7.23.2016

NA ARGILA DO VENTO




NA  ARGILA  DO  VENTO  

Dá-me a cor do coração da flor 
A prece de teus olhos maduros
Fruto da liberdade numa pétala
Dourada na doçura do sol,
Bem-me-quer a desfolhar dias 
Violetas perpétuas desmaiadas
Sob o azul do céu e da imensidão. 

Depois escreve tudo com ela 
Até mesmo qualquer mulher  
Pétala sobre pétala, seda macia
Frontispício ou alvará, magia
Líquida do verbo em ebulição.     

Dança e rodopia se preciso for. 
Adverte o silêncio dizendo-te. 
E cintila nas noites estreladas
Como um fogo-fátuo colorido
Dessas vozes tão luzes timbradas
A bichanar delícias ao ouvido... 

Segredos ímpares, asteriscos
Notas de rodapé, barras de saia, 
Alongamentos do grito, riscos
Que a natureza divina de si gizou
Em bailias de roda, princesa Maia 
Que primaveril maio também cantou. 
  
Apontamentos do livro da salvação
Do vento nas crinas soltas dum cavalo
Sorraia na loura planície do nosso pão
Onde o restolho alberga bandos de aves
(Perdigotos, rolas, cotovias, pardais...),
Atirando ao chão a roupa dos estendais,
Alisando pelo aos touros, polindo chaves    
Ah, esse quadro!... Como gostava de saber pintá-lo!

Joaquim Castanho 
(Foto: TERESA CORBETA)

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La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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