9.14.2016

A TUA AUSÊNCIA




A TUA AUSÊNCIA 

É como se a poesia nos tivesse morrido
De uma síncope qualquer, 
E a palavra, o verbo assim suprimido
Caísse ao túmulo abatido
Sem conseguir chorar, sequer…

Como se o vento vergastasse seu choro
Pelo chão sujo de palha ressequida, 
Para despir as árvores, sem decoro, 
Das verdes folhas que lhe foram vida. 

É como se nos doesse o doer, até 
Não haver hoje, nem amanhã, 
Noites, dias, imagens, nota, rodapé; 
E os poemas sangrassem sem fé, 
E numa esperança vã. 

Como se a voz ácida corroesse
A alma no seu íntimo mais puro, 
E o mundo todo inteiro tremesse
Nos picos de um gráfico (inseguro). 

É como se perdêssemos o nosso ser
Minuto a minuto esvaído, 
E nos doesse pelo próprio dizer
Até ver o não-ver por temer
Ser o perder-se esquecido. 

Joaquim Maria Castanho 

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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