2.08.2015

EXIGIR FATURA É COMBATER A CRISE E AJUDAR A PAGAR A DÍVIDA

O que os alemães sabem acerca de nós e a troika não desconhece, é que se os portugueses quiserem saldar a dívida e cumprir com as suas obrigações podem fazê-lo, sem recorrer a austeridade excessiva nem aos atos sobre-humanos de que falou o Luís Vaz (de Camões), mais do que permite a força humana: basta que não contornem o fisco, se abstenham do mercado paralelo e instituam a honestidade e o civismo como normas de conduta diária. Que implementem a cultura da cidadania e da responsabilidade cívica. É pedir muito? Sobretudo depois de ter passado duas ou três décadas a fazer asneiras com o dinheiro “nacional”, a esbanjar por motivos eleitoralistas, a ser refém dum economicismo atávico e obreiro de inutilidades megalómanas? Penso que não. E todos e todas reconhecerão facilmente como de fato assim é. Ou, para evitar mal-entendidos gerados pelo acordo ortográfico, a que insistem resistir como se dum teste à próstata se tratasse, reiterarei que «todos e todas facilmente reconhecerão que de facto assim é.»

E as nossas “faturinhas” têm que entrar para o nosso processo fiscal, logo identificadas com o nosso número de contribuinte, e estar registadas no site e-fatura do Portal das Finanças, que deve ser atualizado continuamente, tendo cada qual a obrigação de verificar lá a sua presença e de chamar a atenção da autoridade tributária, num prazo razoável, coisa de dois ou três mezinhos, de que a empresa X ou Y, a quem nós comprámos isto ou aquilo, “ainda” não lhes enviou as ditas. Custa muito ajudar para que o nosso país nos ajude a melhorar de vida e estabelecer um crescimento sustentável? Melhore a sua performance fiscal e tributária? Custa muito não só fazer meninos e meninas mas também preparar-lhes um mundo coeso, seguro, honesto e saudável em que se possam também reproduzir? Claro que não custa, nem para os mais vadios, “subeficientes” e adoentados. Portanto… Acabem lá com as modas, que ser humano, participativo, democrático, simultaneamente europeu e português, exercer uma cidadania ativa e envolvida, não é nenhuma excentricidade nem handicap.

Gostar ou não dos partidos que estão no governo, não é desculpa para nada, principalmente para prejudicar os demais que, como nós mesmos e os nossos vizinhos e vizinhas, todos os dias dão no duro para garantir a sua independência e sustento. A responsabilidade cívica não é um dever só para os outros e outras. E a liberdade sem ela, sem a responsabilidade cívica, não é nenhuma modernice intelectualóide nem um radicalismo esquerdista ou acrático: é uma sacanagem simiesca. Além do que as despesas gerais familiares, de saúde, na educação, os encargos com imóveis e despesas com lares de 3.ª idade, bem como as faturas relativas às aquisições nos setores de atividade de alojamento e restauração, cabeleireiros e reparação automóvel e de motociclos e da habilitação ao sorteio Fatura da Sorte, são benefícios consagrados pela recentemente entrada em vigor informatização da fiscalidade e atividade económica.

E o fato de recebermos pouco, idem. Quem aufere um rendimento inferior, não significa que deve ficar à margem da ética e do civismo, mas antes demonstrar que está preparado para receber mais, e que se o recebesse cumpriria as suas obrigações fiscais com aprumo e galhardia, no respeito pelos demais e as regras da sociedade. As pessoas não se medem pelo que têm mas pelas atitudes que tomam. Nem pela aparência física, mas sim pelo comportamento e prática quotidiana na consideração e empatia de que são capazes pelos seus semelhantes. Estamos todos no mesmo barco, e todos podem fazer a sua parte para continuar a navegação. Quem tem muito contribui com muito, e quem tem pouco contribui com pouco ou mesmo com nada. E, como diz o povo, quem dá o que tem, a mais não é obrigado.

Estamos a mudar de era, e a do chicoespertismo trapaceiro do biscate e manhosice egoísta já se foi.


Joaquim Castanho          

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