3.30.2010



IV Expo Ambiente e Energias Renováveis - QUARTEIRA - 13 a 16 de Maio de 2010



As energias renováveis, os fornos solares, os veículos eléctricos e a qualidade do ambiente vão voltar a estar no centro das atenções em Quarteira, com a 4ª edição da Expo Ambiente e Energias Renováveis, uma exposição de entrada livre que decorrerá de 13 a 16 de Maio de 2010, na Praça do Mar.Numa organização conjunta da Junta de Freguesia de Quarteira, e da Câmara Municipal de Loulé, com a colaboração do site www.algarverenovavel.com a Expo Ambiente e Energias Renováveis, é uma das mais interessantes feiras de energias renováveis e de ambiente, a nível regional. Enquadrada nas comemorações do Dia da Cidade de Quarteira, esta exposição prática dedica uma especial atenção à sustentabilidade ambiental e aos veículos não poluentes, constituindo um espaço de excelência para o estabelecimento de contactos, e divulgação de conhecimentos na presença daquilo que de melhor existe à venda em Portugal.Trata-se de um evento que, como em anos anteriores, terá uma importante componente formativa e informativa, através das suas diversas iniciativas que englobam seminários, construção de carros solares, cinema de educação ambiental (cine-eco), vários workshops, utilização de fornos solares, acções de limpeza de praia, mas sobretudo divulgação dos melhores equipamentos para aproveitamento das energias renováveis e demonstração de novos conceitos de mobilidade mais amigos do ambiente.Para além da exposição de tecnologias, equipamentos, veículos, produtos, e serviços amigos do ambiente, as entidades que organizam a IV Expo Ambiente e Energias Renováveis - a Junta de Freguesia de Quarteira e a C.M. de Loulé - promovem, em conjunto com a Associação Portuguesa de Engenheiros do Ambiente, um Ciclo de Conferências; e a Ecoteca de Olhão em conjugação com a TáSol vai instalar uma verdadeira “fábrica” para produzir 100 pequenos automóveis solares, bem como workshops de fornos solares com várias escolas.Tal como em anos anteriores, todas as empresas de energias renováveis são convidadas a colocar os seus equipamentos em funcionamento, e a exposição caracteriza-se por ser uma exposição livre, com a possibilidade de experimentar os vários veículos amigos do ambiente à venda em Portugal, tais como automóveis eléctricos, motos eléctricas, scooters eléctricas, bicicletas eléctricas, Segways, City cruisers, entre outros.Porque os espaços este ano são bastante limitados, devido ao facto de o palco dos vários concertos ser mesmo na Praça do Mar – o que animará bastante o evento, mas levará a que só seja possível montar 18 Stands de 3m X 3m - vimos convidar Vªs Exªs a participar na nossa exposição, com a montagem de um Stand, bem como, eventualmente, com a colocação de faixas publicitárias, agradecendo que se inscrevam enviando a ficha que se anexa com a maior brevidade para a Junta de Freguesia de Quarteira, o mais tardar até ao dia 16 de Abril de 2010.

3.24.2010


Do Estado (e) da Alma Lusa


Entre gregos e troianos venha o maluco e escolha. Já não há realidade, mas apenas literatura anexa, quer dizer, posologia farmacológica que acompanha os prozacs desta vida.
Um em cada cinco portugueses não bate bem da bola e, deve ser a isso que se deve a forte concentração e elevado número de votos obtidos pelos partidos do centralão, nas últimas eleições legislativas como nas autárquicas: aqueles que já não querem saber da vida para nada, não optaram por projectos mas votaram contra aqueles que os têm e protagonizam, que preferem ser solução a mais uma forma de agravar os problemas, nomeadamente o da insustentabilidade sócio-económica, e não farão nunca parte das forças de reparação sistemática que estragam, incendeiam as hostes, semeiam o descrédito e o caos, para depois poderem daí retirar proventos financeiros e políticos. Todavia, de acordo com a minha constatação diária, a minha observação quotidiana e experiência de convívio com os conterrâneos patrióticos, que fazem batota em tudo, desde as estatísticas às contabilidades públicas ou autárquicas, desde eleições ao desporto, desde a manipulação da justiça ao tráfico de influências e à corrupção (generalizada), também estes números devem estar "fal$ificados" e amaneirados jesuiticamente, porquanto dos locais que frequento a proporção parece não condizer, uma vez que, sobretudo nas zonas mais burguesas, as pessoas que lá encontro, nos cafés, espaços públicos e lugares de afluência predominantemente adulta, é certo e garantido, que pelo menos metade não junta o gado todo, numa proporção de duas pessoas e meia em cada cinco, ou três em seis, que vem a dar sensivelmente a mesma coisa, e muitos daqueles em que não recai a mácula observável a olhos nus, o mais provável é andarem eficazmente medicados.
E ainda, se descontarmos aos que sobram dentro do prazo de validade (sanidade) mental, os fanáticos religiosos e do futebol, os exaustos e narcísicos sem fundamento ou suporte (autoconvencidos), então é que o caldo entorna mesmo, e constatamos, ao contrário, do relatório/estudo recentemente divulgado, que por cada cinco portugueses desaparafusados só haverá sem a rosca remoída, um a acertar o passo com a normalidade, reconhecendo finalmente que o Obélix e Astérix tinham razão, quando afirmavam, enquanto lhe untavam as molas que «estes romanos, estão loucos!», quiçá dirigindo-se especificamente a nós, embora usando um tropismo literário (sinédoque ou metonímia?), exaltando a sua natureza (hipérbole contrastante) dentro da liberdade poética da época (bárbara).
Sinceramente, acho que num país onde se mente para tudo, incluindo no termo mentir, a que chamam faltar à verdade para não ferir susceptibilidades dos mentirosos, onde nada é confiável, e onde o é tanto pode ser ou não ser, na sonegação da lógica, só podia realmente fazer-se poesia, mas daquela em que incontornavelmente o poeta é um fingidor que finge tão completamente que para não trabalhar até finge estar doente, os borra-botas são supra-sumos da cultura e da literatura, enfim, tudo é possível porquanto nada se é, incluindo gregos, embora os estejamos igualmente, e bem pior por sinal, porque os de Creta também estão e são gregos, mas eles têm toda a razão em evidenciá-lo, porque vivem na Grécia. Agora, nós?...

3.20.2010

Lellices!

"A primeira e pior de todas as fraudes é o sujeito enganar-se a si mesmo. Depois disto, todo o pecado é fácil [e está justificado]."
J. Bailey

A infantilidade adulta, no dizer de Natália Correia seria o criancismo, é apenas mais uma das estranhas formas de pretender ser sério pela pecuinhice da sisudez, do melindre e da ofensa gratuita, comum aos casos de narcisismo frustrado, em que se entrincheiram os políticos quando a iniciativa e a imaginação lhes faltam para fazer (ou dizer) algo de útil à nação e a quem os elegeu, escorando a insensatez na intenção de criar moda, porquanto uma coisa que é considerada uma nítida e despropositada birra, desde que seja praticada por muitos até pode parecer, embora nunca o seja realmente, uma espécie de recato e de estilo de afirmação entre os seus pares, quando timbrados pela honestidade e transparência que além de atitudes pessoais, são também valores intrínsecos à democracia, à pluralidade social e à renovação regimental que mantém "acesa e pertinente" a moralidade republicana, pois é à democracia e à República que a comunicação deve servir, não a este ou
àquele partido, por mais republicano, democrata e laico que se (auto)proclame.
No recreio da minha escola (primária), onde frequentemente se fazia a aguerrida futebolada digestiva do almoço, houve igualmente alguns jogadores que eram donos da bola, e que mal o adversário infringisse, não as regras do futebol mas os ditames que o proprietário da pilota impusera, ou os membros da sua equipa não lhe passassem a dita cuja quando achava que o deveriam ter feito, então fechava o computador e acabava com a retouça a todos, perdão, pegava no esférico e levava-o para o seu universo caseiro, não por falta de carácter é certo, pois o quero, posso e mando é antes enunciativo de um carácter forte e possessivo – alguns chamar-lhe-ão paranóico, egocêntrico e maníaco-depressivo –, acabando invariavelmente com o jogo, a não ser que ambas as equipas o apaparicassem com louvaminhas circunstanciais que o levassem a ponderar e inverter o curso da reportagem, enfim, da estória e da história.
Ora, ultimamente tem-se assistido à metamorfose dos políticos em pudicas Dianas paparizadas, mais ou menos por todo o lado, uns fugindo das câmaras e objectivas que tanto buscavam e em frente das quais ostensivamente e amiúde passavam, outros não respondendo às perguntas dos jornalistas quando estas começam "por-ques e porquês", havendo até quem os acuse de maus profissionais se eles não carimbarem com de elevado interesse nacional esta ou aquela iniciativa, este ou aquele discurso, e amaneirar para esconder as manobras e gincanas de contornar a justiça desta ou daquela bancada, bem como das empresas que lhes superintendem na "logística fundamental". Quem não deve não teme, lembra a popular divisa, logo não precisa de esconder nada, nem reivindica o seu direito à privacidade, quando utiliza um bem público, que foi disponibilizado pelo órgão de soberania, não para conspirar, mas para melhor e mais eficazmente desempenhar as funções que lhe foram confiadas, como reza qualquer tomada de posse onde as figuras regimentais são muito além do que simples sons para as cacofonias dos poderosos, igualmente conteúdos e rituais de respeito pelas instituições do Estado que a Constituição da República consagra e consagrou, não permitirá ver dissolvidas nem alienadas, por superiores que se alevantem ou privatizações lhe advenham.
E idem para as prendas que resvalam no tradicional untar de mãos para agilizar processos, rendimento suplementar de funcionários e administradores, que a eito se vão revezando como receptadores de bens/montantes sem imposto nem registo, acerca dos quais há quem exija sensatez na análise adjectivante, dado ter-se – não sei porquê... – que distinguir-se entre prendas e prendas, saber se umas são para colher benefícios ou se pagar favores, se outras são por generosidade e simpatia, desde os repastos às comitivas da comunicação social até aos brindes para os representantes das corporações convidadas, uma vez que todos sabemos muito bem o que é ser-se imparcial e objectivo perante "actos e palavras proferidas" de alguém que nos encheu a pança, quer periódica como frequente ou momentaneamente. Qualquer prenda é sempre um suborno e uma possibilidade de corrupção em aberto, seja ela para consumar ou não.
Portanto, quer-me parecer, que se os poderosos andam a prender o burro e a fazer manguitos à comunicação social, esta também anda a vasculhar mais do que era costume por lhe andarem a mexer nos suplementos alimentares, pondo uns e outros em prática o amor com amor se paga, renunciando (mutuamente) aos pagamentos em género, como forma de limpar os queixos pelos manjares partilhados a expensas do erário público; isto é, quando a verba escasseia todos vão ralhando acerca do quinhão que coube, porque afinal "andamos todos ao mesmo", o que é uma aventura se já não temos mãos a medir para uma crise que se dilata e estende no tempo. Era fácil mas acabou-se... – diremos. O interesse nacional (esse disfarce), a pessoa de bem e o idóneo Estado (essa máscara), as leis e a ética (essas convenções), perante a necessidade de transparência e honestidade (essa tragédia), vão-se diluindo conforme as políticas e os políticos acertam o passo com a modernidade: porém, suborno é sempre corrupção, como esconder dados é sempre manipulação, independentemente do que lhe chamem, e lho chamem apenas quando aos mais poderosos convém. Que por mais que o pecado seja fácil, nenhum almoço é de borla.

3.16.2010

Tempos de Antena

Deve haver, uma maneira simples de sermos realistas e continuarmos republicanos, pois não antevejo como se faça essa coisa de mudar de regime para alterar alguns procedimentos perniciosos à democracia, para inverter de seguida o estado de sítio, após estes terem sido removidos, mudar novamente para o regime anterior, reinstalar a República, fazer um outro 1910 com cheirinho acentuado à 1º de Dezembro de 1640. Sobretudo porque a República anda velhota e abengalada, vai num século de formaturas e paradas, e 100 anos acarreta muito reumático, atrofia as articulações, diminui a flexibilidade, averba muita esclerose nas vias de comunicação, obstrui os tímpanos institucionais, caleja de teimosia impertinente os arregimentados da confraria do traque e desossa os tutanos à paciência de qualquer um, mesmo que esse ande de ventas alçadas e bigodaças de vento em popa, à dito cujo dos retratos de família em praça de mercado ou recinto de efeméride e celebração. E se é certo que, ainda que igualmente aviagrada e secular, não anda caquética nem pedófila como a Igreja católica, que em dois ou três anos, se ficou a saber de inúmeras manifestações dessa seita dentro do seu mariano seio, primeiro nos Estados Unidos, depois no México e na Irlanda, e agora na Alemanha, embora se desconfie que as portas fechadas para não deixar escapar os segredos de sacristia, esconda muita moléstia latino-ibérico-americana de ensopar fronhas a dedilhar confissões às flores do verde pino, pelo que nunca será demais providenciar cautelas que a provecta idade é profícua em surpresas e desregrares para recuperações da líbido perdida.
A não ser que isso esteja de moda ou se faça num repente como se faz agora no PSD, que depois de ter tido honras de 1ª página em todos os telejornais, onde na generalidade as estações televisivas, durante o fim-de-semana passado, gastaram os primeiros 20 minutos a dar-lhe notícia do Congresso, coisa que só acontece com as grandes derrocadas, as grandes catástrofes e desastres, as enchentes, tsumanis, sismos, pestes e demais cataclismos, eis que deste congressismo mediático resultou nem mais do que a notícia de flagrante censura por 356 votos a favor, larga e compacta maioria, quase por unanimidade se descontarmos os votos contra dos candidatos ao "trono manuelino", instituindo a proibição de falar ou criticar as chefias nos 60 dias que precedem os actos eleitorais – o que manifestamente acho pouco e tardio, pois a bem da nação isso devia, no caso do PSD, ser não de 60 dias mas de três anos, porém alargando-se também a providência de acautelar dissabores internos ao PS, mas inversamente para dois anos após eleições, ficando nós, os portugueses, pelo menos com cinco anos de sossego por cada legislatura, o que já daria para combater o stress e restabelecer a resiliência, tão combalidos e nas lonas por mor de tanta f®icção democrática partidária –, acentuando definitivamente a tónica realista da República, centenária é certo, mas como nova se lavadinha de fresco com alguns arremedos de suspensão, semelhantes ao anteriormente anunciado por Sua Excelência Reverendíssima Manuela Ferreira Leite quando quis interromper a democracia por seis meses a fim de recolocar Portugal na rota do progresso e modernidade, numa ditadura de meio aninho a ver se afinava os pormenores de gestão às agulhas do poder, então bastante esfrangalhadas no croché da conjuntura.
«Força Manela» o cronista está contigo, «acerta-lhe no cravo, cachopa; chama a todos os Santanas deste mundo» que ainda havemos de desbravar outros mares de dar novas repúblicas a esta democracia, bem menos velhinha mas ainda superlativamente caquética, que nisso de andar no poder até à cova todos temos experiência acalentada entre caíres do cadeirame no arrasta-pé corporativista, e pouco falta para inventar moda de conquistar estátua por duração e record no topo das tabelas da governação, a ver se batemos o record estabelecido do nosso António de Oliveira Salazar, que durou 48 anos e, não fosse a frescura primaveril dos marcelos, ainda sobreviveria outros tantos são que nem um pêro.
«Não te deixes abater, amiga» que a gente tem esperança nos às armas, às armas contra os barões marchar-marchar que nos há-de levar à vitória, e pôr em ordem, finalmente, as quinas, que são cinco e não 60 dias, como as chagas de Cristo levadas pelos tormentos do ordenado mínimo e do desemprego que sobe-sobe como o balão da cantiguinha. «Força cachopa, arreia nesse pé-de-trempe que nos mascarra a democracia», seria o último favor que pediria se tivesse tempo de antena, coisa que, in-fe-liz-men-te não tenho, e é por isso pre-ci-sa-men-te que Portugal se vê grego para sair da crise que o Convento, de Mafra, nos agravou, desde o tempo da sua construção, com desregramentos e gastos soberbos, até hoje, de que ainda andamos a pagar a factura, com a ajuda de Saramago tão encarecida que nem sete-sóis e sete-luas nos dariam para abater os juros de mora. «Chega-lhe, amiga», que eu, militante de longa data, pese embora a nova gerência ainda não tenha assumido (funções) o poder, já ando mortinho de saudades dos bons e velhos tempos das amenas legislaturas com cavaqueira e biquinha morna…

3.12.2010

PORTUGAL DESPEDE-SE DO MAIOR EVENTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE SEMPRE


Envolveu milhões de pessoas em 148 países e foi coordenado por um português: o Ano Internacional da Astronomia vai despedir-se de Portugal com um dia de celebrações na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Foi o maior evento de divulgação científica de sempre, envolvendo a participação de milhões de pessoas em centena e meia de países. O Ano Internacional da Astronomia vai terminar em Portugal com um dia de comemorações na Fundação Calouste Gulbenkian. A sessão de encerramento terá lugar no dia 17 de Março, a partir das 18 horas. A entrada é livre.

"O Ano Internacional da Astronomia foi o maior evento de divulgação científica jamais realizado. Envolveu 148 de países e mobilizou milhões de pessoas. Esta mobilização foi um empreendimento organizacional de relevo e teve um extraordinário impacto educacional. Dar a conhecer, em primeira mão, a maravilhosa trama de fenómenos que têm lugar no Universo é a mais eficiente forma de combater a ignorância, os dogmas de natureza ideológica e religiosa, e a intolerância", reconhece Orfeu Bertolami, o astrónomo do Instituto Superior Técnico que vai conduzir a sessão de encerramento, dedicada ao presente e ao futuro da Astronomia em Portugal.

Ao todo, em território nacional, as celebrações do Ano Internacional da Astronomia (AIA2009) resultaram na realização de duas mil iniciativas ao longo de um ano, em mais de 300 cidades, vilas e aldeias, num evento em que colaboraram mais de 440 instituições e três mil pessoas, na sua maioria voluntários.
"E o que fica depois do Ano Internacional da Astronomia? Antes de mais notemos que se construíram no terreno centenas e centenas de parcerias entre diferentes instituições, com vista à celebração do AIA2009. Esta é uma excelente janela aberta sobre futuras colaborações. O AIA2009 foi um extraordinário exemplo de dinamismo da sociedade, já que muitas das actividades tiveram origem a nível local. A Comissão Nacional está já a trabalhar para manter este legado", garante o presidente da Comissão Nacional do Ano Internacional da Astronomia, João Fernandes.
E o que podemos esperar da Astronomia portuguesa? "A comunidade dos astrónomos em Portugal é altamente qualificada e a sua contribuição para o corpo do conhecimento nas várias áreas da investigação astronómica é muito relevante. Poderíamos destacar as seguintes: física solar, dinâmica estelar, dinâmica galáctica e de enxames galácticos, núcleos activos de galáxias. Portugal é particularmente forte na recente ciência de detecção de planetas extra-solares e em cosmologia. Um estudo recente (
http://arxiv.org/abs/physics/0612066 ) revela que, nesta última área, a investigação realizada em Portugal, na Europa só fica atrás, em magnitude e impacto médio, à desenvolvida nos quatro grandes países (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) ", revela Orfeu Bertolami.
De resto, segundo o investigador do Instituto Superior Técnico, o trabalho desenvolvido em Portugal sobre problemas envolvendo a energia escura e a matéria escura tem tido também um "impacto assinalável" a nível global.

"Portugal está também a dar os primeiros passos, podendo assim destacar-se, na radioastronomia, com a participação no Polarized Galactic Emission Mapping Project, um projecto global liderado pelo Prémio Nobel de Física George Smoot, que consiste em 'ouvir' a nossa galáxia através duma antena localizada na Pampilhosa da Serra", explica.

Quanto ao impacto do Ano Internacional da Astronomia, Orfeu Bertolami elogia a adesão da comunidade científica, das instituições e do público português. "Em Portugal, o Ano Internacional da Astronomia permitiu a um público alargado conhecer a ciência que estuda o Universo. Com base nesta extraordinária experiência, é expectável que haverá um maior interesse dos jovens (e não só) pela astronomia, mas também pelas ciências em geral", reconhece.

"Contudo, há que se salientar que despertar o interesse das pessoas tem a si associado uma grande responsabilidade. Cidadãos com níveis de literacia científica mais elevada, exigem melhores universidades, instituições mais eficientes, uma sociedade mais dinâmica e criativa, cientistas, políticos, jornalistas e profissionais mais qualificados e capazes. Sob este ponto de vista o Ano Internacional da Astronomia foi também um meio de intervenção social, e devemos estar prontos para os novos desafios que se abrem. Temos que garantir a continuação dos projectos que foram iniciados com e pelo AIA 2009", defende Orfeu Bertolami.

O Ano Internacional de Astronomia ( http://www.astronomia2009.org/ ) é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, da Agência Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS).

"A Astronomia no Portugal de Hoje"


No dia em que se celebra o encerramento do Ano Internacional da Astronomia em Portugal, a Gulbenkian vai inaugurar uma exposição que pretende cativar os mais novos para a investigação em Astronomia.
Comissariada por António Pedrosa, director do Planetário de Espinho, a exposição "A Astronomia no Portugal de Hoje" pretende informar o público sobre os mais recentes desenvolvimentos em Portugal da ciência que estuda os astros, tanto a nível da investigação, como da divulgação científica. A visita à exposição, que integra material cedido pelo Observatório Europeu do Sul, é gratuita.

"Por outro lado, aborda-se o tema do ensino e investigação em Astronomia, onde se pode aprender astronomia, onde se pode seguir uma carreira em Astronomia, onde se faz investigação científica e com que ferramentas os astrónomos portugueses tem contado para fazer essa investigação", avança António Pedrosa. "Esta iniciativa dirige-se ao público em geral, não especialista em astronomia. Está sobretudo pensada para os mais novos que muitas vezes sonham com os astros e estão numa fase de maturação e pretendem escolher uma carreira para o seu futuro. A Astronomia por ser uma ciência aglutinadora de tantos saberes acaba por ser muito cativante", sublinha.

Para António Pedrosa, em Portugal, a Astronomia é uma ciência "com muita gente altamente competente," quer na investigação, quer no ensino ou na divulgação. "A nível da investigação, é uma das áreas onde os artigos (estudos) publicados tem mais impacto internacional. No ensino somos dos países do mundo onde mais Astronomia é ensinada nas escolas", frisa.

Segundo o cientista, doutorado em Astrofísica Estelar, o Ano Internacional da Astronomia mostrou, de resto, "uma comunidade organizada, que se começou a preparar com quase dois anos de antecedência um conjunto enorme de iniciativas tendo havido uma excelente adesão do público". Por outro lado, sublinha, "ter sido um português [Pedro Russo] o Coordenador Internacional do Ano Internacional da Astronomia não pode deixar de ser um motivo de orgulho para o país".
A exposição "A Astronomia no Portugal de Hoje" ficará patente na Gulbenkian durante oito dias.

400 anos depois, Portugal traduz primeira obra de Galileu
É uma das obras mais relevantes na história do pensamento ocidental: "Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas", publicado em Março de 1610, é o primeiro livro de Galileu Galilei a ser traduzido integralmente em Portugal. Com tradução e anotações de Henrique Leitão, vai ser lançado na sessão de encerramento do Ano Internacional da Astronomia.

"É um livro único na história da ciência e uma das obras mais importantes em toda a história do pensamento ocidental. Nunca na história da ciência uma obra provocou tanta comoção e deu origem a debates tão acesos como este", avança o investigador e tradutor, Henrique Leitão."O título, 'Mensageiro das Estrelas' (ou 'Mensagem das Estrelas', porque o latim permite as duas formas) tem o sentido de "Gazeta das Estrelas" ou "Mercúrio das Estrelas", isto é, tem uma clara conotação jornalística: relatar, em tom vivo e rápido acontecimentos e observações sensacionais", explica Henrique Leitão. Segundo o investigador do Centro de História das Ciências da Universidade de Lisboa, Galileu refere-se muitas vezes ao livro como um 'Aviso Astronómico', exactamente com o mesmo sentido. "Ou seja, Galileu escreveu para causar sensação",reconhece.

Com nota de abertura do investigador belga Sven Dupré, um dos maiores especialistas mundiais no telescópio de Galileu, o livro integra um estudo e a tradução de Henrique Leitão, uma cronologia e ainda um facsimile integral da edição original do "Sidereus Nuncius", de 1610.

Investigador e professor na Universidade de Lisboa, Henrique Leitão é coordenador da comissão científica responsável pela publicação das "Obras de Pedro Nunes", pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Fundação Calouste Gulbenkian. Colabora regularmente com a Biblioteca Nacional de Portugal, onde já comissariou quatro exposições e onde dirige o projecto de catalogação dos manuscritos científico. Henrique Leitão é membro de várias sociedades científicas portuguesas e estrangeiras, entre as quais a Academia das Ciências de Lisboa, a Academia de Marinha, a Académie Internationale d’Histoire des Sciences, a European Society for the History of Science (membro do «Scientific Board») e a History of Science Society.
O Prémio “A melhor Pergunta sobre Astronomia” será entregue por João Caraça, Director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian e coordenador do ciclo de conferências “Nas Fronteiras do Universo”. De acordo com as palavras de João Caraça “o concurso revelou o enorme entusiasmo mas também a maturidade dos jovens estudantes portugueses no questionamento das grandes ideias sobre o universo”.


Orfeu Bertolami

Nasceu em São Paulo, Brasil, em 1959. Licenciado em Física pela Universidade de São Paulo em 1980, obteve o mestrado no Instituto de Física Teórica em São Paulo em 1983, o Grau Avançado em Matemática na Universidade de Cambridge em 1984 e o doutoramento em física teórica na Universidade de Oxford em 1987. Desenvolveu actividades de investigação no Institut für Theoretische Physik em Heidelberg, na Alemanha, no Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN) em Genebra, na secção de Turim do Istituto Nazionale de Fisica Nucleare e na Universidade de Nova Iorque. É Professor Associado no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico, onde lecciona desde 1991. Obteve a Agregação pela Universidade Técnica de Lisboa em 1996. Publicou mais de 190 artigos científicos, em livros, jornais, actas de conferências, dos quais mais de 125 em revistas especializadas nas áreas da astrofísica, cosmologia, física e propulsão espacial, gravitação clássica e quântica, e em teorias de cordas. É autor do livro de divulgação sobre a história dos avanços na astronomia, cosmologia e teorias da gravidade, O Livro das Escolhas Cósmicas, Editora Gradiva 2006 e co-autor, com Martin Tajmar, de um livro técnico sobre aspectos da gravidade e da propulsão no espaço editado pela Agência Espacial Europeia Gravity Control and Possible Influence on Space Propulsion: A Scientific Study, European Space Agency 2002. É autor de artigos seminais em cosmologia, gravitação e sobre a possível violação de simetrias fundamentais tais como a simetria CPT, a invariânça de Lorentz e o Princípio de Equivalência. É co-autor da proposta que unifica os conceitos de energia escura e matéria escura, o modelo do gás de Chaplygin generalizado, e que deu origem ao artigo de física mais citado de sempre escrito em Portugal. Foi galardoado com o terceiro prémio da Gravity Research Foundation dos Estados Unidos em 1999, com o Prémio União Latina de Ciência em 2001, e o Prémio Universidade Técnica de Lisboa/Santander Totta de excelência científica nas áreas de Biofísica e Física em 2007. Colabora em projectos europeus no estudo da física da matéria escura, da energia escura e física fundamental no espaço, com a Agência Espacial Europeia e com o Jet Propulsion Laboratory da NASA na Califórnia.

3.11.2010

Abrasamentos por Arrastão



"Guardado e selado num crânio humano
Fechado em cela triste e sombria
Cansado pelo tédio dos anos passados
Jaz agora um espírito adormecido.
Embalado no seu sono de morte
Pela cena insulsa do professor,
O brilho dourado da televisão,
E o constante zumbido da propaganda de imprensa
Um fantoche execra encarar a luz.
Mas a tragédia fere e mostra a verdade:
Para a vida, neste mundo, há um caminho melhor
Assim o espírito acorde para a Aurora, na luz do dia."

L. Peter

Há quem ande num desatino por temer os blogs, vociferando que estes são uma ameaça constante ao bom trato da língua, contudo, quer queiram ou não, é neles que a verdadeira resistência da cultura portuguesa, de sucumbir ameaçada sob a pata europeizante da globalização, se vai fazendo, não tanto com a intensidade desejável (e aconselhada) para tamanha empresa, mas pelo menos com a agilidade e compromisso que esta merece, sobretudo nos quinhentos do reinadio, da paródia, da ironia, sem as pitadas de cinismo com que o desespero político-partidário, qual Mírdeas fadado, transforma em caca tudo o que toca. Todavia, isto não acontece por acaso. Sucede porque à abdicação constante dos órgãos e instituições competentes, advém a espécie de inveja que acompanha quem, ao assistir à concretização de algo que estava na sua alçada, não o fez, arriscando-se assim a vê-lo feito por quem não acatou o dolce fare niente decretado, e se insurgiu contra o status quo vigente, provocando a dor de corno usual e costumeira, típica do marialvismo da impotência perante as suas Severas, que insiste em fazer finca-pé no se não queres ser minha então também não serás de mais ninguém, que alimenta o sonho e choradinho de quem estragou o que tinha, mas é lesto em arranjar bodes expiatórios para o desleixo e maus tratos a que votou as consortes. Os jornais, as editoras, as rádios, as televisões, as associações de autores, os institutos, os grémios e ministérios, correram com os autores, os cronistas, os poetas, os prosadores, os fãs da lusofonia, em favor dos inglesados da cultura, férteis em todo o tipo de asneiras literárias, mas criativos no arrecadamento dos cobres, lampeiros no inglês, pese embora incapazes de discernir entre um texto e outro as diferenças de estilo ou linguajar. Trataram a língua como se fossem empreiteiros da construção e obras públicas, medidas pelo volume dos betões edificados ou pelos quilómetros de alcatrão estendidos entre desertos idiomáticos. Deram prémios a pessoas, e por amizades ou cumplicidades justificados, em de o fazerem a obras e criações, por júris isentos, imparciais, conscientes, responsáveis e tecnicamente sofríveis. Impregnaram os discursos oficiais com a humidade modelar do burro coça o burro, engrossando o caldo aos alquevas do politicamente correcto, no regadio das confrarias e corporativismos vários, com vista a encherem a atmosfera cultural portuguesa com os coloridos famosos balões de soro (subsídios) da mediocridade bem falante e dos salamaleques próprios da falsa portugalidade, fazendo apenas o bem quando esse feito propiciasse lesar outrem. Foram exímios no a favor desde que com isso pudessem ser, demonstrassem ser, e efectivamente fossem contra alguém, sobretudo se esse alguém se estivesse nas tintas para o culto personalista que comungavam, ou não aplaudisse com exorbitância e ostensivamente o chorrilho de baboseiras com que enfeitavam os seus quotidianos, enquanto personalidades de crédito nas praças da coscuvilhice, maledicência e destilarias de fel, onde passeavam frequentemente o glamour e pedantismo, irremediavelmente anexo e consequente.
Afugentaram quem lhes podia valer, e hoje, nas correntes de escrita em que ninguém escreve, nos encontros que ninguém frequenta, das edições que ninguém compra, lamentam-se como Nise do seu estado, no jeito de dizer do Elmano Sadino, pela indiferença votada, por andarem todos mais vidrados com os blogs do quem com as suas pindéricas borradelas no almaço e pardo dos enchidos e fumados, a que dão virtudes de enriquecimento, não por os venderem, não por os comprarem e lerem, mas sim por com eles conseguirem contributos e dádivas generosas das instituições que os patrocinam por compadrio político, normalmente arregimentadas nos regionalismos e bairrismos da competitividade provinciana, que nos assola desde o império do Botas até à Europa dos inglesinhos na cultura dos luteranos papistas, xenófobos e de cobres feudais trancados em masmorras de sete portas. Incapazes de reconhecer que estão queimados, abrasados, por um incêndio que eles próprios provocaram, e obrigados a pregar num deserto que a si mesmos devem, atribuem a causa da sua inactividade à actividade que a bloguistíca vai tendo, aos leitores que vai ganhando e lhe ficam fiéis, aos momentos de debate que geram, à partilha que facilitam e à troca de ideias, valores e conhecimentos que concretizam. Moribundos, quais mortos sem sepultura, apenas aguardam o golpe de misericórdia que o futuro lhes reserva; porém, ao invés de agir e usufruir o que de melhor o presente lhes propicia, seguindo até o exemplo dos países desenvolvidos, em que o direito a aceder à Internet é um direito fundamental, como o direito à educação, à saúde, à habitação, tudo fazem para impedir que mais portugueses lhe acedam, mais famílias a desfrutem, e mais cidadãos reforcem a dignidade através da sua utilização. Enfim, continuam vítimas do seu veneno e desdém, que só quando vêem que os demais estão mal, se sentem deveras bem.
Ah, pois!

3.08.2010



Contratempos e Circunspecções

"Muitas vezes o destino entrega nas mãos do homem,
todos os materiais de felicidade, só para ver
até que ponto com esses materiais ele pode tornar-se
o ser mais infeliz que existe à face da terra."

D. Marquis

Há, na vida de quem se insurge contra a desfaçatez dos dias, alturas em que não basta dizer que queremos mudar, gritarmos que queremos melhorar as nossas existências, para que isso se revele como viável, possível ou, até, apetecível perante nós mesmos, senão credível ante os demais, com quem tivemos o desplante, o desaforo, o descaramento e ousadia de desabafar, conviver, relacionarmo-nos, quer pessoalmente como pelos ajustes e exigências de profissão, uma vez que teorizar nem sempre é assim tão praticável conforme desejaríamos que fosse. Colamo-nos aos ideais, achamos que entre eles e a realidade não pode haver assim uma diferença tão medonha, cruel, inaudita, todavia, conspiremos ou não contra esse complot, o que é certo, é que, pese embora deveras contrafeitos, mais tarde ou mais cedo, não nos resta outro caminho senão admitir que uma delas, teoria ou realidade, tem fortes probabilidades de estar errada. Então, recorremos a ajuda exterior, seja a de técnicos de afinação do ser e identidade, seja à de mecânicos de atmosferas e ambientes, pois se se reconhecem desencontros entre a nossa visão e o objecto percepcionado, isso tem necessariamente de ser causado por uma inegável avaria de um deles, ou nosso, de quem vê, ou da coisa em vista. Branco é, galinha o põe, que muito pode quem determina, e as causas, neste imbróglio, são quem mais ordena e potencia.
Porém, até pode acontecer estarem as duas partes (momentaneamente) desconsertadas, como ambas certas, devendo-se a arrelia do desacerto a outros impedimentos, menos evidentes, no plano das determinantes e (d)efeitos, contudo sobremaneira contundentes sob a perspectiva dos resultados. Se dirá, porventura, consequência de contratempos, circunstâncias e respectivas, porque inalienáveis, circunspecções (de método, de área, de universo como de terminologia) adjacentes. Ponderações inevitáveis, prudências observativas, cautelas de inclinação, tempo de incidência do olhar sobre o objecto, lente motivacional, características indissociáveis ao indivíduo percuciente: acuidade, agudeza de espírito, capacidade de abstracção, olhar penetrante, ou, pelo contrário, diferencial correlativo, subjectividade, moleza do sujeito observante e tantarantantice manifestadas. Que o mesmo é dizer como, já lá vai há muito tempo, referiu Victor Hugo: "os grandes erros são muitas vezes feitos como as cordas, de uma quantidade de fios."
Ora, o fio desta meada, encontra-se precisamente no vector mais afiado da nossa convergência social, onde política e corrupção, além de sinónimos e termos familiares, por terem contraído matrimónio com a trambiquice corporativista, desde os imemoráveis idos da História, tanto da real como da fabricada, tanto da autêntica como da teórica, da factual como da ideal, digamos assim, para acertar o passo com a charla do sermão, posto que se complementam reciprocamente e uma sem a outra morreriam, irremediavelmente, por falta de cuidados e assistência no percurso. Ou seja, a política é feita de modo a facilitar a corrupção e depois desta cometida vem o corporativismo e cala-a, sobretudo para não prejudicar a imagem e bom nome da instituição, do ministério, da fundação, da ordem profissional, da escola, da autarquia, do hospital, do banco, da empresa, dos serviços centrais ou periféricos, considerando que, como aos caminhos, todos vão dar a Roma, ao Vaticano, à Mafia, ao sindicato, à confraria ou à tasca do calote e manguito à acompanhar, com bordalos de escabeche. As "crianças" maiores zupam, zurzem, arreiam nas mais pequenas e frágeis, nas escolas, nos corredores, nas salas, nos balneários e ginásios, nos campos de recreio e desporto, incluindo levam-nas ao suicídio, mas vem o corporativista-mor da Associação de Pais, ou dos profs. com responsabilidades administrativas, até aos contínuos, afirmar aos quatro ventos que não, que não há bullyng na escola, nem violência, quanto muito umas desavenças próprias da idade, de vez em quando, e que mesmo fora dela, onde não podem fazer nada, acham isso muito difícil de acontecer. Aliás, rematam, professores, alunos, pais, auxiliares de acção educativa e comerciantes das redondezas dão-se todos muito bem, como uma família. E apetece lembrar/esclarecer que os mais cruéis e hediondos dos crimes acontecem sempre dentro dela, da família, incluindo daquela que até é sagrada, como a família dos padres católicos irlandeses onde ir ao cu à criançada não era uma tragédia, mas uma secular tradição, que a corporação dos seus bispos calou, descriminalizou, multiplicou, disseminou com medo de sujar a imagem da Igreja, emporcalhar as talhas douradas ou grafitar os brocados da opa... Coincidências!
Na polícia judiciária, polícia de segurança pública, empresa de segurança privada, associação motard, clube náutico, instância turística e administrações portuárias, ou de marina, guarda republicana, ONG's e IPSS's, santas casas e lares, traficam-se drogas, influências, fazem-se negociatas escusas, maltratam-se idosos e pares que não sabem ficar calados, todavia essas "confrarias" são inalteravelmente as mais idóneas e exemplares, baluartes da competência e cidadania, de invejáveis palmarés e prestígio, em Portugal, na Europa e no estrangeiro, a que não há que atribuir a mínima mácula num mundo tão perverso e perigoso, malévolo e pejado de convites vários ao descaminho de menores e adultos distraídos, tão distantes dos valores da família que essas nomeadas instituições preservam, protegem, propalam e (contrabandeiam) disseminam – incluindo a literatura, a filosofia e a ciência, que estão recheadas de exemplos e incitam à liberdade, à consciência cívica, à responsabilidade, à emancipação e ao conhecimento. Até à política!, como sabemos pelos (tele)jornais, a quem as parangonas do activismo radical dá audiência garantida.
Na saúde, digamos, nos hospitais, não raramente matam pessoas que, sem qualquer dúvida, a última coisa que querem é morrer, porquanto se o quisessem não recorreriam à ajuda médica e ao serviço nacional de saúde, a fim de se tratarem, todavia vítimas de erros, desleixes, negligência, passam para o outro lado, às vezes mesmo sem as famílias desconfiarem minimamente do que lhes aconteceu; contudo, a Ordem dos Médicos, sempre que se fala em eutanásia manifesta-se contra, toma-se de brios, defende a moral católica apostólica da classe, e argumenta que os seus membros foram formados para salvar vidas, não para as decepar, de onde, portanto, se adivinha que matar por erro é correcto e justo, mas para aliviar a dor e propiciar uma morte mais digna e humana a alguém, seria um gesto, uma prática, criminosa e superiormente condenável. Em que ficamos? Até no matar temos dois pesos e duas medidas corporativamente registadas? Quem tem o direito de em nome de Deus se achar acima dele para decidir da obrigatoriedade de alguém viver, ainda que queira o contrário?
As pessoas que recorreram a um hospital lisboeta para fazer uma pequena intervenção cirúrgica ocular, não só não melhoram, como saíram de lá totalmente cegos, ou seja bastante pior do que estavam quando entraram nessa unidade de saúde, ocorrência que se vai generalizando, havendo mesmo quem se negue a recorrer aos hospitais portugueses para cuidar da sua saúde, sob a "desculpa" de temer sair de lá morto, como sucedeu à maioria dos conhecidos que a esses estabelecimentos recorreu, onde normalmente só estão os profissionais médicos que ainda não conseguiram colocação nos serviços de saúde privados, precisamente, porque ainda não são profissionalmente maduros e responsáveis para serem desejados pelas instituições particulares.
Delgado Domingos – professor do Instituto Superior Técnico – garantiu, em entrevista na RDP1(08.02.2010), que o modelo de previsão aplicado pelo Instituo de Meteorologia português não contempla, nem se coaduna com a Madeira e os Açores, posto que tendo sido aplicado o modelo matemático já há anos referenciado, facto esse do indesmentível conhecimento governamental, principalmente do ministro Mariano Gago, terem podido evitar-se dezenas de mortes na Madeira, se a previsão possibilitada pela aplicação do dito modelo tivesse sido feita, uma vez que daria a antevisão do cenário com uma semana de antecedência.
Por conseguinte, não restam dúvidas que, se de todos os animais conhecidos, o homem é não só o mais complicado como o mais fabuloso, que até nas suas teorias cria o obstáculo que as inutiliza e inviabiliza, com o facto de serem muito lindas e sobejamente impraticáveis, de entre os homens, os portugueses, com ou sem PEC à porta, além dos mais parecidos com esses seres que envergonham qualquer animal supostamente irracional, são também aqueles que não satisfeitos por serem fabulosamente complicados, são inclusivé os que conseguem elevar tudo o que é complicado à potência de pantominice, tramóia, embuste, plano oculto e estratégia política, quer dizer, politiqueira. É bom para entreter o funcionalismo desocupado, atrapalha e atrofia a vida aos contribuintes, parece que traz progresso mas atrasa significativamente o nosso desenvolvimento, consome rios de dinheiro, mas não resolve coisíssima nenhuma nem serve absolutamente para nada, excepto para enriquecer quantos sejam mais lestos e expeditos que as leis, como impedimentos legais à corrupção, ou a aplicação dessas leis, supostamente credíveis, objectivas, imparciais, independentes, rigorosas e suficientes. Enfim, são uns sortudos, pelo menos desde que os deuses se reuniram n'Os Lusíadas e dois deles, os mais desenfadados, votaram a nosso favor: Baco e Vénus. Por outras palavras, determinaram que éramos um povo que o que queria essencialmente, e para o que tinha vocação, era meninas e vinho verde. O que eu apoio incondicionalmente, sem resquícios de hesitação ou menor sombra de remorso... E quem é que não quer, hãn?!

3.05.2010

Rótulos!

"Numa várzea sobre que soluçava o mar, apascentava Europa a sua boiada branca. Ao sol eram de noite os seus cabelos, ao luar eram sóis os seus olhos."
Aquilino Ribeiro, in O Touro Através a Mitologia e a História, publicado na ILUSTRAÇÃOPORTUGUESA de 16.11.1908

Mal sabia eu que a diferença existente entre o às vezes ter uma coisa e o às vezes não ter essa mesma coisa, depende em absoluto da maneira como as pessoas nos vêem e da consideração que têm por nós, ou do rótulo que nos colaram (à revelia, e sem que nos conheçam suficientemente para o fazerem), porquanto afirmar que uma pessoa às vezes tem razão significa que, não obstante ser geralmente falha dessa razão, às vezes, quiçá de rara frequência, até evidencia alguma, o que, lógica e racionalmente, está inversamente proporcional ao às vezes não tem razão, considerando ser isso sinónimo de geralmente a ter, embora, pontualmente ou esporadicamente, a perca por isto ou por aquilo. Ora, como numa conversa recente descobri, o busílis reside precisamente em haver pessoas «capacitadas» para coisificar tudo, incluindo a razão, que põem numa balança e pesam como ao toucinho, matéria peganhenta de que Alá também não gostava, fazendo da razão uma fita de papel higiénico, com relevante picotado, a que assoam o seu monco intelectual sempre que querem emporcalhar a imagem de outrem, propondo como Arquimedes, que essa viscosidade derramada seja correspondente ao volume da inteligência mergulhada nos objectos do conhecimento, atribuindo à razão uma medida (alqueire) de propriedade, título honorário, diploma ou moeda, sujeita a flutuações cambiais consoante a excitação que as pessoas lhe provocam na pituitária dos corporativismos serôdios.
Metem a razão no cu... – perdão! –, no cocuruto das suas carreiras, e atribuem-lhe valor de bandeirola para limitar o quadradinho de cagança narcísica, qual campo de contenda e peleja onde esgrimirão o gosto deste e o não gosto daquele, como se isso fosse, da vida, o supra-sumo de suas excelsas e apaniguadas (e medíocres) existências, achando-se inclusive com sobejo mérito para avaliar os demais, essencialmente segundo a sua bitola, autoproclamando-se não só avaliadores, mestres e especialistas – na arte da má-fé e maledicência –, mas ainda, e igualmente (por habilitados e exímios), medida para a bondade alheia, para, lá do cume do seu império, açularem os cães da alma a quem não lhe teça loas dia sim, dia sim, lhe bata histéricas palminhas e apelide de pérolas preciosas as asneiras que proferem, quase sempre clichés velhos e gastos, ecos da outra senhora que experimentava o transe místico sob paixoneta assolapada pelo misógino Botas, sublimando a mais-valia dos provincianismos arcaicos e suburbanos, por cuja tacanhez, provincianismo e manifesta desconfiança (ou alienação) pela inteligência dos outros, nunca foram capazes de esconder a inveja (unhas) nos sapos que tiveram que engolir, sobretudo nos de mais recentes coaxares, em deriva das alterações climáticas, destruição da orla costeira nacional, cheias, intempéries e catástrofes, como a que aconteceu na Madeira, falecimento do modelo económico, subida galopante do défice e endividamento, insustentabilidade do sistema de segurança social, etc.
Pois bem, vamos então acertar isto, de uma vez por todas: jamais pretendi ter razão, fosse no que fosse, e apenas por tê-la, vendo nela um cavalo de batalha, da qual, em manifesta vantagem argumentativa poderia colher louros, prosperando com o inegável abespinhamento dos outros, lucrando privilégios com o empecilho moral e intelectual da razão, nem me ative a racionalizar quando podia aprofundar esta ou aquela temática mais polémica, portanto, era conveniente que os detentores da verdade e da sensatez, da imaculada ventura que é olhar os demais para se esconderem de si mesmos, se deixassem de escandalizar com o facto de haver alguém que me considere poeta, quando faço poesia, opinion maker quando gizo crónicas, crítico quando teço críticas, escritor quando desenrolo enredos, (e-)leitor quando me envolvo em comunidades/grupos de leitura, político quando me candidato a eleições, ecologista se me insurjo contra a insustentabilidade social, ambiental, económica, territorial e humana, democrata quando defendo a cidadania em vez do corporativismo, a participação em lugar da representatividade – porque se o faço, é porque sou humano, responsável e consciente, no usufruto das liberdades, direitos e garantias que a Constituição Portuguesa me confere, e não mais um touro branco do rebanho de bestas para quem a benção do almocreve-mor é quase uma dádiva divina. Que prefiro às vezes não ter razão, a permitir que me colem os rótulos que melhor convenham a quem ostraciza mas diz que tolera, diminui mas argumenta, que o não faz intencionalmente, mas apenas repete uma maneira de dizer. Porque o não é, mas uma maneira de difamar. De amolar o próximo, de apoucar a sua inteligência. Aliás, se são assim tão bons, tão competentes e tão dignos, porque é que Portugal está como está, se foram sempre quem superintendeu aos seus destinos?
Limpem a vossa razão à parede, que esse será o grafite rupestre da magnanimidade racional que tão bem executaram enquanto puderam. A herança que os vossos filhos e os filhos dos demais, vão ter carregar, e sofrer, vida fora. E parabéns! (Já agora...)

2.26.2010

21º ANIVERSÁRIO DA ECOLOJOVEM-“OS VERDES”
“O PAPEL DA JUVENTUDE ECOLOGISTA NA VIDA DOS JOVENS”



A Ecolojovem – “Os Verdes”, organização de juventude do Partido Ecologista “Os Verdes”, que celebra hoje o seu 21º Aniversário, vai realizar um jantar/convívio e uma tertúlia, no âmbito desta comemoração.
Esta iniciativa terá lugar no próximo Sábado, dia 27 de Fevereiro, com início às 20 horas, no Restaurante “Gruta da Esperança”, em Lisboa, e pretende-se debater a importância da juventude ecologista na vida dos jovens e quais as respostas e propostas que a Ecolojovem – “Os Verdes” apresenta perante os desafios e dificuldades que os jovens vivem actualmente, no sentido da construção de mundo mais justo e sustentável.
Para mais informações poderão contactar a Ecolojovem – “Os Verdes” através do número 919 615 508.
A Ecolojovem – “Os Verdes”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
www.osverdes.pt


2.25.2010

Do filósofo Fernando Savater, sobre a indisciplina nas escolas




Especialistas reunidos em Espanha



Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar


Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.
'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa.
'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.
Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.
'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.
Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.
Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.
Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

Concorda? Então divulgue...
PIDDAC 2010
“OS VERDES” ENTREGAM PROPOSTAS PARA O DISTRITO DE PORTALEGRE

Na sequência do paupérrimo investimento público que o Governo propõe no Orçamento de Estado para 2010, relativo ao PIDDAC para o Distrito de Portalegre, promovendo assim o empobrecimento económico e social deste Distrito, o Grupo Parlamentar “Os Verdes” propõe aditamentos ao PIDDAC com o objectivo de garantir mais investimento público para o Distrito de Portalegre, combatendo os efeitos da sua interioridade, garantido melhores padrões ambientais e também a dinamização da sua actividade económica.

Foram, assim, hoje, entregues pelo Grupo Parlamentar “Os Verdes” na Assembleia da República, as seguintes propostas de alteração ao PIDDAC 2010:

Projecto de construção de uma Escola Superior de Turismo em Ponte de Sor
Projecto de electrificação da linha ferroviária do Leste
Projecto de electrificação do ramal de Cáceres
Projecto de valorização da área do GEOPARK
Projecto de despoluição e regularização da Ribeira de Sor
Projecto de qualificação ambiental da zona mineira do concelho de Nisa
Projecto de requalificação das muralhas do Castelo de Campo Maior
Criação de marca regional para dinamização da actividade económica do distrito de Portalegre

“Os Verdes” esperam que os restantes Grupos Parlamentares tomem consciência da relevância destes investimentos, designadamente para o objectivo nacional de combate às assimetrias regionais.

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
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Lisboa, 23 de Fevereiro de 2010
Encontro pela proibição
dos despedimentos

27 de Fevereiro (sábado) às 15h30m

na Biblioteca-Museu República e Resistência, na Rua Alberto de Sousa, nº 10 A, Lisboa
(Do Boletim de Preparação do Encontro)
Introdução

A 4 de Março, ao apelo de todos os sindicatos dos trabalhadores da Função Pública, estes trabalhadores realizarão uma greve geral para defender os seus postos de trabalho, as pensões de reforma, bem como os serviços públicos que são imprescindíveis ao normal funcionamento da sociedade em que vivemos.
Todos juntos, em todo o continente e ilhas, os funcionários públicos assumirão com esta atitude a maior garantia de defesa da soberania nacional, atacada pela ditadura e a desordem do capital financeiro e especulativo, que – através das instituições da União Europeia – quer sugar toda a riqueza produzida pelos trabalhadores, única maneira de poder continuar a manter a espiral da especulação.
A Comissão pela Proibição dos Despedimentos saúda as organizações e os trabalhadores que apelam e preparam esta greve, com a convicção de que será por aqui o caminho que poderá levar a que os mandatos dados pelos trabalhadores aos deputados da Assembleia da República adquiram o seu verdadeiro peso democrático, para que seja construído um acordo para um Governo determinado a recusar a subserviência às instituições da União Europeia. Um Governo que garanta:
- a actualização dos salários e das pensões de reforma, em vez do seu congelamento e redução do poder de compra;
- a manutenção de todos os serviços públicos com os seus postos de trabalho, em vez do corte de mais 35 mil contido na proposta do Orçamento do Estado (que a Assembleia da República já aprovou na generalidade);
- uma lei que proíba os despedimentos e garanta todos os direitos do trabalhadores, roubados no novo Código do Trabalho.
Esta Comissão saúda, igualmente, a luta e os processos de resistência dos trabalhadores em múltiplos locais de trabalho, ameaçados de despedimento, com contratos precários, a luta das centenas de milhar expulsos da vida activa, com a convicção de que existem as condições para que se opere em Portugal e nos outros países da Europa uma viragem nos acontecimentos. Todos juntos seremos capazes de enfrentar as dificuldades, os problemas e encontrar as respostas para os mesmos.
Não foi assim no 25 de Abril de 1974?
Sem pretender substituir-se a nenhum sindicato ou partido político, animada da profunda vontade de agir para a unidade, para que esta viragem positiva se concretize, esta Comissão pela Proibição dos Despedimentos organiza um Encontro, no dia 27 de Fevereiro, em Lisboa.
Todos estão convidados. Como dizia o Zeca: “Traz um amigo também!”
Neste pequeno boletim publicamos alguns relatos de encontros com militantes do movimento operário que apoiam esta iniciativa, bem como um documento da Comissão de Defesa da Escola Pública.
Como nasceu esta iniciativa


Esta iniciativa decorre da batalha política pela proibição dos despedimentos, iniciada em Abril de 2009, e que juntou a assinatura de 1450 trabalhadores, estudantes, desempregados, dirigentes e delegados sindicais, membros de Comissões de trabalhadores.

Primeiros membros da Comissão de preparação do Encontro, constituída a 31 de Outubro, em Lisboa: Ana Tavares da Silva e Helena Gomes, professoras; Aires Rodrigues, dirigente do POUS; Carlos Melo, bancário aposentado; Carmelinda Pereira e Paula Montez, coordenadoras da Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP); Helena Wallis de Carvalho, funcionária pública aposentada; João Ricardo e Margarida Pagarete, estudantes/ensino superior; Joaquim Pagarete, da Comissão Coordenadora de Aposentados do SPGL; José Marques Guimarães, historiador; António Serra, ex-membro da CT da Casa da Moeda - Imprensa Nacional; Jorge Torres, da CT da UNOR; Isabel Pires, dirigente SPGL.

O que nos liga

Somos militantes de diferentes quadrantes políticos e sindicais, não pretendendo de algum modo substituir-nos ou concorrer com qualquer partido, sindicato, ou comissão de trabalhadores, consideramos ser necessário agrupar uma força militante, transversal a todo o movimento operário.
Esta força deve ser capaz de contribuir para o movimento de unidade dos trabalhadores com as suas organizações, com base na seguinte perspectiva: impor um Governo capaz de proibir os despedimentos e de criar as condições de desenvolvimento das forças produtivas do nosso país, no quadro da cooperação solidária com os outros povos da Europa e do resto do mundo.
Tal orientação coloca na ordem do dia a renacionalização dos sectores estratégicos da economia e a ruptura com a ditadura do capital financeiro e das multinacionais, imposta através das instituições da União Europeia e dos seus tratados.

Intervenções já desenvolvidas em torno desta batalha política:

- Participação nas eleições ao Parlamento Europeu, numa lista completamente centrada neste objectivo, para a qual o POUS pôs a sua sigla á disposição deste objectivo.
- Delegação á direcção da CGTP (a direcção da UGT declinou o pedido de encontro);
- Delegações à Comissão Política do PCP e à direcção do BE;
- Encontros com as seguintes Comissões de Trabalhadores: GALP-Energia, EPAL, Portugal-TELECOM, TAP, Ground-Force, BPI, CGD e sector das Alfândegas;
- Reunião com a direcção do Sindicato dos professores da Grande Lisboa (SPGL);
- Encontro com a Direcção do Sindicato dos Operários Vidreiros.

Subscrevem o apelo ao Encontro:

- Comissão de Trabalhadores (CT) dos Serviços Portugueses de Handling S.A (SPdH - Groundforce);
- Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP);
- Executivo da CT da Auto Europa;
- Francisco Gonçalves, Mário Ralha e Amândio Taveira – membros da CT da Portugal Telecom;
- António Castela – Coordenador da CT do Sector das Alfândegas.

No Encontro de 27 de Fevereiro irá intervir Luis González, dirigente do Sindicato dos Médicos da Andaluzia (CCOO – Comissões Operárias)
A Aposta


"A escrita, exterior ao dilema, é a «terceira arquitectura», multiplicação das operações de apresentação do inapresentável: experimentação, construção de cenários, de simulações, multiplicação das lentes, das fontes de luz, das velocidades, etc."
Silvina Rodrigues Lopes, In Aprendizagem do Incerto


Embora se tenha perdido o hábito de nomear a fonte ou o autor desta e daquela sentença, mais ou menos grafitável no muro das nossas lamentações, a que concupiscentemente convencionámos chamar «consciência», arrisco citar Rudolf Arnheim, que no seu Film as Art, garantiu que "nos bons filmes todos os planos devem contribuir para a acção", porquanto é inegável que nesta coreografia e montagem do cenário político nacional, a maior parte dos planos aduzidos à problemática da insustentabilidade portuguesa, nomeadamente a que reitera a nossa colagem sócio-económica aos países com maiores dificuldades de crescimento e estabilidade, venha a pílula do PEC dourada com o esfuziante optimismo dos amesendados à távola quadrada do Orçamento de Estado, ou gizada em baixa pelo trauma do cada tiro, cada melro, com que as instâncias do poder (governo, parlamento, tribunais, autarquias) nos têm generosamente brindado nos últimos anos, não só são planos falhos de significação em tomadas de atitude de valorização da biodiversidade, de luta contra a pobreza e de atenuação da exclusão social recorrente do especismo partidário (& corporativista), como evidenciam a histórica indiferença pela degradada portugalidade, desde que com ela não se ganhem «fundos» imediatos, motivos para recorrer a empréstimos, hipotecas e demais dinheiros de multiplicação do défice e endividamento, nem haja cortes radicais nas despesas de governância, incluindo nos chorudos vencimentos dos gestores da coisa pública e seus apaniguados «cúmplices», que são também os mais beneficiados com a suas gestões danosas: os políticos da moderação central, sobretudo aqueles que têm medo de perder o emprego, e que desconfiam que qualquer mudança os vais prejudicar, uma vez que assim é que se está bem, não fazendo nada, saindo cedo, saltitando de comissão em comissão, de tutela em tutela, sem mexer uma palha e armando aqui e ali, aos adversários de tacho, indignos concorrentes, a sua partidinha, com retórico visco e judicial esparrela.
Para o conseguirem, na necessidade de limpar a imagem negativa do «chefe» Sócrates, resolveram sacrificá-lo, atirá-lo à arena pública, qual David acossado, frágil (a governar só com maioria relativa, coitadinho) e incompreendido, para defrontar o colosso mercenário veterano Golias sabidão das lides da inculca, o ciclópico M Sousa T, que devia estar impaciente e ansioso por estraçalhar alguém, viesse ele de onde viesse, e mesmo «nobre» amigo que fosse. Fizeram-se apostas, triplicaram e quadriplicaram-se as notas de cinco € entre os fregueses da quadrilhice brejeira, fizeram-se tertúlias de imperiais e tremoços, cuspiu-se muita congeminação nos mercados municipais e bares de esquina, aventaram-se algumas hipóteses de reconciliação entre eleito e eleitores ainda não arrependidos, apesar de muito envergonhados, lambeu-se basta orelhinha peluda, todavia a moita pariu tão-só duas melgas que andaram à volta da luz, de largo, como as câmaras de serviço, pilares na arquitectura da régie, uma para cada um e outra pròs dois, canha aqui, canha ali, temendo queimar as asas nas lamparinas do insucesso, como nem sequer faria qualquer pernilongo em amazónicos pântanos. Pior: não aqueceu, nem arrefeceu, e muito menos provocou a autoflagelação costumeira aos campistas de paul, as chapadas na própria cara, com a tentativa de matar o bichinho zunidor, que nos inspirou o tal comentário comum entre «profissionais» do mesmo ofício: eis dois grandes amigos – não podem é dizê-lo, na frente das esposas, que há uma temporada lhes têm andado a estranhar o desempenho...
Ora, razão tinha o Zeca, quando pedia mais cinco, de uma assentada, porquanto nessa aposta, embora tenha sido triplicada, o que é certo, mesmo certo, é que se entre entrevistador e entrevistado nenhum deles nada perdeu, de novo nós, as audiências enlutadas pelo desbotado e impreciso das gravatas, também ganhamos absolutamente nada. O que é apenas lamentável, digamos, para nos acautelarmos providencialmente...
E é muito bem-feita, para não andarem a apostar com quaisquer cinco réis, como se supõe dizer-se entre a nossa gente, desde Aquilino – pelo menos! – que era o peso maior que lhe concedia. Principalmente porque cinco é de um muito elevado apreço, é uma mão-cheia travessa de dedos, com o polegar a pedir boleia a Deus, onde cabem tanto mulher e homem, como todo o conhecimento da humanidade.


2.22.2010

Conferência do ciclo NAS FRONTEIRAS DO UNIVERSO
Fundação Calouste Gulbenkian Auditório 2
Transmissão directa nos espaços adjacentes
Videodifusão http://live.fccn.pt/fcg/


24 Fevereiro 2010 18h00 NAS FRONTEIRAS DA GRAVITAÇÃO VITOR CARDOSO

A Relatividade Geral de Einstein é tida como um dos maiores feitos do
pensamento humano. Nesta sessão vamos falar um pouco sobre o que esta
teoria é, e o que nos diz acerca do mundo que nos rodeia. Vamos também
debruçar-nos sobre algumas das previsões mais fantásticas, como
buracos negros e ondas gravitacionais, passando pelas lentes
gravitacionais.

___________________

Vitor Cardoso é investigador no Instituto Superior Técnico (IST), onde
trabalha no CENTRA - Centro Multidisciplinar de Astrofísica. É também
professor-adjunto na Universidade do Mississippi. Foi investigador de
pós-doutoramento nas Universidades de Coimbra, Washington em St.
Louis, e Mississippi.

Recebeu em 2002 e em 2005 o Prémio de Estímulo à Investigação da
Fundação Calouste Gulbenkian pelo seu trabalho sobre buracos negros e
em 2008 o Prémio Jovem Investigador UTL/ Caixa Geral de Depósitos, na
área de Física.
Em 2008-2009 foi cientista Fulbright no Mississippi e é actualmente
membro da colaboração científica do LIGO. A sua pesquisa incide
principalmente sobre buracos negros, fontes de ondas gravitacionais e
a sua detecção, e também sobre efeitos gravitacionais em colisões
relativistas.

2.12.2010

Intervenção de encerramento do Deputado José Luís Ferreira no debate na generalidade sobre o Orçamento de Estado
– Assembleia da República, 11 de Fevereiro de 2010 -

No encerramento do debate na generalidade do Orçamento de Estado para 2010, a primeira referência que cabe aqui fazer, tem a ver com o caminho que o Governo escolheu para assegurar a aprovação deste orçamento.
Tem a ver com a opção política do governo, na escolha dos parceiros, porque a opção quanto ao conteúdo do orçamento e às politicas que dai decorrem, estavam já, mais que definidas.
Muito provavelmente foram apenas necessários alguns pequenos ajustes.
O Governo que começou por conversar com quase todos os Grupos Parlamentares da oposição, depressa deixou pelo caminho os Partidos á sua esquerda.
Para negociar com a esquerda teria de mudar a politica, confessou ontem o Sr. Primeiro Ministro. E isso era muito aborrecido, acrescentamos nós.
Assim, foi mais fácil. O orçamento também agrada á direita e portanto as coisas estão, desta forma, facilitadas.
E não é só o Partido Socialista e a direita que ficam satisfeitos com este Orçamento.
Também os Bancos e os grandes grupos económicos encontram motivos para satisfação, porque têm assim a garantia de continuarem na cavalgada dos fabulosos lucros que, mesmo em tempos de crise, têm vindo a apresentar.
Só nos primeiros 9 meses de 2009, os 5 maiores bancos acumularam lucros superiores a 1,6 milhões de euros.
E a insensibilidade social, ou a imoralidade, que tem vindo a reinar, vai, pelos vistos, prolongar-se no tempo, já que este orçamento ao mesmo tempo que garante a estabilidade dos lucros para o sector financeiro,
impõe a redução dos salários, menos emprego e menos apoios sociais, para a generalidade das pessoas.
Trata-se de um Orçamento que assume a continuidade de uma política vazia e oca, no que diz respeito a uma estratégia de desenvolvimento.
Que se mostra incapaz de combater o maior problema com que nos deparamos actualmente, o desemprego, e que atinge mais de 700 mil cidadãos.
E sobre este problema grave, o Governo, dá um mau exemplo, e um exemplo de mau gosto.
Em jeito de uma espécie de politica franciscana, do “olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço”, o Governo retoma a formula na Administração Pública, do saiem dois e entra um.
Um orçamento que impõe o congelamento dos salários aos funcionários públicos mais mal pagos da Europa.
Provocando uma diminuição real dos salários, daqueles que perderam nos seus escalões mais baixos, em média, cerca de 4% do poder de compra real, nos últimos 10 anos.
Que ao invés de apostar mais na acção social escolar, procura desresponsabilizar o estado das suas funções, como se constata com a criação do sistema de garantias de empréstimo bancário aos estudantes.
Que não procura combater de forma eficaz a fuga e a evasão fiscal.
Que teima em não proceder á tributação generalizada das mais-valias e insiste na concessão de benefícios fiscais ilegítimos.
Que se basta com a parca tributação efectiva do sector financeiro e dos seus muitos milhões de euros de lucros.
Ao mesmo tempo que permite o alastrar dos níveis de pobreza e a persistência de um dos maiores níveis de desigualdade social e de distribuição de riqueza da União Europeia.
Um orçamento que encolhe o investimento público.
E que através do aumento da cativação, transforma o investimento real disponível para 2010, inferior em cerca de 100 milhões de euros, relativamente ao investimento de 2009.
É mais que visível, a quebra generalizada do PIDDAC, muito perto dos 25% quando comparado com o montante executado no ano passado, caindo assim para o nível mais baixo dos últimos oito anos.
E ao mesmo tempo que o PIDDAC emagrece, as parcerias publico-privadas, engordam.
Na saúde crescem 60%, na ferrovia crescem mais de metade e na rodovia aproxima-se da duplicação.
Como consequência temos o acentuar da desorçamentação e a respectiva dificuldade de fiscalização por parte desta Assembleia, relativamente aos contratos que o Estado vai assinando com os privados, questão que, aliás, tem sido levantada pelo Tribunal de Contas.
Mas mesmo magro o PIDDAC poderia contribuir para combater as assimetrias regionais. Mas nem isso.
Os distritos do interior assistem a uma substancial redução, fomentando ainda mais a desertificação do interior.
Relativamente ao ambiente, confirma-se que o governo continua a ver nesta área o parente pobre em termos orçamentais. As verbas continuam a cair.
De 2009 para 2010,o total consolidado passa de 581,2 milhões de euros para 330,4 milhões.
E nem o facto de estarmos no ano internacional da biodiversidade teve algum peso ou relevância na ponderação do Governo.
As verbas destinadas á Conservação da Natureza continuam a cair de forma abismal. Só de 2009 para 2010, caiem cerca de 5%.
O ICNB tem hoje uma verba que corresponde a metade da verba que tinha hà 7 anos atrás.
Cortes sucessivos, que nos dão a clara dimensão da importância que as áreas protegidas e a conservação da natureza revestem para o Governo.
Quanto á agricultura, tendo-se verificado atrasos substancias na definição e aplicação do PRODER, nos últimos três anos, seria de esperar que este ano se procurasse recuperar o atraso desse período, nomeadamente no que toca aos investimentos nas exportações.
Mas não, com uma dotação de apenas 600 milhões de euros para o PRODER, o que iremos ter é um potencial desperdício de verbas comunitárias destinadas á Agricultura Portuguesa.
Assistimos assim a uma total incapacidade do Governo para inverter a situação vivida na nossa agricultura, que devia ser encarada como um sector estratégico e que através da sua modernização poderia fomentar o desenvolvimento rural, criar e manter de forma sustentada, postos de trabalho e caminhar para a nossa soberania alimentar.
Estamos portanto, na nossa perspectiva, perante um mau orçamento.
Um mau orçamento porque vai contribuir para agravar o custo de vida e o aumento das desigualdades sociais
Um mau orçamento porque vai acentuar as assimetrias regionais e obrigar as autarquias a adiar projectos necessários e indispensáveis ao desenvolvimento local e ao bem-estar das populações.
Um orçamento, baseado, como outros o foram no passado, em previsões de receitas fiscais, de crescimento e de inflação de duvidosa sustentabilidade, e cuja única certeza é aquela que os trabalhadores conhecem desde há anos: a contenção salarial.
Por fim, dizer que os contornos que envolveram a elaboração deste orçamento de Estado, foram tão nebulosos que chegamos a esta fase, sem saber,
se este é o orçamento do Bloco Central, alargado ao CDS/PP, ou se é o orçamento da AD, alargado ao Partido Socialista.
Seja como for, resta-nos a certeza de estarmos perante um orçamento de continuidade com as politicas do passado e cujos resultados, infelizmente, todos conhecemos.
E porque se conhecem os resultados dessas politicas, “Os Verdes” vão votar contra.

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
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Onde a liquidez da água livre

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