11.14.2011

NIHIL NOVI, SUB SOLE

Às vezes, quando a gente se dá conta que algo suspeito acontece, ou aconteceu recentemente, sobretudo quando nos dizem que uma coisa está certa e outra, exatamente igual a ela, estar errada, como por exemplo no caso dos partidos políticos e políticas disto ou daquilo, ficamos sem saber o que dizer, fazer e pensar, e o ânimo esmorece-nos que nem um ramo de hortaliça perto do lume prò caldo.
Então, esquecemos o conselho que os mais velhos nos deram, a propósito de tudo e de coisa nenhuma, enveredando pelas sendas da procura em busca de uma verdade que seja nossa. Podemos até atrofiar neste ou naquele somenos, coisa de pouca monta por assim dizer, bloquear ante quaisquer obstáculos, mas recuperamos, equilibra-se cada qual conforme malmente pode para ganhar de novo a velocidade de cruzeiro. E, velas ufanas, nada nos teme nem qualquer desgraça nos aflige.
O pior, é que depois vem a grande surpresa, precisamente aquela que jamais admitiríamos suceder. Como é possível que essas pessoas, desses partidos e falanges, continuarem a fazer e a dizer o que sempre fizeram e disseram, sem que nada de irreversivelmente mau lhes aconteça? Nós, os demais, não só teremos assumido o diploma de trouxas e imbecis que esses "charlatões" nos passaram, sem nos indignarmos nem mexermos uma palha sequer em nossa defesa?
Mais: não raros extrapolam e vão prà rua manifestar-se, vociferar impropérios e maldições sob o desígnio de palavras de ordem e slogans da cartilha rudimentar. Radicalizam. Afoitos dão-se motivos para lhes chamem anarquistas, e lho chamem precisamente aqueloutros dogmáticos estigmatizantes que desconhecem em absoluto o pensamento libertário e acrático, mas gostam de apelidar de traidores todos quantos não lhes batem palmas nem dão palmadinhas nas costas, a pedir ou agradecer tachinhos.
Vai daí, não obstante a abstenção cresça a olhos vistos de eleição para eleição, enquanto forma pacífica e canhestra de comentar que "entre uns e outros venha o diabo e escolha", esclarecendo que se há uma igualdade do tipo de alguns serem mais iguais que outros é porque queremos, o que parece evidente é que todos eles, esses senhores, falanges e partidos, que alardeiam a sua diferença na igualdade, fazem, em relação ao povo português e seus eleitores, precisamente aquilo que os anteriores lhes fizeram: pintam-lhes a manta. Enchem-se, corrompem, negoceiam e exploram, tanto na bolsa como no bolso. Exercitam-se na contradança alternada na coreografia de um tango inesquecível, sonegado três vezes, e outras tantas dançado, a querer-se bem nos movimentos da suserania.
E onde está a novidade e mudança? Só não a vê, quem a não quer ver. Afinal, com ou sem Troika, non nova, sed nove!

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La vida es un tango y el que no baila es un tonto

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Onde a liquidez da água livre

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