4.14.2017

A FLOR DA ESSÊNCIA SEM ILUSÃO




A FLOR DA ESSÊNCIA SEM ILUSÃO

Se não pensar em ti não fosse crime
Eu não pensaria, nem me permitia
Procurar-te todos os dias, sentir-me
Em missão ética a favor da poesia
Combatente, monge que se redime
Dessa misoginia em que vivia
Como se fosse uma santa bênção
Ou existência elevada e sublime… 
Como se fosse, mas não é, certamente
Porquanto abençoada, de verdade, 
Só há no real, no campo, cidade
Teu jeito de Musa mais que gente
Mais que deusa natural, condição 
Essencial pra viver sem evasão! 

Joaquim Maria Castanho

O ANSEIO DE VER




O ANSEIO DE VER

Conjugo todos os verbos como rios
Que vão desaguar naquele estuário
Onde a maresia fecunda os navios
A lua é uma sombra que te imita
Um esgar que se esvanece e fita
Horizonte do real prò imaginário
Lá, atrás, nos dias longos, solitário
Se guardei o sentir incendiado
Após o primeiro dia em que te vi
Segredo tangente, resvés à fala
Como um constatar que nos abala
Nos joga prò turbilhão do indizível
Negando o que já sentíramos até aí,
Até então, mesmo até a essa hora
Até ao derradeiríssimo momento
Origem da tristeza e do contento
Detonador d'explosões universais
Que fazem com que o que antes fora
Sim, a partir daí, não o seja jamais
E passe a ser outra coisa qualquer
Perdendo o que poderia ter sido
Pra ser só pleno acatar do que vier…
Sofreguidão sem ter nada a esperar
Além dessa união que os verbos têm
Quando encontraram também alguém
Com arrebatado desejo dos conjugar. 

De os aceitar tal e qual querem ser 
Quando são esse seu único meio 
De serem já o espelho do meu ver
Se és quem vejo… – e por ver anseio!

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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