5.29.2008

Maigret e o Ladrão Preguiçoso
Georges Simenon
Trad. J. Lima da Costa

Maigret possui uma estratégia peculiar para ir desenrolando a meada caótica, o novelo da teia labiríntica do crime: mete-se na pele do criminoso, ou da vítima, conforme melhor lhe serve os intentos, assumindo-lhe o pensamento e personalidade, até ver suficiente claro através da situação criminosa quem detonou o crime. Pratica, numa palavra, empatia com motivação determinada, manobrando-a com precisão e rigor. Neste caso colocou-se sob o ângulo da vítima, também ela um veterano delinquente e com ficha arrolada nos arquivos (e bastidores) da polícia parisiense. E fá-lo com a meticulosidade e humanismo que já todos lhe conhecemos.

Ao agarrar a ponta do fio, não hesita em segui-lo até à extremidade oposta, apreendendo a cada passo os “comos” e os “porquês” duma existência a que, circunstancialmente, foi acrescentado um trágico ocaso. Indo muito além, ainda, dando uma mãozinha no destino e na justiça, que esporadicamente andam mal gizados, cegos e em contradição, ou se afastam da solidariedade que deviam contemplar, e os sustenta, propiciando ao leitor o êxito e satisfação que resulta de qualquer primorosa refeição – intelectual, entenda-se – de lógica qualidade e éticos princípios.

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La vida es un tango y el que no baila es un tonto

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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

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Também pode alcançar o céu

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