4.09.2017

SEGAR (CONSEQUENTE) E SEGURO




SEGAR (CONSEQUENTE) E SEGURO

Atraso-me nas circunstâncias
Como um advérbio à deriva
E trago na mochila infâncias
Crestadas na teimosa porfia
Como de propósito cultivadas, 
Sem subterfúgios nem esquiva
Voz que das nuvens fez estradas
Tornadas ínfimas pelo meio-dia
– Entre o cativado e a cativa.

Não dou ao nó o que o aperto pede
Pois não há soluções apressadas, 
Que o que é feito à pressa cede
Mostra as costuras, sucumbe aos nadas; 
Agrava por alívio (precoce), 
Adultera qualquer objetividade, 
Apodrece antes de ganhar doçura, 
E tanto quebra como torce. 
Que sentir é tal e qual o sorriso
Esse mesmo, o teu, de que preciso
Se espontâneo, exato, natural
A escrever na alma o plural
Com tinta mágica e pura. 

Tinta que é tinta branca na brancura. 
Tinta que é tinta negra na negrura. 
Mas própria prà grafia de quem sente, 
De quem habita sonho consequente –
E até seca a própria secura. 
E até sega quanto procura. 

Joaquim Maria Castanho

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