4.27.2014


NOTA DE GRATIDÃO

 


Podia-se enumerar aqui, tudo quanto os partidos políticos portugueses com assento na Assembleia da República fizeram em benefício da nossa gente, da nossa terra, da nossa cultura, porém acontece que aquilo que “eles” não fizeram nos prejudicou muito mais do que aquilo que “acham” ter feito, para nos ajudar todos e todas nós, nos últimos 32 anos de democracia que os 40 após abril propiciaram a Portugal, para superar com êxito as dificuldades anexas ao desenvolvimento, modernidade e globalização que obrigatoriamente temos que atravessar.

Deviam ter prescindido dos “comportamentos político-económicos de elevado risco para a sustentabilidade e estabilidade nacional – e não o fizeram.

Deviam ter aprofundado e reforçado a cidadania e a participação democrática, em vez de perseguir e tentar calar/omitir quantos e quantos alertassem para a gravidade das condutas partidárias e governamentais, que acrescentavam continuamente novas fragilidades às fragilidades de que já enfermávamos, e às dificuldades de convergência observáveis (até) à vista desarmada, sobejamente noticiadas e debatidas pelos mass media desde a década de 90, do século passado – e não o fizeram.

Deviam ter implantado uma reforma do Estado e o equilíbrio das contas públicas recorrendo ao know how disponibilizado pelos nossos ensinos superior e médio-superior, em vez do exportar como carne para canhão para as economias emergentes, ou assegurar a estabilidade e emprego “amparado” a clientela política com que rechearam o poder central e o poder local, quase invariavelmente sem as mínimas habilitações para o desempenho dos “cargos” atribuídos (por cunha e compadrio), como foi seu apanágio durante décadas e a ninguém deixou de ser claro – e não o fizeram. 

Deviam ter sido democratas e foram partidocratas. Deviam ter gerido a nossa pouca riqueza para criar mais riqueza, bem-estar e desenvolvimento, e menos assimetrias, mas em vez disso aumentaram as diferenças sociais e a miséria, destroçando a classe média, pondo-a ao nível dos que só podem contar com os rendimentos mínimos para sobreviver.

A democracia responsabiliza-nos. A democracia promove a nossa emancipação. A democracia torna-nos mais conscientes de nós mesmos acerca de nós, acerca dos outros, acerca do ambiente, acerca da natureza, acerca da história familiar e coletiva. A democracia antecipa-nos e projeta-nos na peugada de um futuro consistente e sustentável, plural e fraterno. Todavia, o que é que esses partidos que usufruíram das vantagens e patrocínios que abril lhes outorgou fizeram com os milhões a que tiveram direito para as suas campanhas eleitorais? Diminuíram-nos as hipóteses de justiça, dificultaram o acesso à saúde, à educação, à habitação e ao emprego; tornaram as nossas possibilidades de financiamento externo e interno mais estreitas e onerosas; fragilizaram a nossa economia e entorpeceram o dinamismo empresarial com subsídios para as não-produções. Embotaram-nos os sentidos e discernimento com retóricas perversas, cultivaram o dogma e a exclusividade, a cunha e o favorecimento de “eleitos e elegíveis”, corromperam os necessitados e adulteraram os princípios constitucionais de acordo com os interesses momentâneos e circunstanciais. Esbanjaram o dinheiro que veio da União Europeia mais o que recolheram dos nossos impostos. Venderam as empresas públicas que criavam mais-valias sociais. Instruíram os pequenos comércios e pequenas empresas na falência proveitosa. Forjaram ilusões. Argumentaram com corporativismos às lutas trabalhistas. Arregimentaram os intolerantes para a indiferença.

E aumentaram-nos o receio pelo amanhã, a insegurança no presente, descrédito pelo passado e a incerteza como meio de vida e sustento. E isso já os homens e mulheres pré-históricos tinham em  abundância e de sobejo.

 

Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, residente e natural de Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

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