11.10.2019

UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA SOCIAL




UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA SOCIAL

Os quatro pilares de governação subscritos no Orçamento de Estado para o próximo ano, são a consolidação demográfica, a transição digital, as alterações climáticas e a coesão sócio-territorial,com principal ênfase no combate às desigualdades. As assimetrias regionais geram desigualdade que, consequentemente, se multiplica em inúmeras desigualdades pessoais, ambientais, culturais e estruturais. A almejada sociedade inclusiva fica, assim, cada vez mais longe, e urge inverter essa tendência. Como? Apostando no progresso e desenvolvimento económico-social de cada região, emancipando-a (gradualmente).

O interior do país, tantas vezes sacrificado aos interesses centrais, e que tem sido ao longo da História uma espécie de faixa de Gaza, ou tampão muralhado contra as invasões estrangeiras, sobretudo espanholas, foi sucessivamente afastado dos desígnios nacionais, nomeadamente o da partilha e produção de riqueza. Os PIB's regionais periféricos são baixíssimos se comparados com os da faixa litoral desde o Sado até ao Minho, pelo que não se pode falar em combater a desigualdade nem gerar coesão (social, territorial, económica,...,...) sem se apostar e investir no interior (fronteiriço) com o mesmo vigor e determinação com que Portugal o tem feito no litoral desde há séculos, e que culminou no consecutivo enriquecimento das duas áreas metropolitanas atuais (Lisboa e Porto).

O aeroporto de Beja é apenas o tiro de partida para essa corrida, uma pequenina mosca numa reparação continuamente adiada... Um passinho em frente para a justiça social (historicamente defraudada). Por que esperamos?


Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

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Também pode alcançar o céu

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