Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
11.26.2018
A VERDADE É UMA FORÇA ENORME...
A FORÇA DA VERDADE
Vejo-te, mas desconheço se me vês...
Aconteces-me sempre tão desacontecida
Como quand'ontem foras pra mim és
O dia sonha, o sol esclarece e a lua, despida
Recata-se – puxa pra si a nuvem, em pudor
Pelo meu amor, ao ver-te passar outra vez.
E extremoso, embora descuidado
O vento repara também,
E fica ali especado, a soprar parado
Antes que o veja mais alguém.
Quanto de nós haverá que seja manso
Suave como o borboletar da luz matinal
Sobre as pálpebras ainda adormecidas?
Porém, mesmo a sonhar, não descanso
De querer teu suspiro profundo, integral
Incandescente grito nas planícies floridas.
Então, desço sol na tua sombra
E lá, de onde ecoa a eternidade,
Só o carinho nos deslumbra
Só a ternura é verdade.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
11.04.2018
DE LÍRIOS SE FIZERAM ROSAS
DE LÍRIOS SE FIZERAM ROSAS
Tal brota uma rosa sobre espinhos
Assim é minh’amada entr’as demais
Que, ao cruzarem-se, nossos destinos
Os olhos do coração soltaram ais.
Abriram novas sendas, novos caminhos
Pintaram noutras cores, o arco-íris
Pétalas coloridas foram lírios
No rumor das brisas soaram jograis.
Seus enganos sublimes (inocentes)
Ensinara-me a espera sem desespero;
Suas demoras foram puro esmero
Que torna as rotinas bem diferentes,
Já que antes apenas tédio eram…
– Amantes amam, mesmo se só esperam!
Joaquim Maria Castanho
10.14.2018
10.10.2018
10.08.2018
9.29.2018
ÁGUA BENDITA
186.
ÁGUA BENDITA
Digo-me,
Da sombra do céu sobre mim
Quando me sento na relva
Escuto flores.
Cognome
Do que era princípio, será fim
– O verbo atravessa a selva
E brilha entre demais cores.
Mas da eficácia do chão
Evola murmúrio de água.
Para elas, é mais que pão.
Pra mim… Remédio prà mágoa!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
TRIGO LÍQUIDO
185.
TRIGO LÍQUIDO
Rebelde e trigueiro
Já desci para a fonte,
Que eu cresci no outeiro
Mas também nasci num Monte
Onde aprendi primeiro
As cores do horizonte
Que o devir não eclode
Dum repuxo cristalino,
Nem brinc’ao escond’esconde
Como se fora menino…
É espiga de mármore
A verter líquido puro,
Regando cada árvore
Qu’edifica o futuro!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
9.27.2018
9.26.2018
PURO AMASSO
183.
ESCARPA DESFEITA POR AMASSO ESCARPA (ELEITA)
Areia batida
Grão celestial;
Granito, lida
Estrada real:
Passo a passo
Eu gesticulo
E me desfaço
Mas não azulo.
O céu? Abraço
Que não m’abarca…
E, pur’amasso,
Todas as retas
São minhas netas
Se fui escarpa!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
9.25.2018
8.25.2018
INEGÁVEL UNIÃO
177.
INEGÁVEL UNIÃO
Tudo quanto aprendi, perdi-o já
Nada sei, pouco na alma me resta
De quem fui, que pensei; onde quer que vá
Não sou eu quem vai, senão apenas esta
Ânsia de voltar a encontrar-te lá…
Mas perguntar-me porquê, é letra morta.
É fingir que não sinto quanto sinto.
É fugir ao pensar; é fazer batota.
E tão-só é verdade quando minto…
Porém, nesse lugar profundo das veias
E brumas indistintas (nossas e alheias)
Onde moram afetos, amor, paixões
Lanço âncora, renovo a alegria
Perco-me no teu sorriso, tenho visões…
– Vejo corações unidos por poesia!
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ
8.13.2018
MODINHA DO TEMPO AGORA
MODINHA DO TEMPO AGORA
Esp’rei-te à esquina
Mas não me deste atenção;
Como qualquer menina
Jogaste pra muito longe
O qu’estava mesmo à mão.
Neste tempo que é sem tempo
Agora tudo tem um fim,
Que também não tenho tempo
Pra quem não tem tempo pra mim.
Se o futuro olha pra nós
E nos olha como hoje,
Escreve a uma só voz
O qu’à outra voz lhe foge.
Neste tempo que é sem tempo
Agora tudo tem um fim,
Que também não tenho tempo
Pra quem não tem tempo pra mim.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
MUSA ETERNA
MUSA ETERNA
A morte é um incómodo enorme…
Vira-nos a existência do avesso.
Quem amamos até parece que dorme…
É dano que não mereces, nem mereço!
E quando na ideia se conforme
Ser possível evitá-la com um Terço
De quanto és, mas ele te informe
Só d’um décimo do que em ti imerso
Navega à deriva no que julgas ser
Então, essa morte é quem por ti vive
Quem percorre os mares, rios, caminhos
– Os afluentes da liberdade livre,
Propriedade de quem saltou dos ninhos
Num voo picado pela sã ousadia…
– Qu’essa sim, é a Musa de toda a poesia!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
8.08.2018
A MOÇA E O CÃO
A MOÇA E O CÃO
Fugiu o Biscoito à menina
Retouçou na tarde fresca, amena
Sobre relva, d'esquina em esquina
Fugiu o Biscoito à "piquena"...
Continuou linda mas não serena!
Deu dois saltos e três corridas
Driblando com ufana galhardia
Quem, por vê-lo, ganhou novas lidas
Cuidados, temores pla ousadia...
Fugiu o Biscoito à sua dona,
Correu-se descarado e audaz
À sua volta, e naquela zona
Dada à reinação e tropelia
Também frequentada por muito rapaz.
Fugiu o Biscoito à pequena
Sobre a relva, esquina a esquina,
Retouçando pela tarde amena
Fugiu o Biscoito à menina...
Continuou linda mas não serena!
Joaquim Maria Castanho
Com imagem do Google
8.07.2018
O TEMPO É IGUAL PARA TODA A GENTE...
O TEMPO NÃO TEM ESTRATO SOCIAL
O presente, esse muro de lamentações
Com que a gente asperge o passado
E salpica de expetativas o futuro,
Tem por óbice alisar os verões
Emparedar quaisquer primaveras
E fala sempre muito e por dobrado
Acaso se não sinta pleno e seguro...
Como podemos resistir-lhe, não sei
Mas vive-o tanto o povo como o rei!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
Onde a liquidez da água livre
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