10.03.2003

Nas abordagens que cada um possa fazer das obras literárias há sempre um resultado que não se vê ou nota à vista desarmada: o de melhorarmos os nossos níveis de empatia, ainda que tenhamos sido contra as afirmações e enredos apresentados. Portanto, quando nos propomos a ler colectivamente uma obra, romance, ensaio ou poesia, além de melhorarmos as nossas capacidades empáticas como seria normal em qualquer leitura, aperfeiçoamos também a nossa empatia com o grupo através de um veículo comum, o livro, mesmo que estejamos em desarcordo entre nós. As posições de cada um face ao enredo, filosofia sustentatória, emblemática do autor e personagens, ao suscitarem diferenças marcantes e debate, ao contráro do que se pensa, em vez de separar os intervenientes, apenas os une interiormente mais!
Um dos "milagres" da leitura é o da reunião. Reunião entre escritor e leitor, entre significados e significantes, entre universos metafóricos e realidade concreta. Ao desencadearmos os processos de reunião para além do texto - por exemplo, o facto algumas pessoas se encontrarem a ler esta ou aquela obra com objectivos e orientações existenciais similares -, forma-se aquele espírito de assembleia que patrocinou as origens bíblicas... e do qual resultou o ritual religioso da leitura da sagrada escritura, núcleo à volta do qual ainda se orientam hoje quase todas as religiões, tenham elas por base o Corão como as pedras pré-históricas ou divindades aztecas.
posted by jcastanho

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