4.01.2019

A TÁBUA DE AJUIZAR






A TÁBUA DE AJUIZAR



Creio haver algo que me mantém
Tão deverasmente insatisfeito,
Que não sei onde nasce, d'onde vem
Se da mente ou se do peito...



Traz quase tudo pra ser pensar,
Porém sinto que é mais que isso:
Às vezes, leva-me ao verbo amar;
Outras, tão-só a perder o juízo
Como se ele fosse coisa tida
E não balança para ponderar
O que nos acontece na vida!


De medir o certo e o errado,
Suas amplitudes e cumprimento,
Onde o pecado é um bocado
Que escapou ao entendimento
De bem auscultar o interior
Olhando de fora, demorado
A discernir se acaso o amor
Tem alguma coisa d'ajuizado.


E dar, então, por concluído
Que o que se mede por humano,
Embora faça das veias um cano
Anda nas famílias diluído.


Joaquim Maria Castanho

CÉREBRO DO CORAÇÃO


   



O CÉREBRO DO CORAÇÃO


Entrelinha executável dum sonho
O sentido prático, já divisório
Afirma, contradiz, exige amanho
Pra qu'o sonhador dele seja meritório.

É espinha prosaica dessa angústia
Que fustiga, espicaça para a ação;
Vontade crispa-se célere e rústica
Sangue invade cérebro do coração.

O instante é de esperas recheado
E, se antes fugaz, fica ora pesado
Emitindo flashs de tão alta tensão
Que o sangue, iluminado, ao pulsar
Ribomba e ouve-se quase troar.

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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