5.31.2015

AMPLEXO LUMINOSO





AMPLEXO LUMINOSO

É vazio o eco de uma floresta sem pássaros,
Ainda que restolho gretado sob o sol acutilante
Suplique esquisso no horizonte violeta e rosa,
Cheio do silêncio gritante dos sobreiros solitários,
Sob outro estendal de panos templários (da prosa).

E mais que isso, na penumbra do rés-do-chão
A linha de teus gestos que se desprendem
Pouco a pouco, tudo-nada, cabelos desalinhados
Estendidos como um sonho do olhar recorrente
Que, de visto, nos deixa quase embriagados,
Com os braços esticados na procura cega do ser
Elástico, elegante, ágil, felino de ter-te urgente
Verbo preso na caixa da boca, pronto a dizer
Pelos socalcos das sílabas o crescente desejo,
A tua liquidez desmaiada no ocaso; acutilante
Da estrela da alma prestes a rebentar em luz,
Lá no alto onde apenas se chega por ânsia de jus,
Esmagamento absoluto de perpetuar-te em mim
– AaaSSSSSiiiiiiMMMM!!!! – até as veias rebentarem,
Gretarem a frase pelos complementos diretos
Direitos ao verbo eclodir pra esgarrar a casca,
Pô-la porta aberta a soltar brados, sons insurretos
Despertos pelo teu ledo grito a estilhaçar o medo!


J Maria Castanho

OLHAR, de António Nobre





OLHAR
(Fragmento)

Ó grandes olhos outonais, cheios de Azul!
Como nasceste vós neste país do Sul?
Quem vos pintou? Quem foi esse pintor estranho?
Que génio excecional! Que talento tamanho!
Alguém me disse que viu todos os museus,
Mas o que lá não viu foi olhos como os teus…
Nunca vi nada, assim, em toda a natureza.
O pincel que vos criou foi, com toda a certeza,
O mesmo que pintou os raros azulejos;
Vós sois um céu azul cheio de astros e beijos!

ANTÓNIO NOBRE

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue