11.25.2015

VIVER É PARTILHAR por PAUL ÉLOUARD






(...) 

Viver é partilhar odeio a solidão
A grilheta da morte quer-me reter ainda
Já não beijo ninguém como beijava dantes
O pão era sinal de ser feliz
O bom pão que nos torna mais quente o nosso beijo

Como abrigo possível só há o mundo inteiro
Pra mim viver é hoje responder aos enigmas
É renegar a dor que é cega de nascença
E sempre em pura perda estrela sem qualquer brilho
Viver perde-se para reencontrar os homens

Que a palidez do rio encubra a do arroio
Que olhos de maravilha vejam tudo em seu lugar
A miséria acabada e os olhares lavados
Uma ordem crescendo do grão à flor à árvore
Andaimes vivos a sustentar o mundo

A criança a renascer em cada homem e rindo.

in PAUL ÉLUARD
Poemas Políticos
Prefácio de LOUIS ARAGON
Trad. Carlos Grifo
Col. Forma / Editorial Presença
(Pág. 41)

AOS MEUS CAMARADAS TIPÓGRAFOS por PAUL ÉLUARD




AOS MEUS CAMARADAS TIPÓGRAFOS

Tínhamos o mesmo ofício
Que ajudava a ver na noite
Ver é compreender e agir
É ser ou desaparecer. 

Era precioso acreditar preciso
Crer que está nos homens o poder
De ser livre e de ser melhor
Que o destino que lhe foi imposto

E nós esperávamos a grande primavera
E nós esperávamos uma vida perfeita
E que a claridade se decida
A carregar todo o peso do mundo.

in PAUL ÉLUARD
Poemas Políticos
Prefácio de LOUIS ARAGON
Trad. Carlos Grifo
Col. Forma / Editorial Presença
(Pág. 45)

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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