5.16.2020

#ORQUÍDEA EM CARNE VIVA


 



ORQUÍDEA EM CARNE VIVA

Derme, pétala acetinada
(Ou grito prestes a eclodir)
Afago doce, se madrugada
Acorda, pronta já a sorrir.

Também seda, esponja macia
Sensível polpa que me seduz,
Assim és, ó fada da poesia
Se no recatado recanto
O teu acetinado manto
Recolhe, como exala, sua luz.

Joaquim Maria Castanho

5.13.2020

A #VOZ DO #CAMINHO


 



A VOZ DO CAMINHO

Irei aspergir de rosas céus e mar
Poentes, nascentes, o mundo concreto
Cujas portas, alfarrobeiras são pilar
Do templo, d'olhar, se o andar é certo
Tem por meta rua, a estrada da vida
Lá onde navegam tantos, destinos mil
Os sonhos, os frutos, e a nuvem perdida
Debrua de aurífero rosa e anil,
Diz quanto da distância é esperar,
Quanto na espera é o descoberto
Se de cada vez que te olho plo olhar
Teu coração em flor fica mais perto...

É como se dissesses «Estou a chegar,
E vou arrancar-te desse deserto!»

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

5.10.2020

NA ROTA DA #ALMA


 


NA ROTA DA ALMA
(para a Mia)

Nuvens plúmbeas, sem fim à vista
Escondem a lua, e só por que sim;
Tal a razão turva, não é mista
Se quer ocultar, o luar de mim.

Se quer omitir, como te amo
Quanta é a luz, que de ti vem.
Mas o amor traduz, se o chamo
Que a luz não nasce, por mais ninguém.

E ainda que longe, lá na serra
Ontem como hoje, todos os dias
Se a lua faltar, o olhar não erra
Vai a alma pró sul... - Nela, poesias!

Joaquim Maria Castanho

5.08.2020

#BAILIA DA LUA-CHEIA


 


BAILIA DA LUA-CHEIA
                  (em Marmelete)

Dança, dança, lança teu olhar silente
Diz aos pomares, hortas, alfarrobais
As saudades, hinos que o luar sente
Se dedilham frondes em sebes ancestrais.
Protegem ninhos, são raiz, são semente.
São passos, são caminhos, meio estivais
Que o luar partilha com quem alente
Mal a lua brilha sobre casas e quintais.
Estendem capas entre o aqui e o além,
Que a hora que chora é acorde também.
Dão luz ao direito d'investir, dolente
Nas sombras, para ter contornos muito seus
A fim de que o fértil chão siga em frente
Pleno de sereias, fadas – sonhos meus!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira



5.03.2020

PORQUE HÁ ROSAS SUBLIMES?





PORQUE HÁ ROSAS SUBLIMES?

Não sou capaz de dizer quanto penso...
A realidade transpõe-me, vai além.
Diz que há encanto, e fico suspenso
Porque reconheço quanta razão tem.

Se todo o poder é das flores apenso
A mais poderosa, e por que formosa
Será a rosa, não o desconhece ninguém.
Mas eu devo vassalagem à verdade
À ética, à arte, à poesia, e à prosa,
E sei haver uma a quem a sublimidade
Pede humilde, inebriada, calorosa
Que empreste encanto a qualquer rosa
Pra que ela possa ser sublime também!

Joaquim Maria Castanho

4.21.2020

A TOQUE DE CACHA


 


A TOQUE DE CACHA/CAIXA

Os pontos cardeais que orientarão os homens do leme, na viragem da sociedade portuguesa na década de 20-30, estavam definidos desde há muito tempo, pese embora a classe dirigente não tenha sido suficientemente lesta e habilidosa na manobra, em transpo-los do papel para a navegação sócio-política quotidiana: Energias renováveis, mobilidade elétrica, adaptação às alterações climáticas e economia circular.

A Covid19 veio acabar com a (des)habilidade canhestra e pachorrenta, pôr a massa crítica em sentido, os agentes económicos a mudar de atitude, os serviços sociais e tecido institucional a arregaçar as mangas e as tecnologias da informação e da comunicação a meterem as os dígitos na massa.

Ou seja, mais uma vez, e à semelhança de anteriores apertos, tal como a presença filipina, as invasões francesas, a gripe espanhola, as guerras mundiais, a eclosão dos movimentos de libertação colonial, o movimento das forças armadas 25A, a sociedade portuguesa só age sob a razão do tem-que-ser, quando não pode adiar nem fugir mais, nem tem para onde, e, se e só se, não tiver outro remédio – a vacina Covid, por exemplo, coisa que não está para breve, pelo menos com segurança e verba disponível para a integrar no plano nacional de vacinação.

Isto é, no vai ou racha e a toque de caixa... quer dizer... cacha!

Joaquim Maria Castanho

Caixa – objeto, instrumento rítmico marcial, parte do teatro onde se situam os camarins, dinheiro realizado por operação de venda ao público, caixa-baixa ou caixa-alta tipográfica ou jornalística, pátio interior de prédios, etc., etc.

Cacha – ação de ocultar, dissimulação, ardil, metade de um lenço (máscara).

4.18.2020

4.16.2020

A PROMISCUIDADE SILÁBICA





A PROMISCUIDADE SILÁBICA

Os ditongos são sílabas guerreiras
Escudos que amortecem contundências
Beatas batidas, dor pra consoantes,
Ais em metades de coisas já inteiras.

Hão de continuar assim, imutáveis
Ocasiões pra ocar cavernas da voz,
Falsas gémeas, contudo derradeiras
Mal veem se algumas letras estão sós.

Por quaisquer causas se fazem plurais
E até se despem plo vicioso prazer
De mostrar com'as consoantes são mortais
Que andam com vogais que se deixam comer!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

4.15.2020

A PEQUENA SEREIA





A PEQUENA SEREIA

Amar-t'é melhor do que respirar...

Se mergulho num obscuro mundo
Se mergulho na profundidade
Amar-t'é como respirar fundo
- É vir à tona suspenso do olhar.

É emergir do escuro profundo
- Nascer de novo em claridade.

É deixar minhas sílabas vogar
Cruzar distâncias até à praia,
Onde o azul da água se enleia
Como se godés de tua saia
- Ver-te meio tapada de areia...

Para simplesmente imaginar
Que sejas talvez uma sereia!

Joaquim Maria Castanho

4.11.2020

#CANÇÃOSEMBALANEMABALO





CANÇÃO SEM BALA NEM ABALO



O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar.
É um desdizer que nos diz
Em cada hora, momento
É instrumento de ser feliz
Não de doer, nem magoar.



É barca de ser e singrar
Com alento, não de choro.
Dá prazer, e não lamento
Para querer, sem crer estar;
Pra combater o tormento
Sem laxismo nem decoro,
O corpo é instrumento
De dar prazer, não dá penar.



O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar,
Seja rápido ou lento,
O corpo é instrumento
Não de doer, mas de amar.



O corpo quer só bom trato
E atenção, pra conseguir
Uma plena realização.
Não é pedra no sapato
Ou ingrato por condição
De coxeio, mas de sorrir.



Meio de gozo sem perversão
Nem ditado, que premeia,
Ou círculo quadrado,
Mas diz sim, se sim; não, se não
Em todo e qualquer lado
Se apraz, não esperneia
Meio de gozo sem perversão
Nem ditado que permeia,
O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar,
Seja rápido ou lento,
O corpo é instrumento
Não de doer, mas de amar.



Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

4.10.2020

#VIAGEMSILÁBICA







VIAGEM SILÁBICA


Hoje queria fazer-te um poema
Sem nuvens...
Daqueles imaculadamente
Eternos,
Cujos algoritmo e teorema
Seja passada suficiente
E demonstre teus olhos ternos.
Então, seria uma estrela
Um sonho puro, fulgente
Nave brilhante entre nuvens.
Grito de saudade, ao vê-la
Porque a não vês, mas só tu tens...



Hoje queria fazer-te um poema
Sem nuvens, apenas sol e azul,
Nave cujo leme, e lema,
Como um poema de viagens
Idílicas, rumasse ao sul.



Hoje queria fazer-te um poema
Sem receios, perdas, nem desdéns
Mas que te desse os PARABÉNS!



Joaquim Maria Castanho



4.03.2020

#ABRAÇOIDEAL





ABRAÇO IDEAL



Tenho sede de ti
De beber teu café
De trincar teu nome
Como quem morde uma estrela
Sábia e doce
É que ver-te é vê-la
Futuro quase ali
Alma que brilha
Mas não se consome.
Nota de rodapé
Flor
Que também o amor...
Perfilha!



Joaquim Maria Castanho

3.30.2020

#POMBABRAVA





POMBA BRAVA



Eu venho de há muito tempo atrás
Mas o futuro é o meu habitáculo de salvação...
Trago a rota do saber que a si mesmo faz
E nos olhos os brotos que são meu pão.



Já fui mensageiro de guerra
E já fui mensageira da paz;
Provei ao mundo que a vida não erra,
Aprendi a primavera
E tudo o que ela nos traz.



Soltei granizos sobre os telhados
Mais frágeis de qualquer nação,
Contudo, ao ver os vidros quebrados
Disfarcei-os em espelhos de ilusão.



Então, nesse receio tão tosco
Feito de certezas me confundo,
Fiz nós de nós pra nós e connosco
Aspergirmos os vírus do mundo.



De ilusões, de medos, de receios
De solidões cumulativas muito bem conjugadas,
Cujos nós ataram e reataram todos os enleios
Antes perdidos nas teias das estradas.



Joaquim Maria Castanho

2.27.2020

SE DEMAIS SE APERTA, A PESSOA DESERTA





ABRAÇAR NÃO É ESTRANGULAR



Cada dia que desperdiças
Com quem jamais te amará
Dia roubado a quem t'adora
Oxidação das dobradiças
Ponto de rotura, letra agá
Morto e alcatruz de nora
Que roto está, água verte...
É ânsia fria e inerte.



Amar não é isso, nunca doi;
É outra coisa muito além...
É um oxidar que não corroi.
É envelhecer que só faz bem!



Joaquim Maria Castanho
Com foto por Elie Andrade

2.25.2020

A #TRUPE DA #MÁ-LÍNGUA




Prà trupe da má-língua
Toda a gente tem defeito...
Daí viver à míngua
Sem lucro. Sem proveito!

Joaquim Maria Castanho

2.22.2020

#INDIGNAÇÃO #EXISTENCIAL


  


INDIGNAÇÃO EXISTENCIAL



Onde estavas, realmente
Que só agora eu te vi?
Peca quem apaga gente
Pra lembrar-se apenas de si...



Portanto, cuida bem de ti
Que, independentemente
Do que venha a acontecer
Amar-te-ei tanto e sempre
Como luz, razão e ventre
Sentir, eco, ouvir, dizer
Élan nado por que nasci
Sol de rimar até morrer
Onde estavas,realmente
Que só agora te vi!



Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade



2.10.2020

#SENTIR #PLANÍCIE





SENTIR PLANÍCIE

Sou – podes crer! – aquele que te ama
Sem limites nem quaisquer comparações.
Que apenas vai se o coração chama
E está sem haver demais razões.
O que desinventa a dor, se a há;
Que esconde teus receios (febris)
E canta a luz, ainda assim não vá
Haver rumores ou algum diz-que-diz.
O que desmagoa e nunca exige.
Que só se perde para te encontrar.
Que se condoi com o que te aflige.
Que navega tão-só pelo balançar.

E se balança em cego embalo,
Se dito cala, o que por ti calo.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

2.01.2020

#BOM #EXEMPLO


   


#BONS #EXEMPLOS

Pois, quem quer ajudar
O presente e o porvir,
Sabe também separar...

Bons exemplos são pra seguir!

Joaquim Maria Castanho

1.19.2020

R E M - The One I Love Legendado Tradução

SEXTILHA DE #PAPEL





SEXTILHA DE PAPEL

Hei! Bom dia, pessoa linda! 
Rios de mel pra ti, neste dia!
Porém, se não chegar, tem ainda
Este dulcíssimo barquinho
Feito com pétalas de carinho 
Com velas e remos de poesia! 

Joaquim Maria Castanho   





1.02.2020

GRATIDÃO






Devo-te a liberdade...
Obrigado por não gostares de mim!
Graças a ti, vivo numa cidade
De sonhos, flores e marfim.

As ruas são todas planas
Prédios acessíveis.
Não há palavras em flamas,
Os horários primam por flexíveis.

E, às vezes, quando apareces,
Antecedendo o boato e o rumor,
Parece que apodreces
Só pra exalar o sutil perfume do fedor.

Joaquim Maria Castanho
in CONFISSÕES E OUTRAS MÁGOAS

12.27.2019

EXATIDÃO DA DISTÂNCIA






A EXATIDÃO DA DISTÂNCIA

Se na equidistância entre estrelas o afastamento a uma é aproximação
A outra entre dois pólos navega como pêndulo à procura da unidade
Esse ritmo binário digital com que nos sustentamos irrequieta condição
A bater as horas entre ser e não e não-ser, sintetiza-nos átomo paridade
Ao construir-nos duplos no género mas iguais perante a generalidade. 

Olho devagar a concisão de teu sorriso aflorando o recanto da alegria
E nesse olhar em que me vou tornando está o manto rosáceo, puro, liso
Que não descuro nem quanto dele preciso para seguir em frente no dia-
A-dia, sobre a mesa da ocasião, apenas à solidão calada as letras aviso
Arriscarem-se a perecer se ao cometer a traição temerem doce ousadia
De tecer teus ombros na fina e branca seda dos astros reflexos os areais
Bronzeados mestiços metais nada são se os comparar a alvos celestiais
Das velas navegantes que mundos viram e trouxeram uma página mais.

Duas folhas unidas pela medianiz como dos troncos nasce só uma raiz
A veia feita das duas metades que já foram quartos doutras tantas luas
Ao querer como se crê e tanto quis que as pétalas saídas do cálice tuas
Fossem únicas verdades essas lidas assim tatuadas na pele tão-só a giz
De gizar o caminho ao amaciar o linho da repousada água na líquida fé
De se apagar a mágoa no mansinho ser somente quem, ao querer-te, é.

Joaquim Maria Castanho

DIZER-TE ENTRE AS FOLHAS






DIZER-TE ENTRE AS FOLHAS

Pela cadência da batida do tear se dispõe
Enquanto vestes o tempo de flores coroadas
A marca do ritmo se a consciência propõe
A sopesar, a transferir as cores bordadas
Para o horizonte que se quer distanciar…


Cresceste-me como um ventre inaugural
A redoma do destino na imensidão da planície
A lente de alvorar à estrela incondicional
Afinal a heurística desse sempre que nos inicie
Como se cada passo fosse o derradeiro primeiro passo
Cada voz a incontornável revelação de sermos sós
Cada laço lasso a única maneira de darmos nós
Cada nó a distância feita atreita à curva do compasso
No desembaraço do balanço redondo na redoma do plural.



Havia de dizer-te entre as folhas
Como luz esgarçada saltitante
A bailar na sofreguidão da tarde
Que conforme ao verbo, me recolhas
E assim perecerá a sombra distante
Deste Sol que por nós em nós arde!


Joaquim Maria Castanho

GRAFITE





GRAFITE

Com tanto de tão pouco nasce a fortuna que é sorte sina o ter nascido
Que outro milagre não houvera igual em qualquer tempo futuro ou ido
Este de levantar os olhos e reconhecer que o sonho é tão real-autêntico
Como respirar, falar contigo, estar a par, porém saber o propedêutico
Instar da luz no recanto da folha digital tangente ao desejo assumido.

Que devagarmente se isola na rispidez o gesto assaz nulo, oco e vão 
Pois nisso de viver é coisa basta a resistência comezinha e até pueril 
Dizer «sim» quando ao «não» se pensa ou tido vice-versa por decisão
Como qualquer fogo que arde sem combustível pode apenas ser ardil
Da matéria, ao espírito alheia, simples fusão a frio do ninguém e nada
Pondo a parte tida em forma perdida já por demais em si tão achada.

Porém, tempos houve outrora ainda do aqui-e-agora tão-só distantes
Que lídimos dedos apontaram os céus infindos e disseram o espanto, 
E perante tua luz os olhos fulgiram como mil sóis candentes voantes
Explodindo as vozes dos mais entendidos em desgarradas no descanto. 

Foram esses os primeiros dias de todos os dias daí seguintes adiante
Que feitos à tua imagem na repetida procura, busca ansiosa e diária
Nenhuns outros se assemelhando em intensidade, que se de férias
Ou folga tida, me senti pária roubado por mim de minha própria vida.  

Me senti desnecessário do sentir que é viver e não saber até quando
Teus olhos me segam o desespero sem qualquer intenção de fazê-lo, 
Pois que ao Sol do acaso todo o verbo é um gerúndio afecto andando
A(r)riscar reflexos e ângulos silentes e lisos às esquinas do teu cabelo. 

Joaquim Maria Castanho

12.24.2019

AS AZEVIAS DELICIOSAS





FELIZ NATAL


Celebrar com carinho, com paladar
E no coração visão deliciosa,
O Natal, cá, ou em qualquer lugar
Só tem mesmo sentido, só tem sabor
Com iguarias feitas pelo amor
E confeção de mestria, da Tia... ROSA!


Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português