10.28.2006

150 ANOS APÓS A PRIMEIRA VIAGEM DA LISBOA AO CARREGADO, O COMBOIO CONTINUA A SER O TRANSPORTE DO FUTURO… ASSIM O GOVERNO O ENTENDA

150 anos após a primeira viagem, o comboio continua, na perspectiva de “Os Verdes”, a ser um meio de transporte de futuro, o menos poluente, o mais económico do ponto de vista energético, o mais seguro e o que menos impacto tem sobre a paisagem e o meio envolvente.

Desde o fim do séc. XIX que o comboio deu, sem dúvida, um valiosíssimo contributo para a mobilidade das pessoas e das mercadorias, tendo também assumido um papel fundamental no desenvolvimento do nosso país e em particular das regiões que serve e que atravessa. Exemplo disso foi o contributo dado pela linha do Douro e as suas linhas afluentes (Tâmega, Tua, Corgo, Sabor…) ao desenvolvimento da região do Alto Douro vinhateiro e do nordeste transmontano.

Por todas estas razões, “Os Verdes” não podem entender nem aceitar a falta de visão estratégica e de futuro deste governo, e dos outros que o antecederam, em relação à ferrovia. Em plena crise energética, com a ameaça que pesa sobre o planeta e mais concretamente sobre o nosso país como consequência das alterações climáticas, e sendo Portugal o país da Europa que mais tem vindo a aumentar as suas emissões de CO2 devido, em particular, ao aumento das emissões do sector rodoviário, o governo propõem-se encerrar mais linhas férreas e levar a cabo um conjunto de políticas que despromovem a ferrovia e que levam os cidadãos a recorrer cada vez menos ao comboio, tanto para transporte de passageiros como para de mercadorias (aumento de preços, descoordenação de horários, encerramento de estações, etc.).

“Os Verdes” não se deixam ludibriar pelas iniciativas das comemorações dos 150 anos da ferrovia, da CP, REFER e do Governo, que não são mais do que acções de branqueamento das políticas de desmembramento e desvalorização do transporte ferroviário português, com os impactes que daí têm advindo para o isolamento das populações, para o abandono das regiões e para o crescimento do transporte rodoviário. Apesar de tudo, “Os Verdes” esperam ainda que o plano ferroviário que amanhã será anunciado, venha contrariar essa tendência e colocar a ferrovia no lugar pioneiro de transporte do futuro.

Para que isto aconteça, é necessário que toda a prioridade de investimento do plano não se concentre no TGV que, para “Os Verdes”, não é uma prioridade, pois não vai responder à necessidade de mobilidade dos portugueses nem do desenvolvimento das regiões.

E por isso, “Os Verdes” consideram que a melhor homenagem a prestar à ferrovia em Portugal neste momento de comemoração, por parte do governo, seria recuar na decisão em relação ao encerramento das linhas férreas, entre as quais as linhas do Corgo, Tua e Tâmega e canalizar o investimento para a modernização da ferrovia, como a urgente necessidade da modernização da linha do douro e o desvio da linha do norte na região de Santarém, entre outras.

Nestes 150 anos, “Os Verdes” não podiam deixar ainda de saudar e prestar homenagem a todos os trabalhadores ferroviários deste país e a todos quantos deram um contributivo para a construção e funcionamento dos caminhos-de-ferro portugueses.

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
27 de Outubro de 2006

10.19.2006

TARIFAS ANUNCIADAS PELA ERSE MERGULHAM OS PORTUGUESES NAS TREVAS

As propostas de aumento das tarifas da electricidade em mais de 15%, anunciadas pela Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE), são inaceitáveis e caso se venham a concretizar terão impactos sociais gravíssimos sobre a vida das populações e em particular dos mais carenciados.

São já muitos os portugueses, em particular os idosos, que sofrem de frio no Inverno, nas suas habitações, por não poderem recorrer ao aquecimento para não aumentar a sua factura energética.

Para “Os Verdes”, esta proposta de aumento é tanto mais escandalosa que ela consubstancia claramente uma benesse oferecida em bandeja de prata, pelo Governo, às empresas do sector para tornar mais apetecível a liberalização do mercado, numa área onde os lucros são já muito elevados, como se vê pelos resultados apresentados pela EDP. Afinal, esta liberalização que o PS sempre apresentou aos portugueses como vantajosa para a economia nacional e para as suas próprias bolsas, é feita só à custa dos consumidores domésticos e da negação à qualidade de vida da maioria dos portugueses.

“Os Verdes” consideram ainda estranho que esta proposta, que só vem beneficiar as empresas do sector, emane de uma entidade reguladora, a ERSE, da qual se esperaria a ponderação de todos os interesses em causa, entre os quais os dos consumidores domésticos, e não que se assumisse como uma entidade exclusivamente defensora dos interesses das empresas do sector energético. Aliás, esta não é a primeira vez que a ERSE toma este tipo de atitude. Chega lembrar o aval que a ERSE deu à factura bi-mensal da EDP que trouxe largos lucros à empresa e nenhum benefício aos consumidores.

“Os Verdes” adiantam que vão confrontar o Ministro da Economia sobre esta questão, aquando da sua vinda à Assembleia da República, que está prevista para breve.

O Gabinete de Imprensa
18 de Outubro de 2006

10.14.2006

Sinal da Cruz

No arco amuralhado de granito ogival
Entre as portas 26 e 28 da Rua Tal
(Não sei bem o nome, nem importa muito...)
Há um nicho com um santo escultural
A quem as devotas se persignam por culto.

Esse gesto simples, supersticioso, grotesco
Talvez nascido por palimpsestos medievais,
Acarreta consigo densas sombras do simiesco
Que há na fé por temor no comum dos animais.

Concedendo-lhe a dúvida, até pode ser que tenha sido
Nos primórdios, um princípio ancestral magnificente...
Contudo, o que hoje conta, é que por ele têm morrido
Aos biliões, quer dos nossos, como da bárbara gente!

Pode parecer, portanto, inocente e insignificante
Aquela devoção das cocas beatinhas e das velhotas,
Ou mesmo exótica para quem das cruzes devotas
Apenas sabe a coreografia costumeira e domingante.

Mas, se do enredo só metade alguém soubesse
Como a morte é o negócio que a muitos beneficia,
Talvez neste mundo mais ninguém houvesse
Que lhe prestasse culto ou atribuísse secular magia,
Quando se persigna sob qualquer nicho escultural
Em devoção aos santos amuralhados no granito ogival
Que há entre as portas 26 e 28 das ruas tal e tal!

10.12.2006

“OS VERDES” NO FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS

Tal como sucedeu em iniciativas anteriores, o Partido Ecologista “Os Verdes” vai participar no conjunto de acções previstas no Fórum Social Português, que decorrerá em Almada, entre os dias 13 a 15 de Outubro.

“Os Verdes” entendem que a realização deste amplo espaço de debate contra o neoliberalismo, a guerra e o racismo, irá certamente permitir a discussão por forma a tentar encontrar e definir caminhos para modelos alternativos de desenvolvimento.

Assim, “Os Verdes” apelam à participação activa no Fórum Social Português, de todos aqueles que acreditam que é possível encontrar alternativas ao neoliberalismo, que é possível um mundo de paz e ecologicamente equilibrado, baseado na justiça social, na igualdade de direitos e no diálogo entre as culturas e os povos.

Para mais informações, durante a realização do Fórum Social Português, poderão contactar para o número 91 301 74 75.

Gabinete de Imprensa
11 de Outubro de 2006

10.10.2006

“OS VERDES” CONDENAM TESTES NUCLEARES – MAS HIPOCRISIA DOS EUA E DA FRANÇA IMPEDEM CRÍTICAS CREDÍVEIS A PYONGYANG

O Partido Ecologista “Os Verdes” condena veementemente os ensaios nucleares levados a cabo pela Coreia do Norte esta madrugada. “Os Verdes” relembram que a utilização da energia nuclear para fins civis, como seja a produção de energia eléctrica, é já uma forte ameaça à saúde pública e ao ambiente, com todos os perigos que comporta. A sua utilização militar representa o que de pior a humanidade pode produzir e representa a sua própria autodestruição.

Neste quadro, “Os Verdes” também reafirmam a hipocrisia de países como os Estados Unidos da América e a França que, por um lado condenam, chantageiam e ameaçam países que desenvolvem programas nucleares, como o Irão e a Coreia do Norte, e por outro detêm e continuam a desenvolver os mais sofisticados programas nucleares que representam verdadeiras ameaças.

Não é possível esquecer as bombas lançadas pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki, e todos temos bem presente os recentes testes nucleares que a França desenvolveu no Pacífico.

Uma verdadeira desnuclearização do mundo só será uma realidade quando o restrito clube de potências nucleares deixar de o ser.


O Gabinete de Imprensa
9 de Outubro de 2006

10.07.2006

“OS VERDES” PREOCUPADOS COM EFEITOS DE LINHA DE ALTA TENSÃO NO CONCELHO DE SINTRA


Face às preocupações que têm vindo a ser manifestadas pelas populações que serão afectadas pela instalação de uma linha de alta tensão no concelho de Sintra, o deputado de “Os Verdes”, Francisco Madeira Lopes, visitará no próximo dia 9 de Outubro (segunda-feira) alguns dos locais mais críticos que ameaçam a segurança e a saúde das respectivas populações.

A visita terminará próximo do supermercado Lidl em Massamá-Norte (junto aos postes de alta tensão) por volta das 16.30 horas, onde serão prestadas declarações à comunicação social.

Para mais informações, é favor contactar “Os Verdes” através do número 917462769.

O Gabinete de Imprensa
7 de Outubro de 2006


Água: Tarifas têm de reflectir custos ambientais e do serviço - regulador

Lisboa, 06 Out (Lusa) - As tarifas de água devem reflectir os custos do serviço para reduzir o desperdício e garantir a sustentabilidade económica das empresas, disse à Lusa um responsável do Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR).
O IRAR defende, numa proposta de regulamento tarifário que está a ser ultimada, que deve ser reduzida a disparidade de tarifas praticadas nos vários municípios e que o preço cobrado aos cidadãos deve cobrir os custos suportados pelas entidades gestoras, o que nem sempre acontece.
"Existem casos em que o preço cobrado aos munícipes não chega sequer para cobrir o preço que as entidades gestoras pagam às empresas a quem compram água, quanto mais o da distribuição", afirmou Rui Santos, vogal do conselho directivo do IRAR.
Embora a proposta determine uma estrutura tarifária com critérios idênticos e "transparentes" para a formação dos preços, "não significa que os preços vão ser iguais em todo o país. Alguns podem subir e outros descer".
"Temos feito simulações com vários valores, para os diferentes escalões (consumo por metro cúbico). Poderão ser definidos valores máximos e mínimos para alguns escalões", referiu o responsável do IRAR escusando-se a avançar números .
O estudo técnico do IRAR vai ao encontro da Directiva-Quadro da Água que determina que até 2010 seja aplicado em todos os estados-membros um preço eficiente da água.
"Ou seja, o preço pago pelos utilizadores deve corresponder à recuperação dos custos de serviço e dos custos ambientais e de escassez", explicou Rui Santos.
Actualmente, o tarifário apresenta grandes disparidades consoante as entidades gestoras, sem que haja justificação para essas diferenças, considerou, a crescentando que um dos objectivos do regulamento é reduzir essa discrepância e uniformizar critérios.
"Os próprios escalões são diferentes. Não têm a mesma definição, nem em termos de amplitude, nem a nível da aplicação das tarifas. Nalguns casos, o primeiro escalão vai até aos cinco metros cúbicos, noutros pode ir até aos oito", esclareceu o mesmo responsável.
A proposta visa criar uma estrutura tarifária que, por um lado, assegure a sustentabilidade económica-financeira das empresas "que não podem estar sempre a perder dinheiro" e por outro, incentive os consumidores a fazerem uma gestão correcta da água e a evitar o desperdício.
A aplicação deste regulamento pode obrigar a fazer um "reequilíbrio" no caso das concessões, admitiu Rui Santos.
"No caso das concessões municipais tem de se ter cuidado porque existe um contrato onde está definido o valor da tarifa a aplicar. Se as concessões forem obrigadas a adequar a sua estrutura tarifária poderá ter de se fazer um reequilíbrio económico-financeiro".
Em Portugal, a distribuição de água é assegurada, além das concessões, por serviços municipalizados, empresas municipais, câmaras, sistemas intermunicipais (que agrupam vários municípios) ou sistemas multimunicipais (entidades em que o concedente é o Estado, através da empresa Águas de Portugal).
RCR.
Lusa/Fim

10.06.2006

Transportes: PEV pede tarifários no Metro do Porto equiparados aos de Lisboa

Porto, 05 Out (Lusa) - O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) pediu hoj e, em comunicado, que os tarifários aplicados na rede de Metro do Porto sejam re duzidos para se equipararem aos do Metro de Lisboa.
Um bilhete ocasional para o percurso mais curto no Metro do Porto (uma zona, título Z2) custa 85 cêntimos, mais 15 cêntimos do que bilhete similar no m etro da capital (bilhete Coroa 1), assinala o PEV.
Caso se opte por passe, viajar no metro do Porto é igualmente mais caro do que no de Lisboa, sublinha aquele partido.
No Porto, o passe para a área mais restrita da cidade do metro (duas zo nas, passe Z2) importa em 22,30 euros, contra 17,45 euros do passe de Lisboa (Co roa L, toda a cidade).
No comunicado, a estrutura partidária reclama também uma revisão do sis tema de zonas tarifárias do Metro do Porto, com a adopção de um esquema "mais re alista, mais justo e menos complicado".
"A construção do Metro do Porto criou grandes e legítimas expectativas na população em geral" quanto à melhoria da sua mobilidade, mas o tarifário prat icado e o sistema de zonagem dos passes "são factores que penalizam financeirame nte e limitam o potencialmente o usufruto" deste transporte, comenta o PEV.
A posição deste partido surge na sequência de um estudo, divulgado sext a-feira pela Junta Metropolitana do Porto (JMP), que revela maior esforço financ eiro estatal como o metro de Lisboa, ao nível do investimento e das indemnizaçõe s compensatórias.
Na altura, o presidente da JMP, Rui Rio, disse que os números apurados no estudo "dão para reflectir em termos da equidade do tratamento dado às divers as regiões do país".
No comunicado de hoje, o PEV considerou "correcto e importante" ressalv ar a obrigação do Governo em manter a equidade entre regiões, quer quanto aos in vestimentos realizados, quer quanto às indemnizações compensatórias, mas conside rou "imperioso sublinhar que estas disparidades estão a ser pagas pelos utentes do Metro".
JGJ.
Lusa/fim

10.04.2006

VERDES LAMENTAM INVOCAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO POR PARTE DO

MINISTÉRIO DO AMBIENTE






A reacção do Ministério do Ambiente de se opor aos efeitos suspensivos da providência cautelar interposta pela Câmara Municipal de Coimbra em contestação à co-incineração em Souselas, não surpreende “Os Verdes”.



Contudo, o PEV, não pode deixar de lamentar que o Governo argumente que a suspensão da co-incineração “é lesiva para o interesse público” revelando uma total cegueira e confusão entre o verdadeiro interesse público com uma mera obsessão e teimosia do Executivo associada aos interesses privados inerentes aos negócios das cimenteiras em avançar à revelia dos princípios da precaução e salvaguarda dos interesses das populações.



Na óptica d’ “Os Verdes” o verdadeiro interesse público existente nesta matéria é o de acautelar a segurança, a saúde e a qualidade de vida das populações, designadamente as de Souselas, bem como o de apostar na implementação de soluções de tratamento de Resíduos Industriais Perigosos seguras, ambientalmente sustentáveis e sem efeitos secundários, como é o caso dos CIRVER, e não o de avançar obstinadamente para um processo que não constitui solução para os RIP, não nos vai tornar auto-suficientes nesse domínio e trará implicações graves a médio e longo prazo.



Fica cada vez mais claro que o Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance, passará por cima de tudo e de todos, mesmo em desrespeito à lei, como ficou demonstrado com a recente decisão de dispensar de Avaliação de Impacto Ambiental o processo da co-incineração (quando a anterior declaração já caducou há mais de seis anos), a fim de implementar a co-incineração em Portugal.



“Os Verdes”, pelo seu lado, afirmam igualmente a sua determinação em continuar a lutar por uma solução global e integrada dos RIP’s em Portugal, que, em nosso entender, não passa pela aposta e alargamento da pseudo-solução da co-incineração a todo o território nacional, rentabilizando-a como negócio de morte e retirando das fileiras da regeneração, da reciclagem e da inertização um cada vez maior número de resíduos que dispõem de outras soluções.




Gabinete de Imprensa,
3 de Outubro de 2006


Co-incineração: Governo "passará por cima de tudo e de todos", dizem "Os Verdes"


Lisboa, 03 Out (Lusa) - O Governo fará tudo o que estiver ao seu alcanc e, "passando por cima de tudo e todos, mesmo em desrespeito à lei" para implemen tar a co-incineração em Portugal, acusaram hoje "Os Verdes" (PEV).

Os ecologistas reagiam a uma notícia da agência Lusa, que teve hoje ac esso a uma resolução do Ministério do Ambiente, que travou os efeitos suspensivo s da providência cautelar requerida pela Câmara Municipal de Coimbra contra a de cisão de avançar com a co-incineração em Souselas sem avaliação de impacto ambie ntal.

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, argumenta que a susp ensão dos efeitos do despacho governamental pretendida pela autarquia, "mais do que inconveniente, é gravemente lesiva para os interesses públicos subjacentes à sua emissão (...), os quais contribuem para a concretização de uma política glo bal de gestão de resíduos perigosos".

A suspensão da eficácia da decisão governamental foi requerida a 13 de Setembro.

Reagindo à medida governamental, o PEV lamenta que o Governo argumente que a suspensão da co-incineração "é lesiva para o interesses público", reveland o "uma total cegueira e confusão entre o verdadeiro interesse público com uma me ra obsessão e teimosia do Executivo".

"Os Verdes" salientam que defender "o verdadeiro interesse publico" é a cautelar a segurança, a saúde e a qualidade de vida das populações, designadamen te as de Souselas, e não "avançar obstinadamente para um processo que não consti tui solução para os resíduos industriais perigosos".

"Fica cada vez mais claro que o Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance, passará por cima de tudo e de todos, mesmo em desrespeito à lei, como f icou demonstrado com a recente decisão de dispensar de avaliação de impacto ambi ental o processo da co-incineração (quando a anterior declaração já caducou há m ais de seis anos), a fim de implementar a co-incineração em Portugal", concluem os ecologistas.

MF.

Lusa/Fim

9.21.2006

“COMBOIO HUMANO” EXPÕE FOTOS DAS
LINHAS FÉRREAS DO ALTO DOURO VINHATEIRO
E DE TRÁS-OS-MONTES
À PORTA DO PRIMEIRO MINISTRO


O dia em que termina a semana da mobilidade (amanhã, dia 22 de Setembro), foi a data escolhida pelos “Os Verdes” para entregar ao Primeiro Ministro e ao Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, a “prenda” que trouxeram do alto Douro Vinhateiro e de Trás-Os-Montes na iniciativa “Pelo Comboio é que Vamos”, realizada em Agosto passado, contra o encerramento das linhas do Corgo, do Tâmega e do Tua.

Amanhã pelas 15 horas, uma delegação do Partido Ecologista “Os Verdes” entregará a “prenda” na Residência Oficial do Primeiro Ministro enquanto que cá fora, o “comboio humano” mostrará uma exposição de fotografias recolhidas durante a viagem acima mencionada.

Após a entrega, activistas e dirigentes de “Os Verdes” deslocar-se-ão mostrando à população a referida exposição até à Praça do Comércio, onde os participantes das viagens recolherão assinaturas para a Petição em defesa das Linhas do Tua, Corgo e Tâmega que será lançada amanhã.

Para mais informações poderão contactar para os números 213960308, 213960291 ou 917145070.


O Gabinete de Imprensa
21 de Setembro de 2006

PRESENTE

Que é isso de a gente
Estar à porta do tempo
Com um pé fora e outro dentro,
Trajados no rigor descendente,
Com a certeza que o passo não nos pertence?

Não há prosas vãs, rimas falhadas,
Quando os momentos são directos
Em que todas as noites são resultadas
Do acontecerem dias completos,
Na surpresa graça do que soído fora.

Que o amanhã é um ontem que vigora,
Embora haja quem lhe chame futuro sustentado
No humano designo de um soneto inacabado
Ou daquilo que eu, rústico e tosco, nomeio apenas por agora!

PEDAGOGIA

Tu, és filha de um ano lectivo.
Nasceste quando as aulas começam,
Foste feita nas férias do Carnaval...

E anseias por que terminem
Para te estenderes no areal!

Crónicas (In)divisas
Por Joaquim Castanho
osverdes.ptg@gmail.com


Já ninguém duvida por método mas por necessidade e sobrevivência...

A César o que é de César. A Deus o que é de Deus. Ao Estado o que é de todos.
Não obstante o Ministério da Ciência ter garantido recentemente que o Reactor (Nuclear) Português de Investigação, a funcionar em Sacavém, estar devidamente licenciado, o que é certo, é que de acordo com informações veiculadas pelo Ministério/Instituto do Ambiente, este reactor continua como estava há décadas: sem licenciamento.

Os factos são o que são; são factos – e nada pode ser uma coisa e simultaneamente a sua contrária. Em filosofia diz-se que o que é, é. Em política, se é de sensatez, persegue-se esta lógica para incentivar à descoberta da verdade, a fim de que a democracia possa surgir à tona das problemáticas, livre de transgénicos sentidos, limpa de dogmatismos, escanhoada de propagandas falaciosas.

Portanto, além da dúvida e da controvérsia, do diálogo que superintende as negociações, outras interrogações nos acometem de não menos pertinácia: Como é? Que sucedeu, ou que sucede, para que o não licenciamento do reactor nuclear se tenha escondido durante tanto tempo? Porque estamos nós, portugueses, a fazer aquilo que combatemos noutras pátrias? É receio de sermos invadidos como o Irão?...

Houve algum aconselhamento nesse sentido da parte dos Institutos do Ambiente e dos Resíduos? Que resíduos radioactivos produziu até hoje e o que tem feito o Instituto Tecnológico Nuclear para os acondicionar ou eliminar? Se não sabemos sequer que destino lhe tem sido dado, como aliás sucede com os resíduos hospitalares nucleares, como podemos estar confiantes acerca das condições do seu acondicionamento ou uso para que foram reencaminhados? Quem o faz e como se faz, com que regularidade, quantas amostras foram recolhidas e analisadas, no capítulo da monitorização ambiental de grau de radioactividade, conforme o regulado no DL 138/2005? Estamos bem em Portugal ou convém emigrar para o algures patagónico a fim de salvarmos a estirpe dos Viriatos? Este era o único segredo que nos reservavam sob a perspicácia do interesse de Estado e bem público ou têm mais alguns na manga? Se sim, quantos, e com que nível de gravidade para o nosso futuro e dos nossos descendentes? Por quanto tempo mais vão continuar a brincar com a segurança dos contribuintes que lhe pagam os salários para lhe defenderem a vida mas a quem têm sonegado informações essenciais sobre matérias tão perigosas como os resíduos nucleares, que podem afectar directa e indirectamente o seu bem-estar, qualidade de vida, saúde e ambiente? É precisamente a isso que se referem quando nomeiam a necessidade de aprofundar a democracia e implementar a cidadania, aumentar a participação democrática, melhorar os níveis de envolvimento e responsabilidade cívica do povo português?

É?... Então, obrigado pelo exemplo!

Ou, se calhar, perdeu-se o dicionário que tínhamos e já nenhum dos sinónimos tidos para palavras tão simples como civismo, pluralidade, igualdade, solidariedade, fraternidade, frontalidade, é o mesmo que descobrimos nos bancos da escola... Se calhar!

9.18.2006

Resíduos nucleares espanhóis às portas portuguesas?...


Conforme foi noticiado recentemente, a aldeia de Peque (Zamora, Espanha), candidatou-se a depósito de resíduos radioactivos. Dado encontrar-se relativamente próxima da fronteira portuguesa, particularmente do distrito de Bragança e do Parque Natural de Montesinho, é notória e justificada a preocupação manifestada pela população local e regional, acerca de projectos de semelhante índole, uma vez que deles podem advir sérias ameaças para a bacia hidrográfica do Douro. No entanto, sob a suspeita de que o governo português está "nem aí" para as inquietações dos autóctones, porquanto não parece estar a acompanhar o processo em questão com a acuidade necessária, nem a divulgar os passos dados no sentido de proteger os portugueses e seu património natural e ambiente, das possíveis consequências e perigos adjacentes aos resíduos nucleares espanhóis, já que pela sua localização os nuestros hermanos serão os únicos beneficiários embora partilhando connosco mais de metade dos riscos, ninguém sabe ao certo como reagir à notícia.
A ser verdade, estamos perante sério caso de desinteresse governamental além de escusa de informações claras e rigorosas sobre as intenções de Peque, bem como que diligências foram tomadas face à hipótese deste projecto vir a ser aprovado pelo governo espanhol. O que é grave, pois demonstra que apenas temos governo para as questões laterais da governação, sobretudo as que dizem respeito à reafirmação do poder do Estado sobre a cidadania, mas incapaz de protagonizar activamente a defesa dos interesses nacionais.
Daí que apresente desde já a minha solidariedade com as gentes do Douro, que por também serem Portugal, merecem muito mais!

9.14.2006

PARABÉNS ANTÓNIA RITA

(Central, 8 de Setembro de 2006)

Avozinha!... Estou aqui; não estranhes...
(Eu sei que poucas vezes te tratei assim
A não ser quando estava doente!) Mas sou o Quim
O de sempre; aquele que nasceu depois de ti,
Só um dia depois, mas também um dia antes...

Sei que terias orgulho de mim, neste momento...
Sobretudo pela companhia. Ela consegue
Como tu esquentar o frio, arrefecer o calor, mudar o vento,
Arrepiar o pesadelo, suster o rodopio que me persegue
Na febre, o receio, como tu conseguias – ela consegue!

Te celebramos com sopa... Não leves a mal.
Que da horta, na horteloa que foste
Ainda não há quem melhor mostre
Como da folha de qualquer copa
Se pode fazer uma sopa
Juntando-lhe apenas água, azeite e sal.

Ou soro para enfermo, como fazias
Com salsa, hortelã, caldo de carne e pão
Matando varicelas, sarampos, papeiras e demais agonias
Que não poupavam o crescer à trupe do calção.

Mas hoje, escuta a Philipa... Ela tem algo a dizer
Além de ser Antunes e ter a marca do Brasão:
– Parabéns avó! – Tu que foste sangue, carne, osso e pó
És igualmente agora aquele simples coração
A bater, a pulsar, a ler, a tinir sem mágoa nem dó
Nas colheres que brindam o plim-plim do teu renascer.
Parabéns avó, que a morte não é condição
Que apague o teu amor ao amor, nem vontade de viver!


Filipa Brasão Antunes
Joaquim Maria Castanho

9.08.2006

INCUMPRIMENTO DAS METAS DE QUIOTO

RECONHECIMENTO DA SECRETÁRIA DE ESTADO DOS TRANSPORTES É SINAL POSITIVO MAS TARDIO



A Secretária de Estado dos Transportes proferiu ontem declarações que surpreenderam profundamente “Os Verdes”, ao dizer que o incumprimento das metas de Quioto é, em Portugal, uma consequência directa do uso excessivo dos transportes individuais.



“Os Verdes” concordam com esta afirmação, mas ao mesmo tempo lamentam que depois de anos e anos de avisos e de alertas por parte de “Os Verdes” e de outras organizações ambientalistas, o Governo tenha tardado a reconhecer publicamente esta tão óbvia evidência.



“Os Verdes” estranham ainda que, aquando da realização da interpelação ao Governo sobre transportes e mobilidade, de iniciativa de “Os Verdes”, em Julho último, o discurso do governo tenha sido o oposto ao de ontem. Desde essa altura, e desde o início da sessão legislativa, que não se conhece uma única medida do Governo no sentido de desicentivar a utilização do transporte individual e promover a utilização do transporte público colectivo, antes pelo contrário. Em vez disso, o Governo opta pelo encerramento de linhas ferroviárias, sendo que o comboio é reconhecidamente o transporte colectivo menos poluente.



Apesar de tudo, o PEV espera que as declarações de ontem da Sr.ª Secretária de Estado sejam um sinal positivo para Portugal, e que em breve sejam apresentadas medidas concordantes com este discurso, que não passem apenas pelas incipientes e pouco eficazes propostas já anunciadas (redução da velocidade média nas auto-estradas e a redução do número de dias de circulação dos táxis). “Os Verdes” apenas receiam que, à semelhança do que aconteceu com o reconhecimento público de ontem, o Governo demore mais uns quantos anos a concretizá-las.



O Gabinete de Imprensa

7 de Setembro de 2006

9.07.2006

Obrigada, Obrigado

Séria, murmuraste que não tenho idade…
Que sou aquele minuto difuso que vagueia
Entre o segundo, a hora e a claridade
Que ao sangue nosso apelo incendeia.

Dizes-me instante… Seja. Resigno-me portanto.
Pois nunca sei como argumentar contra ti,
Que és o simples complexo do soslaio de espanto
De cada memória que em pleno futuro vivi.

Era meia-noite, mais quase nada depois
Que o segredo disse o silenciado cicio
Da vertigem feita queda no precipício
Em que suados e colados e gritados caímos os dois!

9.06.2006

“OS VERDES” LEVAM ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E SUPRESSÃO DE CARREIRAS DA TST À FESTA DA MOITA

O Partido Ecologista “Os Verdes” vai estar presente nas Festas da Moita, em honra da Nossa Senhora da Boa Viagem, com um pavilhão que inaugura na próxima sexta-feira, dia 8 de Setembro.

“Os Verdes” levam à Moita duas campanhas distintas:

Campanha de recolha de assinaturas para um abaixo-assinado, contra a supressão de algumas carreiras no percurso Montijo-Moita-Barreiro, contra a falta de compatibilização de horários com a ligação fluvial Barreiro/Lisboa/Barreiro e contra as sucessivas medidas que desincentivam a utilização do transporte colectivo
Campanha “STOP ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS”, de âmbito internacional que tem como principais objectivos pressionar a administração norte-americana a aderir ao Protocolo de Quioto, manifestar a insatisfação pela política de transportes públicos seguida pelo Governo português e alertar a população para o fenómeno das alterações climáticas, promovendo comportamentos que ajudem a travar este fenómeno. Consiste na assinatura de dois postais: um dirigido ao Presidente dos Estados Unidos da América exigindo que esse país adira sem restrições ao Protocolo de Quioto e outro dirigido ao Sr. Primeiro-Ministro, José Sócrates, através do qual os cidadãos demonstrarão a sua insatisfação pelos consecutivos aumentos das tarifas dos transportes públicos, exigindo que sejam tomadas medidas no sentido de se investir numa rede de transportes de qualidade.

Para além destes dois temas, serão abordadas outras questões como a privatização da água e a segurança marítima. Para mais informações, poderão contactar o dirigente de “Os Verdes”, Jorge Taylor, através do número 919 753 656.

O Gabinete de Imprensa
5 de Setembro de 2006
PORTARIA QUE ESTABELECE ZONAS LIVRES DE OGM TRADUZ HIPOCRISIA DO GOVERNO

Finalmente, após dois anos de cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM), o Governo publica legislação que estabelece as condições e procedimentos para estabelecimento de zonas livres de OGM.

Neste diploma, o governo enaltece descaradamente o facto de ser um dos primeiros a publicar esta legislação, mas esquece-se de dizer que tem sido um também um dos percursores na abertura a este tema, ao permitir o cultivo de OGM já há pelo menos 2 anos, quando há muitos outros países que ainda hoje, por medidas de precaução, não o estão a fazer.

Para “Os Verdes”, a presente portaria não é mais do que um formulário burocrático que tem como principal objectivo impedir que zonas livres de OGM sejam de facto constituídas, visto que é inúmera a documentação pedida aos agricultores que o pretendam fazer, sendo igualmente caricato quando comparado com as poucas exigências que se fazem para quem quer cultivar transgénicos, colocando assim em perigo a saúde pública e o ambiente.

Para além disso, o facto de ser exigida uma área mínima de 3000ha de área contínua para a criação desta zonas, torna a sua implementação praticamente inviável, tendo em conta aquilo que é a maioria da nossa estrutura fundiária.

“Os Verdes” consideram de legitimidade duvidosa a imposição de uma maioria reforçada (2/3) para poderem deliberar sobre este assunto, quando o regime normal de votação das assembleias é por maioria simples.

Esta portaria deixa ainda de fora uma das medidas que “Os Verdes” consideram ser essencial e que tem a ver com todas as áreas protegidas serem automaticamente declaradas como zonas livres de OGM, dado o seu importante interesse na preservação do ambiente e da biodiversidade.

Para “Os Verdes”, esta portaria traduz a hipocrisia do governo sobre esta matéria e demonstra claramente que, mais uma vez, no lugar de resguardar de uma forma preventiva a saúde pública, o ambiente e a biodiversidade e o direito de escolha dos agricultores, está, em vez disso, ao lado dos interesses das multinacionais Monsanto e companhia.

“Os Verdes” adiantam que vão auscultar outras opiniões sobre esta matéria, remetendo para mais tarde uma posição mais aprofundada.

O Gabinete de Imprensa
5 de Setembro de 2006

9.05.2006

MEDIDAS SIMPLEX APLICADAS AO LICENCIAMENTO TURÍSTICO PREOCUPAM “OS VERDES”

“Os Verdes consideram que as medidas anunciadas pelo Conselho de Ministros de ontem, no sentido de “agilizar” os procedimentos de licenciamento dos empreendimentos turísticos, são extremamente preocupantes.

Para “Os Verdes”, os políticos eleitos e a administração pública passam a lavar as mãos, como Pilatos, face às violações das normas de segurança e das restrições ambientais impostas, assim como pelas consequências que daí podem advir para os utilizadores e para o ambiente.

O Partido Ecologista “Os Verdes” considera desde já inadmissíveis algumas das medidas anunciadas (sem prejuízo de uma avaliação mais profunda quando todo o diploma for conhecido), tais como a possibilidade de abertura de empreendimentos turísticos sem emissão de alvará ou licença de utilização e a prescrição da necessidade de realização de vistorias ou de alvarás, por não cumprimento dos prazos previstos pela administração.

“Os Verdes” acreditam que estas duas medidas abrem portas a situações de insegurança para os utilizadores, facilitando igualmente a transgressão de construção em zonas de risco ou ambientalmente sensíveis.

Estas decisões são tanto mais graves quando se conhece a falta de cultura cívica que reina no meio empresarial do nosso país, a ansiedade de obtenção de lucros fáceis e rápidos que caracteriza a sociedade de hoje, o desprezo pela vida humana e pelos valores ambientais, a falta de cultura na prevenção de riscos e a lentidão e fragilidade da justiça em caso de acidentes, sejam eles humanos ou ambientais.

Para “Os Verdes”, esta decisão do governo traduz, mais uma vez, a sua permeabilidade face aos interesses económicos dos grandes lobies do turismo e da construção.

O Gabinete de Imprensa
1 de Setembro de 2006

9.02.2006

TESES EM CONDOMÍNIO FECHADO

5. As migrações autorais com diferentes sotaques dentro do discurso literário escribalista

Do ponto de vista da utilidade na produção de escrita criativa, os blogs não funcionam como órgãos de comunicação social, abertos e públicos, mas são excelentes instrumentos de trabalho, ferramentas de edição, antecipados prelos, cujo suporte electrónico facilita, quer em termos de flexibilidade como em condições de visibilidade, o programa heurístico e de revisão contínua sem o qual qualquer atelier de literatura não pode passar para melhorar e evoluir dentro da sua performance estilística. São o painel – mas não a agenda ou diário de bordo!, que esses têm uma vocação diacrónica específica de localização datada da obra ou partes dela – de oficina literária onde escritor aponta as primeiras versões do seu trabalho, esclarece os propósitos e intenções que lhe são adjacentes, apenas acessível aos seus leitores íntimos, amigos de confiança de quem não nos importamos que olhem por cima do nosso ombro enquanto se escreve, como antigamente, nos tempos áureos e mais prósperos da literatura portuguesa, acontecia nas tertúlias dos cafés e livrarias, entre quem privava de perto com os actores das letras, que eram os seus primeiros ouvintes e críticos, aos quais o autor senso e gosto prezava. Tal como aconteceu com inúmeras figuras representativas da literatura portuguesa e que por esse facto reforçaram o seu estatuto nela, ganharam quorum social, uma tábua de resistência e ensaio ambiente, consolidação de discurso e análise de teoria de vida, de que são exemplo Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, José Régio, Fernando Pessoa, António Botto, Gomes Leal, Carlos de Oliveira, Almada Negreiros, Cardoso Pires, Manuel da Fonseca, etc., etc., que se encontravam regularmente na Bertrand, na Brasileira, no Gelo, no Central, no Alentejano, para contarem as novidades do seu labor, lendo-as ou dando-as a ler em primeira mão aos seus confrades e compinchas, parceiros de discussão ou adeptos de ideologia, assim hoje cada escriba pode crescer internamente sem se privar do convívio e confrontação gregária que o alicerça na humanidade que constrói e a que simultaneamente está sujeito, não obstante os cafés e salões de chá terem perdido a decoração, a frequência da estirpe intelectualizada, disponibilidade e ambiente convivencial ou tertuliano de pretéritas datas, motivações e estratificação social propícia. Pois “quem somos, senão o que imperfeitamente sabemos de um passado de vultos mal recortados na neblina opaca, imprecisos rostos mentidos nas páginas antigas de tomos cujas palavras não são, de certo, as proferidas, ou reproduzem sequer actos e gestos cometidos? Frases incompletas, vidros quebrados, arestas de estilhaços onde sangramos palavras? Animais inocentes que porfiam na cegueira das trevas a demanda tenaz do seu claro sentido?”
Assim, desse cuidadosamente íntimo entrelinhavar no conflito entre prosa e rima, maquinismo que catapulta a escrita para lá das significações estritamente ordinárias, vulgares ao amanuense como ao filósofo, pejadas de argumentação e retórica do advogado em causa própria, o blog permite estabelecer um grupo permanente de convivas ou cumplicidades externas ao processo de criação literária, no entanto suas integrais testemunhas nunca indiferentes e antes participativas, senão solidárias, críticas, que a abonam ou agregam, revolucionam ou prorrogam, nos ditames subjacentes à estética, corrente ou doutrina interiorizada, acrescentando-lhe a mais-valia da gregaridade, da socialização e da ética, editando-se como bastidor de dimensões supra espaço-quando onde a arte ganha foros de meio de civilização e perde as funcionalidades de apêndice, de acessório na cosmética do narcisismo individualista, não como passaporte electrónico para universalidade literária mas sim, e nomeadamente, enquanto panóplia de opiniões interessadas e afectas ao género que ao momento vigora na imagética do seu actor, imperando sobre o seu par no intermitente contencioso de onde nasce incontornavelmente cada obra.

O escriba acocorado

Sentado na pedra de ti próprio,
não tens rosto, senão o que,
de anónimo, a ela afeiçoou
a mão que assim te quis. Do resto,
do que de individualidade, porventura,

em ti existiria, se encarregou
a persistente erosão dos dias. De vago,
neutro olhar sem órbitas, permaneces
hirto, fitando sempre mais além
da morna penumbra que envolve

no halo intemporal que é, do tempo,
o nexo único. Nesse olhar
de não ver que se inscreve,
repensa e adivinha: teus limites
e, ainda, o que excederia tua humana

estatura. Sem contornos, em sombra
e sono te diluis no que, de ti,
nunca saberemos. Porém, límpida
e escorreita, até nós chega a laboriosa
escrita que no papiro ias lavrando.

In O Corpo de Atena, de Rui Knopfli

Outro escribalista que a par de António Quadros e Rui Knopfli (RK) merece referência nestas teses de acento convexo, quer pela sua conduta de escrita, quer pelo seu difuso refundir poético na criação romanesca, é Vergílio Ferreira (VF), sobretudo naquela que foi uma das suas mais exemplares experiências no âmbito do escribalismo: Carta a Sandra. No entanto, e por questões de intercepção diacrónica, geográfica e conotativa (ambos conviveram em Lourenço Marques onde editaram, em conjunto, os cadernos Caliban), seria de muito mau tom saltar para VF sem tocar no seu reverso, visto que se neste o prosador vingou foi por ter sido sustentado com discurso do poeta, amamentado pela sua imagética, em RK foi a poesia que se entrincheirou na narrativa pessoal e plástica, deslindando formas esculturais de étimos que à memória só se revelaram pelos sinuosos arrimos do inconsciente, considerando que este canteiro de palavras, cinzeladas no mármore da carne viva, na pedra árdua do palimpsesto, em estrofes penosamente reiteradas no sangue como incessante procura de justiça e de verdade sob o ruído das torrentes subterrâneas, na imemorial mó granítica e circular com que o humano balizou os horizontes do tempo, buscado no espectro da rosa dos ventos não como realidade dum corpo mas antes corpo de verdades, enquanto rosto de algoz que inclusivamente é a face da própria vítima, também foi um dos que tiveram de resolver a tirania da bissexualidade genérica consumando o incesto de deixar-se penetrar pelo discurso narrativo na sua poética de quietas estátuas de sal, palavras corrosivas, danosas como vermes que perseguem a ideia, cativando-a e perturbando-a lentamente, subvertendo-lhe a vontade, exaltando-lhe os sentidos e, amorosamente, desfigurando-a, até já nada dela restar senão o poema, intencional e propositadamente fora de qualquer rima, que trabalha dura e dificilmente a madeira rija dos seus versos, sílaba a sílaba, palavra a palavra, mas que não rimam simplesmente para se não violentarem e se sentirem esperadas. Feitos prosa escorreita, se lhe estilhaçarmos a configuração na página para o lermos em linha corrida.
Luís de Sousa Rebelo diz dele – O Escriba Acocorado, livro concebido entre 1971 e 1977, mas somente editado em 1978 –, no prefácio a Memória Consentida: 20 anos de poesia 1959/1979, da Biblioteca de Autores Portugueses, edição da Imprensa Nacional / Casa da Moeda, que é "uma narrativa em treze poemas, delimitados por uma proposição e uma posposição", sob a estruturada ordem de poema épico "onde o acento lírico põe na voz uma mágoa de naufrágios e derrotas cruéis, que impõem o exílio do espaço habitado e bem amado. À perda das areias, das águas e dos rios conhecidos, ao ufanismo de outrora, canto inocente da infância arruinada, impõe-se de novo a consciência da única continuidade sólida na trajectória do seu próprio ser: «... pátria é só a língua em que me digo.»" Já que é "nos desconcertos do mundo, que constitui um dos grandes temas do Escriba Acocorado, onde se combinam todos os sofrimentos da humanidade milenária, desde Homero a Sá de Miranda ou Camões, desde a Ilíada à Waste Land de Eliot, com as provações do tempo lusíada, Knopfli não deixa de comentar a ironia dos deuses:
«pergunto-me se o meu destino nisto se concertou:
descer a última vertente sob os plátanos do Mall,
restos de inverno mordendo o ar primaveril.»"
O que é quase a essência do escribalismo, se considerarmos que o exílio do espaço habitado e bem amado que refere, mais não é do que a revelação projectiva daquela outra expulsão interna à língua pátria, em que foi notoriamente coagido, impulsionado, para escolher entre poesia e prosa, mas ele, o autor, porque tentou (e conseguiu!) fazer uma à custa da outra, igualmente transferiu o seu desconcerto interior, o desencontro íntimo, para o mundo real e visão que dele formara: filosofia de vida, conceito de sociedade, percepção do cosmos e teoria originária da vida. Que enformam categoricamente num "centro trágico" preenchido por inúmeras "contradições, angústias, fraquezas e carências" passando ao lado da vida conforme foi apanágio da malta da dialéctica do blusão e das patilhas. Como aliás, ainda é!
Escriba bipátrido que professou a sociologia das esquinas sentado na borda do passeio com os rebeldes do tacão martelado no solo (geração de expatriados moçambicanos que reúne uma imensa plêiade de artistas e intelectuais de onde se destacaram nomes como o de Alberto de Lacerda, Helder Macedo, Virgílio de Lemos, Ruy Guerra, Fernando Gil, Pancho Miranda Guedes, Pepe Diniz, Bertina Lopes, Grabato Dias, Eugénio Lisboa, por exemplo), precisamente no vértice de confluência perpendicular entre o essencialismo de ser e o existencialismo de estar, que nunca se embrenhou empenhadamente e com exclusividade na claridade neótica de qualquer delas, nem sequer intervalarmente, mas antes se instalou naquilo que alguns apelidaram de lirismo lucidamente vigiado, o que verdadeiramente não sei que seja por demais que a alucinação se imiscua nas minhas imagética e teoria da crítica, embora tudo aponte para essa espécie de contrita proclamação de quem em atenta vigília cruza o périplo das noites de olhos perdidos na brancura manchada do papel, recriminando-se delas (brancura e mancha), qual detractor sistemático de si, progredindo com infalível pontaria na pista dos seus modelos (Manuel Bandeira, Drummond de Andrade, Manuel da Fonseca, Vladimir Maiacovsky, Miguel Torga, José Régio, Bertolt Brecht, Alexandre O'Neil, Augusto Gil, António Nobre, João de Deus, Vinícius de Moraes, T. S. Eliot, Robert Lowell, Herberto Helder, Camões, Jorge de Sena, André Vozenesensky, Gunter Eich, Kavafi, Dylan Thomas, Po-Chu-U ou Wilfred Owen), com a teimosa persistência de quem trabalha vigilante (e não esquecer que os vigilantes também podem ser os paisanos do moralismo, policiadores voluntários do bem-pensantismo e da ordem divina...) na oficina escura sem-mais-nada que as arestas vivas, da dureza do diamante, sempre com ar discreto mas minando os poderes instituídos que lhe retribuíram à letra, como se veio a confirmar no final da sua vida pela atitude dos Outros (país em que nascera como uma criança longe) a quem pertenciam as suas duas pátrias – Moçambique e Portugal – mas a que teve de renunciar para se abrigar no cortejo a Sua Majestade, em Inglaterra, como consequência do período pós colonial português (e ultramarino), que o passou a considerar reaccionário e racista, quando no pré-25 A foram lestos e lampeiros em classificá-lo de revolucionário.
Desenraizado de micaia na lapela postara-se na beira do passeio onde as palavras ainda estão chateadas e não têm ilusões. São árvores que não frutificam fantasias, dão flores de sangue e frutos abortivos de dor, no tempo que vai da sístole à diástole. Verdades falsas. Palavras imperfeitas de torna-viagem que se esgueiram e sobem à tona ou penetram doloridas nos espaços oxigenados, quase rostos em que se incendeia a escuridão que habita, essa insónia de velar a uma e outra artéria da escrita, ora a lógica prosaica dos factos, ora a distância indiscritível dos incógnitos anos futuros, caminhando diurnamente mas com os pesadelos nocturnos colados à consciência.
Autodenominando-se medíocre de esquina, o seu rio é de gente, não de água. É um rio ético, muito próximo do de Camões, do de Pessoa e do de Garbato, no qual ninguém se deve rir dos dentes do jacaré antes de o ter atravessado completamente, habitat de amedrontados bichos humanos que, pelo seu delito da palavra expiam nas trevas a sua própria substância, o anátema da inveja suscitada, pois não obstante o que parece, as aparências iludem de facto, o que transforma a transparência aparente do seu discurso na emanação dessa mesma obscuridade onde, vazados, seus olhares foi sempre para dentro que olharam, tentando ver a essência (... Para quê querer incendiar os astros se, dentro de nós, ainda não acendemos todas as luzes?) humana, aquela que faz de cada homem uma ilha cega na densa cerração.
Se tem tido a ousadia de saltar da esquina, descer o lancil e tomado uma das direcções, podia ter sido um bom poeta; podia até ter sido um bom romancista; assim, foi apenas um óptimo mestiço, cujo verbo de ocidental africano, embora o DNA da página branca tenha confundido os genes da noite escura, que adivinhou o futuro europeu, o impacientasse demorando o sábado que nunca mais era e hoje é. Porque hoje é sábado, dizem os poetas de ahora. Portanto, ouçamo-lo com Naturalidade:
«Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.»
E a Europa é precisamente essa esquina que fica entre a imagem e a descrição, entre o novo e o antigo mundo, entre o gesto e alma, entre o oriente e o ocidente, entre a tecnologia e a natureza, entre o norte e o sul, entre o conhecimento e a tradição, entre a técnica e a matéria, entre a sílaba e o cifrão, entre o analógico e o alegórico, a que a humanidade convencionou chamar civilização homo sapiens, de onde os escribas da modernidade, acocorados ou não, sentados no chão à índio ou nas esplanadas dos cafés parisienses, pincelando a tela ou dedilhando o Windows do portátil sobre os joelhos, debitará a dúvida criativa entre prosa ou poesia, o cógito metódico entre estar e ser, entre ficção e verdade.

Poesia com poesia se paga

Estranha humanidade…

Recebeste algum aviso, ideia forte
Conselho, qualquer indicação útil
Do que deverias dizer ao vento norte
Quando aflorasse teus lábios cor de sul
Gretados nas secas e alterações climáticas?

Estiveste porventura lá naquele dia
Entre as urgências e os intensivos de Santa Maria
Quando os médicos te diagnosticaram poliomielite
E o teu disse «porra, está fodido o gaiato,
Para toda a vida, mesmo que se salve»?

Ouviste alguma vez os sinos repicarem longe, longe
Mas aproximando-se como comboio rápido aproximando-se
Aproximando-se até te estoirarem o bronze das células
Num dlam-dlam dlam-dlam ensurdecedor parando tudo
Sem voz gritada de “ai!!!...” para desligar o mundo?

Então, deixa-me ficar aqui acocorado longe da tua sabedoria
Da tua mesquinha insignificância de ser ninguém mas com canudo
Cego, insuficiente mesmo se quer ser algo de ver-se
Que não consegue cumprir os ditames que a si ditou
E tem dificuldade em confrontar-se com a igualdade prática
Que faz de muitos, aos milhões, a mesma pátria.

Volta-te prò espelho, palerma unzidor…
Que vês tu? De ti até os fantasmas fugiram,
Se esconderam da dor de ser sombra, arderam
Consumidos na vergonha da própria cor!

(Joaquim Castanho)
Ou seja: nesta perspectiva – e retomando as funcionalidades da bloguística que satisfaz completamente as necessidades do escriba, como o mais flexível e maneável dos papiros que a ciência, a indústria, a técnica e o progresso nos facilitaram –, aquilo que noutros tempos estava apenas acessível a alguns carolas ou eleitos, afortunados pelo ambiente literário onde nasceram ou suficientemente endinheirados para se deslocarem até eles,

9.01.2006

GOVERNO PORTUGUÊS DEMITE-SE DA GESTÃO DOS RIOS INTERNACIONAIS

Caso venham a confirmar-se as notícias veiculas hoje pelos órgãos de comunicação social, relativas aos cortes no caudal do Rio Guadiana pelo governo espanhol, o Partido Ecologista “Os Verdes” considera que este é mais um exemplo da falta de intervenção que o governo português tem tido no acompanhamento e controle dos acordos firmados no quadro dos convénio luso-espanhol para os rios internacionais.

“Os Verdes” constatam mais uma vez a atitude demissionária do governo face à gestão dos rios internacionais e exigem explicações, em sede parlamentar e fora dela, sobre que iniciativas foram já tomadas junto do governo espanhol, para exigir o cumprimento dos acordos firmados em relação aos rios internacionais e, em particular, neste caso concreto do Rio Guadiana.

“Os Verdes” consideram ainda que o acordo luso-espanhol é extremamente lesivo, não só para os interesses nacionais, como também para o equilíbrio ecológico dos nossos rios. Qualquer violação deste acordo agrava ainda mais uma situação que “Os Verdes” consideram ser, já na sua origem, danosa para a gestão dos ecossistemas fluviais.

Para “Os Verdes”, os sucessivos governos portugueses não têm tido uma atitude firme de defesa do interesse nacional, do ponto de vista da gestão dos rios internacionais, tanto numa perspectiva da água como sendo um elemento estratégico para o desenvolvimento, como ainda numa perspectiva ambiental e de desenvolvimento sustentável.

A confirmarem-se as notícias de hoje, o caso do Guadiana é ainda mais grave, visto que no último acordo, foi concedida a Espanha autorização para ir buscar água ao Alqueva (que é alimentada também pelo Rio Guadiana). Desta forma, conclui-se que o caudal do Rio Guadiana está ao inteiro serviço de Espanha e não do nosso país, situação que é de extrema gravidade especialmente numa região onde os recursos hídricos de superfície são escassos e onde a seca se faz sentir de forma acentuada.

O Gabinete de Imprensa
31 de Agosto de 2006

8.25.2006

LAVA DE AR

Acabaste de espirrar... Eu ouvi. Deveras!
Puseste a concha da mão na boca,
A cabeça deferentemente inclinada
Aquele semblante compungido e discreto
Que ambos tão bem conhecemos
E te resguarda do luar na barragem
Típico de quem se entrega desenfreada
Aos ínfimos predicados do corpo em ebulição,
A meticulosa singeleza de observar uma unha partida.
E comprimiste as pálpebras em concentração.

Sempre temeste que te detectasse moléstia...
Melindras-te se te digo que és perfeita
Que te adoro assim como acordas
E não como te deitas ou circulas no dia,
Pois é indiscutível que continuas a assustar-te
Com a ideia que possa ver-te frágil, carente,
Humana, enfim como qualquer menina.

Orgulhas-te da tua maioridade, é o que é!
E consideras o dia em que fizeste 18 anos
Aquele que foi realmente o dia do teu nascimento.

Olha: não há mal nenhum em sentirmo-nos mal
Pequenos, indefesos, dependentes do sorriso.
Nem temos a tácita obrigação de enfrentar
Seja o que for!, de forma heróica e sensata
Como se fosse lógica e nós sempre obrigados
A nunca perder as oportunidades e aproveitá-las
Desde as mais insignificantes às especiais
Para provarmos a nossa magnânima sanidade mental
Toda feita de íntegra disponibilidade e adjectivos definidos
Artigos de garantida qualidade e produção em região demarcada.

Portanto, sê tu, apenas isso, e como quem és...
Como quando caminhas em mim e já te não sinto os pés:


«Atchim!!!!....» – curioso não foi? Pois
Pode não ter sido pujante, mas ouvimos os dois!




ALMA

Este é o caminho propício
Único de nos encontrarmos aqui,
A haste de ervinha onde floresce o querer.

Se ainda não me viste
É porque algo insiste
E entre nós resiste:

O silêncio do grito calado
Vendo vendado
Na ousadia de ver.


MODO ÍNTIMO DE VERBO

Em verdade, só quero escrever para ti;
Contar-te que vejo se te vejo no mundo,
Sentir que sorris daquilo que senti
Ao ver-te habitar meu sentir profundo.

Por isso, assusta-me a distância entre nós…
Dói-me a dor dela e do medo de não ver-te.
Que à solidão também pode nascer uma voz
Precisamente se diz o segredo de dizer-te.

Porque se há loucura no amor
É por ela inventar sonho e desejo,
Matar o medo, queimar a dor
E florescer da palavra como beijo!

8.24.2006

INTERVALO DE QUIMERA


Quando sozinho parares à porta do silêncio
E ouvires o seu eco no desvão da consciência
Algo a raspar-te as entranhas e a tesão
Sem ao certo saberes que cartas te irão sair
Pares ou ternos, póquer ou sequência
Azar ou sorte, prémio ou condenação
Alegria ou a culpa e sua pronúncia;
Então sim, estarás pronto para decidir
Se entras ou não,
Pões o pé na escada, atenteias o corrimão;
Se queres definitivamente ficar ou partir.

Entretanto, terás os exercícios fúteis
Do costume e higiene pessoal, os cuidados
O treino de pareceres quem não és
A chave do carro, o cartão de crédito
Casa própria e deferência dos empregados
E empregadas de balcão dos centros comerciais
E a roída inveja dos seguranças não oficiais.

NOVO RICO

Acabou-se-me o limpar-te o cu
Como até agora tenho feito,
Que na asneira o ás és tu
E além de pulmões ou osso nu
Apenas tens pedras no peito!

8.23.2006

TESES EM CONDOMÍNIO FECHADO

3. A arte como palco de um drama a que a trágica condição humana deu sentido

A literatura, a história dela, bem como as biografias dos seus autores, são óptimos pretextos e matéria prima para fazer e apurar mais literatura sem arriscar cair em controvérsias fúteis que não digam respeito ao universo literário, nomeadamente o dos conteúdos moralistas, políticos, religiosos, ideológicos, académicos, personalistas, xenófobos, sexistas e demais teorias abjectas de vida, pessoais mas alheias às motivações, técnicas e competências artísticas. Pode-se viver muito bem em função do nosso conhecimento em vez de em consequência e por reacção às ignorâncias fundamentais de um mundo que está fora do universo cultural da ética criativa.
Ao criticar as letras está-se simultaneamente a reescrever o alfabeto das emoções, dos sentidos, das ideias, dos pensamentos e valores humanos, todavia não em termos conflituais com outros modos de representar a actualidade e os seus intérpretes, antes conforme as nuanças discursivas, as liberdades, desvios e modalidades de expressão, os significados que podem assumir a palavra, enquanto autonímia (capacidade de unicamente entender uma coisa por outra, a intenção pelo acto, o verbo pelo movimento, a causa pelo efeito, o agente pelo agir, etc.), ou estatuto que encerra em si as características de signo, significante e significado, necessárias à construção de um produto cultural por excelência.
O discurso analítico, o discurso sobre palavras e textos, o arsenal teórico que sustenta a visão literária do objecto literário, são suficientes para fazer evoluir a literatura para patamares mais convenientes à estética e ética criativa, sem precisar de se socorrer daquilo que separa a humanidade, abre roturas na empatia entre emissor e receptor, para cumprir a sua missão comunicativa no seio das comunidades que a subscrevem, garantido a sua utilidade social e socializadora, que a originou e consolidou como parte estruturante do universo cultural humano, legando-lhe o mapa dos afectos, costumes e estruturas fundamentais que a fizeram caracteristicamente humana dentro da humanidade ou dela deram testemunho nos planos diacrónicos e conotativos das línguas em que ganharam vulto.
Assim, do ponto de vista da crítica, o escritor é aquele que se diz pela palavra que é também coração da acção, o que apenas se sente vivo quando a nomeia, nomeando-a para descobrir-se, prolongar-se, resumir-se ou ocultar-se, sob as normas do seu conhecimento, conhecimento esse que é sempre de si para consigo, mesmo quando lhe é exterior ou foi adquirido em formação específica, porquanto somente lhe vem através dela, em consequência dela e por seu meio se valida. Escrever é revelar, desvendar. Incluindo desvendar a ocultação. Produzir na dupla relação palavra-acto um processo de intercepções entre o escritor e ele próprio, dele com os demais, dos outros consigo, dos seus semelhantes entre si, e de todos com o universo.

Gestas de amor e canções desesperadas

Contudo, porque funciona em pessoa carece de paragens (cortes, abstracções, catarses, metáforas, mitopoeses, fixações, prolepses, efabulações, analogias, analepses, invocações, imagens, alegorias, metonímias) no discurso geral, que estabilizem a referência nominativa (união entre signo, significante e significado) de forma a que se particularize, ganhe expressão individual que a diferencie da ordem semântica que comummente lhe é atribuída, gerando a síntese, resultado copulativo entre o seu ser e não-ser, posto que sintetizar é socializar, indicar, significar, integrar num conjunto com funções determinadas e convencionais.
Talvez por via disso, perante a incontingência duma solução para a androgenia da caligrafia criadora que o fazia vacilar entre poeta e prosador, o crítico, arquitecto, cenógrafo, professor, pecuário, jardineiro, maquetista, decorador urbanista, apicultor, António Augusto de Melo Lucena e Quadros (Santiago de Besteiros / Tondela 1933 – 1994), autorizou os heterónimos António Quadros para a sua verve narrativa, de ficção em desenho, pintura, texturas, formas e paleta/tábua de cores, Mutimati Barnabé João (poeta-combatente moçambicano autor de Nós, O Povo), e João Pedro Grabato Dias para a sua verdade primeira e profunda, a da poesia e edição, ou caligrafia da nomeação alfabética, "itinerário de palavras / rumo ao estratificado", conforme dele mesmo havia de dizer em Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada.
Isto é, para exercer todas as profissões que teve, sempre o seu próprio nome lhe bastou. Agora, quando teve que usar as canetas (pincel ou esferógráfica, lápis ou estilete, espátula ou máquina de escrever) e apresentar o trabalho daí resultante, então atribui-se identidades próprias (não clones ou pseudónimos, que são uma espécie de heterónimos que não cortaram o cordão umbilical com a pessoa que os criou), criou personalidades distintas que lhe vincasse e sublinhasse os alfabetos. António pintava quadros, fazia desenhos, expunha, dava conferência e animava ateliers; João Pedro fazia poesia, recuperava e editava manuscritos de familiares, decifrava os palimpsestos da sua formação, as memórias recônditas dos seus genes e ancestrais, que nem John Keats ou Jorge Luís Borges.
Numa prova oportuna que o poeta não faz pintura, não reporta interiores nem exteriores de si, não descreve as paisagens, naturezas mortas ou vivas, nem os portos em que ancorou na sua navegação: conta histórias da palavra e por palavras, arquitecta conspirações simbólicas e dialoga com divindades, profetas e antepassados. Não narra os capítulos e destinos das peregrinações diversas ou fantásticas, nem dá atenção a ilusões sensórias, pois se embrenha na essência individual, aquela que jamais mudará onde quer que esteja, tenha que idade tiver, disponha dos conhecimentos e instrumentos que dispuser, pois aquilo que procura e traduz é homem universal. O sonho mineral que codifica a sua genética espiritual.

E também as glórias, vãs fortunas, esquecimentos

Houve (e há) poetas por vingança e desfaçatez, cujas rimas mais não foram do que verbo azedo com aromas, tipo iogurte de frutas para agoniados e melancólicos lambedores de feridas ou desocupados desenxabidos. E houve prosadores de leite creme e queimado caramelo, qual doce veneno do criancismo do faz-de-conta a brincar aos grandes ideais na gramática do ser. Mas tanto aqueles como estes, continuarão a desemalhar-se, enrolando-se em novelos, mais ou menos volumosos, mas sempre de confusa e complexa estopa, de mínima importância na teia literária que protege e divide, secciona e pintalga a amalgama dos tempos com o registo da alma dos povos; pois não souberam ser o que já eram, acumulando também as funções daquilo que poderiam vir a ser. Mas felizmente não foram todos assim, dado que alguns se perderam a si para encetar a genialidade, não a de cantarem o bonito, o vitorioso, o poder e as modinhas populares, tecer loas a damas ou cortesãs e lamentos/pedidos de tenças a monarcas, de divertirem a corte e as palatinas audiências, do mercar amizades boémias copofónicas e brilhar nos bastidores do espectáculo, e antes fizeram o que lhes ditou a voz da sagacidade, humor, ironia e audácia, que não derrotam a derrota com encobertas aparições e desejos, como exemplifica Frei Ioannes Garabatus, n'As Quibíricas, editado pela primeira vez em 1972, de forma clandestina, em Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique, numa tiragem de 1500 exemplares, dos quais 700 voaram para a metrópole, com a conivência dos militares do colonialismo, iludindo a censura e diluindo-se, evaporando-se, instantaneamente nos antros da resistência antifascista. Pela heterónima mão gémea de António Quadros, João Pedro Grabato Dias, co-editor com Rui Knoffi dos cadernos Caliban, nascido e "criado no seco chão duriense, mudo mas prolixo de sons", entretanto cumprindo a sua quota da diáspora lusitana por terras de além mar, recuperando alfim "o manuscrito" em tipo de forma.

8.22.2006

CAMIONISMOS E CAMONIANAS

1.

Moda Floribella-Morangos com Açúcar

Se do quanto por cá se faz
Acaso ainda mal se não disse,
É que algo que a tantos apraz
Nunca passa de aldrabice.

2.

Macho Latino

Cale-se o alarido sobre a feminina condição
Em que muito se zurze a voz ao mulherio
Que como também outros foram estes tempos são,
Por quanto continua a não haver maior gentio
Do que aquele que tem Bilhete de cidadão.

3.

Veranejo e Romaria

Dança o povo sobre a areia da praia
Estrala a bomba, vai o foguete no ar;
Contudo, antes ainda que a cana caia
Aproa o barco a pique, a naufragar.

4.

Nova Lusitânia

Neste mar de oitavas
Que de tantos espantos é
Há punhos como clavas
Comendadores de café.
TESES EM CONDOMÍNIO FECHADO

2. O trigésimo sexagésimo sexto dia do ano ou como a androgenia não é solução prà bissexualidade (literária)

A coexistência entre dois seres que se amam e odeiam, invejam e admiram, partilham o mesmo habitáculo mas por diferentes motivos, nunca foi, é ou será pacífica. Praticam idêntico jogo bélico, utilizam iguais armas, têm semelhantes objectivos mas usam técnicas e regras pouco similares, próprias, obstinadas de originalidade, ainda que no mesmo suporte e em proximidade de registo. Porque se raramente se afastam um do outro sem sucumbir (à saudade ou guerrilha interior), também mais raro é conviverem sem capricharem e competirem pela hegemonia e ascendência, efectiva titularidade de presença e efeito na personalidade criadora, através da posse e submissão do seu par.
Pese embora prosa e poesia não estarem em perpétuo conflito uma com a outra, nem as duas com as demais artes, ou qualquer ciência, religião ou filosofia, a não ser quando este conflito possa gerar mais arte, mais literatura e, principalmente, sirva para intensificar o gosto por elas, implementar o debate sobre as suas criações e relacionamento interdisciplinar, convenha para argumento e motivo de avaliação de melhores narrativas ou poemas, o que é indubitável é que a sua evolução é caracteristicamente biológica, tal e qual como a das árvores de grande porte que, ao crescer, procurando a incidência do sol, o tapam às suas vizinhas de floresta, essencialmente as mais próximas independentemente do seu grau de parentesco e sexualidade, atrofiando-os para as aniquilar gradualmente e sob a sua sombra as levar a perecer.
Porque se a cada texto é dada uma personalidade, ela deriva sobretudo das condições em que é germinada mais do que da apetência de degustadores ou acuidade técnica e laboral que o seu autor lhe concedeu, uma vez que nunca é estruturada em função deles mas como afirmação propositada de género no seio de quem a autorizou, e que, ao abandonar o sexo dos anjos e da indefinição, nele se instaurou, estabeleceu, fortificou, converteu e instituiu, edificando-se e consolidando-se em plenitude pela preterição do seu reverso, mas ganhando-lhe as característica topológicas daquela que abandona, não por traição, antes por assimilação de conquista territorial de capacidades, fronteiras e competências, apropriando-se do léxico e conhecimento gramatical que a ambas pertencia.

À boleia de um adoptante adoptado

Por exemplo, talvez a isso se deva que Maria Alzira Seixo, não tenha evidenciado qualquer hesitação em afirmar, num livro tão pequeno quão fundamental, cujo título redunda no essencial sobre o autor, que “na carreira de José Saramago, ao encontro da palavra poética segue-se o encontro do género privilegiado: o romance. Mas é essa palavra que o funda, semente lírica que faz vibrar a ideia, nessa vibração implicando o escritor que a produz, esse mesmo que é sujeito activo do trabalho de escrita e que vimos erguer-se literariamente diante de nós com força maior nos livros de crónicas, seus traçados essenciais do caminho principal que se abriu na determinação cerrada de Manual de Pintura e Caligrafia. Vimos como o Manual hesitava entre a ficção e a verdade, entre a representação do mundo e do homem (o pintor que escrevia os factos da sua vida) e a produção de um modo específico que é o da arte (criação da obra, reflexão sobre essa criação, sobre a própria linguagem que o veicula), entre o homem e o tempo (o eu que se perde e se recria, e essa duração simultaneamente corrosiva e modeladora que lhe permite ser).”
O que traduz, em súmula, a influência dos resquícios formalistas, para quem era mais importante o aspecto formal do texto do que o seu conteúdo, desrotulando este escritor português de romancista que também fez "versos", conforme quis anunciar e propalou a voz oficial e corriqueira nos cânones do sistema educativo, chocando e fazendo eclodir uma versão que melhor correspondesse ao seu desovar genérico de sociedade de produção e consumo, que intencionalmente declarou a poesia como persona non grata aos avanços da economia, tentando enaltecer e valorizar o prosaico ao invés daquilo que ele realmente é, atendendo a que a nossa "nacionalidade" genérica é a da família de origem onde nascemos, daquele formato literário em que demos os primeiros passos criativos e que, ao caso dele, foi a poesia, obrigando assim afirmar, em abono da verdade e da justiça, que ele é sim um poeta que também fez romance, género ao qual dedicou a maior fatia do seu trabalho, tempo e obra, no qual até terá sido laureado com o maior prémio global dedicado à literatura: o Nobel. Pois se um "poema cadáver" é aquele que mais nada revela do que a "evidente notícia" nele o prosador quis dar, de onde exala a pestilência do género abortado, o que é certo é que a poesia de José Saramago está longe de ser defunta, da mesma forma que a sua prosa não é necrófaga, mas principalmente um enleado jogo de alegorias e associações livres, metáforas desenvolvidas e baladas literárias sem rima que também pertencem e balizam o universo da poética.

Madame de Bovary sou eu

De onde seja legítimo inferir que não há uma pessoa que faz ao mesmo tempo com idêntica acuidade prosa e poesia, pintura e fotografia, cinema e crítica, música e dança, voz e orquestração, mas que há sim alguém que está neles todos, mesmo quando é outros e produz algo que não o iniciado na vocação de si. Os heterónimos, os pseudónimos, as personagens e narradores, não são assim uma dispersão do ser mas uma confluência dele com delimitações de tempo, espaço e modo circunscritos no universo do original – o autor. O primeiro a despertar para a criação, logo aquele ou quem se levantou mais cedo para calçar as botas e… caminhar.
Porque o importante não é escrever muito com pouco sentido, mas dar a cada restrita frase todo o significado possível, o que deveras se denota na célebre afirmação de Flaubert "madame de Bovary sou eu", porquanto cada enunciado é a compressão do seu emissor, em cada verso está o poeta comprimido, como em cada parágrafo há um centro nuclear do seu autor, quase átomo narrativo ou matriz genética daquele que se narra sem ser o narrador propriamente dito.
O que quer dizer, sem apelo nem agravo, que ser uno em matéria de criação literária é ser tantos, se possível todos quanto habitam e povoam o universo textual, o painel de personagens e figurantes que consubstanciam os enredos, as tramas, pois todos eles são aquele que os descreve e o ambiente onde se mexem, ainda que aquele que os produz não o faça com hora marcada para ser um ou ser outros, não se levante um dia personagem, protagonista ou poeta, ou acorde predisposto a "maquilhar-se" mais de novelista do que de tradutor de idílios, não se predefina que entre determinada data e outra posterior o poeta pintará um quadro ou o cineasta congeminará uma crítica, o que não podemos é esquecer que em verdade se estipula que na "vida" dos poetas há um período para descansar de si que normalmente é utilizado para serem outra coisa, tendo alguns sido nele prosadores, primeiro como hobby mas de que não regressaram às origens da poesia, da mesma forma que houve demais profissionais que se especializaram nos seus passatempos a ponto de os passar a exercer profissionalmente.
Ou seja, é difícil acreditar que há (ou havia) dois, três, quatros seres em um só, dado que a criação em nada se assemelha ao estado de gravidez, nem a manifestação artística se equipara à clonagem ou reprodução de si, mas não restam dúvidas que há um ser capaz de se dispersar por todos quantos a sua imaginação concebe, quer poeta como contista, conforme no que inicialmente se afirmou, formatou e se expressou, podendo depois cambiar-se, alternar-se entre um e outro vida fora, repetindo-se e repetindo-se até já não saber qual deles primeiro foi, embora nunca o tenha realmente deixado de ser.
Excepto no 366º dia do ano que por cada ano nos acontece, dia que nos celebra por celebrá-lo e nos atribui o diploma de peritos de ser sonhando, em que os lutadores abrem trégua para se encontrar sorrindo, apertar as mãos num passou-bem à esquina de qualquer frase insignificante que nos significa, nos resume sem saber que melhor o faz do que tudo quanto acreditámos poder fazê-lo, ou que algo houvesse alguma vez com poderes similares, não obstante constantemente reajamos mal às incompreensões mútuas, já que escrever é o acto social mais solitário do mundo, concebível apenas no praticável e concreto diálogo entre a pessoa e ela própria, de si para consigo mesma – mas sempre sempre à vista de todos!

8.16.2006

TER OU NÃO TER VOZ

Tens o olhar
Pronto a dizer
Aquilo que queres calar
Aquilo que queres esquecer.

Tens o olhar pronto a dizer
Que calar é sempre perder.

Tens o olhar.
Pronto: tens o dizer.

Tens o olhar.
Pronto: tens o calar
Por fazer.


VINDO DO VENTRE

Às vezes a gente adormece
Sobre o ventre empinado da companheira
Perde o pesadelo que a sombra tece
Perde o medo de dizer asneira.

Às vezes a gente adormece
Filho e acorda pai prà vida inteira.

Às vezes a gente adormece
Com a cabeça no colo da companheira
E quando de vez acorda, reconhece
Que sonhar só tem jeito dessa maneira.

Às vezes a gente adormece.
E acorda bala de cor certeira.

ILUMINAÇÃO ESPECIAL

Afinal, que seria de mim sem ti
Se me tornaste naquilo que sou,
Que foi ao ver-te que melhor vi
Os caminhos nos passos que dou.

8.10.2006

TESES EM CONDOMÍNIO FECHADO

1. Quando o escribalismo é confessado pelos seus escribalistas

Poucos conhecerão o prodigioso efeito que uma esferográfica pode ter na mente perversa e alucinada de um poeta… Alguns, para melhor usufruírem dela e a manobrarem conforme o seu prazer e argúcia, até fizeram prosa!
Entre a corrupção e a heresia apenas existe a esbatida fronteira da materialidade profana. Porque dos rituais, tanto de uma como da outra, também chamados de analogias e anáforas, não rezam destrinças de maior. As mais das vezes, nenhumas mesmo. Se nos pomos de contar, raramente conseguimos evitar que a alegoria salte por’í arriba, suba como seiva humedecendo a caligrafia, invada de insistente esperança cada nervura das pincolhas e pendericos, até à vírgula mais distante das folhinhas ternurentas. Altivas. Góticas. Onde moram os botões de florir e cabritar com as cores do arco-íris.
Motivação, arma e corpo de delito, são os três pilares essenciais do homicídio. Definir quem o praticou, é a tarefa fundamental do crítico, do detective, do teórico literário. Se o poeta se aperceber a tempo das intenções assassinas do prosador pode inverter os resultados matando o matador, atraindo-o com a sua entrega, de sedução em sedução, insinuando-se gentilmente, enleando-o em seus fios de metáfora, de imagem, numa teia de estilo; manietando-o primeiro, para em seguida o devorar. E, nesse caso, o argumento de legítima defesa poderá iludir bastante o grau de justiça dos leitores… Sobretudo dos mais expeditos e viciados em polissemia!
No entanto, não é por muitas das testemunhas serem coniventes e cúmplices na negação, que um crime deixa de ser crime. O jogo de ilusão, a artimanha, a rasteira, foram diluídos, os rastos apagados, pela subjectividade dos contornos, imprecisão da luz e relevos do lugar, a "ponta-e-mola" escondida nas bainhas dos recônditos avessos, é certo, mas o cadáver é indesmentível. Está lá. Sem remissão e impossível de tresler, ainda que por linhas tortas. Inexoravelmente. Porque quando a prosa cheira a poeta morto ou a poesia exala o odor do narrador defunto, eis que nos deparamos com uma estesia moribunda à procura do jazigo semântico onde possa repousar em paz. Definitivamente e sem rebuço de frase morta. De texto caído na vala do anonimato e esquecimento, entre as paredes frias e lisas da memória marmorínea.
Sancho e Quixote acompanham-se para melhor se vigiarem (mutuamente). Espiam-se na busca incessante da oportunidade de ouro para desferir o golpe fatal e de inocência garantida. (Não há quem melhor se inocentei do que o crédulo injuriado, o néscio seduzido, o idealista confrontado, o utópico contradito; o narciso ignorado, o moralista demitido, o sonhador defraudado, o político desmentido...) Quais escanções do sublime, como Romeu e Julieta que provocaram a morte mútua, o duplo homicídio, em que a vítima conduz o seu afortunado ao suicídio, demonstrando que embora o crime tenha sido perfeito, para se cometer se tem forçosamente que arriscar a vida muito para além do que é sensato e admissível fazer, conforme qualquer viciado ou toxicodependente sabe bem, palmilham a península enredando tramas, tecendo censuras e sentenças, aglutinando passados de cavalaria em nome de futuros enganos, ou ludibriantes idiotias românticas. Xerazade e Harun Al Rachid. Tristão e Isolda. Pedro e Inês. Dante e Beatriz. Bonnie and Clide. Dr. Jekill e Mr. Hyde. Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Pessoas e Ofélias. E demais indeiscências duma lista que se desenrola para o eterno.
Essa crónica de morte que os íntimos exacerbam com a técnica do esgrima, usando o florete sentimental com a rigorosa precisão do bisturi, teve tão caricatos quão exagerados modelos de denominador comum em conquistadores e serial killers, D. Juans e Jacques Estripadores, Isadoras Ducan e Virgínias Wolf, Hemingwais e Anais Nins, sem conto na quotidianidade das artes e letras com sua vasta panóplia de suportes, arquétipos, correntes e eclosões na germinação da vontade de poder e eternidade; essa crónica (anunciada ou não, tanto faz) do percurso das vítimas até ao seu carrasco, agredidos que também são agressores e agressores que são igualmente vítimas, quer de si como das suas presas, que caminham lado a lado até ao desfecho final, onde definitivamente se separarão ficando irremediavelmente ligados, jungidos e incluídos um no outro; essa contínua peregrinação entre este e essoutro que recorrem à técnica da intercepção para ganhar a hegemonia na palavra que já é sua, e apenas sua, até à ocupação definitiva, capitular, que transforma o autor em colónia de si, território perseguido e possuído muito para além dos limites e fronteiras da razão admissível, na mútua subjugação total pela perspectiva de um orgasmo incandescente de glória e fama, qual Big Bang extra-sensorial, do outro mundo, que lhe desoculte o ser, marque o indício da genialidade, catapulte o seu virtuosismo de executante, imprima a pegada de arte no calcário amolecido da História, testemunhe seu esmero e empenho, enquanto ritual de sacrifício de que o assassino se socorreu para cometer o seu mister; esse desespero das canções apaixonadas, trovas e coplas a que a interpretação semiótica oferece a semântica da fusão em branco, é certamente o grito de quem já não fere mas prefere na morte de tudo ou nada, a câmara escura onde somente o ultravioleta das vozes uníssonas não queima a película dos sonhos andromedais, e o irradie da mistologia genérica onde cada obra mais não é do que um tratado sobre a vida espiritual (e contemplativa) do seu autor, conforme pensa a mole dos críticos ingénuos e humanistas naif, que confunde invariavelmente a feitura com o feitor ou justifica, explica, compreende e avalia apenas do acto a emotiva (ante)mão que o desfere.
Enfim, essa sina de rixa sem cisão, que em Portugal é particularmente masculina, igualmente testemunhada no percurso de escritores como Júlio Dinis, José Régio, José Gomes Ferreira, Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, Mário Dionísio, Fernando Pessoa, Manuel da Fonseca, Vergílio Ferreira, José Saramago, Eugénio de Andrade, etc., que se a uns trouxe a voz da poesia e o eco da prosa, noutros o vice-versa, independentemente da ancestralidade que neles vingou, se a do bardo, se a do contista, se a do trovador, se a do repórter, que não acarretou nem dela adveio mal maior ao mundo senão o terem eles arriscado perder um para "salvar" o outro, embora quase nunca tenha evidenciado esse thriller de morte por asfixia, servindo-se dele como tema principal dos seus enredos, o que é certo é que muito se viu espelhado e reflectido nas suas teorias da literatura, nas crenças que nela alimentaram, nas conjecturas que dela fizeram, cuja redundância caiu sempre e por atacado na ideia de que escrever não é sinónimo de criar mitos, mas antes um esforço para os esmoronar, cruzando géneros e artes diversas, esbarrondá-los avulso atribuindo-lhe novas sinapses de ligação às díspares vertentes do real, eliminar-lhe os socalcos da significação, os rituais, litanias, limites, pré-ocupações, feudalismos de corrente e palimpsestos, até que em nenhum deles fique vestígio de fé, muralha de palavra sobre palavra, pedra em pé que se corporize, nada que sobressalte a estesia de quem nela se anula e esta, se torne missionária sem "boa nova" por seu turno, se faça indefinível e indissociável do universo onde habita e que a habita, nele se funda como ele em si se fundiu, dilua a culpa que transpira o verbo dos "romancistas" que abortaram os poetas que lhe nasceram dentro, ou os aedos que sepultaram a fome de contar na sede do canto, como quem se demonstra indigno de representar quem foi, quem é, por saber-se um ser erguido sobre o esqueleto de outrem. Ou, resumindo, autorizando o sonho para lá do acutenáculo em que o acondicionou, incubou, transportou e permitiu reproduzir-se em infinitas agulhas (significantes aguçados, afiados), adagas de transfusão, quais estiletes perfurantes em que a sua cotovia interior se despenhasse cravando o peito. O que nem precisa de ser entendido pela via do que está escrito mas pode (e deve) ser inventando conforme as tendências de cada um... Todavia, de ressaltar, após a escolha entre o texto e subtexto, somente um sobreviverá. O gesto será todo vosso e sereis julgados por ele. A cada assassino a sua culpa!
(JC)

8.09.2006

POALHA DE VERÃO

A criança clandestina que abrigas em ti
Esse tripulante sem contrato que te conduz
Anda a monte da infância que não viveste
Como cego sem sepultura numa oração de luz.

Portanto, deixa escorrer os cabelos molhados
E sobre o dorso direito descansa o pensamento
O lânguido torpor de aspergir os cuidados
Deixá-los vogar nas ondas, desfraldar os ventos
Ao vento dos sonhos o vento o vento aos ventos.

É o teu dia de areia, clepsidra da praia do tempo…
A duna do ser adormece ainda como uma raiz
Que anseia germinar sobre o que dela mesma diz!

7.28.2006

HOJE – DIA NACIONAL DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA
EM 2006 A NATUREZA EM PORTUGAL TEM TUDO A PERDER E NADA A GANHAR

Ainda que este ano tenham sido designadas cinco novas Zonas Húmidas de Importância Internacional (Sítios RAMSAR), aprovada em Conselho de Ministros a Estratégia Nacional do Desenvolvimento Sustentável e esteja em preparação uma Lei Quadro da Conservação da Natureza, da Biodiversidade e da Paisagem (em cumprimento da Estratégia Nacional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, por aplicar desde a sua aprovação em 2001), a Natureza em Portugal não está a salvo.
Exemplos disso são:

· A intenção do Governo de alterar os limites das áreas protegidas em Portugal, nomeadamente reduzir a área do Parque Natural da Serra da Estrela, o que representa um verdadeiro retrocesso na conservação da ambiente em Portugal;
· A pretensão de fazer passar o TGV pela Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo;
· O acordo dado pelo Ministro do Ambiente para a construção de uma plataforma logística em Castanheira do Ribatejo, em pleno leito de cheia do rio Tejo e sem estudo de impacto ambiental;
· A omissão, no Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, dos riscos sísmicos, riscos de cheias e erosões costeiras, entre outras;
· O facto de os Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) não contrariarem radicalmente a lógica de uma floresta de crescimento rápido;
· A inexistência de uma estratégia clara de combate à desertificação e erosão dos solos, num País onde 36% do seu território é afectado pela desertificação;
· A aceitação, sem reservas (de mão beijada), da Política Agrícola Europeia (PAC), que tanto tem contribuído para a desertificação e despovoamento de muitas regiões do País;
· A não aprovação de uma moratória sobre o cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM) até estarem plenamente definidas as zonas livres de organismos geneticamente modificados e o fundo de compensação para os agricultores convencionais e biológicos que venham a ser lesados;
· A ausência de uma verdadeira estratégia para fazer face ao impacto das alterações climáticas na Natureza;
· A inexistência de um programa estratégico no sector dos transportes para reduzir as emissões de gases com efeito estufa (combater as alterações climáticas), designadamente a política do Governo em relação aos transportes ferroviários, essenciais para a mobilidade de pessoas e mercadorias e para o combate à desertificação humana no interior do País, que se pauta antes por critérios de rentabilidade económica, em detrimento de critérios de desenvolvimento;
· O recente lobby para a construção de uma central nuclear em Portugal, hipótese que, preocupantemente, o Primeiro-Ministro nunca rejeitou peremptoriamente;
· A publicação da Lei-Quadro da Água, que caminha no sentido da privatização deste bem público, essencial à vida, e que não rejeita claramente – antes pelo contrário – o entendimento da água como uma mercadoria;
· A teimosia do Primeiro-Ministro em avançar com a co-incineração de resíduos industriais perigosos em Souselas e no Outão, em pleno Parque Natural da Serra da Arrábida e ainda antes de entrarem em funcionamento os Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos (CIRVER).

Hoje, Dia Nacional da Conservação da Natureza, “Os Verdes” concluem: este Governo está a comprometer os nossos solos, a nossa natureza, o nosso futuro. A estratégia falaciosa, que tanto tem estado na moda, de diabolizar o Ambiente acusando-o de entravar o desenvolvimento económico, tem tido grande sucesso com este Governo. E a acção do Ministério do Ambiente têm-se pautado por fazer permanentemente cedências às muitas pressões que reconhecidamente existem, com manifesto prejuízo para o estado do Ambiente e para a gestão dos recursos naturais no nosso país e para a verdadeira via de desenvolvimento, um desenvolvimento sustentável que implica melhoria da qualidade de vida e da modernidade, sem comprometer os valores ambientais.

O Gabinete de Imprensa
28 de Julho de 2006

7.21.2006

“OS VERDES” SÃO FRONTALMENTE CONTRA DIMINUIÇÃO DAS ÁREAS PROTEGIDAS

Hoje, na Assembleia da República, o Deputado de “Os Verdes”, Francisco Madeira Lopes, levou a discussão a anunciada redução dos limites das áreas protegidas do nosso país, nomeadamente no Parque Natural da Serra da Estrela, uma decisão que, a confirmar-se, demonstra uma preocupante postura de demissão e desistência de salvaguardar os valores ambientais das áreas protegidas.

O Director do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) anunciou esta semana a redução em 12 mil hectares daquela área protegida, justificadas sob o pretexto de fazer coincidir os limites do parque com os da Rede Natura ou pela minimização da importância das áreas desafectadas, quer porque entretanto se degradaram, quer por já não fazerem falta, como zona de transição, uma vez que o Parque já está consolidado, como afirmou o Presidente do ICN.

Para “Os Verdes”, a diminuição de uma área protegida é sempre algo extremamente negativo e um retrocesso na conservação do ambiente. Os argumentos apresentados não convencem, visto que a existência de zonas de transição nunca deixa de fazer sentido e são sempre uma parte importante e indispensável em qualquer área protegida.

“Os Verdes” consideram ainda que o princípio de se desafectar áreas que se degradaram, em vez de as recuperar, é profundamente negativo, nomeadamente num parque como o PNSE que tanto tem sofrido com os incêndios e pressões turísticas sazonais e que se debate com falta de meios, financeiros, técnicos e humanos, dispondo por exemplo de apenas 9 vigilantes quando a vasta área justificaria um mínimo de 30 a 40 vigilantes.

“Os Verdes” defendem que, face às conhecidas pressões que existem sobre o parque, seria importante um total esclarecimento para se compreender de facto quais as razões que estão por detrás dessa proposta e qual o posicionamento do Sr. Ministro do Ambiente sobre o assunto.

Caso contrário, mais não restará senão concluir que de facto a estratégia, falaciosa, que tanto tem estado na moda, de diabolizar o ambiente acusando-o de entravar o desenvolvimento económico, está a surtir pleno efeito e ao Ministério do Ambiente mais não resta que não seja fazer permanentemente cedências às muitas pressões que reconhecidamente existem com manifesto prejuízo para o estado do Ambiente no nosso país e para a verdadeira via de desenvolvimento, o desenvolvimento sustentável e em harmonia com os valores ambientais.

O Gabinete de Imprensa
20 de Julho de 2006

7.04.2006

MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA POR INICIATIVA DE “OS VERDES”

O Grupo Parlamentar “Os Verdes” realiza na próxima quinta-feira, dia 6 de Julho, uma interpelação ao Governo sobre política de transportes e mobilidade, na qual estará presente o Ministro das Obras Públicas, Mário Lino.

Esta interpelação tem como principal objectivo confrontar o Governo com desígnios nacionais (que requerem uma intervenção determinada no combate a problemas estruturais do país), como a coesão territorial, o fomento de actividades produtivas e a associação a elevados padrões ambientais, questões necessariamente relacionadas, e até dependentes da política de transportes e mobilidade.

É nesse sentido que “Os Verdes” confrontarão o Governo com os diversos instrumentos de planeamento (alguns existentes, outros inexistentes), bem como com a realidade concreta, provando que a orientação estratégica deste Governo não se afasta daquela que tem sido prosseguida ao longo dos anos por sucessivos Governos no âmbito das políticas de transportes, e que têm justamente fomentado a interioridade, a diminuição de centros e actividades de produção, e um elevado défice ao nível ambiental, para o qual o sector dos transportes contribui maioritariamente (quer no âmbito dos principais modos de transporte, quer no âmbito da dependência do petróleo, quer no âmbito das emissões de CO2).


INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ
PS É CÚMPLICE NA CONDENAÇÃO DE AVEIRO

O PS (e o BE que sempre suportou o PS na sua postura) torna-se cúmplice da decisão hoje proferida pelo Tribunal de Aveiro, de condenação de um médico, empregada e de três mulheres pela prática de aborto.

Cúmplices porque têm, de trapalhada em trapalhada, de adiamento em adiamento, feito com que a lei penal não seja alterada e que esse desígnio seja remetido para um eterno futuro, ao ponto de hoje “Os Verdes” se questionarem se o PS quer mesmo a alteração da lei penal.

Com a actual composição parlamentar, e tendo em conta que há 4 partidos (Verdes, BE, PCP e PS) que consideram a lei criminosa e que afirmam defender a alteração da lei penal por forma a despenalizar o aborto, a pedido da mulher, nas primeiras semanas de gravidez, só a falta de vontade e de determinação política do PS que tem maioria absoluta (e do BE que sempre lhe deu a mão) levou a que esta matéria não estivesse hoje resolvida.

Neste eterno adiamento da alteração da lei, os partidos responsáveis pela manutenção de uma lei criminosa e hipócrita, tornam-se cúmplices do aborto clandestino (um drama em termos de saúde pública) e das sentenças judiciais que vão entretanto decorrendo e criminalizando mulheres que praticam aborto.
“Os Verdes” reafirmam que o mecanismo do referendo só serve para adiar a resolução de um problema que é causado pela lei penal.
“Os Verdes” reafirmam que a única forma de permitir que cada um(a) aja de acordo com a sua consciência, é alterando a lei penal.
“Os Verdes” reafirmam que se deve dar sequência ao processo legislativo aprovado na Assembleia da República, designadamente com a aprovação na generalidade do Projecto de Lei do PS que visa alterar a lei penal, e que urge alterar a lei por via do Parlamento, não sendo compreensível que os deputados se demitam das suas funções.

O Gabinete de Imprensa
4 de Julho de 2006

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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