4.12.2006

Co-incineração:"Verdes" acusam Governo de negligenciar problema de saúde pública

Lisboa, 11 Abr (Lusa) - "Os Verdes" estão preocupados com os efeitos da co-incineração sobre a saúde pública e querem que o ministro do Ambiente preste esclarecimentos sobre este processo, num debate de urgência agendado para quarta-feira na Assembleia da República.
"O Governo tem de prestar esclarecimentos aos deputados sobre a decisão que tomou", frisou a deputada do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), Heloísa Apolónia , acusando o executivo de colocar "a vertente economicista à frente da saúde e do ambiente".
Em declarações à agência Lusa, Heloísa Apolónia afirmou que as conclusões do estudo encomendado pelo Governo, que apontam para a possibilidade de co-incinerar resíduos industriais perigosos (RIP) nas cimenteiras ou em outras instalações industriais, "não surpreenderam ninguém".
"Antes de ser conhecido o resultado, o primeiro-ministro José Sócrates, já tinha anunciado a intenção de avançar com a co- incineração em Souselas (Coimbra) e no Outão (Arrábida)", frisou.
Para "Os Verdes", existem "dados preocupantes", relacionados com uma avaliação epidemiológica que apontou para a prevalência de determinadas patologias em Souselas e Maceira, que não foram tidos em conta.
"O relatório de actualização do processo de co-incineração [pedido pelo Governo aos membros da extinta Comissão Científica Independente] descura completamente o problema da saúde pública", salientou.
Para Heloísa Apolónia, os problemas em termos de saúde prendem- se com os efeitos cumulativos da libertação de dioxinas durante o processo de queima, mas não se detectam no curto prazo, exigindo, por isso, uma análise rigorosa sobre o seu impacto a médio e longo prazo.
"Há seis anos, quando a CCI abordou os efeitos sobre a saúde pública concluiu que a nível internacional os dados eram insuficientes, logo não devia haver efeitos perversos. Isto não tem qualquer rigor científico", criticou a deputada.
"Os Verdes" temem também que a co-incineração se venha a tornar na "componente principal" do tratamento de RIP, reduzindo o potencial dos CIRVER (Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos).
"Primeiro, o Governo dizia que só 12 por cento dos RIP seriam queimados. Neste momento, o ministro já fala de 10 a 20 por cento e o relatório de actualização dos «amigos cientistas» refere que a percentagem pode ir até aos 30 por cento", explicou Heloísa Apolónia.
Os ecologistas entregaram no passado dia 14 de Março na Assembleia da República um projecto de lei para suspender durante seis meses o processo de testes de co-incineração para avaliar os riscos da queima de resíduos para a saúde pública.
RCR.
Lusa/fim

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