5.30.2018

ROSMANINHO NACIONAL




164. 
ESTE ROSMANINHO NACIONAL 


Snifei rosmaninho… 
Snifei rosmaninho… 

Pla moldura da janela
Bem no meio do caminho
Vejo sonho, o rosto dela
Jeitinho de Cinderela
Meigo lindo sem igual
Todo feito do carinho
Como só há em Portugal. 

Snifei rosmaninho… 
Snifei rosmaninho… 

Mas não misturei alecrim 
Para não meter no ninho
Quaisquer restos de mim
Menos dignos menos leais
Que aos olhos do mundo
Possam sugerir desditas
E coisas essas que tais
Tão fatais parasitas
Qu’iludem o povo plural
Como só há em Portugal.  

Joaquim Maria Castanho

(Nota desnecessária: Planta por cuja ação antiespasmódica e anticancerígena, pode também ser utilizada para dificuldades no sono, problemas de circulação, prevenção de doenças degenerativas e tratamento de enxaqueca. Ou seja, não obstante o valor, ninguém dá nada por ela.)

5.29.2018

LÂNGUIDO VAGUEAR




163. 
LÂNGUIDO VAGUEAR 


Atraso o passo, retardo
Fitando teu voo e crer, 
Nascida espera ardo
Flama que clama a crescer
Mas nada digo, divago
Vagueio, tronco sem rama
Na chama desse enleio
Na calmaria dum lago. 

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ (Página CCXI)
Com foto de Elie Andrade 

5.28.2018

O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ




162. 
O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ 



Quando teu olhar me falta
Eu fico sem jeito; 
Ando à toa e na malta,
E doi-me o peito. 
Sinto as sílabas trocadas… 
Até perco a razão;
Ando onde não há estradas, 
Ardem-m’as solas no chão. 
Era coisa qu’eu não sabia…
Não se aprende fácil; 
Aprende-se no dia a dia, 
Mal o sentir é ágil. 



Comprar ajuda a (a)pagar. 
Não há mal nenhum nisso… 
A eternidade pod’estar 
No nosso compromisso: 
Podemos crescer como um só 
– Tu serás mãe, tu serás avó.  

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.27.2018

BREVIDADE NÃO SEPARA




161.
A BREVIDADE NÃO SEPARA



Quem poderá aproximar-se de ti
Sem te amar é pecado enorme
Que o sonho nunca para nem dorme, 
Faz o seu agora em qualquer aqui. 
Tece enredos onde também teci
Arranja encontros que o conforme
E desce às sombras mais secretas; 
Os teus olhos são mágicas setas
Que fitam na metamorfose a vida
Não quer saber s’é curta ou comprida
Abre sinais já por si abertos
Omite os longes e fá-los pertos
Mas tão perto e tão próximos assim
Tal e qual tu estás hoje em mim.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de ELIE ANDRADE

5.26.2018

REGISTO LAVRADO

160.



REGISTO LAVRADO


Pisa 
Pisa em mim, que eu mereço
Acelera bem na minha dor
Que a palavra, se a exerço
Também fere com amor; 
Visa 
Com aviso, se estremeço
Na côdea tostada, a pele
De tua voz redesenhada
Quase crosta, líquido mel
Que reservo prà madrugada
Em que ficas acesa em mim, 
Ângulos feitos de nada
Para a redondez, enfim
Arestas polidas da paixão
Preto no branco, já assumida 
– Coração qu’abre o coração
E mete lá a chave da vida.

Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Elie Andrade

5.24.2018

AGUACEIRO CÍCLICO




CÍCLICO AGUACEIRO 

E me reergo das nuvens cinzentas
Qual gota transparente, vertical, 
Que lenta cai entr'as demais, lentas
Até ao grande oceano do plural... 

Porém, logo, de pronto, a impressão
Vincada, escorreita, vivaz, febril
Que há nessa água de águas mil
A líquida solidão desfeita
À espreita por se ver primaveril. 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.23.2018

INCONFORMADO LAMENTO




159.
LAMENTO INCONFORMADO


Ela me castigou por algo que não fiz
E pedir-lhe perdão não adiantará, 
Pois até já o seu castigo eu quis 
Mais que às benesses que outrem me dá…
Que tudo na vida me falha por um triz, 
Nada contenta, nada luz, tudo é vão, 
E me arrasto plas horas escrevendo a giz
Nest’alma ardida, condoído coração.

Sofro, só a recordação me ampara.
Só a solidão me escuta, me entende;
Só nela é meu teu rosto, tua cara
Esta chama que só teu olhar acende.
E mais que astros, o céu, a lua
Só uma voz nela me brilha… a tua!

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR  VOZ, página CCVII

5.22.2018

RECORRENTES E REDUNDANTES




(RE)CORRENTES E REDUNDANTES

Nesta redundância, sem ideais
Do querer ganhar o seu tostão, 
Há muitas pessoas, bem normais
Que não sabem a diferença que há
Entre o logo e o já, 
Entre o sim e o não!  

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.21.2018

SOLUÇO




SOLUÇO 

Viver é habitar num lago de escombros, 
Um emergir escorrendo água dos ombros; 
É um sacudir da aspereza e da fadiga
Ainda que me ande a Musa a monte
E não haja nada que diga, 
Não haja nada que conte... 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.18.2018

SONHO TÁCTIL




157.
SONHO TÁCTIL


Quando passas a conduzir 
E, parece, nem sequer me ver, 
Vejo minha esperança a ruir
Sinto o meu coração a doer
No seu inesperado sentir
– Quase abalo ou sismo ser… – 
Onde o chão, a terra a fugir, 
Tem sulcos d’algodão a escorrer
Tem versos de paixão a contrair 
Plo bailado do teu cabelo
(Dlim-dlão, dlão-dlim), qual pêndulo 
Do compasso a marcar-me assim
Num fogo tal, e só por vê-lo, 
Que sonho por tocá-lo, enfim!

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ

5.16.2018

A ALEGRE PASSEATA




PASSEATA ORGULHOSA

Mesmo que a esperança seja turva
E houver insegurança, estagnação, 
Ou se ziguezaguei curva ante curva
Para não patinar num oleoso chão,
Se disser as estrofes, sigo adiante... 
Se a poesia consentir, cuido de ti... 
E entre nós, o futuro, já radiante
Segue-te pelo presente que escolhi. 

Que este navegar sobre os escolhos
Bem para além do longe e do distante,
Traz a alegria escrita em nossos olhos
Quando a vida de confiante... sorri. 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: ELIE ANDRADE)


5.13.2018

ABRAÇO ESSENCIAL II





ABRAÇO ESSENCIAL II

Aposto-m'em cada passo
Na procura do teu olhar, 
Refletido nest'abraço
Que ninguém poderá julgar
Sem deturpar a imagem
Em que a água acredita, 
Exilando-a da margem
Onde bate extasiado,
– Porque em febril cuidado –
O coração que a edita. 

Joaquim Maria Castanho
(C/foto de Elie Andrade)

5.11.2018

DEPOIS DA FALA




DEPOIS DA FALA 



Ondula, baila, baloiça
Oscila um ósculo lunar 
– Digo-o pra que ninguém oiça… – 
Num brinco que me faz baloiçar. 


Qu’isso que a fala aprende
Mal a língua nos pronuncia, 
É um ósculo que nos defende 
Das agruras do dia-a-dia 
Mesmo que não seja tão real
Como o sonhámos tanta vez
É ideal que à vida prende
Quem oscila, balança, porfia; 
Quem baloiça assim todo o mês
Entre o menos bem e o menos-mal. 

Joaquim Maria Castanho

5.08.2018

DO GRITO, a fala




153.DO GRITO, A FALA



Inspiro o que me há de expelir
E anseio na sombra me soletro, 
Mas s’ouvir bater à porta, entro
E abro-a prò sol poder sair, 
Que a vida é fulcro, é centro
Que as pétalas mostram ao abrir, 
Qual grito que não querem calar
Pra erradicar desavença e dor. 


Então, já embevecido raiar 
Vejo-te sorrir num gesto de flor
Que não receia o querer falar… 

– E a língua inventou o amor!

Joaquim Maria Castanho

5.07.2018

O GRITO depois do uivo




DEPOIS DO UIVO, O GRITO   



Para discernir seguro e inteiro
Quem o coração elegeu primeiro
Não há receita já pronta e feita, 
Nem medida tirada com preceito
Que a margem do afeto é estreita
E a atração também cresce no peito… 

Porém, se o verbo jungir surgir, vier
E exigir pouco a pouco ser conjugado
Em todos os tempos e modos que tiver, 
Desço do poema como quem se apeia
Dum uivo, e de propósito se enleia 
Nele, pra poder gritar quanto quiser!

Joaquim Maria Castanho

5.05.2018

5.04.2018

Pois é...




"Adiante, os leitores vão ficar com uma ideia do que mudou durante a revisão, o que, espero, permita permita mostrar que um livro nunca é criado por uma única pessoa. Os livros, tal como a maior parte das minhas coisas favoritas, são feitos de colaborações." 

JOHN GREEN, in À Procura de Alaska

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português