5.19.2006

Incêndios:
António Costa nega ter criticado Jaime Silva

Lisboa, 18 Mai (Lusa) - O ministro da Administração Interna, António Costa, negou hoje ter criticado no parlamento o trabalho do seu colega da Agricultura na prevenção dos fogos florestais, contrariando a interpretação das suas palavras feita pelos "Verdes".
"Não acusei o meu colega de governo Jaime Silva, antes defendi e elogiei o seu trabalho", garantiu António Costa ao ser instado a comentar um requerimento hoje apresentado pelo partido ecologista "os Verdes" que refere alegadas críticas do titular da Administração Interna ao responsável pela pasta da Agricultura.
Para o ministro António Costa, que falava em Lisboa à margem da apresentação pública do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, houve uma interpretação descontextualizada das suas declarações.
Segundo o ministro responsável pelo programa de combate aos fogos florestais, os resultados de algumas das medidas de prevenção que têm sido tomadas pelo titular da pasta da Agricultura "levarão algum tempo a surtir efeito".
António Costa fez questão de afastar qualquer ideia de divisão entre membros do executivo ao sublinhar que "o governo actua como um todo, nomeadamente em termos de prevenção e combate aos incêndios florestais".
O partido ecologista "Os Verdes" apresentou hoje no parlamento um requerimento no qual questiona o ministro da Agricultura acerca das "declarações críticas" que o titular da Administração Interna lhe teria dirigido quarta-feira sobre uma alegada inércia na entrega às autarquias dos fundos para prevenir fogos florestais.
Segundo a interpretação dos ecologistas, o ministro da Administração Interna "disse no Parlamento que o ministério da Agricultura podia fazer mais do que faz e, enquanto se continuar a descurar a prevenção, vai haver necessidade de se apostar muito mais no combate aos fogos florestais"".
Falando na comissão eventual de fogos florestais, António Costa afirmou, em resposta a perguntas da deputada dos "Verdes" Heloísa Apolónia que o montante gasto pelo Estado no combate aos incêndios será tanto maior quanto menos prevenção for feita.
"Se há pouco dinheiro gasto na prevenção, isso não resulta do que é gasto no combate, mas ao contrário, o que é gasto no combate resulta do estado em que estamos em relação à estrutura da nossa floresta", afirmou o ministro.
Declarações que os Verdes interpretaram como "uma crítica muito directa e perfeitamente explícita ao ministério da Agricultura", que apesar dos meios financeiros de que dispõe para prevenir os fogos, tem demonstrado "inércia" nesta missão.
No requerimento hoje apresentado, os ecologistas avançam com a sua interpretação das declarações de António Costa e perguntam qual a razão que "tem levado o ministério da Agricultura a poupar na aplicação de verbas relativas à prevenção de fogos florestais", quando "os dramas" vividos nos últimos anos têm sido "devastadores para a floresta portuguesa".
Perguntam também por que é que "só foi apoiado um terço" das candidaturas surgidas no âmbito do Fundo Florestal Permanente que apoia as autarquias nas acções de prevenção dos fogos florestais.
Outra questão relaciona-se com a aplicação prática, pelos autarcas "dos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, por falta de financiamento".
"Por que razão é que se tem arrastado a reflorestação de zonas ardidas por falta de financiamento?", perguntam ainda "Os Verdes".
Os ecologistas querem também saber se o Ministério da Agricultura tem um levantamento das acções de limpeza de matas, para "conhecer o estado das florestas".
Por último, perguntam qual o montante exacto do Fundo Florestal Permanente.
No início deste mês, quando confrontado em Viseu com o facto de muitas autarquias terem visto reprovadas as candidaturas àquele Fundo, o ministro da Administração Interna disse saber que no ministério da Agricultura está a "ser feito um grande esforço para analisar todas as candidaturas".
"Felizmente houve um elevado número de candidaturas de diferentes municípios e esses processos estão a ser despachados", garantiu o ministro, à margem da apresentação do dispositivo distrital de combate aos incêndios florestais.
Em 2005, os incêndios florestais em Portugal mataram 16 pessoas e devastaram 325.226 hectares de floresta.
NS/MR/TQ.
Lusa/Fim
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