Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
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8.07.2018
7.09.2018
LUZIA reeditada quase 100 anos depois...
OS QUE SE DIVERTEM, primeiro livro de LUZIA, pseudónimo de Luísa Susana Grande de Freitas Lomelino, nascida em Portalegre mas falecida no Funchal, é a primeira parte de COMÉDIAS DA VIDA, secundada pelo livro RINDO E CHORANDO. No seu interior há textos (diálogos) que já foram teatralizados para rádio, além de muitos apontamentos (ou crónicas) que retratam o Portugal cosmopolita da segunda década do século passado.
9.06.2016
4.26.2016
"Fiat justitia, pereat mundus."
"Fiat justitia, pereat mundus."
(Se a justiça sucumbir, não mais valerá a pena que existam homens sobre a terra.)
"De entre os deveres jurídicos, Samuel Pufendorf (1632-1694) destacou três como fundamentais: a) que ninguém cause danos a outrem (neminem laedere); b) cada qual trate o outro como igual em direitos (suum cuique); c) cada um apoia o outro tanto quanto possível."
ARTHUR KAUFMANN, Munique - abril, 2000
2.04.2016
Legisladores e filósofos
"Aos legisladores cabe a missão de, em correspondência com os desejos da comunidade de que são representantes (e pela qual serão também responsáveis), elaborar leis justas, e aos juízes de as aplicarem com espírito de igualdade; aos filósofos, porém, cabe a de serem porta-vozes e defensores dos valores universais, logo, válidos para toda a humanidade."
KK
1.31.2016
1.13.2016
HANS KELSEN
"Se a história do conhecimento humano nos pode ensinar alguma coisa, é a inutilidade do esforço no sentido de encontrar por via racional uma norma absolutamente válida do comportamento justo, uma norma que exclua a possibilidade de também se haver como justo o comportamento inverso."
HANS KELSEN
(Ilustração: Princesas da Disney)
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Apontamentos do Quotidiano - Recortes,
Textos Alheios
12.22.2015
PASCAL
"Quase nada há de justo ou injusto que não mude com a mudança de clima. Três graus de altura polar revolucionam toda a jurisprudência. Um meridiano decide sobre a verdade. Após alguns anos de posse, alteram-se as leis fundamentais. O Direito tem as suas épocas. Divertida justiça esta que um rio ou uma montanha baliza. Uma verdade aquém, erro além Pirinéus."
PASCAL
11.30.2015
PANORAMA HISTÓRICO DA CULTURA JURÍDICA EUROPEIA
"O trabalho de recuperação dos sentidos originais é, como se vê, penoso. O sentido superficial tem que ser afastado para deixar lugar às camadas sucessivas de sentidos subjacentes. Como na arqueologia, a escavação do texto tem que progredir por camadas. Os achados de cada uma delas têm que fazer sentido a esse nível. O modo como eles foram posteriormente recuperados pode ser objeto de descrição; mas isso é uma outra história – a história da tradição.
A cada nível, portanto, o esforço é o de recuperar a estranheza, não a familiaridade, do que é dito; o de evitar deixar-se levar por leituras pacíficas; o de ler e reler, pondo-se porquês a cada palavra, a cada conceito, a cada proposição, a cada «evidência» e procurando a resposta, não na nossa lógica, mas na lógica do texto. Até que o implícito deste se tenha tornado explícito e possa ser objeto de descrição. Nessa altura, o banal carrega-se de sentidos novos inesperados. O passado, na sua escandalosa diversidade, é reencontrado."
in ANTÓNIO M. HESPANHA
Panorama Histórico da Cultura Jurídica Europeia
Publicações Europa-América
(Pág. 48)
11.25.2015
VIVER É PARTILHAR por PAUL ÉLOUARD
(...)
Viver é partilhar odeio a solidão
A grilheta da morte quer-me reter ainda
Já não beijo ninguém como beijava dantes
O pão era sinal de ser feliz
O bom pão que nos torna mais quente o nosso beijo
Como abrigo possível só há o mundo inteiro
Pra mim viver é hoje responder aos enigmas
É renegar a dor que é cega de nascença
E sempre em pura perda estrela sem qualquer brilho
Viver perde-se para reencontrar os homens
Que a palidez do rio encubra a do arroio
Que olhos de maravilha vejam tudo em seu lugar
A miséria acabada e os olhares lavados
Uma ordem crescendo do grão à flor à árvore
Andaimes vivos a sustentar o mundo
A criança a renascer em cada homem e rindo.
in PAUL ÉLUARD
Poemas Políticos
Prefácio de LOUIS ARAGON
Trad. Carlos Grifo
Col. Forma / Editorial Presença
(Pág. 41)
11.11.2015
A TERRA DOS SONHOS FELIZES de John Brunner
JOHN BRUNNER
A TERRA DOS SONHOS FELIZES
Trad. Eurico da Fonseca
"– Bem, será apenas durante algum tempo. Apertemos os cintos!
Depois tinham notado:
– Os outros ainda estão piores do que nós.
Mas agora gritavam:
– Esses ladrões da ONU!
«Qual é a alternativa? Legislar o canibalismo!»
Fora o que o secretário-geral Pafiq afirmara no seu último relatório sobre o estado do mundo, na sessão plenária da ONU, em Nova Iorque. E Greville, que o vira através do sistema de televisão interna do edifício, notara que, na expressão do seu rosto, não houvera qualquer traço de humor.
Bem, sempre havia paliativos. Diretivas sobre o uso do combustível, da energia, das matérias-primas essenciais. Não se gastava no aquecimento central o gasóleo que podia ser consumido por uma locomotiva. Não se via televisão com a eletricidade que podia conduzir vigas de aço através de uma trefilaria. Nem se construía um teatro com o cimento que podia servir para outro bloco de apartamentos.
E depois viera o inevitável: não se andava com um lugar vazio no carro se alguém mais seguia para o mesmo destino. Não se dormia com dois compartimentos vazios em casa, se havia na cidade quem não tivesse onde dormir.
Nos meados do século XX, a população fora de dois mil e quinhentos milhões. No fim do século alcançara seis mil e quinhentos milhões. Agora era de mais de oito mil milhões! A todo o momento surgiam milhares de novas bocas, a gritar de fome! Milhares de novos corpos que precisavam de ser vestidos! Milhares de novos espíritos exigindo educação, informação, divertimentos!
O trabalho que Lumberger estava a fazer ali – um homem, um laboratório, meia dúzia de culturas experimentais – podia ter sido feito antes de 1970. Os desertos, em todo o mundo, teriam sido reduzidos a metade. Mas cada vez eram maiores. Um programa devidamente orientado, nos anos 70, teria tornado uma realidade a cultura dos mares, conservando os recursos de peixe e de plâncton, em vez de se servir deles como de uma conta bancária infinita – e desastrosa.
Que aconteceu em consequência de tudo isso? No fim do século tinham gritado pelo Doutor Nações Unidas para que viesse curar um doente cujo estado se tornara mais grave devido aos curandeiros do que aos verdadeiros males.
Com a falta de papel, de energia e de artigos de luxo – como os sorvetes e refrescos – e a necessidade de fabricar charruas, ceifeiras-atadeiras e arrastões em vez de carros e giradiscos –, não era de admirar que as pessoas perdessem a esperança. Nem que procurassem SONHOS FELIZES."
(Págs. 31-32)
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Capas inesquecíveis,
motivos e celebrações,
Textos Alheios
ECLIPSE TOTAL de John Brunner
In JOHN BRUNNER
ECLIPSE TOTAL
Trad. de Eurico da Fonseca
"Ouvidos naquele ambiente, que tanto recordava a Terra longínqua, os relatórios iniciais de cada departamento pareciam mais impressionantes. Em Peat, as pessoas sentiam-se dominadas pelo passado. Ali estava a oportunidade de descobrir uma crença no futuro.
Ian meditou até que chegou o momento de fazer o seu próprio relatório e depois repetiu mais ou menos o que ele já dissera a Nadine e a Lucas. Não lhe soou melhor que antes; mesmo assim podia reconfortar-se com a ideia de que até o conhecimento negativo era útil.
Quando toda a gente concluiu o que tinha a dizer, Rorscharch disse:
– Há uma coisa que eu noto, depois de os ter ouvido a todos.
Olharam-no, em expetativa.
– Parece-me que estão a falar como se tivessem chegado a um beco sem saída em todos os últimos caminhos que vos restavam. Estou surpreendido. Para mim, parece-me que deram constantes passos em frente.
– Valentine? – disse Igor, com um gesto.
– Sim?
– Quase tens razão no que disseste. – O velho arqueólogo-chefe inclinou-se para a frente, com um copo de vinho nas mãos. – Naturalmente, em resultado da descoberta dos nossos muito esplêndidos e idênticos edifícios... em atenção a Ian não lhes chamarei «templos»!... em resultado disso nós fizemos uns progressos tremendos. Mas!...
Bebeu um pouco de vinho antes de prosseguir.
– Mas fomos apanhados num círculo vicioso. É verdade que sabemos muito mais dos nativos do que esperávamos há ano e meio; temos tido uma sorte tremenda, o que é outra maneira de dizer que temos mantido os nossos olhos e os nossos espíritos abertos e respondemos quando alguma coisa surge. No entanto, por outro lado, precisamente porque temos reunido tantos factos novos, temos muitas, muitas mais combinações possíveis. Cada um de nós, à sua maneira, pode ser olhado como tendo o mesmo problema que Ian: portanto enquanto estamos simplesmente a reunir dados, sem um quadro imaginário onde os colocar, sentir-nos-emos mais frustrados que agradados. Pelo que pretendo propor que ressuscitemos o plano de Ian para a construção de um Draconiano simulado, e vejamos se podemos desenvolver uma boa hipótese, partindo das recomendações dele, para comprovarmos aquilo que pensamos saber.
– Apoiado! – disse imediatamente Cathy, do lugar onde estava, ao lado de Ian."
(Págs. 130-131)
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Capas inesquecíveis,
Literárias e Libertinas,
Textos Alheios
INÊS DE PORTUGAL
in JOÃO AGUIAR
INÊS DE PORTUGAL
Edições ASA, junho de 1997
"É Pedro que se aproxima agora, lentamente, enquanto fala.
– Que sabe o mundo de juramentos, Afonso? O juramento que eu lhe fiz, a ela e não ao meu pai e à minha mãe, o juramento que lhe fiz, só esse é verdadeiro e só esse conta e só esse me prende."
(Págs. 37-38)
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Capas inesquecíveis,
Textos Alheios
10.31.2015
Grupos de Encontro
"Mas qual é a necessidade psicológica que atrai as pessoas para os grupos de encontro? Creio que é uma fome de qualquer coisa que a pessoa não encontra no seu ambiente de trabalho, na sua igreja, e com certeza também não na sua escola ou universidade nem mesmo, infelizmente, na moderna vida familiar. É uma fome de relações próximas e verdadeiras, onde sentimentos e emoções se possam manifestar espontâneamente, sem primeiro serem cuidadosamente censurados ou dominados; onde experiências profundas – deceções e alegrias – se possam mostrar; onde se arrisquem novas formas de comportamento e se levem até ao fim; onde, numa palavra, a pessoa atinja a situação onde tudo é conhecido e aceite, e assim se torne possível uma maior evolução. Parece ser esta a fome poderosa que se espera satisfazer através das experiências de um grupo de encontro."
in CARL ROGERS
Grupos de Encontro
Trad. Joaquim L. Proença
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Apontamentos do Quotidiano - Recortes,
Textos Alheios
AS HORAS DE IRAZ
AS HORAS DE IRAZ
L. Sprague de Camp
Trad. de Eurico da Fonseca
INTRODUÇÃO
Que significam as iniciais "S. F."? Para os cultores tradicionais da Ficção Científica só há uma interpretação possível: "Science-Fiction" – um género literário em que não existem limites no tempo e no espaço. Tradicionalmente, também a S. F. deve produzir uma explicação científica – ou aparentemente científica – das coisas e dos factos que nela se descrevem ou sugerem. Mas o que é a ciência? Como prever o desenvolvimento científico?
«Há mais coisas no céu e na terra do que imaginamos» – disse Shakespeare. Limitar a Ficção Científica ao campo da "ciência oficial" não é um processo lógico. Bem pelo contrário. Como poderia um homem do século XVI – mesmo um cientista do século XVI, mesmo um génio como Leonardo da Vinci – prever o aparecimento da fotografia, do cinema, do telefone, da rádio, da televisão, [do computador], uma vez que a ciência de então era fundamentalmente mecanicista, identificando a química com a magia e considerando a eletricidade com um fenómeno curioso, apenas curioso?
Poderá amanhã a magia integrar-se na ciência? Poderá o domínio das coisas da natureza (e o seu conhecimento) seguir caminhos absolutamente diferentes dos que hoje são tidos por lógicos? Essa é a interrogação a que pretende responder a nova S. F. – a Speculative-Fiction. Alguns dirão que ela se situa muito perto da fantasia. Mas a distinção é fácil. Os contos de fadas distraem e encantam. Não encerram mensagens.
Depois das obras de Bradbury – que são pura ficção especulativa e que ninguém confundirá com a simples fantasia – a Coleção Argonauta tem publicado outras, que bem ilustram os novos rumos da S.F.: a curiosa e simbólica Estrada da Glória, de Robert Heinlein; a célebre Agência de Mágicos (Magc, Inc.) do mesmo autor (volume em que se inclui o texto fundamental: Waldo). Agora tem-se As Horas de Iraz, obra magnífica de um magnífico autor: L. Sprague de Camp. A ironia e o simbolismo juntam-se a cada passo de uma narrativa que decorre no mundo onde as nossas almas teriam existido, antes de descerem ao mundo mecânico em que vivemos. Mas a análise crítica de Sprague de Camp une esses dois mundos, nos seus defeitos e nas suas qualidades.
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