10.12.2012


ALMA NUA



Sou o lago que a luz do céu reflete,
Sou o voo das aves pelos ares;
Sou o vento sutil, que se intromete
Na folhagem dos bosques seculares.

Sou o leão que no deserto ruge
Se os tufões as areias movimentam;
Sou a torrente férvida, que estruge
Quando na praia as ondas arrebentam.

E… sou o colibri que beija as flores,
E no aroma das flores se embriaga;
Sou a falena: atraem-me os fulgores
De uma luz que vacila, e não se apaga.

Sendo todas as coisas, sem que possa
Saber o que é que sou, e o que são elas;
Eu, na incerteza que de mim se apossa,
Confundo a luz do olhar com a das estrelas.

É dos meus olhos que essa luz se exala,
Ou recolho os seus raios na retina?
E no silêncio, em que minh’alma fala,
Vibra uma interna música divina.

In MÚCIO TEIXEIRA, Brasas e Cinzas, Imprensa Nacional. Rio de Janeiro, 1922, págs. 15-16

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La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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