9.25.2003

Da argumentação e estilo desenvolvido por Robert A. Heinlein falaremos mais tarde. Agora e segundo o espírito da nossa leitura o que é preciso é saber como ela está a operar em nós! Como nos faz sentir depois de 20 páginas e como nos preencheu de novas maneiras de experimentar o real... Como opera a FC em nós e porque não temos receio de nos entregarmos a ela de alma aberta? Será que isto acontece por sabermos que de um género menor não advém perigo de influências nefastas ou, por outro lado, nos fechamos por o saber um género menor que não deve ser levado a sério?... Há possibilidade de enquadrarmos as nossas respostas não perdendo o sentido da estranha realidade....
Ainda bem que assim vês esta leitura, Filipa. Realmente eu senti o mesmo acerca de Smith e da sua maneira de grokar, de entender o mundo terreno e, por vezes, se tivesse o poder de assimilar as novidades também o faria de igual jeito. Este é efectivamente um exemplo de como a literatura pode estar viva em nós e de como se revela. Boa continuação. Eu vou agora continuar a leitura dele... Aliás, há uma coisa em mim que resultou desse livro: a careca. É como que uma tentativa de "imitar" o Smith! De identificar-me com ele através da aparência física... A velha questão do hábito e do monge: não é que o primeiro faça o segundo, mas assim que passamos a usar o hábito sentimo-nos mais próximos de ser monges...
Sim, neste momento estou a ler a primeira sugestão literária deste blog- Robert Anson Heinlein com o seu Um estranho numa terra estranha. A literatura de fição científica, em particular, não se pode ler de ânimo leve, mas Heinlein faz, nesta sua obra-prima, com que esse género fique a martelar-nos na cabeça. A história de Smith embrenha-se-nos no pensamento, sendo que Smith torna-se uma companhia no nosso dia-a-dia. Para não ficarmos a pensar sozinhos e reaprendermos sempre... com os marcianos.
post by fribeiro
Por outro lado, as novidades científicas do tempo foram ficando fora do contexto. Avançou-se bastante em diversas áreas do saber, mas esquecemo-nos de evoluir com elas. O homem que gere o conhecimento é o mesmo homem que há muito pouco tempo ainda vivia em cavernas e tinha escassos recursos em matéria de suportes ou criações imaginativas... O efeito moderador religioso era o único veículo acessível na partilha dos conhecimentos profundos do ser humano: a Bíblia executou essa missão durante dois milénios e a maior parte das pessoas do globo ainda se rege pelos seus príncipios...
Estamos em maré de sorte: há muita gente interessada em ler este livro. Poderemos fazer uma sessão da Comunidade de Leitores sobre ele e o autor. Portanto, haja sugestões

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue