3.20.2009

Só você não sabe
Só você não vê...


"Tudo pode ser reciclado... Sobretudo as ideias!
Entendemos que o ecologismo é uma nova atitude perante a vida, que nasce da reflexão e da prática de muitos grupos e pessoas, que em todo o mundo se aperceberam que estamos perante uma crise civilizadora, que se torna necessária a definição de caminhos alternativos que valorizem a criatividade individual e colectiva.
A questão cultural é pois fundamental no nosso projecto alternativo de sociedade, estimulando a geração de uma nova ética existencial, que se baseia no respeito pela vida e pela natureza."

Página 115, do Programa do Partido Ecologista "Os Verdes"


Nas vésperas do amanhã é que devemos aviar-nos de quanto iremos precisar durante as viagens, principalmente daquelas feitas no alto mar da modernidade... Ora, como é que um partido incapaz de mudar-se a si mesmo pode outorgar-se ser o arauto da mudança numa sociedade, qualquer e por mais ou menos liberal que ela seja? Que autoridade moral assiste a alguém que exige aos demais fazerem algo que ele próprio não consegue? E isto é, no mínimo, estranho... A não ser que seja um costume típico daqueles que confundem especismo com biodiversidade, quando apostam no cultivo de um género alimentício em detrimento de todos os outros, e que julgando fazerem-no para se salvarem, estão, afinal, não a arrotear o chão do seu futuro, mas a escavar a própria sepultura, a insustentabilidade e o descrédito político. Pelo que não carece de grande golpe de vista nem de suma sapiência, arreigado prognóstico ou atreito sortilégio, a compreensão generalizada deste facto. A monocultura já arrastou para a falência quase todas as unidades de produção que a elegeram como receita estratégica ou mesinha para o défice no balanço, e as que ainda não faliram andam a braços com a dívida que esta crise nunca lhes ajudará a pagar, onde até as colectividades de sucesso eleitoral têm dificuldades de afirmação. Porque nesse caldo pantanoso, propício à rizicultura, não passa mesmo esta, de um rípio sócio-económico de ínfima influência e qualidade no avaliar das contas eleitorais, no contar dos votos a que a análise política não traga mais que o esboço de um sorriso, senão uma gargalhada de escárnio.
Aliás, de pouca monta serão essas questões do número, além de muito menos credíveis as votações de cartão no ar, boletim de voto onde só se pode votar SIM, textos de moção de acção global enviados em cima da hora de abertura do seu debate, pois em Aljubarrota os espanhóis também eram muitos mais do que os portugueses, todavia isso por si só não lhes trouxe nenhuma razão e muito menos lhes deu a vitória. Porque nós vencemos, repusemos a nacionalidade dentro dos cânones da soberania aristocrática de então, tornando-nos novamente mais um legítimo Estado dentro da legalidade europeia. Fomos e continuámos a ser independentes, livres, adultos como nação, íntegros enquanto povo, vetustos na cultura, ancestrais na génese, seculares no entendimento colectivo, milenares no empreendedorismo, destemidos perante o risco, aventureiros ante a desgraça, audazes no planeamento e exigentes, como rigorosos, nas execuções desses planos.
Porém, há tanto tempo isso foi, tanta a água que lavou as margens do Tejo, que disso nem pevide na memória de alguns deixou!
E, mais ainda, não só não deixou pevide na memória dessas pessoas, como as transformaram em alguém com tanta falta de escrúpulos que não sente vergonha quando enuncia no seu programa uma coisa e faz precisamente o contrário. O que é caso para dizer, que apenas a inveja é motivo e razão, que assiste às críticas tecidas contra o governo, por poder fazer e fazer exactamente aquilo que "eles" fariam se pudessem.
Ora, ainda bem que não podem; é que mais do mesmo, já cá temos de sobra!

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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