5.09.2015

Huxey, e a democracia





“A sobrevivência da democracia depende da aptidão de grandes maiorias para fazerem escolhas de modo realista à luz de uma informação sólida. Uma ditadura, pelo contrário, mantém-se censurando ou deformando os factos, e apelando, não para a razão, não para o interesse próprio esclarecido, mas para a paixão e para o preconceito, para as poderosas «forças ocultas», como Hitler lhes chamava, presentes nas profundidades inconscientes de cada espírito humano.”

In ALDOUS HUXLEY
Regresso ao admirável Mundo Novo
Trad. Rogério Fernandes
(pág. 105)

Huxley e a cultura




“Qualquer cultura que, no interesse da eficiência ou em nome de qualquer dogma político ou religioso, procura estandardizar o indivíduo humano, comete um ultraje contra a natureza biológica do homem.”

In ALDOUS HUXLEY
Regresso ao admirável Mundo Novo
Trad. Rogério Fernandes

(pág. 53)

A ANORMALIDADE DA NORMALIDADE



“(…) Como é que os indivíduos foram afetados pelos progressos técnicos dos anos recentes? Eis a resposta dada a esta interrogação por um filósofo-psiquiatra, Dr. Eric Fromm:

«A nossa sociedade ocidental contemporânea, a despeito do seu progresso material, intelectual e político, conduz cada vez menos à saúde mental, e tende a sabotar a segurança interior, a felicidade, a razão e a capacidade de amor do indivíduo; tende a transformá-lo num autómato que paga o seu fracasso humano com as doença mentais cada vez mais frequentes e desespero oculto sob um frenesim pelo trabalho e pelo chamado prazer.»

As nossas «doenças mentais cada vez mais frequentes» podem achar expressão em sintomas neuróticos. Estes sintomas são evidentes e extremamente perigosos. Mas, «guardemo-nos», diz o Dr. Fromm, «de definir a higiene mental como prevenção de sintomas. Os sintomas, como tais, não são nossos inimigos, mas nossos amigos; onde há sintomas há conflito, e conflito indica sempre que as forças da vida, que porfiam pela harmonização e pela felicidade, ainda lutam. As vítimas de doença mental encontram-se entre aqueles que parecem mais normais. «Muitos daqueles que são normais, são-no porque se encontram tão bem adaptados ao nosso modo de existência, porque as suas vozes humanas foram reduzidas ao silêncio tão cedo em suas vidas, que nem lutam, ou sofrem, ou exibem sintomas como o neurótico.» São normais, não no que pode chamar-se o sentido absoluto da palavra; são normais somente em relação a uma sociedade profundamente normal. O seu perfeito ajustamento a esta sociedade normal dá a medida da sua doença mental. Estes milhões de pessoas anormalmente normais que vivem sem ruído numa sociedade a que, se fossem seres plenamente humanos, não deveriam estar adaptados, ainda acariciam a «ilusão da individualidade», mas de facto foram em larga medida desinvidualizados. A sua conformidade está a evoluir para algo como a uniformidade. Mas, «uniformidade e liberdade são incompatíveis… O homem não está feito para ser um autómato, e se se transforma em autómato, a base da sua saúde mental está destruída.»”

In ALDOUS HUXLEY
Regresso ao admirável Mundo Novo
Trad. Rogério Fernandes

(págs. 50/51/52)

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

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Onde a liquidez da água livre

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