4.20.2006

Maduras & Detonadas
(Retratos do Portugal dissolvente)
Por Joaquim Castanho
osverdes.ptg@gmail.com


Defeitos de coluna?

Acho bué de estranho haver pessoas que, se são conhecidas publicamente e merecem honras de coluna de opinião nos jornais de referência nacionais, é precisamente por serem políticos e terem assumido algum protagonismo nos seus partidos, por terem feito algo que os identificou para lá da sua classe profissional, da sua rua, bairro, etc., logo que algum jornal lhe pede opinião publicável se apressam a colocar a etiqueta de Fulano Tal – Professor, ou Cicrano Tal – Jurista, e assim por diante, como se temessem que lhe não pagassem pelas opiniosas sentenças se após o nome não houvesse nada ou apenas aquilo por que é conhecido: militante do partido X. Será que querem marcar a diferença pela qualidade profissional em detrimento da de político ou, ao contrário, têm medo que o partido lhes passe correctivo se disserem o que pensam e não o que o partido decretou que deviam pensar os militantes?... Não percebo!
Quer dizer: se ninguém deixa de ser militante do seu partido para ir escrever nos jornais, então porque é que toma “personalidade” diferente logo que pega no Word da sapiência? Será porque lhe estão a pagar a consulta de jurista quando emite o seu parecer sobre a inconstitucionalidade do imposto tal? Ou o busílis é outro e, para lhe poderem pagar, visto que político não deve ter recibo verde, quando opina fá-lo não por defesa deste ou daquele ideal, estratégia, bem comum, necessidade de esclarecimento, mas sim para ganhar algum por fora, que a vida custa a todos e sobretudo a qualquer político, coitadinho, que muito mal ganha e poucas ajudas tem? Querem fazer propaganda com estatuto de parecer técnico? Ou querem enganar quem lê, passando-lhes a perna das ideias, na hipótese de lhe desconhecer o vínculo? Ou a pecinha serve para se demarcar dos seus colegas de profissão e assim fazer um pouco de publicidade indirecta ao seu escritório?
Sinceramente, continuo a não perceber… Mas deve ser defeito meu, que até aos pseudónimos nego grande honestidade e competência. Ou, se calhar é simplex de alinhavar coreografias do progresso, planos de singrar noutras lavouras, que aos homens do campo não enche o cantil! Nem mata a sede.

Maduras & Detonadas
(Retratos do Portugal dissolvente)
por Joaquim Castanho

osverdes.ptg@gmail.com

Vão-se os tempos ficam os trapos

Isto de tentar perceber as coisas é um negócio complicadex que não prace a ninguém... Por exemplo, se um simples atestado multiuso de grau de incapacidade, pessoal, individual, que nunca lesará outrem ou afectará a saúde pública, tem uma duração de validade de cinco anos, porque é que um relatório acerca do processo e dos efeitos da co-incineração de resíduos em articulação com os CIRVER feito em 2000 há-de estar ainda actualizado em 2006, e sobre uma matéria que se manterá operante muito para além desta data? Não acredito; e ninguém bem intencionado pode aceitar isso como definitivo, mesmo que as consequências dessa decisão estejam longe do seu bairro e dificilmente a afectem. A aferição dos impactos sobre a saúde pública (e o ambiente) dos processos de queima dos RIP (resíduos industriais perigosos) não se pode fazer com idêntica ligeireza e irresponsabilidade com que se tratam as incapacidades crónicas, quer elas sejam ocasionadas por sequela de moléstia ocorrida ou congénita.
É imprescindível a criação de um Grupo de Avaliação Médica (GAM) que dê continuidade (avalie e actualize), ao trabalho iniciado pela Comissão Científica Independente (CCI) e Grupo de Trabalho Médico (GTM), no sentido de à luz do Protocolo de Quioto, que só entrou em vigor há um ano, logo não contemplado pelo relatório da CCI, e dos conhecimentos científicos actuais se possam manter as experiências de vigilância epidemológica que a actividade de queima dos RIP exige em todos os paises desenvolvidos do mundo, que respeitam os tratados internacionais que assinam, a qualidade de vida, o meio ambiente e a saúde dos seus concidadãos. Compreendido?

Quando se quer, pode-se

É do conhecimento público que o QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional, que congrega os fundos comunitários e contrapartidas nacionais, e vem substituir o Quadro Comunitário de Apoio III), irá privilegiar os projectos intermunicipais e regionais face aos avulsos concelhios. Portanto, que tal se agíssemos em conformidade com o próximo ciclo de fundos europeus (2007-2013) e atempássemos o processo de aprovação construção de um canil/hospederaia/hospital intermunicipal que venha resolver a evidente falta de estruturas e respeito pela vida de todos os animais, incluindo os nossos "amores" domésticos que abandonamos e aviltamos assim que deixam de ter gracinha. Era uma hipótese de os políticos da região provarem que só são adversários durante o período eleitoral, que no mandato pugnam sim pelo bem público, e que cairia que nem ginjas no seio dos adeptos da coexistência possível. Porque nem só de estradas vive o homem!

E o "Porto" aqui tão perto

Às vezes, nem é necessário ir muito longe na busca de boas práticas e condutas de harmonização social, no sentido de se edificarem as unidades urbanas de forma sustentável e para todos. O exemplo disso é a Câmara Municipal de Estremoz que anunciou no dia 4 pp um projecto de intervenção nos espaços públicos com vista a facilitar a acessibilidade e mobilidade para peões e veículos, intitulado Mais Mobilidade, Mais Cidade que prevê a eliminação das principais barreiras arquitectónicas e urbanísticas que encavalitam a cidadania nos socalcos da parvoíce.
De salientar igualmente que a nomeada edilidade prepara a sua adesão à Rede das Cidades e Vilas com Mobilidade para Todos e apresentará candidatura ao projecto Mobilidade Sustentável, de autoria e responsabilidade assente no Instituto do Ambiente, com apoio da Associação Nacional de Municípios. (O que, em abono da verdade, nem se percebe lá muitíssimo bem... Então, se ninguém pagou às câmaras e demais organismos públicos para ali porem esses obstáculos à circulação e mobilidade de pessoas e transportes, por que é que agora temos de ser nós todos a financiar, pagar, ser explorados, com a sua remoção? Esta coisa de plantar monos à porta de cada um e depois pedir-se-lhes dinheiro para de lá os removerem, é uma intrujice das antigas, não haja dúvida! Mas que continua a render verbas em projectos e programas especiais... Realmente, o crime compensa... Irra!, que é de asininos!...)

Regabofe e Grande Farra, filmes de outrora

A ignorância não se perdoa. Sobretudo porque nos tempos de hoje só o é quem quer. Ninguém precisa de ser doutorado para raciocinar com lógica e sensatez. (O conhecimento está à distância de um clique.) Como também não é líquido que o facto de se possuir um canudo se fique directamente habilitado para fazer ou pensar seja o que for. Um curso, um diploma, é um instrumento de trabalho, não um salvo-conduto de direito à preguiça (mental). Entendidos?
Daí – ou daqui –, que não perceba bem por que é que os partidos e seus partidários nos querem convencer que um indivíduo formado é melhor cabeça de lista do que qualquer indiferenciado... Acaso o médico vai exercer medicina na autarquia se for eleito para ela? Ou um engenheiro engenharia, se entrar para deputado na Assembleia da República? Ou o trolha construir paredes se for para ministro da Obras Públicas?
Afinal, o que é que tem a ver o cu com as calças? Paridade, sim; igualdade, igualmente; caganeirice, não.

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