6.02.2005

HUMANIZAR A ECONOMIA: RECICLAR, INOVAR E REPARTIR.

Todas as políticas da União Europeia devem integrar um elevado nível de protecção do ambiente e melhoria da sua qualidade, e assegurá-los de acordo com o princípio do desenvolvimento sustentável.”
Artigo II – 37º, do Tratado Para a Constituição da Europa


Companheiros e companheiras:

Quase tudo aquilo que a gente ignora é algo por demais sabido e tido como seguro e assente por muitos outros. Daí que quanto mais acentuada for a diferença entre nós e os nossos semelhantes, mais a sua vida díspar da nossa, mais os seus valores contrários aos nossos, então maior será a riqueza daquilo que eles têm para nos transmitir.
É impossível sujeitar todos os discursos (ou jogos de linguagem e poder) à autoridade de ideologias partidárias que se pretendem como síntese do significante, do significado e da própria significação, ou seja, enquanto discurso universal e consistente, tal e qual como tem sido apanágio dos politólogos das nossas sacrossantas maiorias sociais democratas e socialistas, únicas praxis e mentalidades responsáveis pela crise económica, de falta de credibilidade na democracia e falência generalizada da qualidade de vida dos portugueses, do caos das finanças públicas e da ingovernabilidade do país que ora atravessamos, posto que esta crise é “a prova provada”, o algodão imaculado e felpudo que não engana, de como a sociedade e as relações sociais se não podem fundamentar por muito mais tempo num sistema económico baseado no produtivismo e no consumismo que subsistem à custa da exaustão dos recursos naturais, da exploração do homem pelo homem, do atavismo empresarial e público corporativista do establishement e da contínua negação ou espúria resistência à inovação tecnológica. Porque para resolvê-la não bastam um conjunto de medidas avulsas de reafirmação do discurso da autoridade partidária que se apoderou do Estado, nem a arrogância do metadiscurso de uma maioria eleita à custa da vendeta e descontentamento primitivos, mas sim de um relançamento da economia baseada no desenvolvimento humano, numa evolução qualitativa em que o progresso tecnológico seja orientado para as necessidades reais de uma população a braços com a integração num mundo em constante mudança e somente alicerçado na incerteza duradoira. Um projecto ecologista que se escore nas regras da sustentabilidade, se bata pela construção da sociedade do bem-estar contra o mito da quantidade (e a qualquer preço), gerador de desperdícios crescentes e assimetrias inúteis que ameaçam a devastação do tecido económico e conduzem de forma assertiva à dependência absoluta dos financiamentos europeus e consequente ruptura da identidade nacional.
O essencial é invisível aos olhos, como dizia o principezinho para a serpente no tempo em que os homens acreditavam que as raposas e o coração falava mais alto que a lógica fiduciária, que a razão era mais forte que os interesses mercantilistas, e a necessidade era mais substancial e motivadora que a fartura. Para se vencer a mediocracia instaurada não basta portanto ser ternurento para os interesses sibilinos, pérfidos, proféticos e sinuosos dos partidos instalados no poder da economia e na economia do poder, mas ter em linha de conta quanto é imperioso e urgente agir antes que a luta pela vida se degrade em luta pela sobrevivência, o que torna absolutamente interiorizado e assumido na consciência de cada um a premência factual e decisiva de como o espírito ecologista e ambiental, não só deve estar disseminado por todos os quadrantes da sociedade e sua gestão, como também superintender e tutelar todas as políticas sectoriais, enquanto dado de base imprescindível para a ultrapassagem e superação da mecânica economicista do desenvolvimento, as mais das vezes simplesmente de resposta às expectativas e interesses pessoais ou de grupos financeiros, o que o torna aleatório e desnecessário do ponto de vista colectivo, a fim de privilegiar da produção e emprego o todo social, e não apenas alguns sortudos beneméritos, esclarecer transversalmente a vantagem competitiva da informática e da robótica, recuperar e investir nos recursos renováveis e produtos da cultura e do conhecimento, estabelecer as balizas da sustentabilidade económica enquanto tabela para as sustentabilidades sociais local e global.
Portanto considera-se necessário rever o papel do Estado em todos os domínios onde a sua tutela anula e neutraliza a criatividade e capacidade de realização, quando fomenta o incentiva a desresponsabilização dos cidadãos, ou quando serve exclusivamente como instrumento ao serviço dos poderes económicos instalados; como é igualmente necessário que combatamos o centralismo e o autoritarismo que logicamente lhe está associado.

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