10.21.2016

O EROTISMO DAS RIMAS




O EROTISMO DAS RIMAS 

Intransigente como uma haste
À beira-caminho o olhar fustiga
Acarreta sombras, dispara verbos
Desfolha papoilas, e a espiga
Invade a curva que atropelaste; 
Veste de nuvens o céu profícuo
Adorna nos silos entre sementes
Desmaia como faminto bêbado. 

Dos sonhos sobraram as raridades
Também alguns acordes encantados
Pequenos gestos nunca esquecidos 
Ou o adocicado odor das maçãs
Maduras folhas amarelas levitam
Sobre o piso de caruma moída…

Porém, em equilíbrio precário
E frugal, versos estabelecidos 
Dizem que só ficarão corrompidos
Por rimas despidas de calendário. 

Joaquim Maria Castanho

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La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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