7.01.2011

Precisa de Código!

Hoje fui ao Hospital Distrital de Portalegre – que suponho dar pelo pomposo nome José Maria Grande – para recolher o electroencefalograma que ali fizera dias atrás. Como a minha médica de família me passara uma guia de tratamento para medir a pressão arterial periodicamente e, ao tentar fazê-lo no Centro de Saúde bati com os burrinhos na lama – salvo seja! –, empenhei-me em cumprir aí o aconselhado, conforme indica o bom senso nos doentes que querem ajudar os médicos a ajuda-los. Pois bem: foi outro trinta e um!

Primeiro, mal perguntei às funcionárias do guichet de atendimento das Consultas Externas, foram unânimes e peremptórias: «Não é utente do Centro de Saúde? Então é lá!» (De lá viera eu corrido na quarta-feira, como devem estar lembrados…)

Depois perguntei onde podia levantar o ECC cujo talão de identificação e recolha exibi. «Isso é ali, à direita, peça à pessoa que estiver de serviço.» Não estava ninguém. Nem vivalma, à exceção de dois ou três “clientes” em inequívoca posição de espera. Finalmente filei uma enfermeira que passou e desabafei ao que ia… Foi atenciosa e expedita. «Claro que medimos a pressão arterial. Vá ali ao guichet e peça uma “guia” de tratamento, que eu faço isso.» Naïf como sou, crente, obstinado em acreditar que os serviços públicos servem para servir as pessoas, fui. «Não pode», rerespoderam-me lá. «Não se pode passar nenhuma "ordem" de serviço para medir a tensão arterial porque não temos código para fazê-lo, e sem código não se pode fazer. É preciso uma ordem lá de baixo.» (Lá de baixo devia ser da administração ou coisa no género…)

Fui chamar a enfermeira e confrontei-a com a nova informação que, afinal, era velha para mim. «Vê! Eu não lhe dizia?»

Foi uma pândega. Quatro ou cinco funcionárias num guichet de informações e marcações, mas como precisava de medir a pressão arterial nenhuma podia fazer nada, nem autorizar a enfermeira a fazê-lo. Passos Coelho a estas até devia retirar não metade do décimo terceiro mês, mas o ordenado de todos os meses que ali trabalham, uma vez que nem para providenciar um serviço, que até as farmácias, empresas particulares fornecem à borla, servem.

Não obstante, a profissional de enfermagem demonstrou que o diploma de curso não lhe saiu como brinde na Farinha Amparo, e fez a medição, anotando os valores na guia de tratamento que a minha médica de família passara. Fui servido e pude comprovar mais uma vez porque é que chegámos onde chegámos e a dívida da saúde é aquela que é.

Não percebem onde quero chegar? Acham que falta dizer alguma coisa mais? Então, se não perceberam à primeira o que estou a pensar mas não digo, é porque não estão também a usar o código certo. E o que é preciso é código! De conduta, de ética, por exemplo…

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