7.21.2011


Pela competência é que vamos

"A liberdade sem travões é unicamente para a imprensa e não para os leitores; quem quiser uma opinião só sua apresentada com algum relevo e ressonância não pode estar em contradição com as ideias do jornal e, muito menos, que almeje disputar a "audiência" pública com os editorialistas oficiais desse órgão de comunicação." (Palimpsesto com ecos Alexandre Soljenitsyne, sobre O Declínio da Coragem)

Não podemos fazer depender o nosso desenvolvimento, retoma da confiança dos mercados, estabilidade económica e financeira, progresso social e sustentabilidade social ou natural, do apoio exterior; eles devem ser resultado direto e consequente das políticas sectoriais alicerçadas numa gestão responsável, consciente, madura, experimentada, rigorosa, honesta, emancipada, frontal e cuidada de todas as nossas potencialidades, bem como do empenho, objetividade e esclarecida intenção das forças vivas nacionais, intra e extra território, nomeadamente as inerentes e caraterísticas dos países membros da CPLP. São nações indispensáveis para reforçar o nosso estatuto no mundo, além de autênticos filões de oportunidade, como já reconhecem os mais desenvolvidos povos europeus, dos quais, os últimos a tentarem implantar-se, por exemplo, em Angola, Itália, Holanda e Alemanha. Esta, foi ontem notícia!
Espreitar a hipótese das eurobonds para nos safarmos airosamente encalacrando os demais dos país europeus não se avizinha, minimamente, uma solução plausível bem-intencionada, franca, positiva e contraproducente, mas antes a expressão remanescente do chico-espertismo que nos afundou recentemente, tenha ele sido de origens conjunturais como portuguesas. Nem bradar aos deuses para que nos socorram. É importante que deixemos de adubar o pacovíssimo comportamento de defender que quando algo bom acontece fomos nós os agentes motivadores ou protagonistas do feito, mas se algo de menos positivo ou de conturbados sucede, então foram sempre outros, sobretudo os Estados Unidos ou a conjuntura global. Porque não foi, e todos sabemos que nada é assim tão fácil e linear.
Por outro lado, as campainhas de alerta não podem estar só ligadas aos zumbidos externos. Pretender que a Europa devia despertar mais cedo para as dificuldades, é sacudir a água do capote. A Europa somos nós. De Sagres aos Urais, isso é tudo Europa, e dos 27 preenche grande parte desse espaço. Escutar as campainhas de alerta, como afirmou o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, recentemente, deve começar cá por casa. As medidas de desenvolvimento (sustentado) e o crescimento económico, começam no interior do nosso país, das nossas instituições e empresas, e depois é que podem alastra-se à Europa dos 27, que não podemos continuar a entender como a Santa Casa da Misericórdia das nações. Nem o BCE/CE é a Madre Teresa de Calcutá. Ou FMI o tio rico que chegou do estrangeiro. Os portugueses estão cansados discursos para o inglês ver e de declaras boas intenções que ninguém segue. Precisamos de fatos. De atos. E de verem à vista desarmada que não nos embalam mais com lamúrias e bodes-expiatórios “distantes”, como as utopias de outrora.
Precisamente hoje na RDP, o entrevistado das 10:00 horas disse que Portugal não pode queixar-se dos outros, nem sequer das diatribes e negociatas dos UEA, pois gastou à barba-longa tudo o que tinha e o que não tinha, que pediu emprestado, reiterando aquilo que há muito se desconfiava pelo registo histórico: continuamos dependentes de Castela desde os tempos de Afonso Henriques e essa mentira da independência não passou de golpe de teatro e marketing ideológico. Não podemos de deixar as nossas explorações para trás, nem perder o tino com quanto pretendem fazer-nos querer. Podemos agarrar o nosso futuro com as mãos se não esquecermos a nossa consciência, a emancipação, a responsabilidade lusíada. Basta não arrepiar caminho à menor contrariedade!


“Não deixaremos de explorar,
E o fim da nossa exploração
Será chegar onde começámos
E conhecer o local pela primeira vez…
Quando as labaredas se dobram
Sobre a coroa das chamas
E a chama e a rosa são uma só.”

In T. S. Eliot, Four Quartets

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La vida es un tango y el que no baila es un tonto

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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

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Também pode alcançar o céu

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