7.01.2014

DIAGNOSTICA, DIAGNOSTICA, E VÊ NO QUE TE FICA


Afirmou o popularíssimo Nicolau Maquiavel, no seu não menos popular O Príncipe (Edições Europa-América, 2ª Edição, pág. 20 – Lisboa, 1976), que "ao princípio o mal é fácil de curar e difícil de diagnosticar, mas, não sendo diagnosticado nem curado, torna-se, com o tempo, fácil de diagnosticar e difícil de curar." A atual crise política e económica que atravessamos é um exemplo incontestável da veracidade da sentença, ou conselho, como quer que o entendamos, e muitos outros casos encontraríamos que corroboram a evidência do enunciado. Nomeadamente, o da abstenção e apatia política dos portugueses, bem como o elevado índice de corrupção da maioria dos países do terceiro mundo e em vias de desenvolvimento.

A lusatinidade abstencionista retirou toda a legitimidade a qualquer órgão de soberania nacional que dependa, direta ou indiretamente, de eleições. Um país que atingiu mais de 66 % de abstenção, isto é, superior a dois terços do seu eleitorado, só não colapsa ou é conquistado pelos vizinhos se lhes ficar, a eles, mais caro ocupá-lo do que deixá-lo extinguir-se paulatinamente. Se o Reino Unido e Espanha, ou mesmo os Norte-Africanos, não nos pegam, é porque reconhecem que lhes ficaríamos demasiado caros para o pouco rendimento que lhes proporcionaríamos alguma vez, e porque sabem que a UE se prepara para concretizar o seu projeto de Europa das Regiões, fazendo-a ela por eles, anexando-nos sem o mínimo dispêndio, por exemplo à Ibéria, ao Baixo Mediterrâneo ou ao Oeste Atlântico... E de nada serviria rabiar como se faz agora com a Troika, sobretudo porque depois de termos recorrido a ela para sustentar o orçamento do Estado, perdemos toda e qualquer autoridade moral para o poder fazer com determinação e consequências positivas… Certo? Quem vai prò mar, avia-se em terra.

Isto é: onde é que estão os iluminados defensores da inércia nacional e do deixa-arder- -que-meu-pai-é-bombeiro que difamaram e se eriçaram contra os que alertaram acerca da insustentabilidade e despesismo das políticas governamentais dos últimos 20 anos? A lamentar-se por seus netos não terem emprego, não obstante os elevados níveis de formação e competências que tenham conseguido...? Ou nos lares a deitar euros prà fogueira das caldeiras da nova indústria lusitana: os cuidados continuados. Perdemos o saco e o atilho, uma vez que dois terços dos portugueses se estão nas tintas prò país, e outro terço também, considerando que a maior parte dos que votam, não o fazem para o defender, mas para o explorarem melhor, partilhando o poder. E se, quando a abstenção rondava “apenas” os 40 % tivéssemos tomado providências, embora o diagnóstico não fosse tão explícito, o mal ainda era sanável sem recorrer a políticas de choque. Mas agora, com este enredo, tanto faz berrar, como não berrar, que não temos outro remédio, senão chupar no dedo!    


Joaquim Castanho        

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