
A cada hora que expira
Com hinos em harpa e lira
Pra ouvir arco-íris no dia.  

Joaquim Maria Castanho

7.01.2017

RESSUSCITADO EGO




EGO RESSUSCITADO 

Amarro-me ao teu rosto
Pra fitar o infinito
Sob vendaval de desgosto, 
Sob o tsunami do grito… 

E bem lá do fundo do céu
– Imensidão e distância –, 
Ergueu-se deste eu incréu
Essa fé que nunca morreu
Nem perdeu a infância. 

Joaquim Maria Castanho

6.27.2017

A POESIA, ESSA INVENÇÃO




A POESIA, ESSA INVENÇÃO

Retardo o passo pra que passes
Cruzes portal pró desconhecido, 
Que faças o que só tu fazes
Dites a rota, dês sentido
Aos caminhos que te celebram
–  Aos poemas que te inventam!

Joaquim Maria Castanho 

6.25.2017

SILVO COLORIDO





SILVO DE COLORIDA LUZ 


Só quando te não vejo 
Posso refugiar-me em ti, 
Dizer que penso, que sinto
Que anseio, que desejo
Como foi o dia que vivi
Sem viver, se dele pinto
O esgar sonhado e ali
Refugiado atento
Mais caminho de pronto
Com os poemas que avento
À Sol num cruel rodopio
Pelas fisgas do assobio
Que sufi me deixa tonto… 

Joaquim Maria Castanho

6.23.2017

LEVEZA INTEMPORAL DA ROCHA




LEVEZA INTEMPORAL DA ROCHA

Me deponho ante ti
Num desígnio de então, 
Que no descruzar já li
Na pele a imensidão

Calada, 
                de granito
Como uma pedrada 
Acua tempo proscrito!

Joaquim Maria Castanho

6.16.2017

(RE)GANHAR A PASSADA

  


(RE)GANHAR A PASSADA 

Plo óculo do infinito
Na descoberta incolor
Sonhos travam, e o atrito
Se refaz próprio propor 
E propósitos propõem
As singelas alegrias
Que pouco a pouco compõem 
Pegadas pra pegar os dias… 

Então, o verbo floresce
Pelas pétalas completo
No beijo que não esquece 
Carinhos d'avó e neto.

Joaquim Maria Castanho 

6.02.2017

Excerto de NOTA a OS SIMPLES, de Guerra Junqueiro




“Quis mentalmente viver a vida singela e primitiva de boas e santas criaturas, que atravessavam um mundo de misérias e injustiças, de vícios e de crimes, de fomes e de tormentos, sem um olhar de maldição para a natureza, sem uma palavra de queixume para o destino. E então encarnei, por assim dizer, no pastor grandioso e asceta, na moleirinha octogenária e sorridente, no cavador trágico, nos mendigos bíblicos, na mansidão dos bois arroteando os campos e nas labaredas de oiro do castanheiro, aquecendo a velhice, alegrando a infância, iluminando a choupana. E, depois de uma existência de sacrifício e pureza, de abnegação e bondade, deitei esses ingénuos e pobres aldeões na terra misericordiosa e florida do campo santo, pondo-lhes por cima das sepulturas rasas o Céu maravilhoso e cândido, que em vida sonharam e desejaram. 
É claro que essas figuras não são inteiramente reais, da realidade estrita, efémera e tangível. Criei-as, ou antes, completei-as com a minha alma, com o meu próprio ideal.” 

14 de Maio de 1892

Guerra Junqueiro  - Excerto da NOTA à edição de OS SIMPLES

6.01.2017

DÁDIVA

  


A DÁDIVA 

Olho lá pra fora
Através de teu olhar, 
E de como ele se demora
Sem saber que esperar… 

Luz sobre azul celeste
Dum sorriso que me deste! 

Joaquim Maria Castanho

5.30.2017

SOMBRAS CARDINALES




AS SOMBRAS CARDINALES

A sombra de Cláudia é
Bem mais velha que ela; 
Está dobrada sobre si. 
Alguém que perdeu a fé
Soprou a própria vela
Se esqueceu de ser, ali
Longe de quem vimos… e eu vi. 

– E como era bela! 

Joaquim Maria Castanho

5.28.2017

SERENO DEGUSTAR




SERENO E SILENCIOSO DEGUSTAR

Almoço devagar. 
Acrescento-m'assim
Só pelo paladar
A olhar o alecrim
Nas bermas do jardim
Ond'olhos resvalam
Nesse tanto sentir
Por ver-te a sorrir… 

– Que até o calam! 

Joaquim Maria Castanho

5.25.2017

ISCO VOADOR




O ISCO VOADOR

Pousou exatamente ali... 
Quase de propósito, pra que a visse... 
E eu vi! 
Callei, callei, calei
Segurei, 
E só agora o disse. 

Joaquim Maria Castanho 

MINHA PRIMA, PARABÉNS




PARABÉNS Clara, minha prima
Neste dia de felicidade. 
Que cavalgues por ele acima
Até aos oásis da idade, 
Sem as ciladas nem azares
Sem atropelos nem mau clima, 
E companhia que desejares 
– Sejam família como pares! 

Joaquim Maria Castanho

5.12.2017

VEJO-TE ENTRE BÁTEGAS




TE VEJO ENTRE BÁTEGAS

Desço pelo meio da tarde
Por negras pedras gretadas
Onde a saudade me arde
Em quadras incendiadas
Dessa luz, entre sombras, nua
Pisada pela memória
Se, letra a letra, quase crua
Copia de nós sua história
E nos devolve esse elixir
Cujo suco é tempo puro, 
Mel coado n'areia do porvir
Cruzado em ponto seguro
Plas costuras da água caída, 
Como intervalos num muro 
Que são as seteias da vida. 

Joaquim Maria Castanho

5.10.2017

MURMÚRIO VENEZIANO...




MURMÚRIO VENEZIANO… 

Nada é tão linear como parece
Nem sombras repetem realidade, 
Que quanto há humano merece
Ser observado na profundidade, 
Não das almas, mas do significado; 
Sequer sentir é apenas demonstrar
O que se pensa se, pois, quem sente
Anda com isso, assim, estampado
Nas atitudes, caprichos, ou cuidar
Agir igual plo que é diferente. 
Porque tão-só, pura e simplesmente
Ser profundo bebe-se do passado
Que não passou, pra retornar a viver, 
Ser futuro, sem ter sido presente.


Portalegre, Café José Régio, 10.05.2017

Joaquim Maria castanho

5.07.2017

DILUIR LUMINOSO




LUMINOSO DILUIR 

Naquela bifurcação
Com que o corpo toca o chão
Deponho meu beijo de veludo
Imaculado, e o mundo fica mudo
Esquecendo da rosa o pranto
Ante o júbilo divinal
De teu sorriso, de teu manto
Sobre o diáfano ideal.

É sempre ele quem me guia
Entre as estrelas e cometas
Pelas filigranas do dia, 
Perpendiculares como setas
De um Cupido irrequieto
Se nos ocasos de magia
Eu te puxo pra mais perto… 

E nesse efeito tão manso
Que na semente só a luz tem, 
Penetro a imensidão e avanço
Bit a bit, traço a traço,
Com o que sou, penso e faço 
Como se fosse ninguém.

Joaquim Maria Castanho

5.06.2017

FALAR NÃO É COLAR RÓTULOS (NOS DEMAIS)




FALAR NÃO É COLAR RÓTULOS
 (AOS DEMAIS)

1.
A cobaia, no reduzido reduto
Redoma, escritório, cela, toca
Reduz-se até ser outro produto
De compra/venda, empréstimo, troca;
Já ouviu dizer que a sua raça
Tivera outrora o costume de falar
Pra discutir a utilidade dos sons
Prà'nalisar os motivos a discutir
Prà'valiar mercados, cota em praça
Pra conduzir fiéis entre maus e bons
Para produzir distrações e bem-estar
Se ouvir a si mesma e demais ouvir…
– Foi aí que a coisa tremeu, talvez: 
Perdeu razão no dia-a-dia e mês a mês, 
Ano a ano, vida a vida… e até morreu. 

E ora supõe-se que nunca aconteceu! 

2.
A voz não é uma arma de arremesso
Nem a fala serve só para atacar
Ou pra defender, "gritar" o excesso
Náusea, resto, do sentir e do pensar; 
Não é nenhum instrumento do avesso
Contrário ao humano uso de criar, 
De ligar o vário e avulso a seu par
De partilhar, conviver e ser começo
De tudo que não é apenas fim; e isso
É já um terço dos atos e compromisso
Que após ser muito bem combinado
É então cumprido por qualquer lado
– Vértices questionáveis em discussão
Prontos ao remate final do sim ou não. 

Joaquim Maria Castanho

5.05.2017

O CONTRÁRIO DA MORTE




AO CONTRÁRIO DA MORTE

Buzinam isto, aquilo
Dizem pra fazer assado
Cozido, frito, e dar asilo
Ao doce coração aflito
Por 'tar assim acossado
Causador d'algum atrito
Além desse que é nascer
Ser gentio e querer dizer
Ao que veio, ao que está
Mesmo que não esteja aqui
Esteja até noutra parte, 
De ilusão em ilusão vá
Plantar acolá, acoli
Algo parecido com arte. 

Mas esquecem os projetos
Vontades esclarecidas
Que pintam nos velhos tetos
Das Sistinas carcomidas
Novos grafites e afetos
Entre chegadas e partidas; 
Que irrompem sem esperar
Como dum clique qualquer, 
Estalido que pel'olhar
Se tornou big-bang profundo
Nessa espécie de mar –
E lágrima com te inundo
Ao ser apenas quem te quer
Sem querer nada do mundo. 

Que à vida não importam
As cruéis minudências
Que nos prendem e nos atam
Ao agora das tendências; 
Como representar pra ser
Que faz das aparências, 
Coisa já de si contrária
Aos credos, como às razões, 
Que ela evolui por vária
Reformando as tradições
Do vulgar e ordinário
Para pulsar nos corações… 

– Ser da morte o contrário!

Joaquim Maria Castanho

5.04.2017

O GIZAR DA LUA




O GIZAR DA LUA 

Arina, A Deus sempre eterna
Mentora do bem, do prazer e da jus, 
Podia entrar no mar mas vai pla berma
Arredondando-o no ser com sua luz. 
O ocaso, é tão-só porta do fundo, 
E nas casas, se diz, de serventia;
Porém, sua morada é nosso mundo
E d'onde sai ao fim de cada dia…

Para onde irá? Terá amantes? 
Ninguém sabe… Ou, sabendo-o, não o diz. 
Que onde ela vai, já ia muito antes
E a lua não fala… Só escreve a giz! 

Joaquim Maria Castanho

MARKETING OU QUALIDADE?




MARKETING OU QUALIDADE?

Já não há soluções definitivas
Prò que esporádico acontece
Pouco é o desejo e expetativas
Além das estatísticas se desce
À realidade pura e dura
À coisa vida sem os enfeites
Dessa nuance, grande urdidura
Com que o homo sapiens teceu
Os paraísos, infernos, deleites
E declarou ser o Planeta só seu… 
A atualidade é um detalhe
Fruto direto mas circunstancial, 
Com que a lógica do crer atalhe
Pròs desvios ao que é essencial. 

Joaquim Maria Castanho

5.03.2017

DAS FAMÍLIAS, O SORRISO É A MARCA




A MARCA DAS FAMÍLIAS 

Plo chão me aliso, desmedido
No texto, perdido; porém, viso
À esquina do riscado friso
Sob o azul, cruzado, vertido
Em espelho de mão pra navegar, 
Enquanto já a luz incidia
Sobre folhas (de figueira) ralas –
Os cachos pendentes a balançar
Solfejo de ondas plas escalas
Da tua passada, que me dizia
(Determinada pla direção tida
Como quem irá ganhar seu dia, 
Fazer pla sorte, fazer pla vida) 
Que ver-te vai além da poesia
Em significado e sentimento, 
Exalando nela essa alegria
Do sentir que se fazia alento, 
Por ser matriz de uma jornada
Marca registada do momento. 

Que o mundo, seja lá o que for!, 
Reflexo de um conto, ou teoria, 
A circular cúmplice, ou isento,
Só é real se estiver da cor
E tonalidade do teu «B :) m dia!»

Joaquim Maria Castanho

5.02.2017

FAZER O TEMPO




FAZER... O ...TEMPO

Pra que sejamos o etc. & tal
Dos três pontos entre o bem… e o mal, 
Ainda que o rio corra agitado
Temos que avançar prò outro lado; 
Que só lá, naquela avistada margem
Nossos sonhos deixam de ser miragem
E passam a fazer parte integrante, 
Qual ritmo e batida, desse pulsar
Que é nuclear a cada instante. 
Que o tempo também tem um coração
Seu órgão vital, modelo ou matriz, 
E se dou a volta ao quarteirão
Para te ver, mas falho por um triz
Foi porqu'ele quis e não quis, e em vão
Vi e não vi, que seu ser fui eu que o fiz. 

Joaquim Maria Castanho 

5.01.2017

ROMANCE COM SEREIA À BEIRA-RIO




ROMANCE COM SEREIA À BEIRA-RIO

Adivinho-te ainda do outro lado
Mas já defesa me caiu e espero,
Sem que pela ânsia desesperado
Expetativa esconda o que quero,
Que águas correntes são cadeado
Quando coração bate por sincero
E silêncio não significa cuidado
Se calado espero – e até acelero
O tempo pra que surjas imediata, 
Sorriso tão à flor dos olhos, assim, 
Que do respirar então me escapa 
O barco das viagens aonde se ata
O corpo s'o desejo quer e destapa
Pra beijá-lo poro a poro e sem fim.

Joaquim Maria Castanho

4.30.2017

PARABÉNS GUILHAS




PARABÉNS, GUILHAS

Parabéns Guilhas, campeão
Formado e em formatura
Que nos dá por ora a lição
– Tranquilidade segura
Que persegue suas metas
Entre curvas, sobre retas
Até ao destino final –
De pôr o ponto assente
No ser e estar consciente
Da verdade ambiental
E equilíbrio social
Que se requer sustentável
Além de gerar o "ar" puro
Harmonia e ser seguro
Pró bem-estar, e agradável
Na construção do futuro
E pla eternidade sem fim… 

Eis os votos do teu tio 
                       Quim

4.28.2017

DEScomPARECIDO E GENTIO




GENTIO E DEScomPARECido 

Já sob sombras me navego
Enquanto o sol declina
Por detrás dessa cortina
Folhas dançam, e eu cego
Chego a adorar Arina
Não por ser A Deus que é
Mas falho de bárbara fé
Um atalho m'ilumina –
Sangue ao corpo ensina
O arrebatar tão eficaz
Qu'até de mim sou contumaz. 

Logo, descomparecido
Nesse juízo pertinente
De intentar ser ouvido
Com'os demais, na gente. 

Joaquim Maria Castanho

NASCENTE OCIDENTAL




NASCENTE OCIDENTAL 

Lancei a minha mão ao horizonte
Para ver onde iria parar, cair… 
Aflorou tuas faces, tua fronte
Só pla esperança de te ver sorrir. 

Também o sol foi na mesma direção, 
Tomou caminho para os teus lados; 
Foi em busca, perseguindo minha mão
Por ter inveja dos meus cuidados.
Que esse astro sabe, se quer brilhar, 
Que tem de ter razões, causa de jeito, 
Tal e qual é para mim o teu olhar
Quando o verbo me pulsa no peito. 

Lancei a minha mão ao horizonte
Apenas pra ver o que de lá trazia… 
Trouxe sede e saudade dessa fonte
Que são teus olhos, na minha poesia. 

Joaquim Maria Castanho

4.27.2017

UM CHÁ COM AROMA DE ISTAMBUL




AROMA DE ISTAMBUL

E a bela samaritana
Deu ao estrangeiro
A beber essa tisana
Do olhar, primeiro…

E a saudade chama
A flama de seu chá
Já apenas plo cheiro!

Joaquim Maria Castanho

4.26.2017

NEGAÇÃO DA SANIDADE




NEGAÇÃO DA SANIDADE

Já não temo a solidão
Nem receio morrer sequer, 
Pois meu medo é teu não
E não outro não qualquer… 

Supus, por deixar de te ver
Ser capaz d'esquecer também
O teu sorriso, a tua voz
Sem igual a mais ninguém, 
Mas ora fiquei a saber
Que não há forma de perder
Quem está vincado em nós, 
Quem ouvimos no caminho
(Micro-eco sem entrave
Nas ondas do vento suave)
Que fazemos para fugir
(Mas saudade agrave…), 
Estrela em que m'aninho
Insiste ser a casa cinco
Sublinhado sulco, vinco
Por favor não digas não
Outra vez, que de morrido
Ficarei vivo, mas ficção
Personagem sem coração, 
Tão rendido, tão sofrido
Que prà vida 'tou perdido… 
– Da sanidade negação! 

Não temo ser descoberto
Nem me saberem cativo, 
Mas tão-só não ter-te perto
Cada segundo que vivo.

Joaquim Maria Castanho

4.25.2017

TRANSPARENTE É O ABRAÇO




ABRAÇO TRANSPARENTE

Mergulho em tuas águas
E sou o cristal de um jardim, 
Sem orgulho e sem tréguas
De ser em ti, como tu em mim
Já na ribeira dissolvente
Pla liquidez da sofreguidão: 
No abraço pleno a semente
Gera socalcos no coração, 
Janelas por cima deste rio
Que agita as profundidades
Mata sedes, corrói o frio
Planta vides nas saudades, 
Essas mais que uma, duas
Três, mil que sejam por segundo
Que, cópia de ti, serão luas
Cópias da lua qu'é A sol do mundo. 


Mergulho na água que tu és
Soluto de soletrar paixões, 
Que dá a volta mundo sem pés
Nem julgar o ser plas ilusões. 

Joaquim Maria Castanho

ABRAÇO TRANSPARENTE




ABRAÇO TRANSPARENTE

Mergulho em tuas águas
E sou o cristal de um jardim, 
Sem orgulho e sem tréguas
De ser em ti, como tu em mim
Já na ribeira dissolvente
Pla liquidez da sofreguidão: 
No abraço pleno a semente
Gera socalcos no coração, 
Janelas por cima deste rio
Que agita as profundidades
Mata sedes, corrói o frio
Planta vides nas saudades, 
Essas mais que uma, duas
Três, mil que sejam por segundo
Que, cópia de ti, serão luas
Cópias da lua qu'é A sol do mundo. 


Mergulho na água que tu és
Soluto de soletrar paixões, 
Que dá a volta mundo sem pés
Nem julgar o ser plas ilusões. 

Joaquim Maria Castanho

4.24.2017

COM AS FOLHAS SOLTAS DO SENTIDO




COM AS FOLHAS SOLTAS DO SENTIDO

A dúvida me desfolha, tortura
E dilacera, que chego a delirar
Às doídas fronteiras da loucura, 
E aí te guardo pra lá do guardar. 

Não só teu rosto, mas também a voz
Perduram em mim, marcam o dia, 
Desatam e desenleiam estes nós
Com que alma à mágoa se prendia… 
Doía não te ver, com o doer atroz
Que fomenta essa melancolia, 
Que isola e ata, me deixa a sós,
E bloqueia o crer, que já descria
Sentir o quanto à vida se alia 
A si mesma e segreda existir,
Ou diz calada que sem ti é nada
Como igualmente eu nada sou, 
Ínfimo ponto sem ser nem porvir
Gota que seca no pó da estrada
Tão longe da água que a gerou
Que é lágrima de sangue morto, 
Coalho no soalho podre e torto
Do chão irregular, chão contorcido
Moída incerteza sobre teu querer,
Expetativa, papel atribuído 
Ao sentir que de mim sabes ter,
Que não sabê-lo me tira o sentido
Se dilacerado meu ser na espera
Corrói o ânimo já tão corroído
Que até o respirar me dilacera…


Tão amargurado, na incerteza
Que é a dor onde fora gerado, 
Que se fora flor de rara beleza
Havia de ter pétalas de cuidado
E dúvida, que me traz desfolhado.

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue