7.10.2004

Supramundana

O ar agitado segreda-me palavras mudas,
na carícia do momento encantado
onde irrompe o sonho rasgado,
na melodia doce que obriga
a murmurar loucuras...
e o coração profundamente inebriado,
no seu bater descompassado,
em racional loucura divaga.

Surge a imagem esplendorosa,
em rasgo de eloquência sucessivo
que desperta o desejo intensivo,
outrora guardado em surdina
no meio da mágoa...
e em avolumado ímpeto de paixão,
lança-me no meio do turbilhão,
onde me encontro para além do mundo.



Loucura

Louca! encontrei-te,
embebedando a alma de escuridão
e envolvendo-a de podridão,
com pensamentos insanamente febris.

Louca! Porque és louca
e não entendes a lágrima que corre
dos olhos que brilham inquietos,
num corpo que morre.

Louca! Se soubesses,
que o perfume são as preces
da rosa e da orquídea,
e não da mágoa que conheces!...

Depressa, encontra-te!
e solta os cabelos ao vento,
e no meio da tempestade
procura a loucura no momento.


Clandestino




Deambulamos num mundo de quimeras,
resgatando fragmentos de vida
que um dia foram de alguém.
Luz resplandecente
no breu soturno;
que percorremos num corcel
sequioso de existir;
efémero mel
delírio nocturno!...
Mundo utópico do sentir,
onde se lastima não viver
e o mais que possa haver...
Constantemente clandestino.



Finalmente


Despontou o primeiro raio de sol! enfim,
Quanta magnificência esperada!
Resplandece, pureza anunciada,
Acalentando meu pequeno coração.
Fortalece, a fragilidade da minh’alma,
Que se encobre amedrontada.
Irrompe, beleza suspirada,
Repelindo minha intensa solidão.

Ana Aires

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