VERDE ARDENTE
Eu recordo o teu olhar, a tua trança
Com’esta paisagem se lembra do verão…
É um ver de há pouco que já não alcança
– E uma folha a arder quase tição!
Joaquim Maria Castanho
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VERDE ARDENTE
Eu recordo o teu olhar, a tua trança
Com’esta paisagem se lembra do verão…
É um ver de há pouco que já não alcança
– E uma folha a arder quase tição!
Joaquim Maria Castanho
LUSITANIDADE
Corremos riscos, se amamos,
Entrançados plo destino.
Que a vida chama… Nós vamos.
Viver é ser peregrino!
Joaquim Maria Castanho
PALAVRA ATUANTE
Enquanto ato, atuo
Sabe-se lá por quê,
Em que distância…
E se digo, logo fluo
Em palavra que se vê
Nascer da própria infância.
Joaquim Maria Castanho
C I S M A
Há um ENIGMA na minha vida
E creio que veio pra se demorar
Tanto, que receio, mal ela cumprida
Continue eu na outra o mesmo cismar…
Joaquim Maria Castanho
A LEITURA NÃO É UM HÁBITO
Que a leitura não é um hábito
Ou sequer semente que se semeia,
É necessidade d’homem prático
– Radicalidade que também medeia…
Disso ninguém tem dúvidas sérias
Que não tenham propaganda à mistura,
Nem faça do trabalho umas férias
Passadas à custa da literatura!
Joaquim Maria Castanho
DO SILVAR DO VENTO OUTONIÇO
De vez em quando, uma folha cai…
Então, o caminho aloirece.
Mas este rio continua, e vai
Pra lá da sombra que o escurece.
Afluente de outros maiores
Senhor dos vales e das escarpas,
E das silvas que já foram flores
Agora (h)ouve silvos
Entre margens cativos,
Sem violas e sem capas
Altivos, mesmo sem hinos nem harpas.
Joaquim Maria Castanho
AH, ESTRELINHA LINDA!
Seja a voz serena eco murmurado
Algo descido à noite aparecida,
Para que o dia ao ver-se recordado
Não esqueça no breu a sombra diluída.
A sombra do que foi e podia ter sido
Se não tivesse claudicado finalmente
E ao fim de tantas horas adormecido,
Talvez julgando que a nossa gente
Se calara só por supo-lo já cumprido.
Mas é falso, disse-lhe uma estrela
Depois outra, e outra, e mais outra enfim,
Até qu’o firmamento acabou por vê-la
Com’olhar daquela que só me lembra a mim.
Joaquim Maria Castanho
Sonho-me como se fora ainda quem fui
E nesse instante tão simples, duradouro
Eis que o presente escreve e já conflui
Pra um futuro onde me penso e demoro…
Que a vida é isso, exatamente assim
Um saltitar breve sobre o ancoradouro
Ond’estão amaradas as caravelas de mim!
Joaquim Maria Castanho
MOSTO MATINAL
Esta noite atravessou-se-me a madrugada
A meio do caminho, vinha vestida de breu
Com cada constelação d’estrelas estampada
Num imenso sorriso que não era só seu…
Quis-me parecer c’apertava numa das mãos
Um diamante por lapidar, duro e preciso
A brilhar por entre os dedos justos irmãos
Que edificam o mundo, pela mó do juízo.
As franjas do xaile, onde os fados dançam
Eram promessas de chuva a pingar plas costas,
Se o suor dos que tentam é o dos que alcançam.
O chão de neblina se afasta pròs deixar passar
E sobre as dúvidas frias, infiéis e expostas
Pisam o fruto e os engaços do dia a chegar!
Joaquim Maria Castanho
A LITERATURA CELEBRA A VIDA,
A CULTURA, O QUOTIDIANO
E A MANEIRA DE ESTAR PRESENTE
ONDE QUER QUE SEJA
E dias 30 e 31 deste mês, estará no INTERMARCHÉ – PORTALEGRE, onde o autor Joaquim Maria Castanho, também vai estar para autografar os seus livros DADINHA DÁ UMA LIÇÃO LÁPIS VLUP-VLUP, o Valentão das Dúzias, NA MINHA CASA MORA UM GATO, REDESENHAR A VOZ e A BOLSA DAS MARMITAS. Dia 30 (só) na parte da manhã; e dia 31, (só) na parte da tarde. Até lá serão divulgados mais pormenores acerca da iniciativa.
Saudações literárias
A LITERATURA É UM PRODUTO
CULTURAL DO DIA A DIA
... E NA ATUALIDADE
De acordo com informações de última hora, os livros de Joaquim Maria Castanho, devem ficar à venda no Intermarché de Portalegre, por volta do dia 30 deste mês, sábado, em cuja manhã, neste dia, o autor de Dadinha Dá Uma Lição ao Lápis Vlup-Vlup – o Valentão das Dúzias, Na Minha Casa Mora Um Gato, Redesenhar a Voz e A Bolsa das Marmitas, estará presente para autografar os livros a quem manifestar interesse nisso.
Saudações literárias e ótimo fim de semana.
Foto by Maria João Fontes
LITERATURA E AMBIENTE
UMA FORMA DE ESTAR E DE ENTENDER A VIDA
Tudo indica que os livros de Joaquim Maria Castanho, publicados durante os períodos de confinamento e estado de emergência em consequência da Covid 19, Dadinha Dá Uma Lição ao Lápis Vlup-Vlup – o Valentão das Dúzias, Na Minha Casa Mora Um Gato, Redesenhar a Voz e A Bolsa das Marmitas, venham a estar à venda no INTERMARCHÉ de Portalegre. Por agora nada mais nos é possível adiantar, mas desde já fica a promessa de, assim que algo mais se venha a saber, será dado a conhecer a todos e todas vós.
Saudações literárias
Foto by Maria João Fontes
O TERCEIRO REINO
Disse a meus olhos que parassem
Mas eles não ouviram, sequer;
Foram a avelã madura dos teus
Antes que deuses os chamassem,
Para lhes proibir ver na mulher
Deusa da terra, rainha dos céus.
E eles, como todos os olhos são,
Que só mentem, se bem treinados,
Deram-lhe também meu coração
Qu’é outro reino, pròs seus reinados!
Joaquim Maria Castanho
CAIR NA REALIDADE
Voz noturna (desmagoada)
Solta estrelas ao redor,
Pintando manhãs, calada,
Em telas d’anilada cor.
Compenetrada, e distante
Com gestos precisos, imediatos
Voltou, para ser quem antes
Era, dos meus dias
Motivo, poesias
– Sentires mais concordatos.
Que de vê-la me não canso
Mesmo que à espera fique,
E sufi sonho oro danço
Caindo do céu… e a pique!
Joaquim Maria Castanho
NUM SÓ, TODOS OS TEMPOS
Há gestos preciosos, lestos, precisos
Imediatos à voz, cuja doçura
Espelha a brancura dos narcisos;
Os sonhos das açucenas, dos jasmins
Cativados pela serena brandura
Com que os meios se transformam em fins.
Que nos agarram por dentro e por fora.
Que nos espanejam a alma alcantilada
Nos promontórios com que o ser se escora
Pra imaginar-te do outro lado da estrada.
E quando a sorte se aproxima
Quase um precipício prà sina,
Eis que estranho braço a empurra
A vertigem do grito a fustiga
E banindo-a a zurze e a surra
Até lhe extorquir toda a fadiga…
Então ante ti, meu olhar fica nu.
Tudo quanto ele omitiu, eu omiti.
E se alguém mais viu, eu também não vi
– Que, de repente, no meu presente
Somente uma pessoa existiu… – Tu!
Joaquim Maria Castanho
NA DEGUSTAÇÃO DAS RIMAS
Pela crosta estaladiça dos dias
Em que pleno o palato se me dilui
Sôfrego colho eu duns olhos poesias
Onde, por serena, a beleza flui
Quase avelã madura, desmedida,
Inteira entrega de mim, total cerne,
Se nesse quase ponho toda a vida
Desde o mais íntimo à flor da derme.
Do miolo nuclear à textura pura
Aí, sólido imbricado o ser assenta,
Com que a tez empresta a sã frescura
Que atesta a formosura que aparenta…
E assim nascido dum quase perfeito
Mastigo rimas, degusto-as uma a uma,
Até que farta a alma m’enche o peito
Onde só as tuas cabem… Mais nenhuma!
Joaquim Maria Castanho
O OUTONO VEM AÍ COM AS FOLHAS
QUE INSISTEM EM MUDAR DE COR
Conta-se que outrora
Que contar
Era explicar...
… uma história.
Mas agora
Em que em nada há memória
Nem tem explicação,
É só mostrar o resultado
Numa foto de mel coado
De que se pode gostar... ou não!
Joaquim Maria Castanho
É TARDE DEMAIS
Deolinda Milhano
(155 páginas)
Edições Colibri, 2012
Teresa migrou do campo para a cidade. Contudo, tinha um sonho. E ele, que é coisa que não pode ser coisificada, mas pela qual as principais coisas nascem, se desenvolvem e proliferam, sugere-lhe que deve regressar às origens campesinas para o realizar. Então retorna à casa dos progenitores – uma casa portuguesa, com certeza – falecidos já, para assim, não só recuperar as vivências de infância, mas também esse roteiro e ideário recheado de linguajares, amizades, peripécias, costumes e tradições, que forjaram o sal do espaço-quando em que eclodiu para a vida, para o romance, para a proficuidade criadora, onde as simples e raras intrigas germinam para se irem, pouco a pouco, do obscuro olvido libertando.
E quis fazê-lo em carne viva, isto é, na incomodidade de outrora, e apenas com os recursos domésticos de antanho, evitando recorrer às novidades da tecnologia que a modernidade disponibilizou, das avançadas TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) aos menos sofisticados eletrodomésticos. Sem telemóvel nem computador, sem TV nem máquina de escrever, que lhe facilitasse a tarefa de erigir da brancura do nada de uma resma de papel A4, uma montanha mágica de significados e significantes, mais ou menos enfileirados, coordenados, e de sentires alerta para a exata função de contar. De narrar. De expor, expondo-se, a fim que as suas amigas e amigos dessa narrativa pudessem desfrutar, ou melhor se pudessem aperceber de quem ela é e a faz mover, mostrando-lhes também quem foi e de onde veio.
E nessa viagem, feita em arredondado cursivo de professora primária, não só porque feminina mas também de costureira e bordadora, deixar transparecer os termos, os ditos, as modinhas, as modas, as aventuras no ribeiro, as paisagens, os saber-fazer, os sabores, as fauna e flora, a que assistiu enquanto usanças comuns à família, como das demais gentes que estiveram presentes durante o período da sua formação, não somente de personagem que amadurece paras as letras, como igualmente de pessoa, visto que entre Teresa e Deolinda Milhano há um paralelismo evidente, uma nítida convergência de identidades, transferindo-se a segunda para a primeira através da palavra escrita, numa transfusão de conteúdos, recordações, emoções, pensamentos, sentires e reações, anexas à preocupação literária, no discurso lírico, bucólico, bem como na postura social, e que assim proporcionam aquela plausibilidade tão imprescindível quanto necessária a todas as narrativas, sejam elas contos, novelas, romances, sagas ou simples memórias de viagem, mais ou menos ficcionadas. O que nos legitima para concluir, considerando que a autora, não obstante tenha publicado anteriormente diversos títulos (Cartas Amordaçadas, 2006 – Edições Colibri; Dicionário de Ditados (Provérbios) e Frases Feitas, 2008 – Edições Colibri; Portalegre em Momentos de Poesia, 2011 – Edições Colibri; Sentires da Alma, 2012 – Gráfica Guedelha e Alentejo em Poesia, 2012), é uma estreante nas lides romanescas, inicia com êxito a sua carreira de escritora e ficcionista, porquanto É TARDE DEMAIS nos indicia que nunca é demasiado tarde para realizar um sonho, uma vez que, à semelhança de Teresa, a narradora, também ela realizou o seu sonho – e ainda bem que o fez, possibilitando consequentemente a que todos e todas o observássemos de fio a pavio. Obrigado por isso!